"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 10 de agosto de 2013

UM DISCURSO LEVIANO, DESESPERADO


 
Diante da desgraça de desgovernos petistas, que transformaram o poder público em um covil de bandidos e o país em um paraíso de patifes impunes, o bando de Collor derrubado pela vontade da sociedade, virou brincadeira de criança levada!
 
As contundentes vaias e xingamentos, com luzes piscando na Barra da Tijuca e em diversos locais do Brasil depois do discurso da "presidente", são mais uma clara demonstração da rejeição social para com esse desgoverno espúrio, que luta com as formas mais desonestas possíveis para se manter no poder em 2014.
 
Como uma "presidente" tem a coragem de declarar, por exemplo, em rede nacional, que os investimentos da construção dos estádios foram somente de origem privada?
TODAS as obras foram financiadas em condições generosas pelo BNDES! 
Estádios públicos, construídos em áreas públicas e com dinheiro público, vem sendo reformados com dinheiro público e posteriormente serão entregues a clubes e empresas privadas para que daí tirem o seu injustificável lucro.
 
Isso não é o papel de um líder de uma nação mas de alguém motivado por inconfessáveis motivações de um golpe para transformar o país em uma Cuba Continental.
Esta "senhora", em seu precário discernimento pensa que a sociedade somente tem idiotas a serviço dessa classe política nojenta e de seus cúmplices canalhas.
 
Vamos lembrar que essa tal "presidenta" foi protagonista de uma luta terrorista que nunca pretendeu a democracia, que ceifou a vida de mais de 120 civis e militares e continua sendo a leal fantoche do mais sórdido político da história do país.
 
Obedece e se aconselha com seu guru, o retirante analfabeto e espertalhão, o patife líder, denunciado como verdadeiro chefe da gangue dos 40 que subornou o Parlamento, uma quadrilha que deveria já estar presa mas que continua livre, leve e solta por incompetência de um Poder Judiciário em estado de podridão terminal, por obra e graça do PT e de seus cúmplices, em todas as instâncias desse poder degenerado.
 
Por isso e muito mais essa malfadada guerrilheira travestida de "presidenta" não tem a menor condição moral de ameaçar a sociedade, em rede nacional, num discurso grotesco disfarçado de conciliação.
 
Mesmo que não concordemos com a promoção de destruições do patrimônio público nem de propriedades privadas como instrumentos de protesto, que condição moral tem essa "senhora" de criticar os vândalos, já que no seu tempo de luta por "transformações sociais" colocou fogo no país promovendo,juntamente com seus cúmplices, atos terroristas, sequestros, roubos a bancos e assassinatos de civis e militares – fez muito pior do que os manifestantes mais revoltados, infiltrados de bandidos, estão fazendo!
 
Nada pode ser aproveitado desse discurso leviano – a não ser a preparação de um golpe–, uma verbalização da voz de uma sórdida alma terrorista que ficará na história da política, depois de manifestações em massa contra a degeneração moral do país.
 
Esse discurso não passa de uma peça de profunda idiotice montada por marqueteiros de plantão inspirados pelos conselhos do mais sórdido político que o Brasil já conheceu, o padrinho da "presidenta".
 
Apenas evidencia que estamos a mercê de psicopatas degenerados e que estes vêm conduzindo a destruição política e econômica desta nação.
Foram compromissos vazios, sem vislumbre de honestidade ou sinceridade, visando uma estúpida desqualificação e esvaziamento de um movimento legítimo – muito maior do que a farsa do "Movimento Passe Livre" organizado pelo PT para atingir o governador de SP, e para a preparação final de mais um estelionato eleitoral que está correndo um crescente risco de não se concretizar pela tomada de consciência do povo.
 
Esse mesmo povo que a assustou pois voltou a compreender que o poder público da era PT foi transformado em um covil de cândidos e que a manutenção dessa sórdida classe polí tica no poder é autorizar em 2014 um regime fascista, comandado pelo PT e seus asseclas, para sustentar a corruptocracia.
 
Um discurso vazio de verdades, que não pretendeu soluções, que não tocou em nada caro à quadrilha, que pretendeu apenas preservar o status quo do seu projeto de poder perpétuo.Um discurso que justifica um imediato – chegamos no limite da nossa paciência ordeira – impeachment da "presidenta" do PT, que não se comporta como "presidente" do país, mas como uma golpista com atos e motivações já amplamente divulgadas na Internet:
 
- cumplicidade em todos os atos dos dois desgovernos de seu antecessor e que já foram pública e sistematicamente rejeitados pela sociedade;
 
- transformação do poder público em um covil de malfeitores, favorecendo durante os últimos anos a criação de uma verdadeira casta de mafiosos da política e exploradores da sociedade;
 
- absoluta degeneração moral dos poderes da República liderados pelo fascismo do Poder Executivo;
 
- incompetência, desonestidade, corrupção, enganação, suborno e mentiras como instrumentos da implantação de um projeto de poder com a marca de uma corruptocracia, que pretende escravizar o país a um poder retrógrado, fascista e degenerado;
 
- obras inacabadas, superfaturadas, mal feitas, não fiscalizadas, cujo principal objetivo é a transformação de verbas públicas em "caixinhas", "parcerias" e subornos;
 
- deliberada falência da educação e criminoso abandono da saúde, da segurança e do saneamento básico;
 
- deterioração crescente da estrutura econômica do país com um processo de sucateamento da indústria em andamento, e a perda de competitividade internacional. A receita de poder dos medíocres que a cercam: Nicolás Maduro, Evo Morales, Cristina Kirchner, Ahmadinejad, Castro e tantosoutros canalhas são seus parceiros preferenciais!
 
- irresponsável e inconsequente perdão de dívidas, além de empréstimos secretos a outros países ideologicamente pervertidos;
 
- utilização das empresas estatais para praticar um incontrolável empreguismo de meliantes do PT;
 
- abandono das obras de transposição do rio São Francisco, um dos incontáveis instrumentos de estelionato eleitoral;
 
-  um covarde estímulo à luta de classes, à invasão de propriedades particulares e à desagregação da sociedade;
 
- um vergonhoso assistencialismo, que custa todos os meses bilhões para os contribuintes, com a clara intenção de escravizar os menos favorecidos, via manutenção da pobreza e da ignorância, às manipulações eleitorais da canalha política;
 
- o descontrole irresponsável e sem volta da dívida pública e da inflação;
 
- o intencional crescimento da máquina governamental, que consome bilhões dos contribuintes de forma inconsequente. O desperdício escandaloso do dinheiro que poderia ser aplicado na saúde, naeducação, na segurança e no saneamento;
 
- Como reza a cartilha revolucionária, estimula a deterioração dos valores familiares com a disseminação do homossexualismo entre jovens e adolescentes em fase de formação de caráter e personalidade;
 
- a transformação da classe dos professores públicos não-petistas em mão de obra de segunda classe e reféns de estudantes que os agridem ou os ameaçam em sala de aula. A elaboração das cartilhas petistas de deformação moral e o aparelhamento dos conselhos tutelares que os afastam os jovens da disciplina imposta por suas famílias;
 
- subordinação da política externa às ordens do nefasto Foro de São Paulo,com o país seguindo as decisões do populismo ditatorial que toma conta da América Latina;
 
- covarde e sistemática perseguição e humilhação das Forças Armadas com a clara intenção de se defender da justa reação dos nossos militares à tentativa de transformar o Brasil em uma Cuba Continental; O sucateamento das instituições militares sempre foi um dos pilares dos movimentos revoluci onários e descambaram em "ditaduras do proletariado".
As suas consequências sempre foram banhadas em sangue dos que ousaram levantar a voz em dissidência.
 
Repetindo:
 
Por tudo isso e muito mais a tal "presidenta" não tem a menor condição moral de ameaçar a sociedade em rede nacional em um discurso disfarçado de conciliação!
O que a "presidenta", seus lacaios, e todos os seus cúmplices canalhas não perceberam ainda, é que o Brasil acordou de uma hibernação patriótica de maisde vinte anos, imposta pela fraude de abertura democrática promovida por sucessivos desgovernos de corruptos e traidores do país.
Que as manifestações  mostrem definitivamente a esse desgoverno espúrio que discursos levianos em rede nacional não irão adormecer novamente o país no sono dos omissos e covardes.
 
A hora da mudança é agora, pois o Brasil acordou do silêncio imposto pelos cafajestes da política.
Se você concordar que algo precisa ser feito. Se acredita que é chegada a hora de dar um BASTA! Ao lodo espalhado pelo PT e demais "cumpanheros", divulgue.Edite, complemente, aprimore... mas não deixe de repassar. Faça ouvir o seu grito e permita que ele se multiplique. Esta mensagem precisa alcançar todas as redes sociais.Isto, e o voto responsável, são os melhores caminhos para que o seu futuro e o dos seus descendentes seja de paz e tranquilidade.
 
*Padre Humberto, Paróquia de Santa Luzia-Arquidiocese de Natal, enviada por e-mail por , Leidy Santos através do yahoogrupos.com.br - Grupo Resistência Democrática.
 
10 de agosto de 2013
in mario fortes
 

REPORTAGEM DA REVISTA ÉPOCA REVELA ESQUEMA DE PROPINAS MILIONÁRIAS QUE INTERMEDIARAM VENDA DE REFINARIA DA PETROBRAS. PARTE DO DINHEIRO IRRIGOU CAMPANHA DA DILMA.


Segundo João Augusto, a venda da refinaria de San Lorenza, na Argentina, ao empresário Cristóbal Lopez (à esquerda ao lado do casal Kirchner e amigos) foi intermediada por propina. Ela foi disfarçada em "taxa de sucesso”, segundo a reportagem da revista Época, conforme facsímile de documento abaixo:

O texto que segue é parte da reportagem da revista Época, que está nas bancas neste sábado, denunciando uma negociata da venda de uma refinaria da Petrobras na Argentina, envolvendo o PMDB, PT e a conexão Argentina. Parte do dinheiro do esquema financiou a campanha de Dilma Rousseff, segundo afirma Época. Transcrevo o trecho da matéria que foi publicado nesta madrugada de sábado no site da revista. Leiam:

João Augusto estava em silêncio. Permanecia inclinado à frente, apoiava-se na mesa com os antebraços. Batia, sem parar, a colherzinha de café na borda do pires – e mantinha o olhar fixo no interlocutor. Parecia alheio à balbúrdia das outras mesas no Café Severino, nos fundos da Livraria Argumento do Leblon, no Rio de Janeiro, naquela noite de sexta-feira, dia 2 de agosto. A xícara dele já estava vazia. O segundo copo de água mineral, também. João Augusto falava havia pouco mais de uma hora. Até então, pouco dissera de relevante sobre o assunto que o obrigara a estar ali: as denúncias de corrupção contra diretores ligados ao PMDB, dentro da Petrobras. Diante dos documentos e das informações obtidos por ÉPOCA sobre sua participação no esquema, João Augusto respondia evasivamente. Por alguma razão incerta, algo mudara nos últimos minutos. O semblante contraído sumira. Esperei que o silêncio dele terminasse.

– O que você quer saber?, disse ele.
– Sobre os negócios, respondi.

Foi então que João Augusto Rezende Henriques disse, sem abaixar a voz ou olhar para os lados: “Do que eu ganhasse (no contratos intermediados com a Petrobras), eu tinha de dar para o partido (PMDB). Era o combinado, um percentual que depende do negócio”. A colherzinha não tilintava mais.

Iniciava-se, ali, um desabafo motivado pelas denúncias que ÉPOCA investigava havia cerca de um mês. O caso envolvia a Petrobras – maior empresa do país, 25ª do mundo, com faturamento anual de R$ 281 bilhões. Começara com apenas uma pista: um contrato assinado em 2009, em Buenos Aires, entre o advogado e ex-deputado Sérgio Tourinho e o argentino Jorge Rottemberg. No documento, previa-se que Tourinho receberia US$ 10 milhões de uma empresa no Uruguai, um conhecido paraíso fiscal, caso a Petrobras vendesse a refinaria de San Lorenzo, avaliada em US$ 110 milhões, ao empresário Cristóbal Lopez, conhecido como czar do jogo na Argentina e amigo da presidente Cristina Kirchner. À primeira vista, o contrato não fazia sentido. Por que um lobista de Buenos Aires se comprometeria a pagar US$ 10 milhões a um advogado brasileiro, de Brasília, caso esse advogado, sem experiência na área de energia, conseguisse fechar a venda de uma refinaria da Petrobras na Argentina?

ÉPOCA foi buscar a resposta em entrevistas com partícipes do negócio, parlamentares e funcionários ligados ao PMDB. O advogado Tourinho era sócio dos lobistas do PMDB, que trabalhavam em parceria com Jorge Zelada, diretor internacional da Petrobras desde 2008 e, segundo João Augusto, apadrinhado do PMDB. A operação San Lorenzo, diz ele, não era um caso isolado. Era mais um dos muitos negócios fechados pelos operadores do PMDB na área internacional da Petrobras.


De acordo com João Augusto, todos os contratos na área internacional da Petrobras tinham de passar por ele, João Augusto, que cobrava um pedágio dos empresários interessados. De acordo com ele, de 60% a 70% do dinheiro arrecadado dos empresários era repassado ao PMDB, sobretudo à bancada mineira do partido na Câmara, principal responsável pela indicação de Zelada à Petrobras. De acordo com João Augusto, o dinheiro servia para pagar campanhas ou para encher os bolsos dos deputados. O restante, diz ele, era repartido entre ele próprio e seus operadores na Petrobras – os responsáveis pelo encaminhamento dos contratos.

Segundo João Augusto e outros quatro lobistas do PMDB, o dinheiro era distribuído a muita gente em Brasília. A maior parte seguia para os dez deputados do partido em Minas, entre eles o atual ministro da Agricultura, Antonio Andrade, e o presidente da Comissão de Finanças da Câmara, João Magalhães.

O dinheiro, de acordo com João Augusto, não ficava apenas com essa turma. Segundo o relato dele e dos outros lobistas, o secretário das Finanças do PT, João Vaccari, recebeu o equivalente a US$ 8 milhões durante a campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010. João Augusto diz que organizou, com Vaccari, o repasse para a campanha de Dilma. O dinheiro, segundo ele, foi pago pela Odebrecht, em razão de um contrato bilionário fechado na área internacional da Petrobras, que dependia de aprovação do então presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, do PT.

À Justiça Eleitoral, a campanha de Dilma declarou ter recebido R$ 2,4 milhões da Odebrecht. O coordenador financeiro da campanha de Dilma Rousseff, José de Filippi Júnior, afirma que não conhece João Augusto. “Posso garantir que ele não participou da arrecadação de recursos para a campanha da presidenta Dilma Rousseff, que toda arrecadação foi feita por meio de Transferência Eletrônica Bancária, e que as contas da campanha da presidenta foram aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral”, diz.

As denúncias de João Augusto são contestadas pelos acusados. Vaccari diz que não era responsável pela tesouraria da campanha de Dilma. Afirma ainda que “todas as doações ao PT são feitas dentro do que determina a legislação em vigor e de uma política de transparência do PT”. Gabrielli diz, por meio de nota, não ter conversado sobre o contrato da Odebrecht com Vaccari. Zelada afirma desconhecer a atuação de João Augusto na intermediação de contratos na Petrobras e nega ter sido indicado pelo PMDB.

A Petrobras informou em nota que não comentaria o assunto. Apesar de todas as contestações, a reportagem de ÉPOCA confirmou, por meio de entrevistas em três cidades, vários pontos do depoimento de João Augusto. Investigações oficiais ainda são necessárias para apurar todas as suas denúncias.
 
 
10 de agosto de 2013
in aluizio amorim

"CHUTES PARA TODO LADO"

   

Ao ler a Piauí deste mês, me deparei com uma crítica que o Mario Sergio Conti fez do livro Dirceu – A Biografia, de Otávio Cabral. Eu não li o livro, apesar do assunto política me interessar muito e da história de José Dirceu ao longo da sua vida ser digna de roteiro de filme. A análise e observações de Conti sobre o livro são impressionantes.
 
Conti abre seu artigo falando o seguinte: “O título de Otávio Cabral é Dirceu – A Biografia. O autor poderia ter dispensado o artigo ou posto ‘uma biografia’. Mas tascou a biografia, o que indica a pretensão de ter feito o relato completo e fidedigno da vida de José DIrceu. Tarefa difícil porque o biografado não quis ser entrevistado pelo biógrafo.”
 
Já disse Guimarães Rosa que a verdade é uma só - são várias. Por isso, não existe “a” história, e sim “uma” história. Nesse sentido, Conti tem toda razão. Ao nomear o livro dessa forma, o jornalista Otávio Cabral foi presunçoso em demasia, abrindo mão do bom senso.
 
Vou citar um exemplo: quando escreveu um livro sobre Salvador, em homenagem à capital baiana pela passagem dos seus 450 anos, Antonio Risério intitulou a sua obra de “Uma história da Cidade da Bahia”. E explicou no prefácio: “Faço a mais absoluta questão desse artigo indefinido. O que há para ler, nas páginas seguintes, não é de modo algum a história de Salvador. Mas uma, entre outras possíveis."
 
Pelo que relata Conti, Otávio Cabral não fez o seu trabalho como manda o figurino, cometendo erros de todos os tipos: tolos, imperdoáveis, impagáveis.
Confira aqui um resumo do que diz Conti na Piauí:
 
- “O livro começa em 1968, com os pais de José Dirceu assistindo pela televisão à sua prisão no Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Ibiúna. Informa que a notícia da prisão foi ‘transmitida em rede nacional de televisão’. Mas o Brasil só teria rede nacional de tevê no ano seguinte.”
 
- “O autor diz e rediz que Passa Quatro, onde José Dirceu nasceu, tinha 11 mil habitantes. São Paulo contava com 4 milhões de moradores quando ele se mudou para lá. O autor faz o cálculo e conclui que a capital era ‘trezentas vezes maior do que a sua Passa Quatro natal’. Cálculo errado: São Paulo era 363 vezes maior. Dirceu estudou no Colégio Paulistano, ‘na rua Avanhandava, próximo à praça da Sé’. Não, a escola ficava na rua Taguá, na Liberdade. Preparou-se para o vestibular no curso ‘Di Túlio’, que se grafava ‘Di Tullio.’”
 
- “Antes do golpe de 1964, segundo a biografia, José Dirceu conheceu o autor de novela Vicente Sesso, ‘com quem foi trabalhar na TV Tupi, ajudando a redigir roteiros’. Sesso ‘acabara de escrever Minha Doce Namorada, que deu à atriz Regina Duarte o apelido de a namoradinha do Brasil’. E José Dirceu ‘foi praticamente adotado por Sesso, que o levou para morar na sua casa, no mesmo quarto de seu filho adotivo, o ator Marcos Paulo’.
 
“José Dirceu não trabalhou na TV Tupi nem fez roteiros. Foi datilógrafo de Sesso. Nunca morou na casa do escritor. Sesso, isso sim, lhe emprestou uma casa que tinha na rua Treze de Maio. Ele só veio a escrever Minha Doce Namorada em 1971, às pressas, para substituir uma novela que obtivera pouca audiência. Essas informações foram dadas pelo próprio José Dirceu numa entrevista a Marília Gabriela que se encontra transcrita na internet. A data e a composição de Minha Doce Namorada podem ser achadas em histórias da teledramaturgia.”
 
- “O biógrafo diz que Rui Falcão, hoje presidente do PT, foi colega de José Dirceu na Pontifícia Universidade de São Paulo, onde estudou jornalismo. A PUC sequer tinha curso de jornalismo na época e Rui Falcão estudou direito, mas na Universidade de São Paulo. Relata que 5 mil estudantes se reuniram ‘nas arcadas do Grupo Escolar Caetano de Campos’, que não se chamava ‘Grupo Escolar’ e não tem arcadas.
 
Afirma que a Faculdade de Filosofia, na rua Maria Antônia, tem cinco andares, um a mais do que se vê na foto. Sustenta que uma das ‘ações ousadas’ de José Dirceu foi a destruição do palanque do governador paulista, Abreu Sodré, no 1º de maio de 1968, na Praça da Sé. O ataque a Sodré foi feito por metalúrgicos de Osasco, liderados por José Ibrahim.
 
É isso que está dito na entrevista de Ibrahim a José Dirceu, no blog deste último. No Congresso da UNE em Ibiúna, José Dirceu ora é colocado num ônibus, ora num camburão, mas aparece numa foto numa Rural Willys. Depois de uma semana, é levado ‘para a Fortaleza de Itaipu, em São Vicente’ – e a fortaleza fica no município de Praia Grande.”
 
- “O autor não fica só nos erros menores. Escreve que em 1968 ‘a Guerra Fria encontrava-se no auge e a invasão dos Estados Unidos a Cuba era iminente’. A invasão de Cuba fora eminente em 1961, quando a CIA organizou o desembarque na Baía dos Porcos, e no ano seguinte, durante a crise dos mísseis, e não seis anos depois.
 
“E 1968 não foi o ano do auge da Guerra Fria, e sim o da sua grande crise, que levou o capitalismo e o stalinismo a se darem as mãos. Em janeiro, na Ofensiva de Tet, os vietcongues chegaram aos jardins da embaixada americana em Saigon sem a ajuda de tropas da China e da União Soviética. Em maio, a greve geral na França foi deflagrada apesar da oposição frontal do gaullismo e do Partico Comunista, que seguia ordens de Moscou. Em agosto, a invasão da Tchecoslováquia pelas tropas do Pacto de Varsóvia, para massacrar uma experiência de socialismo democrático, mostrou que o apoio dos Estados Unidos à Primavera de Praga não passava de retórica.
 
“Em meio a esses três fatos turbulentos, que insuflaram as mobilizações brasileiras daquele ano, José Dirceu cresceu como liderança política. Seria interessante saber o que pensava a respeito deles. É obrigação de um biógrafo analisar o mundo no qual o seu biografado vive, e contar como ele reage a grandes mudanças. Otávio Cabral preferiu fofocar sobre os namoricos do líder estudantil, que ele trata como um fauno.”
 
- “Acusação de assassinato e delação são graves. Mereciam investigação profunda, ponderação e exposição demorada. Seria preciso sobretudo ter boa-fé. Foi o que fez Elio Gaspari ao analisar casos semelhantes na série de quatro livros monumentais sobre a ditadura. Foi também o que fez o jornalista Vicente Vilardaga no recém-lançado À Queima-Roupa – O Caso Pimenta Neves, livro no qual relata o assassinato da repórter Sandra Gomide pelo diretor de redação de O Estado de S.Paulo. Vilardaga busca entender um assassino, Pimenta das Neves, cujo crime lhe é repulsivo.
À Queima-Roupa é sólido justamente pelo seu empenho em compreender o que pensou e como agiu o homicida, situando o seu crime no contexto da imprensa paulista.
“Já Otávio Cabral envolve José Dirceu numa névoa de insinuações para melhor denegri-lo. Em títulos de capítulos, chama-o de ‘camaleão’, ‘bedel de luxo’, ‘o maior lobista do Brasil’ e ‘o maior vilão do Brasil’. Como Dirceu foi condenado e aguarda a prisão, o que Cabral faz é chutar um homem caído no chão.”
 
- “Mas [Cabral] comete tantos erros que acaba chutando a sua própria reputação profissional. Em 1978, diz ele, José DIrceu participou de um grupo que ajudou a financiar candidatos do ‘MDB simpáticos à luta armada, como Anísio Batista de Oliveira e Djalma Bom’. Que surpresa. Anizio (com ‘z’) Batista e Djalma Bom eram sindicalistas no final dos anos 70. O primeiro era metalúrgico e integrava o grupo de Lula em São Paulo. O outro estava na Pastoral Operária e militava na oposição metalúrgica de São Paulo. Ambos discordavam da luta armada e do MDB. Candidataram-se a deputados na década seguinte, e foram eleitos pelo PT.
 
“Desconhecendo fatos comezinhos como esses, Otávio Cabral decreta logo em seguida: ‘Foram as mulheres, e não a política, o que mais atraiu Dirceu de volta a São Paulo’. Como ele pode ter tanta certeza? Apaixonar-se, meter-se em namoros tumultuados, praticar adultério, gostar de amor e sexo fora do casamento – tudo isso ocorreu com José DIrceu. E também com muita gente da esquerda e da direita, com pobres e ricos das mais diferentes atividades.
 
“Achar que isso define alguém é ingenuidade, clichê reducionista. Para ficar em três exemplos da esquerda (que não têm nada a ver com José Dirceu, diga-se): Marx teve um filho com a empregada Helena Demuth, Lênin foi amante da comunista francesa Inessa Armand, Trotsky teve um caso com a pintora Frida Khalo. As traições amorosas explicam o que fizeram na política?”
- “Em compensação, eis uma afirmação direta de Otávio Cabral sobre profissionais de sua área, o jornalismo: ‘Antigos companheiros de Ibiúna e de clandestinidade tinham posições de destaque na imprensa em meados dos anos 80, como Rui Falcão, que comandava a revista Exame, e Eugênio Bucci, diretor da Playboy’. Nem Falcão nem Bucci participaram do Congresso da UNE em Ibiúna. O primeiro porque não era mais estudante e o outro por ser criança. Eugênio Bucci jamais esteve na clandestinidade. Rui Falcão, sim, mas não foi ‘companheiro’ de Dirceu: clandestino, militava em outra organização e noutra cidade. Bucci nunca foi diretor da Playboy. São cinco erros factuais numa frase. Algum recorde foi batido.”
- “A Biografia tem dezenas de barbaridades semelhantes. Uma das melhores: Fernando Collor, na tentativa de se manter no Planalto durante a campanha pela sua destituição, conclamou o povo a ir às ruas com roupas pretas para defendê-lo, e todos foram de verde-amarelo. Como todo mundo sabe, ocorreu o contrário. Collor incitou a população a se vestir de verde-amarelo e o Brasil foi tomado por manifestantes de preto.”
- “Em menor grau, o livro é obcecado por novelas e futebol. São inúmeras as referências de tramas e atores do horário nobre. Todas descabidas, porque José DIrceu não acompanha novelas. Ele gosta de futebol, mas não mais que um torcedor típico.”
- “Em vez de trabalhar, Otávio Cabral preferiu a invencionice delirante.”
Engraçado que esta “biografia” de José Dirceu encontra-se na lista dos livros mais vendidos. Isso significa que está enganando muito bem.
 
10 de agosto de 2013
 

DO MANUAL DOS CULPADOS

“Sou inocente e vou recorrer em liberdade da sentença a que fui condenado! Continuarei a exercer normalmente meu mandato de senador da República, mandato este que me foi outorgado pela população de Rondônia e para qual continuarei trabalhando”.

Ivo Cassol, senador eleito pelo PP de Rondônia, depois de condenado pelo STF a 4 anos e 8 meses por fraude em 12 licitações de obras, jurando que é inocente como determina a recomendação número 1 do Manual dos Culpados.

10 de agosto de 2013
Augusto Nunes

STF DECIDIRÁ NA PRÓXIMA QUARTA-FEIRA SOBRE A POSSIBILIDADE DE NOVO JULGAMENTO DO MENSALÃO DO PT


Manobra vermelha – Na próxima quarta-feira (14), o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma a análise da Ação Penal 470, Mensalão do PT, sendo que o primeiro item da pauta é o é a possibilidade de novo julgamento por meio do recurso conhecido como embargo infringente.
Os advogados de três réus questionaram o assunto: do publicitário Cristiano Paz, do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e do ex-deputado federal Pedro Corrêa.
O STF terá de decidir se os embargos infringentes são cabíveis, já que há divergências interpretativas e teóricas, entre os ministros, sobre o assunto.
Embora esse tipo de recurso esteja previsto no Regimento Interno do Supremo, uma lei, de 1990 que trata do funcionamento de tribunais superiores, não faz menção ao uso da ferramenta na área penal.
Para alguns ministros, isso significa a revogação dos embargos infringentes.

Os embargos infringentes permitem novo julgamento quando há pelo menos quatro votos pela absolvição. A situação atende a onze réus: João Paulo Cunha, João Cláudio Genú e Breno Fischberg (lavagem de dinheiro); José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Marcos Valério, Kátia Rabello, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz e José Salgado (formação de quadrilha).
O presidente do STF e relator do mensalão, ministro Joaquim Barbosa, negou individualmente a possibilidade de admissão dos embargos infringentes, classificando a tentativa de discutir o assunto de “absurda”.
De acordo com Barbosa, o Supremo já analisou todos os argumentos trazidos pela defesa e os advogados tentam apenas “eternizar” o processo. Inconformados, os réus entraram com novo recurso para que a palavra final seja do plenário.
Em meio à discussão sobre os embargos infringentes, o advogado de Pedro Corrêa lançou uma tese ainda mais ampla. Ele quer que o STF aceite fazer novo julgamento se houver pelo menos um voto pela absolvição. A questão também será analisada na próxima quarta-feira.
No caso de os ministros admitirem os embargos infringentes, a discussão sobre o mérito ficará para depois. Antes disso, a Corte terá de analisar os 26 embargos declaratórios, primeiro tipo de recurso cabível, que questiona omissões e contradições no julgamento.
O primeiro embargo declaratório listado na pauta é do advogado Rogério Tolentino, ligado ao publicitário Marcos Valério.
(Com informações da Agência Brasil)
10 de agosto de 2013
ucho.info

STF TERÁ CORAGEM PARA REABRIR O MENSALÃO E CALAR A VOZ DAS RUAS?


 
O julgamento dos recursos dos 25 condenados no processo do mensalão começa quarta-feira com a discussão sobre a possibilidade de mudar a sentença de condenação de 11 réus. Os ministros vão decidir se é legítima a análise de embargos infringentes no Supremo Tribunal Federal (STF). Embora esse recurso esteja previsto no Regimento Interno da Corte, ele não figura em lei desde 1990. Se o STF aceitar julgar os embargos, réus condenados que tiveram ao menos quatro votos pela absolvição terão direito a novo julgamento, com reexame das provas e chance de reverter parte da condenação.
 
Teriam direito ao recurso João Paulo Cunha, João Cláudio Genú e Breno Fischberg, por lavagem de dinheiro; e José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, Marcos Valério, Kátia Rabello, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz e José Roberto Salgado, por formação de quadrilha. A discussão deve abrir a nova fase do julgamento. Se o STF aceitar julgar os embargos infringentes, Dirceu poderá passar do regime fechado de prisão para o semiaberto.
 
Mas, nesse caso, a decisão sobre a revisão ou não das penas só se dará depois de analisados os recursos de outros 14 réus que apresentaram embargos declaratórios questionando o acórdão do julgamento. A ordem do julgamento foi divulgada ontem. O 1º caso a ser analisado será o de Rogério Tolentino, ex-advogado e ex-sócio de Marcos Valério.
 
Normalmente, o julgamento dos embargos declaratórios é rápido no STF. Mas, levando-se em conta a complexidade do processo do mensalão e o número de réus, não há previsão de quanto tempo a análise dos recursos vai levar. As penas só podem ser executadas com o trânsito em julgado, ou seja, quando terminar o julgamento dos recursos.
 
(O Globo)
 
10 de agosto de 2013
in coroneLeaks

COSMOANÁLISE, A NOVA PROFISSÃO

Em 2008, comentei um projeto que regulamentava a profissão de astrólogo, já aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado e que aguardava votação no plenário. De autoria do senador Artur da Távola, a proposta definia quem poderia exercer a astrologia e as atribuições dos profissionais, entre elas, o "cálculo e elaboração de cartas astrológicas de pessoas, entidades jurídicas e nações utilizando tabelas e gráficos do movimento dos astros para satisfazer às indagações do público".

O finado bolchevique também anunciou, na época, que pretendia apresentar projeto regulamentando a profissão de filósofo. Filósofo não seria mais quem filosofa, mas quem tem carteirinha de filósofo.

Por outro lado, a Universidade de Brasília chegou a criar um curso de Astrologia, promovido pelo Núcleo de Estudos dos Fenômenos Paranormais, que se dedica ainda a outros temas do gênero, como ufologia e conscientologia, seja lá o que isto quer dizer. Enfim, não tive mais notícias da tramitação do projeto do senador. Pelo que me consta, ainda não passou pela Câmara.

Zapeando na rede, descubro no entanto - para minha surpresa – que a nobre profissão já está regulamentada. No site da ABA – Associação Brasileira de Astrólogos, quem diria? – leio:

Em primeiro lugar, é preciso ser astrólogo (amador ou profissional) para pertencer ao quadro da ABA.
O candidato, freqüentemente um autodidata, deve comprovar sua condição de astrólogo e sua competência prestando o Exame de Proficiência Técnica, que pode ser solicitado à sede, por telefone, carta ou e-mail.

I - Divisão por categoria:
1) Estudante de Astrologia ou Cosmo-Análise (Nível Básico)
2) Astrólogo ou Cosmo-Analista dos Níveis: Médio e Superior;
3) Professor de Astrologia ou Cosmo-Análise
4) Mestre em Astrologia ou Cosmo-Análise

Como a palavra parece estar meio gasta em função dos Walters Mercados e Aiatolavos da vida, há uma alternativa que pode soar mais nobilitante: cosmoanalista. O campo de estudo se amplia. Não temos apenas um especialista em astros, mas em cosmo. O que deve gerar horóscopos, suponho, fundamentados em astros de outras galáxias, caso os desta sejam pouco generosos com os mortais.

Mas atenção a este item: “Em se tratando de uma profissão reconhecida e auto-regulamentada pela própria classe, porém, ainda não regulamentada oficialmente pelo Congresso Nacional". Ou seja, Congresso já era. Tornou-se perfeitamente dispensável para a regulamentação das profissões.

É de espantar que ainda não tenham regulamentado seus ofícios os traficantes de drogas, bicheiros, contrabandistas, gigolôs et caterva. Que falta de espírito de classe. Espírito de classe que não falta aos astrólogos.

Vamos à definição “legal” de astrólogo. Ou cosmoanalista, como quisermos:

e) são Astrólogos ou COSMO-ANALISTAS de Nível Médio ou Superior, os que se diplomaram em Faculdade de Astrologia ou Cosmo-Análise devidamente reconhecida pelo Governo Federal e seu Ministério da Educação, assim como os que se formaram em Escolas ou Cursos Reconhecidos pela ABA, ou ainda os que prestaram exame de suficiência na ABA, conforme as exigências de Currículo e Carga Horária constantes destes Estatutos e do Regulamento Interno.

Só que as faculdades de Astrologia ou Cosmo-Análise devidamente reconhecidas pelo Governo Federal e seu Ministério da Educação ainda não existem. A UnB oferece um curso, mas faculdade, pelo que me conste, o MEC ainda não ousou. Neste caso, servem as Escolas ou Cursos Reconhecidos pela ABA, ou ainda os que prestaram exame de suficiência na ABA, conforme as exigências de Currículo e Carga Horária constantes destes Estatutos e do Regulamento Interno.

Se bem que ousadia é o que não falta ao MEC. Em 2003, o ministério autorizou o funcionamento em São Paulo da Faculdade de Teologia Umbandista (FTU). Da grade curricular constavam Botânica Umbandista, Fundamentos de Psicologia Geral e Umbandista, Biologia Geral e Espiritual.

Donde se conclui que deve também existir uma botânica católica, outra judia, outra luterana e assim por diante. As botânicas florescerão com o mesmo viço das profissões de fé. Idem no que diz respeito à psicologia. Quanto à biologia espiritual, é de perguntar-se qual será a natureza do material estudado pelos professores. Seres etéreos, evanescentes, inefáveis?

Assim sendo, não é de duvidar que em breve tenhamos tais faculdades. Como a profissão ficou um tanto desgastada depois que os luminares da astrologia deixaram de preocupar-se com as esferas celestes para tratar de assuntos meramente terrenos como Antonio Gramsci e o Foro de São Paulo, teremos doravante cosmoanalistas.

Cosmoanálise soa melhor. Astrologia já era.


10 de agosto de 2013
janer cristaldo