"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



domingo, 30 de setembro de 2012

FUNDO DE PENSÃO É INSTITUIÇÃO FINANCEIRA?

 

A pergunta soa simples, mas exige uma resposta absolutamente complexa. Como muitas questões jurídicas do viver, a simplicidade fática é apenas uma fantasia para complexidade expressiva das explicações. Nesses casos, a experiência aconselha uma cautela crítica que consiga despir a realidade de suas roupagens superficiais, garantindo a lisura interpretativa e a consequente aplicação escorreita da lei.
 
Ocorre que a densidade do debate jurídico de envergadura é capaz de possibilitar o surgimento de duas ou mais posições sustentáveis, dentro de um critério de justiça material constitucionalmente aceitável. Isso acontece porque a normatividade constitucional é dotada de princípios hermenêuticos abertos que visam resguardar a atualidade da Constituição frente à dinâmica natural dos fatos da vida.
Assim sendo, quando nos deparamos com os chamados “hard cases”, são as circunstâncias do caso concreto que determinam as regras e princípios jurídicos que devem prevalecer, competindo à fundamentação decisória ser tecnicamente persuasiva do acerto, necessidade e ponderação da solução aplicada à espécie.

Pois bem. Os tribunais superiores vêm entendendo que os fundos de pensão integram, por equiparação, o sistema financeiro nacional. Consequentemente, os eventuais atos de gestão temerária de entidades previdenciárias privadas poderiam configurar crimes contra a ordem financeira, nos termos propugnados pela Lei nº 7492, de 1986.
Tanto o Supremo Tribunal Federal (STF), quanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ), já se pronunciaram sobre o cabimento da referida sanção penal contra gestores de previdência complementar. No entanto, é sabido que nem tudo são flores no paraíso da Terra e, a nosso sentir, tal linha jurisprudencial merece ser revista à luz de outros elementos normativos que não estão sendo alvo do devido enfrentamento.

Inicialmente, cumpre lembrar que o STF, em sessão plenária de 18 de dezembro de 1991, no julgamento da ação declaratória de inconstitucionalidade nº 504-9/DF, de relatoria do ministro Paulo Brossard, deferiu medida cautelar para suspender a eficácia do artigo 29 da Lei nº 8177, de 1991, que equiparava as entidades de previdência privada a instituições financeiras.
Ora, tal decisão, transitada em julgado, não pode simplesmente ser ignorada, pois não se trata de um nada jurídico.

Além disso, é lição antiga que o ordenamento jurídico possui uma necessária coerência interna, ou seja, eventuais decisões antitéticas rompem a inerente unidade normativa da Constituição, prestando homenagens à insegurança e intranquilidade jurídica.

A Constituição refuta a equiparação de fundos de pensão a bancos
 
O caráter sistêmico da ordem constitucional não permite que o regramento seja subjetivamente picotado ao bel prazer do intérprete. Aliás, se o STF já analisou a matéria em controle abstrato da constitucionalidade, suspendendo a eficácia normativa da equiparação de fundos de pensão com instituições financeiras, ir de encontro a tal linha hermenêutica também é desrespeitar o efeito erga omnes e vinculante dos pronunciamentos de inconstitucionalidade em tese.

Há, ainda, outro aspecto normativo fundamental: as entidades de previdência complementar pertencem ao Título VIII da Constituição, relativo à ordem social. Ao versar especificamente sobre a previdência privada, o artigo 202 da Lei Magna determinou que os fundos de pensão – complementares e autônomos ao regime de previdência oficial (INSS) – deveriam ser regidos por lei especial.
E a Lei Complementar nº 109, de 2001, em nenhum momento, linha ou entrelinha disse que os fundos de pensão pertenceriam ao sistema bancário. E se a lei não disse, não pode o intérprete dizer palavras despidas do necessário amparo legal. Convém, ainda, notar que a ordem econômica e financeira está regulada no Título VII da Constituição (artigo 170 ao artigo 192), ou seja, os fundos de pensão não estão incluídos em tal regramento nem sujeitos aos princípios constitucionais formadores das instituições financeiras.

Resta claro, assim, que a própria lógica interna da Constituição refuta a equiparação de entidades de previdência privada a bancos. Se assim o fez, é porque não há como equiparar desiguais, pois, do contrário, se estaria a agredir a natureza das coisas. E tudo que contraria a ordem natural da vida, cedo ou tarde, expõe aquilo que mal está. É óbvio que a irresponsabilidade gerencial das entidades de previdência privada deve sofrer as devidas sanções legais.
Não se defende, aqui, a impunidade administrativa. Mas, para punir bem, é preciso saber quem, o que e de que forma punir. Afinal, a punição desmedida é tão danosa quanto à ilicitude praticada.

Em fechamento, é imperativo colocar cada instituto jurídico em seu devido lugar, analisar as regras e princípios potencialmente aplicáveis e invocar a lei como um instrumento de justiça a serviço da razão pensante.
Dentro dessa linha hermenêutica, é possível dizer que punir penalmente dirigentes de entidades de previdência privada, como se fossem instituições financeiras, atende apenas aos interesses ocasionais de justiceiros fardados sem a justiça da lei. E lei sem justiça é o injusto legal ou o justo ilegal. Isso pode ser tudo, menos constitucional. Ou será que a Constituição pode albergar injustiças e ilegalidades?

30 de setembro de 2012
Sebastião Ventura Pereira da Paixão Jr
Fonte: Valor Econômico, 27/09/2012

OS DÓLARES DO "SEU" JACQUES. E OS DE DILMA

 

 
Carlos Alberto Sardenberg
Por que Dilma não reclama da China? Ou será que o pessoal em Brasília ainda acha que a China é aliada ‘anti-imperialismo’?

“Seu” Jacques, conhecido da nossa família no interior de São Paulo, dono de loja de artigos variados, aplicava todas suas economias em dólar. Dólar mesmo, verdinhas, que guardava em casa. Isso faz muito tempo, dos anos 50 para os 60.

Quando nós, os mais jovens, começamos a achar que entendíamos de política e economia, tentamos convencer “seu” Jacques que havia investimento melhor. Sim, admitíamos que ele, imigrante que escapara da Rússia em circunstâncias tão dramáticas quanto corajosas, sabia como fora crucial ter uma moeda aceita em qualquer lugar do mundo. Mas agora, mundo novo, dizíamos, ninguém vai sequer pensar em perseguir sua família.

Tudo bem, dizia ele, com sotaque forte, e explicava sua teoria:
“Conhece alguém que ficou pobre com um monte de papel na mão? Já viu. E sabe de alguém que ficou pobre com um monte de dólares na mão?” Ou seja, dólar é risco zero. Tanto tempo depois, na era do capital financeiro, a teoria continua valendo. Reparem no dia a dia do mercado global: toda vez que algo se complica, os investidores correm para aplicar em títulos do governo americano. É papel, certo, “seu” Jacques não gostaria, mas valem verdinhas e podem ser trocados a qualquer momento.

Inversamente, quando o ambiente se acalma, os investidores globais voltam aos chamados mercados de risco – títulos do governo brasileiro, por exemplo, ações na bolsa chilena – que pagam mais no momento, embora os reais e pesos equivalentes não sejam aceitos na Sibéria, sequer aqui por perto.

Comprar os títulos do Tesouro americano é perder dinheiro. Os papéis de dez anos pagavam ontem 1,6% ao ano. A inflação americana e a mundial estão passando disso. E se você resolver trocar tudo por dólar-dólar, também vai perder dinheiro.

Como voltou a dizer a presidente Dilma, a moeda americana está sendo desvalorizada em consequência das ações do Federal Reserve, Fed, o banco central dos EUA. O Fed está simplesmente imprimindo trilhões de dólares, o tsunami monetário, para comprar papéis privados, irrigar o crédito e, assim, estimular investimentos e consumo.

Seria de interesse do Brasil associar-se aos EUA na bronca com os chineses na Organização Mundial do Comércio
 
 
Quer dizer, isso é o que dizem lá. Nosso governo aqui desconfia que o objetivo do Fed seja provocar uma valorização global de todas as outras moedas e assim encarecer as exportações de todo mundo para os EUA, enquanto barateia as exportações americanas para o mundo todo.

De fato, o dólar se desvalorizou quando o Fed anunciou seu último programa. Mas, tirante Brasília e um ou outro, o mundo bateu palmas. Ocorre que o pessoal viu nessa política um caminho para tirar os EUA da crise, o que é bom para todos.

Reparem: se tudo correr bem, as famílias americanas vão torrar algo como US$ 10 trilhões neste ano. Comprando casas, como espera o Fed, pagando serviços, mas também importando mercadorias do mundo todo, inclusive do Brasil.

Nesse caso, o real fortalecido não será problema, pois todas as demais moedas, especialmente dos emergentes exportadores de commodities, também estão se valorizando em relação ao dólar. Assim, não se altera a posição relativa dos competidores dentro do mercado americano.

Também não há problema nas exportações brasileiras para outros países, já que todos sofrem igualmente o impacto da desvalorização do dólar. Só haveria dificuldades ali onde o produto brasileiro compete com o americano – mas isto é muito pouco.
O governo brasileiro, por exemplo, está dando incentivos para a montagem de iPhones no Brasil. Ora, não existe um iPhone sequer fabricado nos EUA. Lá eles fazem o projeto, o desenho, o software, o marketing.

Já perceberam, não é mesmo? Há, sim, um país que ganha competição nessa história toda, a China, que mantém sua moeda alinhada ao dólar. (OK, os chineses têm permitido a valorização do yuan, mas lentamente e interrompida toda vez que há algum stress.) E é com os chineses que os manufaturados brasileiros (iPhones incluídos) têm que concorrer nos EUA, no mundo todo e inclusive aqui no Brasil.

Por que a presidente Dilma não reclama da China? Nesse caso, aliás, seria de interesse do Brasil associar-se aos EUA na bronca com os chineses na Organização Mundial do Comércio. Ou será que o pessoal em Brasília ainda acha que a China é aliada nessa ação, digamos, “anti-imperialismo”?

Por outro lado, o Banco Central brasileiro continua comprando dólares e engordando as reservas. São dólares esvalorizados, mas “você não vai ficar pobre com isso”, diria seu Jacques.

30 de setembro de 2012
Carlos Alberto Sardenberg
Fonte: O Globo

FREIXO QUER QUE O COORDENADOR DE CAMPANHA DE PAES SEJA INVESTIGADO

 

FotoCANDIDATO MARCELO FREIXO

O candidato pelo PSOL à Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, disse neste domingo (30) que vai pedir que a Procuradoria Geral da República investigue o deputado federal, Pedro Paulo (PMDB), ex-chefe da Casa Civil da prefeitura e atual coordenador de campanha de Eduardo Paes, que tenta a reeleição.
Segundo Freixo, Pedro Paulo é apontado na reportagem da revista Veja como principal articulador da suposta compra de apoio do PTN, um dos 19 partidos da coligação de Paes.
"Se houve crime, foi cometido por um deputado federal. Cabe ao Procurador Geral da República investigá-lo para saber se também é um caso de mensalão", disse Freixo.

30 de setembro de 2012
in claudio humerto

AS ÚLTIMAS DO ANEDOTÁRIO "POLÍTICO" BRASILEIRO PESCADAS NO SANATÓRIO GERAL

Criminoso confesso

“Meu filho, entregue o cargo antes que descubram o restante. Fique em silêncio que saberemos como lhe recompensar”.

Luciano Agra, prefeito de João Pessoa (sem partido), na mensagem ao secretário Alexandre Urquiza que queria mandar por email e acabou escancarada no Twitter, levando o Brasil decente a perguntar o que ainda esperam os homens da lei para enquadrar os dois bandidos.

Profundidade perigosa

“O ministro Lewandowski, justiça seja feita, mergulhou no processo”.

Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal, sem revelar se e quando o revisor do processo do mensalão vai voltar à tona.

Juridiquês ultracastiço

“É um trabalho a nível de Supremo”.

Marco Aurélio Mello, ministro do STF, Supremo Tribunal Federal, sobre o voto do revisor do processo do mensalão, Ricardo Lewandowski, ensinando que, em juridiquês ultracastiço, “trabalho a nível de Supremo” quer dizer palavrório de quinta categoria.

Mesmo mestre

“Nem na ditadura, Paulo Maluf imaginou que poderia colocar dois candidatos no segundo turno. Mas Russomanno e Haddad podem chegar lá”.

Carlos Fernandes, presidente do PPS paulistano, sobre a façanha do procurado pela Interpol que, depois de ter ensinado Celso Russomanno a fazer política, agora dá aulas a Fernando Haddad.

30 de setembro de 2012
Augusto Nunes

"O HINO ERA OUTRO"

 


O Hino Nacional que cantamos não é a canção que venceu o concurso público para escolha deste importante símbolo nacional.



O povo não aprovou a música de Leopoldo Miguez e a letra de Medeiros e Albuquerque, embora tivessem obtido em concurso público o primeiro lugar, entre 36 candidatos.


Também não tinha aprovado a letra anterior, de Américo Moura: “Gravai com buril nos pátrios anais o vosso poder/ Eia! Avante, brasileiros! Sempre avante”.
 
Então, o marechal Deodoro da Fonseca, monarquista que proclamara a República, determinou que o Hino Nacional continuava a ser aquele dos tempos do Império, letra do professor de português do Colégio Pedro II, Joaquim Osório Duque Estrada, e música de Francisco Manuel da Silva.
 
A letra classificada em primeiro lugar é bonita, mas falsa! Diz: “Nós nem cremos que escravos outrora/ Tenha havido em tão nobre País…” Outrora era 1888! Fazia pouco mais de um ano que não havia mais escravos no Brasil, por força da Lei Áurea, assim chamada por ter sido assinada pela princesa Isabel com uma caneta de ouro!
 
Tal como na letra que hoje cantamos, o riacho Ipiranga também está lá, parecendo o Amazonas, pelo estilo pomposo: “Do Ipiranga é preciso que o brado/ Seja um grito soberbo de fé!”.
 
Igual decepção tiveram os cruzados quando chegaram à Terra Santa. Acostumados a ver rios europeus grandiosos, como o Danúbio e o Reno, achavam que o Jordão fosse ainda maior! E encontraram um riacho! Portanto não era tão grande a dificuldade de Réprobo, nome original de São Cristóvão, atravessá-lo com o Menino Jesus às costas.
 
Aquarela do Brasil não é hino nacional, mas talvez seja mais coerente com a História do Brasil: “Ah! Abre a cortina do passado/ Tira a mãe preta do cerrado.” A menos que os atuais censores de Monteiro Lobato vejam racismo nesse autor também. Ary Barroso, órfão desde os oito anos, que “teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo”, venceu todas na vida, mas perderia para os censores.
 
Porque “a burrice, no Brasil, tem um passado glorioso e um futuro promissor”, como disse o ex-seminarista Roberto Campos.
 
Enquanto não mudarmos a letra do Hino Nacional ou não a aprendermos, continuaremos dando o vexame de não saber cantá-la ou não saber o que cantamos. Poucos entendem versos tão rebuscados, compostos de palavras estranhas, algumas já fora de circulação!
 
A prova dos nove de que todos sabem o Hino Nacional dar-se-á quando até os jogadores da seleção brasileira, este “impávido colosso”, cantarem seus versos “em brado retumbante”, saudando o “Brasil, florão da América”, devidamente perfilados diante do “lábaro estrelado”, iluminados pelos “raios fúlgidos” do patriotismo e protegidos pelo “formoso céu risonho e límpido”, onde “a imagem do Cruzeiro resplandece.” E sem “o heroico brado”.
 
“Herói cobrado?”. Cada um deles é um herói pago! Os mais famosos não são mais pagos em cruzeiros, velhos ou novos, nem em reais, e, sim, em dólares, euros, dinares etc. Então, que pelo menos saibam cantar o Hino Nacional, afinal “a seleção é a pátria de calções e chuteiras”, segundo a frase imortal de Nelson Rodrigues.

30 de setembro de 2012
DEONÍSIO DA SILVA

A BELA CRÔNICA DE WLADY OLIVER E UM GRANDE MOMENTO DA CANTORA HEBE CAMARGO

 

A crônica do nosso Oliver merece ser lida ao som de “Você não sabe”, na interpretação definitiva da (também) cantora Hebe Camargo, de quem a coluna se despede com um beijo e uma lágrima. (AN) 
 
A PISCINA

Tinha eu em minha infância um sonho recorrente. Nele, minha família e amigos nadavam numa imensa piscina olímpica. O problema é que algumas das raias tinham uma inusitada lápide no caminho. Registravam o fim de uma trajetória de luta na competição da vida.
Eu nunca saberia qual a próxima lápide a encontrar seu competidor e isso muito me amedrontava. Mas eu cresci. E comigo, o estranho sonho se tornou uma inofensiva moldura perdida, numa canto qualquer de um cérebro buliçoso.

Cinquenta anos mais tarde, muitas dessas lápides já se concretizaram, levando meu pai, meu padrasto, tios e amigos. Minha mãe velhinha ainda encontra fôlego para resistir mais algumas braçadas. Sua irmã três anos mais nova já se encontra com Wando com expressiva frequência. Sua mente embaraçada vai e volta pelos mundos da lucidez, numa viagem mais engraçada do que triste, para os que a cercam de carinho.

Voltando ainda mais no tempo me lembro que essa minha tia tinha uma loja de costura na Rua Joli. Seus vestidos eram famosos e adornaram Hebes e Lolitas. As verdadeiras, diga-se. Minha tia sempre se orgulhava disso, quando conseguia se lembrar disso. Lembro também que sua loja era em frente à fábrica das balas “Confiança” e aqueles furgões redondinhos, parecidos com os carros dos Intocáveis, faziam a alegria da molecada da vizinhança.

De volta para o futuro, estaciono agora há dois meses atrás, na fila de autógrafos do livro do Boni. Estávamos lá, quando um burburinho sobe as escadas e se aproxima de nós. Uma senhora muito alegre resume a cena ─ “Nós, os velhinhos, já conquistamos o direito de furar fila, não é mesmo?” ─ e vai se esgueirando entre os ali presentes. “Posso passar na sua frente?”, ia perguntando e sorrindo. “A senhora é linda, a senhora pode tudo!!!”, exclama alguém ao meu lado.

Ela então se vira pra mim, bem à sua frente: “O que é que ele disse?”, pergunta. “Disse que a senhora é linda e pode tudo…”. Ela: “Que maravilha !!! Eu furando a fila e ainda ganhando elogios de vocês”. Retruco: “Pois os elogios são mais que merecidos”. Ela para de novo e me olha com ternura: “O que você disse, querido?”

“Disse que os elogios são mais que merecidos. A senhora merece nosso aplauso”. Fui seguido imediatamente por todos ali presentes num aplauso, no início acanhado, mas logo efusivo, em homenagem à sagrada dama da TV brasileira que acabava de chegar. Assim tive meus únicos segundos de luz ao lado de nossa querida diva da tv.

Que descanse de sua longa jornada. Não digo em paz, porque ela não era de descansar em paz. Que descanse em alegria. Na mais completa alegria que iluminou os seus e os nossos caminhos. Um selinho, grande Hebe. O mundo fica menor sem você.



30 de setembro de 2012
Wlady Oliver

"NO CASO DO MENSALÃO, JÁ NÃO HÁ NADA SUPOSTO. HÁ FATOS COMPROVADOS".

 

Vamos combinar?
Que tal agora, após o pronunciamento da Justiça que transitará em julgado (sem apelações), por ter sido proferido pela mais alta corte do Brasil, passarmos a chamar as coisas pelo nome?
Sai o deputado João Paulo e entra o corrupto condenado João Paulo.
Sai o empresário Marcos Valério e entra o bandido Marcos Valério.
Onde se lê “recursos não contabilizados”, leia-se simplesmente roubo!

Mas, antes de mais nada, deletemos o uso da palavra “suposto” para qualificar o que é a mais absoluta verdade.
É cansativo ler que existia um suposto esquema de compra de votos. Nada disso: existiu um esquema criminoso de compra de votos!

Boa parte da imprensa parece buscar, em nome de uma pretensa imparcialidade, o que seria um distanciamento dos fatos. Isso é saudável até que se comece a agredir os fatos em nome desta falsificação ausente de todos os manuais de redação.

Excesso de cautela também pode ser sinônimo de discordância. Ou mesmo de covardia.
Nós, leitores, exigimos que os meios de comunicação sejam informativos. Pedir que jornalistas relatem fatos é estranho. Mas, infelizmente, necessário.

Sei que os “blogueiros progressistas” e os membros do PIG (Partido da Imprensa Governamental) jamais deixarão de usar o “suposto”. É o que resta a quem compactuou e protegeu uma camarilha de bandidos que sempre soubemos existir.

Mas a imprensa séria que, provavelmente por excesso de zelo, insiste em expressões como “suposto mensalão”, “suposto participante” ou “suposto desvio de verbas públicas” está obrigada – pelos fatos! – a revogar o termo que inspira dúvidas.

Não há nada suposto! Há fatos comprovados. E julgados como tal.
Espero que aprendamos, na esteira de tantas lições, a usar as palavras na exata dimensão que possuem.

Assim teremos uma imprensa sem meios-termos. E sem medo de expor o que é simplesmente verdadeiro.
Por supuesto!
(Que, em espanhol, quer dizer claro, óbvio, certamente.)

30 de setembro de 2012
REYNALDO ROCHA

MENSAGEM DE VALLEJO


A parte mais interessante da carta do Sr. Ramiro é aquela em que ele diz “Não sei, Janer, não sei...”. Nela, um libelo disfarçado contra o capitalismo e a favor do “pensamento GENIAL de Marx”, o missivista sugere que se risque do caderno da história a aniquilação da teoria comunista pelos exemplos reais, insinuando que o mal do mundo atual é o desemprego, numa simplificação pueril do intricado modus vivendi mundial.

Com isso, sofismando, insinua que, se o capitalismo causa desemprego, somente o comunismo de Marx, poderá trazer de volta tais empregos. O que se deve testar novamente, apagando-se da história seu insucesso, suas consequências aniquiladoras como o retrocesso econômico e o genocídio sem precedentes na história humana, bem como a criação de dirigentes e uma camarilha de agentes governamentais, incompetentes, amorais e insanos, tais como Stalin a quem Isaac Deutscher chamou de “vasto, sombrio, caprichoso e mórbido monstro humano.”

As lições da história mostram que a socialização de um povo, em resumo, provoca duas grandes consequências:

1 - A liberdade de uma pequena classe de dirigentes que, obtusa e de baixo perfil em todas as áreas, ascende aos mais altos postos de comando de um governo, produzindo toda sorte de desatinos com a única finalidade de obter poder total e com ele enriquecer desenfreadamente;
2 - A escravidão de toda uma população, que entrando num decaimento generalizado, será obrigada a trabalhar e produzir para manter a casta de governantes. Em suma, o comunismo socializa a pobreza entre o povo e a riqueza entre os dirigentes e a corte de parasitas que os rodeiam.

Realmente, para tal ideologia, a verdade histórica precisa ser apagada para que ressurja em seu lugar “a verdade” socialista reescrita de forma adequada. O progresso da raça humana deve ser esquecido, pois em todo o seu tempo ele foi feito fundamentado exclusivamente em dois aspectos cruciais: a propriedade privada, que, por sua vez baseia a liberdade individual; e a iniciativa, o empreendimento pessoal, onde são liberadas a inventividade e a genialidade de cada um.

É a realidade indiscutível e insofismável. É só olhar em volta. Tudo o que temos de conforto na vida é proporcionado por duas invenções fabulosas: as bases da transmissão de corrente elétrica alternada e o motor elétrico à corrente alternada. Sem elas, ainda estaríamos na era das máquinas a vapor. Tudo o que se constrói na vida moderna, tem como acionador o motor elétrico a CA. E quem inventou isso: Tesla, um gênio sérvio-croata, radicado nos EUA e trabalhando para um capitalista chamado Westinghouse. Não se pode encobrir a história com ideologismo. Não se pode fugir da realidade.

Não se pode fugir da realidade que a vida confortável que beneficia todo o planeta é fruto da inventividade, do estudo, da liberdade de um bloco de poucos países: alguns da Europa e dos Estados Unidos. Qual é a contribuição de todo o continente africano para o conforto, saúde, e progresso mundiais? E da América latina? E da Ásia? Alguns criadores e uma imensa maioria de apertadores de botão. Todos são USUÁRIOS dos inventos surgidos no capitalismo que incentiva e premia a liberdade, a iniciativa pessoal, o esforço e o estudo, enquanto combate principalmente o culto à personalidade e o endeusamento de nulidades.

Infelizmente, o governo mundial resolveu fortalecer a cruenta escravatura chamada China, para desestabilizar o planeta e está conseguindo. China e a ditadura comunista da ONU com sua Agenda21, vão fazer Stalin parecer pinto, a nível global.

Não desanime, Sr. Ramiro. O senhor vai chegar lá. Somente reze para continuar na classe dirigente.


Luís V. Vallejo

30 de setembro de 2012
janer cristaldo

OPOSIÇÃO LEVA MULTIDÃO ÀS RUAS NA VENEZUELA EM ATO DE ENCERRAMENTO DA CAMPANHA. VEJA EM TV ONLINE!




Aqui a transmissão direta de Caracas, através da TV Globovisón, do encerramento da campanha eleitoral na Venezuela. O furacão oposicionista Henrique Capriles leva uma surpreendente multidão para as ruas de Caracas.
A eleição presidencial ocorre daqui a 7 dias. O candidato oposicionista Henrique Capriles cresce na reta final desta campanha e pode alcançar a vitória sobre o caudilho Hugo Chávez.
Milhares de pessoas nas ruas de Caracas apóiam a Oposição.
 Clique aqui para ver mais fotos

30 DE SETEMBRO DE 2012
in aluizio amorim

CORROMPENDO A INFÂNCIA À LUZ DO DIA

    
          Artigos - Direito
Pais e crianças rejeitam a perversão sexual ensinada numa escola de Minas Gerais. A professora tenta se justificar, afirmando que as crianças propuseram o tema. As alunas, de apenas 10 anos, constrangidas, negam: "é muito feio, e somos muito novas para aprender essas coisas."

"Como se transa?" "O que é sexo anal?" "Como dois homens fazem sexo?" "O que é transexual?" "O que é boquete?" "É possível mais de duas pessoas fazerem sexo?"

Estas são algumas das perguntas do dever de casa dos alunos do 4º ano de uma escola pública de Contagem, Minas Gerais, crianças de 10 anos.

A Sra. Norma Nonata de Aquino, pedagoga da escola, defendeu a professora que passou o dever aos alunos, declarando o que segue:

Nossas crianças, embora tenham 10 anos de idade, são crianças curiosas, já tem acesso a uma série de informações; são crianças que têm influência da mídia, da música, da novela, dos filmes, e trazem consigo as questões ligadas à sexualidade.


Sexualidade foi um tema escolhido pela própria turma, é um tema transversal, é um tema que a escola trabalha com base em orientação do MEC, dos parâmatros curriculares, a escola desenvolveu um trabalho sério, organizado, planejada a partir das questões das próprias crianças.

Assista ao vídeo da reportagem levada ao ar pela rede Record de Minas Gerais, em 26 de setembro de 2012:

http://www.youtube.com/watch?v=JpKNnWQqcDY&feature=player_embedded

Comentário do Escola Sem Partido

Se Dona Norma quiser ensinar sua filha de 10 anos o que é e como se faz um boquete, ninguém tem nada com isso, pois o art. 12 da Convenção Americana de Direitos Humanos lhe garante o direito de dar aos seus filhos a educação moral que esteja de acordo com as suas próprias convicções.


Mas ela não pode fazer a mesma coisa com as crianças que estudam na sua escola, pois os pais dessas crianças também têm o direito de dar aos seus filhos a educação moral que esteja de acordo com as suas próprias convicções.

Ocorre que Dona Norma está muito segura do que diz, e não parece nada disposta a mudar de orientação. Nem ela, nem possivelmente a maioria dos seus colegas de profissão, nem o MEC, que, como se sabe, não apenas apoia como incentiva esse tipo de abordagem em sala de aula, não importando a idade dos alunos.

Portanto, se os pais quiserem exercer o direito que lhes é conferido pelo art. 12 da Convenção Americana de Direitos Humanos, eles precisam acordar. Precisam pedir ao Ministério Público e ao Poder Judiciário que proíbam as escolas de usurpar esse direito. E só há um jeito de impedir tal usurpação: obrigar o MEC e as Secretarias de Educação (1) a varrer todo o conteúdo moral das disciplinas obrigatórias, e (2) a reconhecer expressamente em seus documentos oficiais o direito dos pais de dar aos filhos a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.

Se quiser utilizar o sistema de ensino para promover uma agenda moral, o governo deve criar uma disciplina facultativa, a exemplo do que acontece com o ensino religioso. Conhecendo previamente o conteúdo dessa disciplina, os pais decidirão se querem ou não que seus filhos a frequentem.
Enquanto isso não acontecer, o art. 12 da Convenção Americana de Direitos Humanos será letra morta em nosso país.

 Escrito por Escolasempartido.org

TRÊS MOTIVOS PRA DETESTAR IDEOLOGIAS

    
          Artigos - Cultura 


voegelinNão sentir a putrefação do mundo moderno é sintoma de contágio.
Nicolás Gómez Dávila


A chamada guerra cultural é um fato latente de nosso tempo que nenhum cristão maduro pode deixar de levar em conta se almeja entender os atuas fenômenos culturais e políticos.

O termo “disputa por corações e mentes” remete a Guerra Fria, mais ainda serve para evocar uma realidade que se tornou nas últimas duas décadas ainda mais complexa do que aquela em que apenas dois pólos se opunham.

Intelectuais agindo em redes organizadas, próximos ao centros de poder e de divulgação de informações para as massas têm definido não só os temas a serem debatidos, mas principalmente os termos nos quais se deve-se debater questões políticos e culturais decisivas.

O boicote e as ameaças que cientistas que se recusaram endossar a tese do “aquecimento global” sofreram são provas claras que certos grupos não descartam recorrer à chantagem e a métodos escusos para modelar, mais do que a opinião pública por alguns meses, o imaginário coletivo por décadas.

Ainda se vive a era das ideologias coletivistas de massa, frutos podres do racionalismo iluminista que descabaram na palhaçada epistemológica chamada “pós-modernidade”.
Num país como o Brasil, em que o contraponto à ideologia socialista, suas variantes e sub-ideologias de apoio é mínimo nos meios de comunicação de massa, penso que aprender com quem dedicou boa parte de sua vida para entender profundamente o problema das ideologias modernas é algo não só oportuno como necessário.

Um dos maiores nomes da filosofia política em nossa época, Eric Voegelin (1901-1985), é autor de uma obra que requer muitas linhas para que se possa dar uma ideia da grandeza e riqueza de seu trabalho. Da alienação do homem de si mesmo à revolta gnóstica contra a ordem da realidade, passando pela observação da desordem espiritual e cultural que permite a ascensão das ideologias ao debate público, os pareceres de Eric Voegelin sobre o problema são riquíssimos e úteis aos cristãos.
Não por Voegelin ser um homem cristão - não era, o que a influência do teólogo liberal Rudolf Bultmann evidencia, e muitos dos seus pareceres sobre as Escrituras e sobre o apóstolo Paulo deixam explícitos - mas por entender, conforme afirma em suas Reflexões Autobiográficas, que só à luz do legado intelectual clássico e cristão seria possível analisar julgar com clareza e seriedade as ideologias de massa.

Nesta obra, editada por seu aluno Ellis Sandoz, Voegelin fala de sua trajetória intelectual, de episódios como a fuga da Áustria após o Anschluss, a invasão nazista ao país, de seus livros, suas leituras e faz comentários à obras de autores que marcaram e influenciaram suas pesquisas e filosofia.
A certa altura, ele dá três motivos pelos quais odiava toda e qualquer ideologia. (É importante não confundir ideologia com cosmovisão. Todos tem uma cosmovisão, mas nem todos padecem do apego à uma ideologia. A confusão dos termos é algo típico da cultura marxista.)

O primeiro motivo pelo qual Voegelin odiava as ideologias era que estas “constróem edifícios intelectualmente insustentáveis”. Citando o marxismo, o positivismo e o nacional-socialismo, o filósofo lembra que há bibliografia farta destruindo os postulados destas ideologias, e sentenciava: “se, mesmo assim, um indivíduo opta por aderir a uma delas, impõe-se de imediato a suposição de sua desonestidade intelectual”. Questionava-se por que pessoas honestas nos seus afazeres diários cediam à tal espécie de desonestidade assim que começassem a discutir assuntos científicos.

Segundo motivo do ódio de Voegelin às ideologias: “tenho repulsa ao morticínio de humanos por diversão”. E comenta: “anos de ampla investigação lançaram alguma luz sobre o assunto. A brincadeira consiste em conquistar uma pseudo-identidade com a afirmação do próprio poder, o que se faz preferencialmente matando alguém, e esta pseudo-identidade passa a servir de subsituta ao ego humano que se perdeu”. Lembrei de Raskholnikov, do romance Crime e Castigo, de Dostoyevsky, imediatamente. E dos mais de 100 milhões de mortos pelo socialismo no último século.

O terceiro motivo surge com mais frequência no debate político: Voegelin afirma que “se há algo característico dos ideólogos é a destruição da linguagem, ora no nível do jargão intelectual de alto grau de complexidade, ora no nível vulgar”. Com uma vida filosófica pautada pela honestidade intelectual – qualidade que um de seus mestres, Max Weber, sempre destacou, Voegelin buscou usar a linguagem com clareza.


Observou que Karl Marx distorcia os conceitos de Hegel de forma tão notória que os editores de suas obras não podiam se omitir a publicar notas a respeito, ainda que com certa cautela. No caso de Hegel, Voegelin conta que muitos trocavam Marx por este autor, cuja obra, por ser mais complexa, facilitava a ocultação das premissas centrais, que, uma vez refutadas, lançavam por terra todo o restante do sistema.

No caso do nazismo, Voegelin afirmou que a situação é tão grave que fica praticamente impossível discutir criticamente a distorção da linguagem, e seria preciso desenvolver uma filosofia da linguagem para poder abordar problemas como a simbolização e a perversão desses dímbolos na ordem vulgar por pessoas brutas, incapazes de entender uma obra filosófica.

Sobre esta tomada do espaço público por pessoas toscas como Hitler (e a semelhança do caso do Brasil de Lula e Dilma nos serve de alerta) Eric Voegelin dá seu parecer:

“Não podemos encarar com leveza esses problemas relativos à vulgaridade e à oclocracia. Não podemos fingir que não existem. São problemas seríssimos, de vida ou morte, pois os vulgarem constroem e dominam a atmosfera intelectual em que a ascensão ao poder de figuras como Hitler se torna possível”.


Em seguida, culpa atribui a culpa da tragédia alemã aos literatos e jornalistas, cuja destruição paulatina da língua alemã foi analisada por Karl Krauss ao longo de 30 anos de edições de seu Die Fackel.

No país da “presidenta”, no qual clichês ideológicos nem são mais reconhecidos como tal, onde reina o politicamente correto e a língua de pau – esta em que “se faz desaparecer o ‘eu’ em favor do ‘nós’ que é fácil opor a ‘eles’” com o explicou Vladimir Volkoff, e onde 38% dos universitários são analfabetos funcionais, fica clara a pertinência das lições de Voegelin, e a responsabilidade dos cristãos para um despertar da igreja contra a ideologia socialista.

Esta que quando não tenta perverter a doutrina por meio da falácia hermenêutica e doutrinária, tenta impor absurdos como o aborto, o “casamento” gay e a liberalização das drogas, e, como se não bastasse, quer criminalizar a livre manifestação dos cristãos contra tais aberrações.

30 de setembro de 2012
Escrito por Edson Camargo

NOVO ESTUDO REACENDE POLÊMICA SOBRE DROGA ABORTIVA


Ligado à mortalidade materna, o misoprostol é novamemte tema de controvérsia. A droga, conhecida pelo nome Cytotec, foi originalmente criada para tratar úlceras gástricas, mas tem sido usada para hemorragias pós-parto e abortos. Desde 2011, a OMS tem a droga como fundamental para o tratamento de sangramentos pós-parto.

Um estudo recente que avaliou a eficácia de uma droga para uso no parto provocou uma reação cruel dos grupos pró-aborto de pressão política nesta semana, aprofundando as preocupações com a politização das pesquisas internacionais de saúde materna.


Um estudo publicado na prestigiosa revista da Sociedade Real de Medicina investigou como a eficácia da droga misoprostol para impedir sangramentos que coloquem em perigo a vida das mulheres que acabaram de ter um bebê. O estudo revelou que as pesquisas existentes são insuficientes para justificar a inclusão do misoprostol na lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A professora Allyson Pollock e suas colegas da Universidade de Londres concluíram que os recursos seriam mais bem gastos na melhoria de assistência médica básica para mulheres grávidas e na redução de fatores de risco como anemia, em vez da aceitação de um padrão mais baixo de assistência. Num comunicado à imprensa, a Dra. Pollock declarou que “os países desenvolvidos não sonhariam em dar misoprostol às mulheres durante o parto na base das evidências atuais, mas a indústria farmacêutica e profissionais de saúde estão promovendo-a amplamente nos países em desenvolvimento”.

Embora tais estudos sejam rotineiros no campo médico, o artigo provocou polêmica imediata devido ao debate maior do aborto. Ainda que médicos pró-vida tenham também reconhecido a utilidade do misoprostol para impedir hemorragia pós-parto em certas circunstâncias, a oposição ao estudo veio principalmente de organizações que promovem o aborto.

“Penso que os autores desse documento ingênuo e enganoso deveriam se arrastar de joelhos e implorar perdão para essas mulheres por sugerir que neguemos a elas acesso a uma medicação que comprovadamente salva vidas chamada misoprostol”, disse o Dr. Malcolm Potts, professor de 'População e Planejamento Familiar' na Universidade da Califórnia em Berkeley. Potts foi no passado diretor médico da Planned Parenthood (Federação Internacional de Planejamento Familiar), um dos maiores apoiadores do aborto do mundo.

Pathfinder International, que inclui mais acesso ao aborto entre suas metas, exortou a OMS a deixar o misoprostol na lista e sugeriu uma abordagem que “lidaria com necessidades imediatas e urgentes enquanto as soluções de longo prazo estão sendo desenvolvidos”.

A organização abortista Women on Waves oferece instruções para usar o misoprostol para induzir o aborto em seu site. Numa entrevista para a Alternet, a Dra. Rebecca Gomperts disse: “estamos treinando as organizações de mulheres sobre… como usar o misoprostol para abortos seguros e nascimentos”.
Menos preocupada com leis que restringem o aborto, Gomperts disse que ela media seu sucesso pelo “acesso” e “educação”, e acrescentou: “O problema será assegurar que os medicamentos continuem a ser disponíveis”, algo que a inclusão na lista da OMS tem a intenção de garantir.

Em 2011, a OMS adicionou o misoprostol à sua lista de medicamentos essenciais como tratamento para mulheres que sofrem de sangramento pós-parto. A inclusão nessa lista designa uma droga como uma que tem de ser disponibilizada a preços econômicos no mundo inteiro.

O misoprostol, também conhecido pelo nome de marca Cytotec, foi originalmente designado como um tratamento para úlceras gástricas, mas tem sido usado para hemorragias pós-parto e abortos. Por causa dessa última função, a adição do misoprostol para a lista da OMS foi polêmica.

A Dra. Pollock tinha palavras particularmente fortes com relação à promoção do acesso mundial ao misoprostol. Numa entrevista para o jornal The Guardian, ela se referiu a essas campanhas como “ideologia, convicção e fé”, declarando: “É como dar um medicamento embusteiro e dizer que é melhor do que nada”.

Escrito por Rebecca Oas

Tradução: Julio Severo

Publicado no ‘Friday Fax’ do C-FAM.

LULA, O NOSSO MAOMÉ FRUSTRADO, NÃO RECONHECE O PODER DO SUPREMO, A LEGITIMIDADE DA OPOSIÇÃO E A AUTORIDADE DO POVO. A MENOS, CLARO! QUE FAÇAM O QUE ELE MANDA!


Luiz Inácio Inconformado da Silva não está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal, embora, a meu juízo, devesse. Supor que a quadrilha do mensalão tenha se reunido naquela orgia de corruptos ativos e passivos, no embalo de peculatos e gestão fraudulenta, sem a sua anuência vai além da ingenuidade, não é?

Trata-se mesmo de uma forma de cretinice. A Procuradoria-Geral da República, de todo modo, diz não ter conseguido reunir indícios suficientes para denunciá-lo. Nas conversas que mantém com interlocutores, reveladas por VEJA, Marcos Valério diz o que a todos parece óbvio:
 
“Lula era o chefe”. É bem verdade que há outros inquéritos que investigam outras franjas do mensalão — inclusive aquele que diz respeito ao BMG e que corre na Justiça Federal de Minas. Nunca é tarde para chegar ao Babalorixá de Banânia. Naquele caso, as pegadas de Lula parecem muito claras.
 
O Apedeuta resiste, para usar palavra de sua predileção sobre si mesmo, a “desencarnar”. E agora, na sua compreensão sempre perturbada da democracia — espero que aquele rapaz que resenhou meu livro, o tal Bernardo Mello Franco, não se abespinhe por eu estar “atacando” Lula —, resolveu que existe uma contradição inelutável entre o “STF” e o “povo”. Um estaria de um lado, e o outro, de outro!!! Na coluna Holofote da VEJA desta semana, lemos a seguinte nota:

“’Eu não vou deixar que o último capítulo de minha biografia seja escrito pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. Quem vai escrevê-lo é o povo’. Foi com essa frase que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou um almoço com um ex-ministro há duas semanas. Lula não aceita a interpretação corrente de que a condenação dos mensaleiros e o fracasso do PT nas eleições representarão o fim de sua carreira política. O interlocutor ficou em dúvida se ele pretende voltar às urnas em 2014 ou se liderará uma campanha para tentar reverter a condenação dos mensaleiros.”
 
Voltei

As dúvidas desse interlocutor não fazem sentido político e jurídico. Comecemos por este último: a decisão do STF é irrecorrível. Os “embargos infringentes” então mais para “embargos auriculares”, que se fazem só nas orelhas do interlocutor. A maioria dos réus, até agora, está condenada por placar expressivo. Há casos de 11 a zero, 10 a zero (depois da saída de Cezar Peluzo), 10 a 1, 9 a 2… O que Lula pretende fazer? Mandar os bate-paus do petismo cercar o Supremo de tacape na mão? É retórica balofa para realidade frouxa, oca.
 
No que concerne à política, qual a saída? Dar um pé em Dilma e tomar o lugar dela como candidata natural à reeleição? No petismo, atenção!, há entusiastas de sua candidatura ao governo de São Paulo.
 
É… Talvez pudesse tentar. Não custa lembrar que este senhor perdeu todas as disputas se considerarmos só o eleitorado do Estado. Se dependesse só de São Paulo, ele e Dilma nunca teriam sido eleitos presidentes da República. Luiz Inácio Faroleiro da Silva pode correr esse risco? Muitos ficarão francamente melados de emoção. Se der certo, bem… Se não der, será um enterro político sem glórias.
 
O desempenho vexaminoso do PT nas capitais — e tudo indica que o resultado será muito ruim nacionalmente — demonstra que seus poderes mágicos eram frutos da mística e da mistificação. Não! O eleitorado não faz o que Lula manda. E ponto! Se Fernando Haddad passar para o segundo turno em São Paulo, o projeto do chefão manco do PT ganha sobrevida porque é bem provável que Russomanno não tenha fôlego para a segunda rodada. Se não passar, os tais coelhos que ele prometeu assar quando se tornasse ex-presidente o aguardam…
 
Lula está desesperado. Ontem, os petistas fizeram dois comícios na Zona Leste da cidade. O Apedeuta, que disputou uma vez o governo de São Paulo e cinco vezes a Presidência — tendo sido eleito, então, depois de quatro derrotas para cargos executivos —, recomendou, com a grosseria que lhe é peculiar, que José Serra se aposentasse…
Sabem o que é fabuloso? No próximo dia 27, o petista completará 67 anos. É apenas três anos mais novo do que o tucano — diferença que, convenham, a partir, sei lá, dos 20, já não faz mais… diferença! Dia desses, afirmou que, caso Dilma não queira se candidatar à reeleição (era um convite…), ele aceitaria a parada. Se isso viesse a acontecer, estaria com 69 anos…
 
Não pensem que Lula está brincando quando recomenda que o adversário se aposente! Ele fala a sério. E agora começo a ligar os pontos, leitor: o homem que não reconhece a autoridade do Supremo e pensa em apelar ao “povo” para contraditar o tribunal é o mesmo que não reconhece a legitimidade do adversário e da oposição. Quando sugere a aposentadoria de Serra, está deixando claro que não quer vencer o seu opositor, mas eliminá-lo do jogo político.
 
Esse demiurgo inescrupuloso pode avançar também para a delinquência política pura e simples. Referindo-se a Marta Suplicy, que estava presente ao comício, afirmou que “não deixaram Marta se reeleger” por ela “se meter a fazer coisas para os pobres”.
 
“Não deixaram”??? Quem “não deixaram”, cara-pálida? Em 2004, Serra foi eleito contra Marta pelo povo. Em 2008, Kassab foi eleito prefeito contra Marta pelo povo! Entendi: o Babalorixá de Banânia não reconhece o poder do Supremo, não reconhece a legitimidade da oposição e não reconhece nem mesmo a autoridade do povo se este não votar em quem ele manda. Entendo seu nervosismo: o PT perdeu a eleição para o governo de São Paulo duas vezes (2006 e 2010) e a para a Prefeitura duas vezes (2004 e 2008) com ele na Presidência da República, tentando dar ordens aos paulistas e paulistanos.
 
Lula não se conforma de não ser o nosso Maomé, ainda que certa imprensa faça esforço para isso. É que eu não sou um exímio desenhista, viu, Mello Franco? Se fosse, agora faria uma charge de Lula pendurado na brocha do próprio rancor.
 
30 de setembro de 2012
Por Reinaldo Azevedo

DE ROEDORES E DE HOMENS

 
Recebo do leitor Felipe Moura Brasil, o texto que segue, publicado na sua página no Facebook. E não se esqueçam do nosso encontro nesta semana.

*
Se você ainda se espanta quando mentem a seu respeito, distorcem suas palavras, insinuam intenções ocultas nas suas atitudes e reduzem o seu trabalho àquilo que gostariam que ele fosse só para poder falar mal com mais propriedade, chegou a hora de você conhecer os professores dessas pessoas. Aqueles que inoculam no ambiente cultural os vícios que as alimentam.
 
O mais novo deles é Bernardo Mello Franco, jornalista da Folha de S. Paulo que, sob o pretexto de resenhar o livro “O País dos Petralhas II: O inimigo agora é o mesmo”, de Reinaldo Azevedo, acabou fazendo uma brilhante resenha de suas próprias qualidades morais.
 
Eu as descreveria aqui se o argentino José Ingenieros já não as tivesse descrito no emblemático livro “O homem medíocre”:
 
“O verdadeiro crítico enriquece as obras que estuda e, em tudo o que toca, deixa um rastro de sua personalidade. Os criticastros, que são, por instinto, inimigos da obra, desejam diminuí-la, pela simples razão de que eles não a escreveram. (…) Têm as mãos travadas por fitas métricas; seu afã de medir os outros corresponde ao sonho de rebaixá-los até a sua própria medida. (…) Quando um grande escritor é erudito, reprovam-no como falto de originalidade; se não o é, apressam-se a culpá-lo de ignorância. Se emprega um raciocínio que outros usaram, denominam-no plagiário, embora assinale as fontes da sua sabedoria; se omite a assinalação, acusam-no, por serem vulgares, de improbidade. Em tudo encontram motivo para maldizer e invejar, revelando a sua antipatia interna.”
 
No Brasil, se um verdadeiro crítico, como Reinaldo Azevedo, responde a seus detratores, os “criticastros”, como Bernardo Mello Franco, reprovam-no pelas “balas” de um “fuzil sem piedade”. Se é implacável em seus argumentos, condenam seus “insultos”.
Se escreve sobre os mais variados temas, apressam-se a culpá-lo de motivações eleitorais.
Se analisa a fala de um ministro da Educação quando ainda ministro da Educação, apontam seu apoio ao adversário do ex-ministro na campanha atual por uma prefeitura.
“Em tudo encontram motivo para maldizer e invejar, revelando a sua antipatia interna” — condição sine qua non, aliás, para a ideológica, partidária ou de aluguel.
 
Bernardo Mello Franco é um inimigo da obra “O país dos Petralhas II” e tentou rebaixá-la, bem como ao autor, até a sua própria medida. Esse rebaixamento encontra eco em corações ressentidos do talento alheio, renovando a cultura da inveja e da maledicência, já tão tradicional no país.
 
É por isso que o desgosto dos “roedores da glória”, como também os chamava José Ingenieros, é sempre o maior elogio que alguém pode receber. Ninguém precisaria enganar o público para falar mal de uma obra ruim.
 
Leiam Reinaldo Azevedo, senhores! Bernardo Mello Franco não gostou.
 
*
Abaixo, os convites para o lançamento em São Paulo e no Rio.
 


30 de setembro de 2012
Por Reinaldo Azevedo

OS ESTADOS UNIDOS CAMINHAM PARA O SOCIALISMO

 

Barack Obama aplica, hoje, toda a doutrina keynesiana, na qual se apoiou Franklin Delano Roosevelt em 1933 para lançar seu “New Deal”. E foi assim que salvou o país de uma falência total.


Obama segue Roosevelt

Saiu a nova edição da “Newsweek”, com o título de capa: “Barack Reagan”, na qual lemos que, se Reagan teve grandes méritos na recuperação do país, em seus dois mandatos,os desafios de Obama tem sido muito maiores, somente comparáveis aos de 1929.

Sobre Mitt Romney … quando abre a boca parece a Ofélia, aquela que “só abria a boca quando tinha certeza”,ou com o inesquecível Justo Veríssimo, aquele que dizia “quero que o pobre se exploda”. Uma das (muitas!) besteiras ditas pelo republicano, podemos recordar: “Let Detroit go bankrupt!” … “Detroit (onde os carros dos USA são fabricados)que se dane!”

E Obama recuperou esta indústria, salvou mais de um milhão de empregos. Salvou com o dinheiro dos contribuintes. Se está colocando muito dinheiro público … nas mãos do público … está na verdade apenas fazendo uma devolução, pois como sabiamente diz Paul Krugman, “de uma forma ou de outra, todos se aproveitam da infra-estrutura do Estado, sem a qual nada existe”.

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TRAVESSIA

Os Estados Unidos caminham para o Socialismo e é dessa forma, com a compreensão desta “travessia”, que retomará seu caminho e recuperará as perdas gigantescas que vem sofrendo atualmente. Distribuir riquezas com sabedoria, da classe média para cima e não dos ricos para baixo, é o que defende Obama … no que está corretíssimo.

As leis devem ser iguais para todos, e todos devem ser iguais diante das leis. Mercados sem regras … como pregava Reagan (por exemplo), é teoria que nunca deu certo, e, se deu, hoje já não é mais possível em país algum.
O Estado deve reger as economias, ou o homem (o animal insaciável) se apropriará de tudo, causando as maiores desigualdades sociais – que é o que vemos há décadas e décadas neste mundo quase que totalmente destruído pelas crises, verdadeiras atrocidades causadas pelas jogatinas dos que pregam “livre iniciativa”, mas estão sempre mamando nas tetas do … Estado.

Quem paga? “Same ol’ story” … os povos, hoje arrebentados e humilhados na Espanha, em Portugal, na Grécia, na Itália e outros países. Estavam gastando muito? Estavam desperdiçando muito?
Ora ora ora … Só os Estados Unidos foram obrigados a um remanejamento da sua dívida, a partir dos anos 80 … 78 vezes! São os mais irresponsáveis e desorganizados do mundo, mas o mundo os financia (a moeda é deles) … faz tempo. Ou já teriam quebrado outra vez, levando-nos a todos de roldão.

Resumindo: o dinheiro tem origem no trabalho, e quem o produz é o seu dono. Cabe ao Estado planejar, organizar, executar e controlar … mostrando como isto se realiza. Uns ficarão com mais, outros ficarão com menos, mas numa proporção que possibilite a todos uma justa e digna participação no processo.

30 de setembro de 2012
Almério Nunes