"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 29 de junho de 2013

LIVRE PENSAR É SÓ PENSAR...


 
29 de junho de 2013
Millôr Fernandes

O HUMOR GENIAL DO DUKE

Charge O Tempo 29/06

29 de junho de 2013

O DESENCANTO DE FHC

 

Em recente entrevista ao Canal Livre, da TV Bandeirantes, o ex-presidente Fernando Henrique lamentou a atitude sectária de Lula e do PT, ao tentar fazer dele e do PSDB o bode expiatório das mazelas do país. “Passei a faixa presidencial ao Lula com emoção”, disse FHC, supondo que uma parceria ali se estabelecesse.

Deu-se o contrário. Já no dia seguinte à posse, José Dirceu, o “capitão do time”, brandiu pela primeira vez o bordão da “herança maldita”, que se tornaria peça de resistência da Era Lula.

Tudo o que não funcionava, tudo o que se revelava desastroso nas ações do novo governo tinha dono: a herança maldita de FHC. Paradoxalmente, Lula mantinha os fundamentos econômicos do governo anterior, incluindo nomes que haviam sido sustentáculos daquele período, como o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Fernando Henrique, com a bagagem que tem – e, sobretudo, com a íntima e veterana convivência com o pensamento esquerdista -, não tinha direito a tanta ingenuidade. Nada do que leu, ouviu ou observou poderia fazê-lo supor que o PT admitisse a hipótese de alternância democrática no poder. Senão, vejamos.

Já na sequência do Plano Real, quando sua candidatura mostrou-se inevitável, FHC convidou Lula para vice, na tentativa de estabelecer uma parceria que vislumbrava de longo prazo, capaz de conduzir o país por décadas.

A simples proposta ofendeu Lula e o PT, que só a admitiam se a composição fosse inversa: Lula na cabeça e FHC de vice. Sabiam que era impossível, pois a vez era do Plano Real, que o PT havia combatido e ainda combateria por muito tempo.

Mas ali ficou claro que o projeto do PT – um projeto revolucionário, ainda em curso - não previa parceiros; no máximo, aderentes ou cúmplices.

Sem o apoio dos petistas, FHC, que não poderia governar apenas com o PSDB, aproximou-se do PMDB e do PFL, numa guinada conservadora, provocando por parte do PT – o mesmo partido que reabilitaria Fernando Collor, Renan Calheiros, José Sarney e tantos outros progressistas - acusações de submissão “à direita”, “traição ao povo” etc.

Mesmo bombardeado ao longo de seus dois mandatos, FHC, não se sabe por onde, ainda nutria a expectativa de parceria com Lula. Tanto que chegou a dizer a José Serra, candidato de seu partido em 2002, que “a vez agora é do Lula”. E, visitado pelo candidato do PT em palácio, antes da vitória, apontou-lhe num gesto a cadeira presidencial e disse: “Esta cadeira é sua”.

Ao receber a faixa presidencial, Lula retribuiu os rapapés com uma frase que jamais poria em vigência: “Fernando, aqui você terá sempre um amigo”.

No dia seguinte, o “amigo” viraria “herança maldita” e só voltaria a ser procurado quando explodiu o Mensalão. FHC, como se sabe, foi quem sustou a tentativa oposicionista de impor o impeachment a Lula.

Uma década depois, a herança maldita trocou de lado e tem novo dono: o próprio PT, alvo dos protestos das multidões nas ruas. A diferença é que, do outro lado – da oposição -, não há liderança sobre os manifestantes, que não se identificam com nenhum partido. É um protesto multifacetado, que o PT, com sua logística junto aos sindicatos e movimentos sociais, tenta cooptar.

Dilma Rousseff é o bode expiatório, tida pelos radicais como não suficientemente esquerdista. Prepara, ainda que à sua revelia, o caminho de volta de Lula, que, em sua primeira manifestação desde que as ruas foram ocupadas pelos protestos, optou por incentivá-los, como se nada tivesse com eles.

Há uma queda de braço nas ruas: de um lado, as forças organizadas de esquerda - minoritárias, mas não inexpressivas -, que deflagraram o movimento, com objetivos pontuais, de desgastar governantes de oposição; de outro, uma imensa massa, que aderiu por razões sinceras e que vão muito além do aumento das passagens de ônibus.
É grande, mas desorganizada, sem meios de dar consequência prática à sua insatisfação.

Lula, em cena, aposta na sua logística e já acusa a direita – mais desarticulada e inorgânica que as massas – de responsável pelos atos de vandalismo. Sabe que não é e sabe de onde vêm. Mas recorre ao velho estratagema de Lênin para iludir a opinião pública: “Acuse-os do que você faz”. Funciona.
No mesmo Canal Livre, sem mencionar a contribuição involuntária que deu a tudo isso, FHC lamenta: “O Brasil está sem rumo”. É, parece que sim.


29 de junho de 2013
Ruy Fabiano é jornalista.

DORMINDO COM O INIMIGO


Hoje vou lutar pelo inimigo. Passei na Livraria da Vila, no shopping Higienópolis, e fui ver o que havia de novo em matéria de literatura religiosa. A estante é paupérrima em bons títulos. Sob a rubrica Religiões, estão dispostos livros catequéticos e de auto-ajuda, algo sobre judaísmo, islã e espiristismo e o resto é silêncio. Vez que outra, encontro um estudo sério, como os livros de Bart Erhman. Com sorte e paciência, sempre se cata algo legível.
Hoje, encontrei uma edição no mínimo curiosa, Cristianismo, organizada por Ann Marie b. Bahr, impressa na China, em português, e publicada em Postdam, Alemanha, 2011. Capa dura, iconografia belíssima, dimensões 32,5 x 24,5cm, 448 páginas. Atenção: 3,3 quilos.

Trata-se de uma muito bem elaborada história do Cristianismo, que analisa a religião, desde seu surgimento, a Bíblia, a oração, os ritos religiosos, entre outros tópicos. No cardápio: Os primeiros cristão e as primeira igrejas; O Cristianismo durante o Império Romano; O Sacro Império Romano; As cruzadas; As mulheres cristãs ao longo dos séculos; A Reforma; Espanha, Portugal, e a Inquisição; A Igreja anglicana; A Contra-Reforma; Ciência e Religião; Os cristãos indígenas; Do evangelismo ao tele-evangelismo; entre outros.

Não é livro para ler de cabo a rabo. É mais um dicionário, onde podemos nos informar sobre concílios, dogmas, expansão da nova religião, Reforma e Contra-reforma, outros cristianismos. Em uma primeira trecheada, a exposição pareceu-me honesta. De qualquer forma, o volume traz os dados básicos sobre o cristianismo. Recomendo. Particularmente pela farta iconografia. Quem gosta de arte sacra vai delirar. É obra que enobrece uma biblioteca.

É daqueles livros que não se pode deixar de comprar quando o vemos numa livraria, pois logo sai do mercado e depois só em bibliotecas. Preço amistosíssimo, coisa de livro editado na China,199 reais. No Brasil, não sairia por menos de 500 reais. Consegui 15 % de desconto e tinha um bônus de 30 na livraria. Paguei 140.

De lambuja, resolvi dar-me mais um presentinho, O Livro dos Santos, assinado por Rogério de Campos, uma coletânea de santos propósitos destes heróis da Santa Madre. Vale a pena. Segue uma mostragem, o curioso itinerário de Santo Onofre, bela demais para ser feliz.
Santo Onofre, antes de ser santo, era uma moça muito bonita no Egito do século IV. Alguns dizem que era muito virtuosa, enquanto outros afirmam que, ao contrário, era bem dissoluta. Seja como for, todos concordam que era uma mulher muito bonita, que um dia cansou-se do assédio masculino e pediu a Deus que a livrasse daquela incômoda beleza.

Deus atendeu aos pedidos de Santo Onofre e fez com que ficasse feia e barbada. Santo Onofre tornou-se então uma eremita. Andava nua, coberta apenas pelos longos cabelos e pela longa barba. Diversos retratos antigos a mostram usando uma pioneira minissaia baloné feita de folhas. Mas na Yilanli Kilise (igreja da serpente), na Capadócia, Santo Onofre aparece nua.

Não podemos ver seu sexo por causa de uma grande folha rosada de palmeira, mas podemos ver suas mãos delicadas e seus seios arredondados. Santo Onofre viria do egípcio uen-nefer, “aquele que está sempre feliz e satisfeito”.


Vivendo e aprendendo. Santo Onofre, quem diria? O cristianismo guarda mistérios surpreendentes. O livro promete. Certamente voltarei ao assunto.


29 de junho de 2013
janer cristaldo

CONFLITOS MORAIS ENTRE EUA E ÁFRICA

 



Pondo a nu um forte conflito moral, o presidente americano Barack Obama na quinta-feira (27 de junho) exortou os líderes africanos a estender direitos especiais para gays e lésbicas, mas foi repreendido de forma direta pelo presidente do Senegal, o qual disse que seu país “ainda não está pronto” para descriminalizar a homossexualidade, de acordo com uma reportagem da Associated Press.
 
Obama iniciou sua viagem de uma semana a África um dia depois que o Supremo Tribunal dos EUA derrubou a defesa ao casamento tradicional na lei federal dos EUA para garantir direitos especiais para duplas gays. Em seus primeiros comentários pessoais sobre o veredicto, Obama disse que a decisão do tribunal marcou um “dia de orgulho para os EUA.”
 
Ele pressionou em favor de similar aceitação da homossexualidade na África, atacando uma área sensível numa região marcada por fortes contrastes morais com os EUA. Dezenas de países africanos criminalizam a homossexualidade, com sua experiência passada de abusos generalizados de meninos perpetrados por homossexuais.
 
Obama e Macky Sall
 
Durante uma entrevista coletiva com Macky Sall, o presidente do Senegal, no palácio presidencial em Dakar, Obama louvou a derrubada da defesa do casamento na lei federal americana.
 
Ele exortou Sall a ter semelhantes mudanças legais no Senegal, pondo a defesa do casamento tradicional abaixo da agenda gay.
 
Contudo, Sall não cedeu. O Senegal, ele disse, “não está ainda pronto para descriminalizar a homossexualidade.” Estará algum dia pronto?
 
Vai depender dos poderes de “persuasão” que o governo americano exerce. “Imperialismo cultural,” um excelente vídeo produzido por Family Watch International (http://youtu.be/HbjAFUGQ3Xg), mostra como a ONU e os EUA usam pressões e chantagem para forçar as nações em desenvolvimento para adotar agendas imorais.
 
Pelo padrão dos EUA, as nações africanas só serão classificadas de democráticas depois que avançarem agendas imorais, especialmente a agenda homossexual? Ao que consta, 38 países africanos criminalizam a homossexualidade. Isso, na opinião de Obama, é antidemocrático.
 
Democrático é o que o governo dos EUA faz: doutrinar suas crianças de escolas nas perversões homossexuais e criminalizar a crítica de atos homossexuais pervertidos claramente condenados pela mesma Bíblia que foi muito importante na vida dos fundadores dos EUA.
 
O que é curioso é que os EUA de hoje são um vasto contraste moral não só com as nações da África, mas também com os EUA visualizados e criados por seus fundadores cristãos.
 
Basicamente, a Bíblia e os valores cristãos estão sendo criminalizados nos EUA, que abandonaram sua República baseada na Bíblia para abraçar e impor uma democracia que defende a homossexualidade.
Espero que a África consiga resistir a tal “democracia.”
 
29 de junho de 2013
Júlio Severo
Com informações da Associated Press.

IMPERIALISMO CULTURAL

LULA AGORA NEGA QUE TENHA CRITICADO ARTICULAÇÃO DE DILMA PARA A REFORMA POLÍTICA

 
Nota oficial do Instituto Lula, divulgada nesta sexta-feira, nega críticas à articulação política do governo de Dilma Rousseff. Lula, que embarcou pela manhã para a Etiópia, disse que "a presidenta mostrou extraordinária sensibilidade ao propor a convocação de um plebiscito sobre a reforma política".
 
"A iniciativa tem o mérito de romper o impasse nessa questão decisiva, que há décadas vem entrando e saindo da agenda nacional, sem lograr mudanças significativas. Ouvindo o povo, nosso sistema político poderá se renovar e aperfeiçoar. É o que se espera dele."
 
A Folha revelou que Lula chamou de "barbeiragem" a condução política do governo em reação aos protestos de rua. Lula se queixou especialmente da forma "atabalhoada" com que a proposta de constituinte para a discussão de uma reforma política foi apresentada, sem prévia consulta à base governista.
 
Menos de 24 depois de anunciada, a proposta foi descartada pelo governo. A reportagem da Folha foi baseada no relato de três interlocutores do ex-presidente. A Folha ouviu ainda colaboradores diretos do ex-presidente no próprio Instituto Lula.

29 de junho de 2013
CATIA SEABRA - Folha de São Paulo

DILMA DECIDE NÃO IR AO MARACANÃ. SACANAGEM! O POVO QUERIA APLAUDI-LA!

Dilma decide que não verá final no Maracanã no domingo 
 
Depois das manifestações que tomaram as ruas nas últimas semanas, a presidente Dilma Rousseff decidiu não comparecer, neste domingo, ao jogo entre Brasil e Espanha, na final da Copa das Confederações. A ideia inicial de Dilma era estar presente no Maracanã no encerramento do campeonato, apesar de ter recebido uma sonora vaia, em Brasília, na abertura da competição, no estádio Nacional (Mané Garrincha). 
 
Mas, preocupada com o acirramento dos ânimos e aconselhada por auxiliares diretos, a presidente entendeu que seria uma exposição desnecessária ir ao Maracanã onde certamente o público dominante seria hostil à sua presença, repetindo as vaias da abertura da Copa das Confederações, ainda mais no Rio de Janeiro, estado onde os torcedores são ainda mais irreverentes. Em 2007, o seu antecessor e padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, também foi vaiado no Maracanã, na abertura dos Jogos Pan-Americanos. 
 
Não havia uma justificativa oficial para a mudança de planos da presidente, apesar de ela estar trabalhando no texto das perguntas para o plebiscito, na elaboração das regras para contratação dos médicos estrangeiros e se preparando para uma reunião ministerial. 
 
No dia seguinte às vaias, em Brasília, na capital federal, os auxiliares diretos da presidente Dilma asseguraram que ela não se intimidaria e estaria presente na final. Mas os planos mudaram com a ampliação dos protestos, principalmente em volta dos estádios, e levaram a presidente a desistir de ir ao Rio de Janeiro para não se submeter a uma nova vaia.
  
Depois de ficar atônita com as crescentes manifestações, tentando entender o que estava acontecendo, a presidente Dilma passou as duas últimas semanas se reunindo com interlocutores de vários segmentos para preparar uma reação do governo. 
 
A previsão de estar no Maracanã neste domingo, para a final da Copa das Confederações, chegou a entrar na previsão de agenda da presidente Dilma, mas sumiu do sistema de informações. O escalão precursor, que viaja antecipadamente para verificar as condições da cidade a ser visitada pela presidente, nem chegou a ser acionado. Na noite de sexta-feira, a informação oficial era que Dilma não iria ao Rio de Janeiro. 
 
Desde o início a presidente Dilma tinha intenção de comparecer à final da Copa das Confederações. Tanto que, em fevereiro, quando esteve na Nigéria, chegou a desejar boa sorte ao time nigeriano na Copa das Confederações e afirmou: "Asseguro que sua seleção será muito bem recebida no Brasil, em junho, para a Copa das Confederações. Tenho certeza que o presidente Goodluck Jonathan e eu assistiremos juntos à final Brasil e Nigéria no Maracanã".

29 de junho de 2013
TÂNIA MONTEIRO - Agência Estado

FUGA DE LULA E DOS PARCEIROS: LUGAR DE SOBRA NA TRIBUNA DE HONRA DO MARACANÃ

A fuga de Lula e a mudez dos três parceiros informam: no Maracanã superlotado, vai haver lugar de sobra na tribuna de honra

 

Em silêncio sobre o caso Rose há 217 dias, faz 22 que Lula não abre a boca em público sobre as manifestações de rua que vêm ocorrendo em centenas de cidades desde 6 de junho.

E vai fazer o que pode para continuar longe do assunto.
Nesta sexta-feira, depois de permanecer enfurnado algumas semanas no Instituto Lula, o maior dos governantes desde Tomé de Souza tratou de afastar-se a jato „Ÿ cedido por um empreiteiro amigo, naturalmente „Ÿ de problemas antigos ou novos.

E caiu fora do país que perdeu a paciência com os vendedores de fumaça que inventaram o Brasil Maravilha.
 
Como informa a coluna do meu irmão Ricardo Setti, o palanque ambulante foi tapear plateias na África. Além de escondê-lo de perguntas sobre o caso de polícia que protagoniza ao lado da segunda-dama Rosemary Noronha, além de poupá-lo de caçar explicações para a onda de descontentamento que varre o paraíso imaginário, a viagem livrou o foragido do dilema que atormenta a presidente Dilma Rousseff, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes: ir ou não ir ao Maracanã neste domingo.
 
Antes de decidir o que fazer, a trinca de ases das urnas quer saber o que farão nas imediações do estádio os participantes da manifestação de protesto contra as patifarias bilionárias que transformaram a Copa de 2014 num monumento à ladroagem e à gastança.

O jeitão assustadiço dos três parceiros reforça a suspeita de que, se soubessem dos planos de Lula, teriam garantido a pontapés uma vaga no jatinho do chefe.
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, terá de ouvir desacompanhado a sequência de vaias.
 
O Maracanã estará superlotado. Mas haverá lugar de sobra na tribuna de honra.

29 de junho de 2013
Augusto Nunes - Veja

PILANTRA DE CARTEIRINHA, LULA ABANDONA A LARANJA E SE MANDA PARA A ÁFRICA

Boa hora para Lula se mandar para a África, não?

 

Pessoas próximas ao ex-presidento Lula informam que ele embarcou hoje para a África.
 
O Brasil pegando fogo, e Lula, coerente com sua fuga das ruas de quem sempre se achou o dono delas, sumiu para bem longe.
 
A justificativa para esse novo sumiço — desde o caso Rosegate, sobre o qual não dá um pio há 217 dias, Lula não pára de viajar para o exterior — é “participar de eventos sobre o combate à Aids e à fome”.
 
Procurando algo no site do Instituto Lula, encontra-se a informação seguinte:
 
“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará no próximo domingo (30) e segunda (1º) de encontro de alto nível na sede da União Africana, em Adis Abeba, Etiópia, para discutir estratégias de combate à fome e à pobreza na África. O evento é organizado pela União Africana (que reúne todos os Estados do continente), a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e o Instituto Lula e contará com parecença de chefes de Estado e ministros africanos e internacionais, além de acadêmicos, representantes de organismos multilaterais e organizações internacionais.”
 
Amanhã, sábado, 29, Lula estará em Lilongwei, capital do Malawi, no sudeste da África, para participar do primeiro encontro da Unaids, o programa da ONU para HIV/AIDS, em parceria com a revista médica britânica Lancet, “sobre a luta global contra HIV/AIDS”.

29 de junho de 2013
Ricardo Setti - Veja

A PERTINÊNCIA DE UMA CALAMIDADE

Dilma despreza Temer e ouve FHC sobre plebiscito

Meu Professor  

Calou fundo no PMDB a iniciativa de Dilma Rousseff de enviar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para uma conversa com Fernando Henrique Cardoso.
 
O ex-presidente foi consultado com antecedência sobre o plebiscito, o que evidenciou ainda mais o desprezo com que Dilma tratou o peemedebista e vice-presidente da República Michel Temer.

29 de junho de 2013
Por Mônica Bergamo - Folha de São Paulo

"O QUE DISSERAM AS RUAS?"

 
Nos Cadernos do Cárcere, Gramsci faz uma curiosa comparação: os fenômenos políticos são por vezes como as doenças de pele, podem aparecer de um dia para o outro, mas são o resultado de um longo processo de transformações orgânicas. As manifestações de rua estão de volta. Ocorreram nos EUA (Ocupe Wall Street), na Grécia e na Espanha (contra a política de austeridade), na França (contra o casamento gay) no Egito (sob a influência da Primavera Árabe) e em tantos outros países e pelas mais distintas razões.
São a expressão de um processo mais amplo de enfraquecimento do Estado-nação sob o efeito pinça das pressões que vêm de cima - em decorrência da globalização dos fluxos econômicos - e das demandas que vêm de baixo - como resultado do fortalecimento da sociedade civil. A noção mesmo de Estado-nação sofre expressiva revisão, com considerável impacto sobre a fisionomia da democracia.
Em termos simplistas e até mesmo caricatos, o cidadão quer pagar menos impostos, mas exige mais e melhores serviços; não se contenta em ser representado, mas quer participar das decisões; e assume, mediante novas formas de organização da sociedade, um conjunto de atribuições que eram antes privativas do Estado.
O terceiro setor vem desempenhando papel relevante na defesa de causas legítimas, como a igualdade entre homens e mulheres, a defesa do meio ambiente e a proteção dos direitos humanos, temas que se incorporaram à agenda dos países e dos foros internacionais.
Era difícil prever que as ruas das principais cidades brasileiras viessem a ser tomadas por manifestações espontâneas e tão numerosas. Entre nós, as passeatas anunciam a chegada da crise econômica ao cotidiano das pessoas e das empresas - o baixo crescimento, o endividamento, a inadimplência e a inflação. Mas expressam também o repúdio à corrupção e a revolta contra o desperdício. Basta ouvir o que os manifestantes gritam na rua e ler o que dizem seus cartazes para entender o que significam.
É um desabafo, ainda difuso, contra as privações do cotidiano e uma frustração crescente com um sistema político que não é capaz de dar curso às demandas da sociedade e transformar reclamos justificados em decisões acertadas.
À sua maneira, as passeatas explicitam a falta de legitimidade das instituições. Os sindicatos perderam boa parte da relevância que já tiveram. Os partidos políticos não se mostram capazes de representar e conciliar os interesses da sociedade. Os governos hesitam diante da rapidez e magnitude das transformações.
Essas manifestações são ainda, predominantemente, uma iniciativa da classe média. As camadas de renda mais baixa estiveram, pelo menos até agora, mais atentas ao processo de distribuição de renda e aos programas sociais que as beneficiem. Nesse sentido, as passeatas organizadas pelo Movimento Passe Livre (MPL) deixam uma indagação no ar, que está em saber como a mensagem das ruas foi ou será filtrada para os grupos de baixa renda.
Até agora o governo não logrou cumprir com promessas que já havia feito: o crescimento continua a derrapar, a inflação sobe, os investimentos na infraestrutura ainda não decolaram.
Os agentes econômicos parecem ter perdido a confiança no País, não investem ou emigram. Saúde, educação, transportes e segurança continuam precários, enquanto os gastos para a Copa do Mundo são percebidos como injustificados ou abusivos se comparados com as reais necessidades da população. Em São Paulo, como noticiado pela imprensa, os usuários dos transportes aumentaram 16%, enquanto a frota de ônibus encolheu.
A representação parlamentar enredou-se no mensalão, emitiu sinais confusos no trato dos direitos humanos, mobilizou-se por causas equivocadas, como no caso da PEC 37, que visava a tolher o papel do Ministério Público nas investigações. O cidadão, hoje mais consciente e participativo, não se considera representado por aqueles em quem votou.
A mensagem das ruas é ainda difusa. Falta-lhe por vezes foco. Mas foram assim também as primeiras manifestações do Movimento Verde, que chegou a propor a paralisação do crescimento. Com o tempo as propostas amadureceram e se tornaram convincentes.
O MPL mostrou maturidade. Corretamente evitou ser confundido com arruaceiros e assaltantes. Quis deliberadamente afastar-se da companhia oportunista de partidos políticos. Percebeu claramente que sua força não está na violência ou na desordem, mas na conquista da opinião pública e na capacidade de colocar seus temas na agenda prioritária de partidos políticos e governantes.
As manifestações não vão desaparecer, tampouco perenizar-se. Poderão ser suspensas quando o objetivo for atingido, como ocorreu agora em relação ao preço das passagens. Ou amainar quando a resposta parecer convincente. Mas deverão voltar às ruas caso não melhore a qualidade das políticas públicas na área social ou persista a impunidade em casos notórios de corrupção. A esse respeito, uma eventual reversão na condenação dos réus do mensalão terá um efeito explosivo.
As passeatas não são um fato novo. Mas ganharam em capacidade de organização e de divulgação com o avanço das tecnologias da comunicação. Estão-se tornando mais frequentes e consequentes. Numa era de afirmação da democracia em escala mundial, em que golpes e revoluções têm espaço cada vez mais reduzido, os movimentos sociais e suas manifestações se afirmam como instrumento crucial para a transformação da sociedade.
Os gritos da rua são um sinal de alerta. Como bem assinala Manuel Castells, "o eco dos movimentos sociais é bem mais forte do que os próprios movimentos, assim como as suas consequências nas instituições e no mundo dos negócios".
29 de junho de 2013
Sérgio Amaral, O Estado de São Paulo
 
 

A AVENTURA E O VESPEIRO

Bastou uma jornada de conversas com os líderes da base aliada e os presidentes da Câmara e do Senado - três sessões somando 11 horas - para a presidente Dilma Rousseff se deparar com a enrascada em que se enfiou ao propor a reforma política por plebiscito, a fim de se manter à tona depois do naufrágio da convocação, também por plebiscito, de uma Assembleia Constituinte para mudar, à revelia do Congresso, as regras do sistema eleitoral e da atividade política.
Lançando às águas o Titanic saído dos estaleiros do Planalto, sem lastro político e muito menos jurídico, Dilma queria que se acreditasse que ela navegava no mesmo rumo da esquadra de protestos populares que percorre o País.
A sua intenção primeira, na verdade, era efetuar uma manobra para desviar as atenções gerais do fracasso de seu governo em fazer o Estado servir ao povo - que é o que as manifestações exigem. A alternativa a que se agarrou, porém, é quase tão catastrófica quanto o disparate original.
Na maratona de reuniões de anteontem, Dilma viu que o Congresso quer assumir o controle da consulta popular que, por ela, se concentraria no financiamento das campanhas e na fórmula de eleição de deputados.
Só que os políticos destamparam um vespeiro ao incluir na agenda o fim da reeleição, a partir de 2018, com mandato único de cinco anos para presidente, governadores e prefeitos. Será um retrocesso, diga-se de imediato.
Na soma algébrica de prós e contras, o Brasil saiu ganhando com a adoção, em 1995, do modelo que na prática confere um mandato de oito anos aos governantes, com um recall a meio caminho.
O esquema favorece a continuidade administrativa sem privar o eleitor da chance de substituir os titulares que não tiverem correspondido às suas esperanças. Há ainda uma baciada de outras propostas que, se incluídas no plebiscito, o transformariam numa inviável lista de compras.
Por exemplo, a extinção das coligações partidárias nas disputas para a Câmara Federal e os Legislativos estaduais e municipais; o fim do voto obrigatório; a adoção da cláusula de barreira para as siglas que não tiveram obtido determinada porcentagem de votos nas eleições parlamentares; a participação, nesses pleitos, de candidatos não filiados a partidos; e a coincidência dos mandatos em todas as esferas.
A amplitude e a variedade dos dispositivos que podem compor o sistema político-eleitoral deixam claro outra coisa, além do absurdo de serem escolhidos mediante plebiscito, quanto mais não seja pelo risco de serem aprovados nas urnas quesitos conflitantes entre si.
Demonstram que não é apenas a resistência interesseira dos congressistas que trava, entra ano, sai ano, a reforma política. Efetivamente, não é trivial construir consensos para a implantação de um conjunto presumivelmente articulado de normas dessa ordem de complexidade.
Ainda mais quando falta clareza sobre o que, afinal de contas, se pretende com a mudança e faltam lideranças políticas aptas a dar um norte ao debate.
Em face disso, chega a ser escandaloso - e prova cabal de despreparo, oportunismo e irresponsabilidade - que a mais alta autoridade do País queira que a consulta seja formatada, explicada e realizada a toque de caixa, para que os seus resultados possam virar lei até 5 de outubro próximo e, assim, valer para as eleições de 2o14.
A menos, como o PT espertamente sugere, que se recorra à gambiarra de uma emenda constitucional que suspenderia a regra de ouro da anualidade para a entrada em vigor de alterações nos estatutos eleitorais
Na reunião com os líderes aliados, Dilma teve o dissabor de descobrir que o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, concorda com o que a oposição defende desde a primeira hora: no lugar do plebiscito, o eleitorado seria chamado a julgar a reforma que o Congresso aprovar.
Para a anfitriã, seria o fim do mundo se a maioria rejeitasse as suas decisões (a exemplo do que aconteceu com a proposta do desarmamento, no referendo de 2005). Na realidade, como já se observou, ela não quer dar o braço a torcer para não passar vergonha: seria o seu segundo recuo político em questão de dias. E a Nação que arque com os efeitos da aventura dilmista.
29 de junho de 2013
Editorial d' O Estadão
 

"A DISTÂNCIA ENTRE A INTENÇÃO E O POSSÍVEL"

No atendimento febril às demandas, a Educação receberá mais dinheiro, assim como a Saúde. A questão é saber se haverá PIB suficiente para todos
 
Alvos de denúncias de corrupção tratam de trabalhar pelo aumento das penas para criminosos de colarinho branco, e defensores militantes da colocação do Ministério Público em camisa de força votam para derrubar a PEC 37. Estes são dois exemplos de como as manifestações de rua produzem metamorfoses na política brasileira. Não é uma crítica ao Congresso e aos políticos em geral, inclusive do Executivo.
 
Eles precisam, afinal, estar atentos à opinião pública. A questão é saber o que é ou não factível, e a que preço, neste surto de atendimento febril a demandas feitas pela onda de manifestações.
 
Caso típico é o corte de tarifas de transporte público, iniciado em São Paulo e ampliado para quase todo o país. Num primeiro momento, com razão, o prefeito Fernando Haddad considerou “populismo” cortar tarifa por pressão das ruas. Mas foi forçado a recuar. Ele, petista, e o governador Geraldo Alckmin, tucano, se perfilaram diante de microfones e câmeras para anunciar um alívio tarifário geral.
 
Outros prefeitos e governadores foram pelo mesmo caminho. O próprio Alckmin suspendeu reajuste de pedágio, e já existe congelamento de conta luz em algumas regiões, apesar da inflação elevada e persistente.
 
Suas Excelências devem saber que estão gerando passivos. Em algum momento, eles precisarão ser cobertos, sob o risco de a tão criticada qualidade dos serviços públicos se deteriorar ainda mais, por falta de investimentos.
 
No caso da Educação, outro assunto cativo nas passeatas, e com razão, apressa-se para atender à reivindicação de que sejam gastos 10% do PIB no ensino público, algo como dobrar a verba do setor em dez anos, meta do Plano Nacional de Educação (PNE), cuja tramitação no Congresso será acelerada.
 
Parte dos recursos já começou a ser definida, na Câmara, com a destinação de 75% dos royalties do petróleo para as escolas — Dilma queria 100% — e os restantes 25% para a Saúde. A regra precisa ser carimbada agora no Senado. Não haverá dificuldades.
Nada é simples. Também aqui, aprovar a ampliação do orçamento da área não significa que a guerra será ganha. Não se discute que é preciso aumentar o salário do professor — mas isso não basta.
 
Mais dinheiro é condição necessária para o país dar o imprescindível salto na melhora de qualidade das escolas públicas, porém não é condição suficiente. Se não for seguido um plano estratégico de qualificação do professorado e da infraestrutura pedagógica em geral, será dinheiro jogado fora.
 
Bem ou mal, governo e organizações sociais caminham nesta direção. E já existe experiência suficiente para saber que há outros obstáculos a vencer além da falta de recursos.
 
Passada esta semana de trabalho intenso no Congresso e Planalto, no eco da “voz rouca das ruas”, fica a pergunta se existe PIB suficiente para atender a todas as reivindicações.
 
29 de junho de 2013
Editorial d' O Globo

"NÃO CAIU A FICHA"

 
 
As surpreendentes mobilizações dos últimos dias podem ser explicadas em dez letras: “caiu a ficha”. Não se sabe exatamente o que levou a ficha a cair neste exato momento, mas todos os ingredientes já estavam dados. A maior surpresa foi a surpresa.
 
Caiu a ficha de que o Brasil ficou rico sem caminhar para a justiça: chegou a sexta potência econômica, mas continua um dos últimos na ordem da educação mundial. Também caiu a ficha de que sem educação não há futuro, e de que por isso, 13 anos depois de criada, a Bolsa Família continua necessária, sem abolir sua necessidade.
 
Caiu a ficha de que em 20 anos de governos socialdemocratas e dez anos do PT no poder ampliamos o consumo privado, mas mantivemos a mesma tragédia nos serviços sociais, nos hospitais públicos e nas escolas públicas. Caiu a ficha de que o aumento no número de automóveis em nada melhora o transporte, ao contrário, piora o tempo de deslocamento e endividamento das famílias. Caiu a ficha de que o PIB não está crescendo e se crescesse não melhoraria o bem estar e a qualidade de vida. Caiu a ficha de que no lugar de metrópoles que nos orgulhem temos “monstrópoles” que nos assustem.
 
Caiu a ficha do repetido sentimento de que a corrupção não apenas é endêmica, ela é aceita; e os corruptos, quando identificados, não são julgados; e se julgados não são presos; e se presos não devolvem o roubo. E de que os políticos no poder desprezam as repetidas manifestações de vontade popular.
 
Caiu a ficha de que o povo paga a construção de estádios, mas não pode assistir aos jogos. E de que a Copa não vai trazer benefícios na infraestrutura urbana das cidades-sede como foi prometido. Aos que viajam ao exterior, caiu a ficha da péssima qualidade de nossas estradas, aeroportos e transporte público.
 
Caiu a ficha de que somos um país em guerra civil, onde 100 mil morrem por ano por assassinato direto ou indireto no trânsito.
 
Caiu a ficha também de que as mobilizações não precisam mais de partidos que organizem, de jornais que anunciem, de carros de som que conduzam, porque o povo tem o poder de se autoconvocar por meio das mídias sociais. A praça hoje é do tamanho da rede de internet, e é possível sair das ruas sem parar as manifestações e voltar a marchar a qualquer momento. Na prática, caiu a ficha de que é fácil fazer guerrilha-cibernética: cada pessoa é capaz de mobilizar milhares de outras de um dia para o outro em qualquer cidade do país.
 
Mas, entre os dirigentes nacionais ainda não caiu a ficha de que mais de dois milhões de pessoas nas ruas não se contentam com menos do que uma revolução. Mais de dois milhões não param por apenas 20 centavos nas passagens de ônibus. Eles já ouvem às ruas, mas ainda não entendem o idioma da indignação. Nem caiu a ficha de que só manifestações não bastam. É preciso fazer uma revolução na estrutura, nos métodos e nas organizações da política no Brasil: definir como eleger os políticos, como eles agirão, como fiscalizá-los e puni-los.
 
29 de junho de 2013
Cristovam Buarque, O Globo