"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



segunda-feira, 15 de abril de 2013

BRASIL ESTÁ NA CORDA BAMBA, MAS DILMA CONSEGUE GRAVAR MENSAGEM PELOS DEZ ANOS DO PT NO PODER

 

Falta do que fazer – A economia cambaleia à beira do despenhadeiro, nove entre dez brasileiros estão preocupados com o retorno da inflação e com o futuro, mas Dilma Rousseff arruma tempo para gravar mensagem em vídeo para o PT, que nesta segunda-feira realiza em Belo Horizonte evento apara comemorar os dez anos da legenda no poder central.

Na manhã desta segunda-feira (15) a presidente Dilma deixou o Palácio da Alvorada em um carro à paisana, sem as placas em verde e amarelo e com o brasão da presidência, e seguiu para o estúdio de gravação, em Brasília.

Ao ver os jornalistas que a aguardavam na parte externa do estúdio, Dilma foi rápida: “O que vocês estão fazendo aqui? Tchau”, disse a presidente indignada.

Na verdade, quase 200 milhões de brasileiros é que ainda fazem essa pergunta, pois o PT não tem o que comemorar nesses dez anos de poder. A economia está um fracasso, a última década foi marcada pela corrupção e o País está sem perspectiva apenas porque é preciso preservar o projeto de reeleição de Dilma Rousseff.

Pois então presidente, o que Vossa Excelência foi fazer lá, se nada para contar há nos dois anos de um mandato fracassado?

15 de abril de 2013
ucho.info

SE VOCÊ É UM CORRUPTO, UM SONHADOR, UM CANALHA, OU UM IGNORANTE, EM 2014 VOTE NO PT E SEJA "FELIZ" PARA SEMPRE


Geraldo Almendra: A quem possa interessar em um país de surdos, mudos e cegos
 
Um representante do poder público mais corrupto de nossa história declarou recentemente que a violência no país não está crescendo, mas são os cidadãos é que estão denunciando mais. É ou não é um canalha?!
Aproxima-se a eleição para um novo mandato presidencial e a estupidez da sociedade brasileira já nos passa a triste mensagem de que seja bem provável que a presidente Dilma venha a ser reeleita.
Caso isso ocorra, a presidente não tem absolutamente mérito para conquistar esse novo mandato, seja de qualquer ângulo que se analise sua gestão de quase quatro anos de políticas socioeconômicas pontuais, assistencialistas e artificialistas, disfarçadas com o conluio de cabos eleitorais esclarecidos canalhas levianos, mentirosos, calhordas, corruptos e subornadores que enxergam somente o que podem ganhar com toda essa sacanagem praticada contra o país.
Com seu padrinho dando as cartas no submundo do poder político paralelo prostituído, manipulou como quis sua base aliada em troca do assistencialismo político gerador de verbas para estados e municípios, e milhares de empregos, executivos ou não, na estrutura federal de governo, transformando a máquina pública, incluindo as empresas estatais, em um ninho de empreguismo político cujo maior mérito exigido é de ser aliado do PT.
Com o pleno conhecimento do TSE O estelionato eleitoral preparatório está a todo vapor enquanto as perspectivas para o futuro do nosso país são cada vez mais sombrias:
- Economia com parque industrial em ritmo de obsolescência operacional e tecnológica de mais de dez anos em muitas de suas atividades, tendo como parâmetro os países mais desenvolvidos;
- Estrutura viária, ferroviária e portuária sem mínimas condições de suportar um crescimento econômico nos próximos dois anos;
- Empresas estatais em difícil situação financeira como consequência do empreguismo, da falta de investimentos e dos gastos abusivos com propaganda ou financiamentos de atividades que podem dar votos ao desgoverno petista;
- Saúde pública próxima do estado de calamidade;
- Segurança pública totalmente desafiada por bandidos e traficantes principalmente nas grandes metrópoles com assassinatos de policiais e civis virando banalidade;
- Saneamento básico com um atraso de mais de dez anos provocando inúmeras doenças e quase epidemias;
- Sistema educacional público de ensino básico da pior qualidade e sistema universitário transformado em campo de treinamento para militantes do PT concluírem seus cursos universitários, em sua maioria, como analfabetos funcionais, para servirem ao projeto de poder fascista em pleno exercício pelo desgoverno petista;
- Dívida pública chegando a um patamar quase explosivo;
- Inflação com clara indicação de alcançar patamares que poderão levar o país a uma grave crise econômica;
- Poder Judiciário sistematicamente desafiado pelos poderes Legislativo e Executivo como consequência do corporativismo legal para defender o projeto de poder do PT, e que já tomou conta de toda a estrutura legal do país graças à omissão ou cumplicidade de centenas de togados em todos os níveis do Poder Judiciário. Quando vão prender os condenados no Mensalão?
- Promessas de investimento (PAC´s - plano de aceleração das canalhices da política) não realizadas ou apenas parcialmente cumpridas. - Como anda a transposição do Rio São Francisco, entre centenas de exemplos possíveis? E aquele navio que foi inaugurado pelo Retirante Pinóquio, mas nunca conseguiu navegar?
- Assistencialismo em larga escala promovendo uma bilionária evasão de receitas tributárias sem resultados relevantes para o futuro do país a não ser a criação de uma massa de milhões de escravos do poder público que incluem ignorantes, vagabundos, e aproveitadores do dinheiro ganho com o suor dos outros.
- Forças armadas moralmente destruídas e com suas estruturas operacionais absolutamente obsoletas e despreparadas para cumprir seus papéis constitucionais, e não estamos falando de obedecer ou defender um Covil de Bandidos - poder público.
- Polícias Civil, Militar e Federal com nichos do corporativismo petista ou de corruptos que fazem da ação da justiça uma sistemática vergonha geralmente punindo com a letra da lei apenas os inimigos do PT;
- Mais de 50.000 cidadãos morrendo todos os anos de forma violenta, assassinados, nas filas ou nas instalações de hospitais púbicos e nos acidentes de trânsito em estradas federais esburacadas ou mal conservadas.
- E muitas outras sacanagens com a sociedade brasileira.
Vamos então perguntar? - Onde está o mérito do(s) desgoverno(s) petistas? São essas as realizações (!) que farão essa sociedade de cegos, surdos e mudos manter no poder a apadrinhada do mais sórdido político de nossa história? Tirem as manipulações estatísticas, as medidas sociais e econômicas pontuais para enganar os trouxas, as mentiras e as leviandades eleitorais estelionatárias e vai sobrar muito pouco.
O país acompanha o Governo Federal, governo estaduais e municipais aliados do PT trabalharem diuturnamente para conquistar os votos da sociedade mais idiota do mundo, deixando os mais graves problemas que o país enfrenta em um plano secundário de preocupações.
Depois de doze anos de desgovernos petistas o Brasil afundou na degeneração moral das relações públicas e privadas, não com o poder das armas, mas somente com o poder da corrupção ou do suborno de milhares de esclarecidos canalhas que prestam relevantes serviços ao PT para manterem-se no usufruto do caminho do dinheiro fácil e da impune prática do ilícito.
Deve-se chamar atenção para a maior rede de comunicação do país, A TV Globo, que tem se mostrado parcial, com frequentes e vergonhosas edições de fatos políticos e econômicos para não comprometer suas relações financeiras com o BNDES nem desagradar o desgoverno da presidente Dilma que jorra dinheiro para financiar empresas e pagar a propaganda do desgoverno federal na televisão.
Vamos acrescentar que o intervencionismo do desgoverno petista nas relações públicas e privadas em todos os sentidos já o classificam como um desgoverno fascista comandado pelo Poder Executivo.
As cifras de promessas de resultados presentes e futuros somente podem ser comparadas com a absurda falta de vergonha do poder público mais safado, mais corporativista, e mais corrupto de nossa história que está investindo bilhões para preparar competições esportivas internacionais enquanto, por exemplo, o sistema de saúde que está um caos, aquele que um cretino disse ser o melhor do mundo, é cúmplice das mortes de dezenas de pessoas todos os meses nos corredores e quartos imundos e nas filas do descaso com a população menos favorecida.
Se você é um corrupto, um subornador, um canalha, ou um ignorante, em 2014 vote no PT e seja “feliz” para sempre.
 
15 de abril de 2013

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE




15 de abril de 2013

A FORMA COMO A IMPRENSA FAZ POESIA DA DISCRIMINAÇÃO DE CLASSE NO RIO QUASE ME COMOVE, MAS CONSIGO ME CONTER

 

Caos nesta segunda no transporte público da cidade do Rio, com a decisão da Prefeitura de proibir a circulação de vans em grande parte da Zona Sul. O Rio é mesmo uma cidade maravilhosa. A maneira como os pobres são discriminados por ali, e com o apoio de grande parte da imprensa, beira a poesia, o estado de arte.
A medida foi tomada depois que uma turista foi estuprado no interior de uma van, e seu namorado, espancado. Como não existe controle sobre essa modalidade de transporte público, o jeito é ser radical: nada desses veículos na Zona Sul, onde circula, afinal, a maior parte dos turistas.
O raciocínio, não fosse seu caráter obviamente discriminatório, faz sentido: com menos vans, menos riscos. E se tem, adicionalmente, a impressão de que se tomou uma providência. Antes que continue — e para desfazer mal-entendidos —, é preciso apontar a culpa de São Paulo (ou de uma de suas gestões).
 
As vans no transporte público são, prestem bem atenção!, uma herança maldita do PT. Sim, senhores! Essa modalidade inicialmente clandestina começou na gestão de Luíza Erundina na capital paulista e não foi reprimida a tempo.
Ao contrário: foi até estimulada. Os petistas achavam que, assim, encostavam contra a parede os capitalistas selvagens.
Eram tempos em que os petistas ainda não viviam em mutualismo com o… capitalismo selvagem! Logo algumas de suas franjas se ligaram ao crime organizado e, aí, adeus! Nunca ninguém mais conseguiu acabar com a praga.
 
À época, especialistas alertaram para seu caráter deletério. Estimular esse tipo de, digamos assim, “iniciativa privada” informal numa área de prestação de serviço que tem de ser regulada porque usa o aparelho urbano seria fonte permanente de problema.
Não deu outra! Mas o PT jamais resistiu à tentação de apresentar uma resposta simples e errada para um problema difícil.
De São Paulo, a doença se espalhou para o Brasil inteiro, chegando ao estado de arte no Rio. E não é assim em razão da índole particular do carioca. É que essa informalidade encontraram naquela geografia e naquela topografia o ambiente ideal para prosperar. As vans podem chegar a lugares aonde os ônibus não chegam.
 
Ora, à medida que as empresas começaram a dividir passageiros com esse novo serviço, foram adaptando seus investimentos à nova realidade de mercado — em São Paulo, no Rio e em qualquer lugar.
As vans deixaram de ser apenas uma alternativa para quem queria um pouco mais de rapidez e conforto (ou que fazia um trajeto não servido por ônibus ou metrô) e passou a ser um serviço necessário. Elas supriram parte do crescimento da demanda por transporte público. Não se corta isso da noite para o dia sem transtornos severos.
 
E é o que viu no Rio. Reproduzo (em vermelho) trecho de reportagem da Folha. Volto em seguida.

 *
O primeiro dia de proibição da circulação de vans e Kombis em bairros da zona sul do Rio causa transtornos, desde o início da manhã desta segunda-feira (15), para moradores da cidade. Por volta das 7h, alguns ônibus seguiam lotados com passageiros pendurados nas portas. Trabalhadores ficaram revoltados com o atraso de até uma hora dos ônibus, que na maioria das vezes passavam superlotados e não paravam nos pontos. “Estamos na fila [do ônibus] há quase uma hora porque eles passam cheios e não param. Sempre peguei van da Ilha do Governador [zona norte] para Ipanema e nunca tive problema. Agora tive que fazer baldeação na Leopoldina [no centro] e enfrentar esse caos para chegar no trabalho”, lamentou a costureira Nadmar Almeida, 47.
Muitos passageiros reclamaram que a mudança vai prejudicar quem depende do transporte público na cidade. “É maldade o que estão fazendo com a gente. Estamos viajando esmagados nesses ônibus lotados”, disse o cozinheiro Josenildo Alves da Silva, 47, que seguia da Leopoldina para o Leblon. Às 9h30, uma manifestação da categoria fechou a avenida Delfim Moreira, no Leblon. O protesto provoca um enorme engarrafamento na pista sentido Copacabana, zona sul.
Segundo decreto do prefeito do Rio, Eduardo Paes, publicado na quinta-feira (11) no “Diário Oficial” do município, as vans não podem mais circular na zona sul da cidade no bairros de Botafogo, Humaitá, Urca, Leme, Copacabana, Ipanema, Leblon, Lagoa, Jardim Botânico, Gávea e São Conrado.
(…)
 
Voltei

Aqui e ali, a gente lê que os ônibus e o Metrô procurariam se reorganizar para suprir a demanda por transportes. Pelo visto, não adiantou. E não teria mesmo como adiantar. Reitero: depois de anos cumprindo um papel da demanda por transporte público, não se muda a realidade por decreto.
 
Eu fico imaginando qual seria a abordagem da imprensa, inclusive da carioca (da paulistana, com certeza absoluta!), se a administração pública decidisse tomar uma medida como essa nos bairros ricos da cidade. Convenham: uma tolice dita por uma moradora de Higienópolis — não pelo bairro, já que bairro não fala nem pensa — gerou um “movimento social”.
 
Ela, com todo o direito a ter uma opinião (ou alguém lho havia cassado?), ainda que idiota, afirmou que não queria estação de metrô no bairro porque isso atrairia “gente diferenciada”. E lá foram os petistas mais alguns xexelentos, com amplo apoio da imprensa, fechar ruas para fazer o “churrasco da gente diferenciada”.
Cheguei a ler verdadeiros ensaios nos jornais, da mais pura antropologia butequeira, demonstrando como esta é a cidade da exclusão e coisa e tal. No Rio, não! Todos terminam na mesma gafieira da Glória Perez e no paraíso de Dante do Complexo do Alemão…
 
Mas, como se vê, não há perigo de haver uma abordagem crítica nem mesmo de uma medida que tem óbvio caráter discriminatório. Não só se cria uma área da cidade onde “esse tipo de coisa não entra” — por que não? — como se punem os pobres que trabalham na Zona Sul e dependem do transporte público.
 
“Olhe o Reinaldo defendendo as vans…” Uma ova! Eu acho que é preciso começar a tomar medidas para acabar com elas. Mas, antes, é preciso oferecer uma alternativa aos que se tornaram dependentes das vans não por escolha, mas por culpa da incúria do Poder Público.
 
Dizem que sou conservador. Uns bestalhões me acusam de reaça. Não dou a mínima. O fato é que tenho asco de discriminação, inclusive da dita “discriminação positiva”… Pouco me importa se o cartão postal que serve de fundo tem o rio Tietê ou a tardinha que cai, o barquinho que vai e outros diminutivos turísticos.
 
15 de abril de 2013
Por Reinaldo Azevedo

A REVOLUÇÃO BOLIVARIANA ACABOU NA URNA DE VIDRO

 



Os blogs chapa-brancas usam e abusam de expressões como “vontade popular” e “popularidade” para justificar agressões aos valores que dizem defender ─ as liberdades democráticas, por exemplo. Eles só conjugam o verbo concordar. Discordar é ofensa.

Tenho a impressão de que os protoditadores desta sofrida América Latina estão hoje com barbas e buços de molho.

Quer dizer então que o projeto popular-revolucionário-libertador do bolivarianismo (seja lá o que isto for!) tem UM opositor na Venezuela em cada DOIS eleitores?

O povo – entidade usada por TODOS os demagogos da América Latina – não viu que o chavismo quebrou o país, implantou uma censura asfixiante (pois econômica aos meios de comunicação independentes), manietou o Judiciário e colocou em coleiras o Parlamento para garantir a farta distribuição de “bolsas” e outras variações do assistencialismo? Que povo ingrato!

Tudo bem que a economia está em ruínas. Que 40% da população dependam de empregos públicos. A saúde melhorou tanto que o defunto ainda insepulto foi se tratar no exterior. Que a educação tenha retrocedido aos níveis de 1960.

Mas os que vestiram as camisetas vermelhas estavam sendo atendidos! Também é certo que os dirigentes – talvez por vestirem camisas e ternos vermelhos, ou casacos iguais aos do chefe – tiveram um pouco mais. Foi o caso do próprio Chaves, com seu exclusivo Bentley de 500 mil dólares.

Mas a mídia e os institutos de pesquisas (sempre eles) não garantiam que era só questão de tempo a entronização do Maduro, agora em acelerado processo de apodrecimento? É nisso que dá o controle da mídia. Esmagada pela desinformação e pela mentira, a verdade parece surpreendente quando afinal se impõe.

O herdeiro de uma das mais longas agonias da história do mundo, de um velório sem fim, de uma exposição em urna de vidro como um cinderelo revolucionário só poderia saborear uma vitória esmagadora contra os imperialistas, que até infectaram com câncer a mistura de Cristo com Che Guevara.

Um passaralho cantou nos ouvidos do escolhido. (Será que o colibri voltará agora como corvo para cobrar de Maduro o que não conseguiu? Ou Maduro ouvirá o som da gralha?)
Sem contar a “campanha eleitoral” em que o candidato do governo tinha meros 600% de tempo a mais de exposição que o oponente.

O que poderia dar errado se menos de 5% da população estaria na dita “classe privilegiada”? Os outros 95% (segundo os institutos de pesquisas) estavam felizes e defendiam ardorosamente a continuidade do chavismo.

Deu um pra um…. Um resultado ainda mais expressivo que os 45% dos brasileiros que disseram NÃO ao PT numa eleição plebiscitária. E – a bem da verdade – sem todos os instrumentos disponíveis na Venezuela.
 
A eleição na Venezuela foi uma lição. Para todos. Principalmente para a oposição brasileira. E nem preciso dizer a razão.
Por vezes, uma vitória é muito mais amarga que uma derrota.
O chavismo acabou na urna de vidro.

15 de abril de 2013
REYNALDO ROCHA

CHÁVEZ ESTÁ MORTO, E O CHAVISMO TAMBÉM! FRAUDE TIRA A ELEIÇÃO DO OPOSICIONISTA CAPRILES

 Maduro é “eleito” com menos de 2 pontos de diferença. É roubo!


Bingo!
Escrevi ontem aqui: “É a ditadura que sustenta o chavismo, não é o chavismo que sustenta a ditadura”. Com essas palavras, chamava a atenção para o fato de que é mentirosa a versão de que a sociedade venezuelana foi mesmerizada pelo tirano e de que a oposição representa não mais do que a vontade de uma extrema minoria.
 
Nicolás Maduro, que já exerce o poder de forma ilegítima — cuja posse foi legalizada por uma Corte de Justiça composta de eunucos —, foi declarado o vencedor das eleições deste domingo.
Com pouco mais de 99% da apuração concluída, obteve 50,66% dos votos, contra 49,07% do oposicionista Henrique Capriles, que não reconheceu o resultado e pediu a recontagem do total de votos, não de apenas uma parte.
Os oposicionistas dizem ter recebido mais de 3 mil denúncias de fraudes, vindas de todo o país. No discurso da “vitória”, Maduro diz concordar com a recontagem, mas tentará sabotá-la, podem ficar certos.
 
O resultado representa uma humilhação para todos os institutos de pesquisa. A diferença mínima que se apontava era de 7,2 pontos percentuais; havia quem falasse em 12. Deve ficar em torno de 1,6 ponto. Eis aí: o chavismo, felizmente, morreu com Hugo Chávez.
Ainda que se faça a recontagem de 100% dos votos e que a “vitória” de Maduro seja confirmava, é evidente que se trata de roubo e de fraude — mesmo que os votos tenham sido os declarados oficiais. Por quê?
 
A eleição na Venezuela não é nem livre nem limpa. Não é livre porque a oposição não dispõe dos mesmos instrumentos de que dispõe o governo para falar com a população. Chávez estatizou a radiodifusão no país, e as TVs e as rádios são usadas como porta-vozes oficiais do governo.
O Beiçola de Caracas chegava a ficar no ar, por dia, até seis horas. Falava bem da própria gestão e demonizava seus opositores. As notícias passam por um severo serviço de censura interna, e só vai ao ar o que o governo considera “saudável” e “didático” para a consciência do povo.
Os críticos do governo são tratados como larápios, como sabotadores, como malvados em defesa de privilégios.
 
É o modelo que a turma de José Dirceu e Rui Falcão gostaria de implementar no Brasil. É o que quer essa gente xexelenta, financiada por estatais, que pede “o controle da mídia” no Brasil — como se ela já não fosse petista o bastante e não estivesse, no mais das vezes, a serviço de grupos militantes.
Mas eles, claro!, querem muito mais. Invejam o chavismo. Invejam Cristina Kirchner. Mas volto ao ponto.
As eleições na Venezuela, pois, não são livres, já que a oposição é obrigada a enfrentar uma estupenda máquina de desqualificação. Ainda assim, praticamente a metade dos que foram votar disse “não” ao chavismo. Isso é formidável!
Significa que toda essa gente soube resistir à pressão oficial, especialmente de 5 de março a esta data, quando morreu o tirano.
Chávez passou a ser tratado como santo. Declarou-se não apenas a sua imortalidade. Falou-se também na sua ressurreição. Quem se encarregou da peça publicitária indecorosa foi João Santana, o marqueteiro do PT.
 
Uma emissora estatal fez um desenho animado com a sua chegada ao céu. No céu do bolivarianismo, um monte de “heróis” latino-americanos divide uma choupana. Dante encontra Beatriz para conduzi-lo no paraíso.
A gente teria de se apertar, numa cabana, entre outros, com Chávez, Guaiacaipuro, Sandino, Allende, Evita, Simón Bolívar e Che Guevara, que detestava tomar banho, daí o apelido de “Chancho”, o “porco”, o “fedorento”, o “porco fedorento”.
Se o céu é isso aí, podem me mandar para o inferno. A choupana, eu já conheci na terra, mas com banho, que a gente pode, sim, ser pobre e limpinho e não matar ninguém (coisa que a esquerda ilustrada não sabe…).
 
As oposição também têm de enfrentar uma formidável máquina assistencialista. Chávez transformou a Venezuela num país dependente exclusivamente do petróleo, destruiu a indústria, arrasou a agricultura e passou a distribuir caraminguás da renda do óleo às populações mais pobres.
É a sua versão do “Bolsa Família”. Só que essa distribuição de benesses é controlada por milícias — armadas! — que dominam as áreas mais pobres do país.
A degeneração social é de tal sorte que Caracas é hoje uma das cidades mais violentas do mundo, com, atenção!, 122 mortos por 100 mil habitantes. A taxa, no Brasil, já escandalosa, fica em torno de 25. Mata-se em Caracas DEZ VEZES MAIS do que em São Paulo e quatro vezes mais do que no Rio.
 
O Chávez amado pelas massas — e, consequentemente, o chavismo supostamente invencível — é fruto da propaganda oficial. Se as oposições pudessem disputar em condições de igualdade e se houvesse imprensa livre no país, essa canalha já teria sido varrida do poder há muito tempo.
Até porque a Venezuela continuará em espiral negativa porque o governo está infiltrado de delinquentes — alguns deles procurados internacionalmente por envolvimento com o tráfico de drogas.
Parte da cocaína que circula hoje no EUA e no Brasil tem origem na Venezuela, que dá abrigo e apoio material aos narcoterroristas das Farc. É esse o governo para o qual Lula gravou um vídeo emprestando seu apoio entusiasmado.
 
Se as eleições não são livres, também não são limpas. As milícias chavistas assombram os locais de votação e aterrorizam os eleitores, especialmente os mais pobres. Assim, a Venezuela é hoje um país governado por um súcia autoritária, eivada de criminosos, sim! Se tiverem curiosidade, pesquisem sobre as denúncias feitas pelo juiz venezuelano Eladio Ramón Aponte Aponte. Ele era nada menos que o presidente do Superior Tribunal de Justiça, o STF da Venezuela, e um dos pilares do chavismo no Judiciário.
 
No ano passado, fugiu do país, entregou-se às autoridades americanas e declarou-se cúmplice da máfia do tráfico de drogas no país, com a qual, afirma, está envolvida a alta cúpula do chavismo. Reproduzo trecho de reportagem de José Casado, de abril do ano passado, no Globo:
 
“[o juiz] Citou especificamente [como envolvidos com o tráfico]: o ministro da Defesa, general de brigada Henry de Jesus Rangel Silva; o presidente da Assembleia Nacional, deputado Diosdado Cabello; o vice-ministro de Segurança Interna e diretor do Escritório Nacional Antidrogas, Néstor Luis Reverol; o comandante da IVa Divisão Blindada do Exército, Clíver Alcalá; e o ex-diretor da seção de Inteligência Militar, Hugo Carvajal.
O juiz Aponte Aponte conheceu a desgraça em março, quando seu nome foi descoberto na folha de pagamentos de um narcotraficante civil, Walid Makled. Convocado para uma audiência na Assembleia Nacional, desconfiou.
Na tarde de 2 de abril, ajeitou papéis em uma caixa, deixou o tribunal e entrou em um táxi. Rodou 500 quilômetros até um aeroporto do interior, alugou um avião e aterrissou na Costa Rica. Ali, pediu para entrar no sistema de proteção que a agência antidrogas dos EUA oferece aos delatores considerados importantes.”
 
Eis aí o governo que conta o integral apoio do Brasil. Lula gravou um vídeo em apoio a Maduro, e Dilma deu um golpe no Mercosul, com o apoio de Cristina Kirchner, para afastar o Paraguai e levar para o bloco essas flores do bem.
 
A Venezuela disse “não”! A despeito da propaganda, a despeito das mistificações, a despeito da truculência, a despeito da violência, metade dos eleitores — mesmo na contagem chavista — disse “não” à continuidade do regime. Numa democracia, essa canalha não teria chance.
 
Eis aí por que é preciso ficar atento e cuidar dos marcos legais e institucionais. As modernas ditaduras na América Latina, reitero, não se instalam com tanques, mas com golpes legais, como os que Chávez foi aplicando em seu país de maneira dedicada e meticulosa.
 
Nesta semana, o PT dá início a uma campanha em favor do financiamento público de campanha. É uma tentativa de, por intermédio de um golpe legal, garantir a permanência do PT no poder ainda que, um dia, o povo não queira. Vejam o caso da Venezuela: é claro que a maioria da população não quer mais o chavismo se puder escolher seu destino de modo soberano.
 
Chávez está morto.
O chavismo sobreviveu pouco mais de um mês e morreu também.
Nicolás Maduro é só um cadáver adiado, o último suspiro de um delírio totalitário na América Latina.
 
15 de abril de 2013
Por Reinaldo Azevedo

GOVERNO DE DILMA ROUSSEFF DÁ DUPLO TIRO NO PÉ AO SE POSICIONAR CONTRA A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

 


Fora do tom – A decisão do núcleo do governo do PT de ser radicalmente contrário à redução da maioridade penal é a típica cajadada que mata dois coelhos simultaneamente.

Isso porque trata-se de uma postura que contraria a lógica e a realidade e altera a opinião dos eleitores, cada vez mais amedrontados com a violência, em relação ao partido.

E o resultado dessa cegueira diante do óbvio pode aparecer nas urnas de 2014. Mas não se pode esperar atitude diferente de um governo populista que defende o aborto e depois muda o discurso para não perder votos.

Enquanto o Estado é paquidérmico e o governo está a um passo da paralisia, o crime movimenta-se e esgueira-se sobre as brechas da legislação penal.
A cooptação de menores para a prática de crimes resulta de leis brandas e desassistência social por parte do governo.

Pouco resolve criar um curral eleitoral por meio das esmolas oficiais, se a extensa maioria quer uma oportunidade para rumar na direção da cidadania, o que não pode acontecer na esteira do consumismo e do endividamento recorde.
É preciso dar condições do ser humano evoluir e andar com as próprias pernas dentro da sociedade organizada, sob pena de o crime organizado preencher essa lacuna deixada pela inoperância oficial

No contraponto, a sociedade defende a imediata redução da maioridade penal como um dos caminhos para conter a onda de violência que emoldura as grandes cidades, mas o governo de Dilma Rousseff adota um palavrório visguento e embusteiro e afirma que tal mudança não ajudará a combater o crime.
Com a redução da maioridade penal, o endurecimento das leis – leia-se “progressão de pena em casos específicos, não de forma generalizada” – e a adoção da chamada tolerância zero a criminalidade poderá ser combatida com mais chances de sucesso.

O que os governantes ainda não compreenderam é que o pagamento de impostos prevê uma contrapartida eficiente e célere, o que jamais ocorreu no Brasil. Colocar a mão no bolso para custear uma máquina estatal inchada e ineficaz não é a melhor das relações entre o cidadão e o Estado.

Maioridade penal e direito ao voto

Falando em nome da presidente Dilma Rousseff e também do Partido dos Trabalhadores, o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, anunciou que o governo é contra a redução da maioridade penal. O discurso de Carvalho teve conotação meramente eleitoreira, pois horas antes o governador Geraldo Alckmin, de São Paulo, propôs o endurecimento das regras destinadas aos menores infratores, como o aumento do período de internação, que passaria de três para oito anos, podendo chegar a dez anos, dependendo do crime cometido.

Se na opinião do petista Gilberto Carvalho a redução da maioridade penal em nada contribuirá para a contenção da insegurança, que a Justiça Eleitoral tire dos menores de 18 anos o direito ao voto. Até porque, se um jovem não tem discernimento com uma arma nas mãos, o mesmo acontece com o título eleitoral.

15 de abril de 2013
ucho.info

PROPOSTA DO GOVERNO PARA O SALÁRIO MÍNIMO DE 2014 É UM ATENTADO CONTRA A DIGNIDADE HUMANA

 


Falta de vergonha – Sem saber como combater a crise econômica e muito menos o que o futuro reserva aos brasileiros, o governo da presidente Dilma Rousseff está empenhado na elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias, que trata do Orçamento da União de 2014 e será enviada ao Congresso Nacional em breve.

De acordo com a proposta, divulgada nesta segunda-feira (15) pelo Ministério do Planejamento, o governo dos trabalhadores pretende elevar o salário mínimo, que saltaria dos atuais R$ 678 para R$ 719,48, logo no primeiro dia do próximo ano.

O aumento proposto pelo governo do PT ao salário mínimo é tão ridículo quanto o concedido em 2012 e que elevou o piso nacional para irrisórios R$ 678.
O aumento de R$ 41,48 representa R$ 6,12% do mínimo atual, em um país onde a inflação acumulada nos últimos doze meses bateu na casa dos 6,59%, acima do teto da meta fixada pelo governo.

Essa proposta não apenas beira a utopia, mas atropela os discursos passados do PT, que sempre defendeu os números sugeridos pelo Dieese, que no último cálculo considerou um salário ideal, capaz de atender às necessidades básicas do trabalhador, o valor de R$ 2.824,92.
Ou seja, o que o Planalto propõe para 2014 corresponde a 25% do mínimo sugerido pelo Dieese para este mês de abril.

Se tomada por base a inflação real, não a divulgada pelo governo, o aumento do salário mínimo para o próximo ano é um atentado contra a humanidade. O Palácio do Planalto tem se apoiado nos discursos embusteiros sobre a redução da miséria, mas é inimaginável sobreviver com R$ 678 sem enfrentar pelo menos alguns lampejos de miséria.
A situação piora quando o salário mínimo é pouco para quem recebe e muito para quem paga.

O mais absurdo está no fato de que os políticos do PT fazem pose quando falam de transferência de renda e combate à pobreza, não sem antes insistirem na tese de transformar o consumo interno em arma para liquidar a crise econômica.

Não há político que consiga expressivos índices de aprovação popular à sombra de um salário que garante a compra de uma reles cesta básica e o direito de usar o transporte público duas vezes ao dia. Isso mostra que as pesquisas de opinião que apontam a aprovação recorde de Dilma não traduzem a realidade dos fatos e confirmam a eficácia das esmolas sociais na formação de obedientes currais eleitorais, mesmo o governo negando essa possibilidade.

15 de abril de 2013
ucho.info

EM BUSCA DO TOMATE PERDIDO

Enquanto presidenciáveis da oposição falam para empresários e públicos já catequizados, Dilma Rousseff (PT) acelera a própria sucessão. Transforma inaugurações em comícios, e pronunciamentos formais em discursos de campanha. O descompasso entre a velocidade da presidente e a lentidão dos opositores faz parecer que são eles e não ela a ostentar intenção de voto recorde.
Dilma tem 35% das intenções de voto espontâneas tanto no Ibope quanto no Datafolha. É uma taxa inédita para um presidente disputando reeleição a um ano e meio do pleito. Mas grande parte desses eleitores é cativa, declara voto no candidato petista seja ele quem for. Partidários, aprovam qualquer gestão do PT.
É o que acontece com o prefeito paulistano Fernando Haddad, cujo saldo de aprovação com cem dias de mandato só não é maior do que o de outra prefeita petista de São Paulo: Marta Suplicy. Mas Marta não conseguiu se reeleger - porque o eleitorado cativo do PT nunca basta para um petista alcançar maioria absoluta.
A questão, portanto, não é quão intenso está ou não o apoio do terço de petistas ao seu candidato, mas qual a força da candidatura do PT nos outros dois terços do eleitorado - seja o brasileiro ou o paulistano.
Segundo o Datafolha, quase metade dos 35% de votos espontâneos de Dilma vem hoje de eleitores que se declaram petistas ou simpatizantes. É um fato contra o qual a oposição pode pouco.
O peso dos petistas no total dos que declaram voto em Dilma diminui quando a intenção de voto é estimulada. Isso ocorre porque mais eleitores não petistas tomam conhecimento, pelo pesquisador, de quem são os candidatos e, a partir dessa informação, escolhem um nome. Se só conhecem ou ouvem falar do nome de Dilma, tendem a citá-lo com mais frequência.
Esse é o campo de manobra dos oposicionistas. Mas, para manobrar, os candidatos a presidente da oposição precisam se tornar conhecidos e ter um discurso com apelo às aspirações desses eleitores não petistas. Por enquanto, nenhum presidenciável oposicionista encontrou seu público nem seu mote.
"Faremos uma campanha permanente de oposição clara ao governo do PT porque, para o Brasil, esse ciclo de governo do PT precisa e deve ser interrompido", disse Aécio Neves (PSDB-MG), em seminário promovido pelo PPS na Câmara dos Deputados.
A frase joga a oposição ao futuro, como algo a ser feito. Antes tarde do que nunca. Mas ao chamar sua campanha de "permanente", as palavras do candidato contradizem os votos do senador.
Nos dois primeiros anos de mandato, Aécio foi mais governista do que opositor nas votações nominais no Senado: votou com o governo 55% das vezes. Foi superado em "oposicionismo" por seis colegas da bancada tucana, mas em "governismo", por apenas três. Não é das mais claras e permanentes demonstrações de oposição.
Aécio Neves mirava o governador Eduardo Campos (PSB-PE), um aliado que sobe em palanques com Dilma enquanto aguarda e torce por uma oportunidade para lançar-se em voo solo à Presidência. O governador de Pernambuco faz um discurso oposicionista que mais assopra do que morde, à espreita de uma crise econômica que ainda não chegou - e talvez não chegue em tempo para a sucessão.
As chances de Campos residem num fracasso claro de Dilma na área econômica. Não um fracasso de índices e indicadores, mas de percepção popular. Algo que seja sentido no bolso antes de ser propagandeado em campanhas de comunicação. Mas a eventual derrocada da presidente não poderia ser rápida e forte a ponto de ressuscitar um fantasma hoje esquecido: a volta de Lula.
O problema do governador de Pernambuco, portanto, não é apenas o timing da pressuposta crise econômica, mas também a sua intensidade. Ele não controla nenhum desses fatores e, portanto, sua candidatura será, se for, fruto apenas de oportunidade - salvo, é claro, a hipótese de Campos assumir um discurso frontalmente oposicionista e abrir mão das benesses federais.
Outra banda da oposição tenta fazer do tomate uma limonada. No desejo de provar a si mesma que o precipício econômico está logo ali em 2014, confunde preço alto com inflação. Na busca de um ícone popular para a crise ansiada, trocou o PIB pelo fruto.
O que corrói a renda são aumentos sucessivos de preços, não oscilações sazonais exorbitantes. Só será possível extrair sumo eleitoral do tomate se seu preço continuar a subir sem parar. E não basta ser só o tomate e a cebola. Tem de subir todo o resto do churrasco: a carne, o arroz, o pão. Tem de subir e não cair. Fora esse cenário, a piada com tomate já vem pronta e repisada.
15 de abril de 2013
José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo

A ARTE DE CONTAR UMA HISTÓRIA PRA LÁ DE CONHECIDA...

A HISTÓRIA DE DOIS "CUMPANHEROS"
Conta a estória que dois cumpanheros, Luís e Dirceu, foram fazer uma excursão na África. Mas logo se cansaram e pararam pra tomar um ar, e assim se separaram do resto do grupo. Luís botou sua mochila de lado e parou pra tomar uns goles. Enquanto isso Dirceu foi até um riacho, lavar as mãos que, inexplicavelmente, viviam sujas.
Passados alguns minutos Dirceu volta correndo e assustado:
- Cumpanhero, vi alguns leões se aproximando. Vamos correr antes que eles nos alcancem.
Luís começou a se alongar, abriu a mochila e pegou um tênis de corrida e foi calçando, tranquilamente. Dirceu olhou aquilo e não se conteve:
- Que idiotice é essa? Você acha que vai correr mais que um leão só por causa desse tênis moderno?
Luís, sem se abalar, respondeu:
- Eu não preciso correr mais que os leões. Preciso correr mais que você!

Moral da estória:
Enquanto o chefão escapa, os cumpanheros pagam o pato.
 
15 de abril de 2013

EM 10 ANOS, PROGRAMA DE CISTERNAS FEZ MENOS DA METADE DO QUE PROMETEU

Meta era um milhão até 2008; ao todo, foram entregues pouco mais de 419 mil

Ana Paula Ferreira da Silva, 39, moradora do sí­tio Cabugi, ainda consome a água
Foto: Agência O Globo / Hans von Manteuffel
Ana Paula Ferreira da Silva, 39, moradora do sí­tio Cabugi, ainda consome a água Agência O Globo / Hans von Manteuffel

CUMARU (PE) — Resultante de uma das maiores mobilizações da sociedade civil contra a seca, o Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC), lançado há dez anos, ainda não conseguiu atingir sua meta, que deveria ter sido alcançada em 2008 e ajudaria a amenizar os impactos da maior estiagem dos últimos 50 anos. De acordo com levantamento da Articulação do Semiárido (ASA), rede formada por organizações da sociedade civil que coordenam o projeto com apoio do governo federal, elas somavam 419.178 até fevereiro deste ano, beneficiando cerca de 2,1 milhões de pessoas.


Em 2011, o governo federal lançou iniciativa própria para acelerar a construção de cisternas: o programa Água Para Todos. Desde 2011, no entanto, dos R$ 2,9 bilhões previstos para serem gastos até 2014, apenas 28% foram investidos e 270 mil reservatórios de água entregues. Mesmo assim, o Ministério da Integração Nacional afirma que, até o fim do mandato da presidente Dilma Rousseff, entregará 750 mil equipamentos.

Além de sofrer com atrasos, as iniciativas de entrega de cisternas à população ainda enfrentam outro problema: a rejeição de moradores e de algumas prefeituras a um dos tipos de cisternas comprado pelo governo federal. As feitas de polietileno, que totalizam até o momento 56 mil do total já entregue e custam mais do que as tradicionais, de placa (R$ 5.090 ante R$ 2.200).

No município de Cumaru, no agreste do estado de Pernambuco, a 110 quilômetros da capital, pelo menos 95% das famílias residentes na área rural já contam com cisternas de concreto. E a população decidiu não aceitar as de plástico. De acordo com os moradores, as industrializadas duram pouco, deformam com o calor e não há orientação adequada quanto ao seu manejo. A rejeição já chegou até aos ouvidos da presidente Dilma. Em sua última visita a Pernambuco, quando esteve no município sertanejo de Serra Talhada, o presidente da Federação de Trabalhadores de Agricultura, Doriel Saturnino de Barros, reclamou das cisternas industrializadas distribuídas pelo governo.

— A presidente realmente mostra disposição de universalizar o acesso à água. Mas com a velocidade que estamos precisando e com as dificuldades impostas até mesmo ao transporte das de PVC, não há como fazer tão rápido. Tem sido complicado para instalá-las, principalmente em áreas de difícil acesso no meio da caatinga, onde os caminhões não chegam. A partir da leitura deles (do governo), a de plástico é implantada com maior rapidez. Mas também é mais cara e não está suportando o solo quente do sertão, tanto que muitas já estão amassando — conta Barros.

— As de plástico não vêm suportando os altos índices de insolação da região, amolecem com o calor e a impressão que dão é que estão derretendo. Não são poucas as amassadas pelo sertão afora. E o trabalhador não sabe como fazer manutenção, até porque ela não vem com kit durepoxi — ironiza Givanilson Porfírio da Silva, presidente do Instituto de Cidadania do Nordeste e assessor da Confederação de Trabalhadores da Agricultura do Brasil (Contag).

Moradora do Sítio Pedra Branca, onde vem resistindo bravamente à seca — preservando seus bichos e produzindo mel e queijo — Joelma da Silva Pereira, de 36 anos, desafiou a Ministra Tereza Campelo, em recente reunião do Conselho de Segurança Alimentar, em Brasília.

— Ninguém aqui confia nessas cisternas plásticas. Tem família que mora em alto de colina e não se sabe como o caminhão vai chegar lá para levá-las. Já as de placa, a gente faz cavando o chão, instala em qualquer lugar e se for preciso, carrega cimento em lombo de jumento, que o bicho sobe em qualquer canto. O material é comprado no município, onde o dinheiro fica circulando. A mão de obra aproveitada é a local. Com as de plástico, isso não ocorre e o dinheiro vai para uma indústria só — reclama.

Plantação perdida por conta da seca

Para quem não tem quase água, as cisternas representam muito, matam a sede mas ainda não são tudo. É preciso também fazer a água chegar aos sítios, às fazendas, às torneiras ainda raras na zona rural do agreste e do sertão. O governo federal garante que a água vai chegar, que está investindo R$ 20,12 bilhões em adutoras, barragens e poços que vêm sendo construídos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). E se obras grandiosas como a transposição do rio São Francisco se arrastam a passos lentos, pequenas intervenções vêm mudando a vida do sertanejo, através de tecnologias simples mas que garantem água para o plantio e para o gado.

Da mesma forma que foi deflagrado o P1MC, agora o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) vem sendo gerido pela Asa. Tecnologias desconhecidas pelo homem do Sul, começam a ficar populares no sertão onde já foram implantadas 13.150 cisternas calçadão, 1.230 cisternas enxurrada, 724 barragens subterrâneas, 700 barraginhas, 1.650 barreiros trincheira, 640 tanques de pedra e 508 bombas de água populares. Moradora do sítio Cabugi, Ana Paula Ferreira da Silva, de 39 anos, três filhos, ainda está consumindo a água acumulada em sua cisterna doméstica durante o inverno de 2011:

— Em 2012, ela (cisterna doméstica) pegou uma “chuvadinha” mas foi pouca.

Ela tem outra cisterna de 52 mil litros, com a qual está garantindo a água do jumento e de dez bovinos. Perdeu os frutos do plantio de acerola, coco, romã, ervas e pitanga porque não usou a água “com medo de secar”. Comprou recentemente água de um caminhão-pipa e mandou derramar em um barreiro (pequeno açude) para ter mais água para o gado. O marido dela acaba de furar um poço, porque quer ter lavoura o ano todo. Mas a água ficou salobra.

— O sonho dele é um dessalinizador, mas é muito caro.

15 de abril de 2013
Letícia Lins - O Globo

CAPRILES CONTESTA VITÓRIA DE MADURO POR APENAS 1,59% E EXIGE RECONTAGEM

Capriles contesta vitória de Maduro e exige recontagem. 'Derrotado é você (Maduro). Vamos insistir até que se conheça a verdade', afirmou o opositor, que apontou mais de 3.200 irregularidades na eleição

Capriles discursa após divulgação da vitória de Maduro: acusação de fraude
Capriles discursa após divulgação da vitória de Maduro: acusação de fraude (Reuters)

Candidato derrotado por Nicolás Maduro na eleição deste domingo por apenas 1,59% dos votos, o líder da oposição venezuelana Henrique Capriles afirmou em seu discurso após a divulgação do resultados que não reconhecerá a vitória de Maduro até a realização de uma auditoria em que todos os votos sejam recontados. Capriles acusou os chavistas de fraude eleitoral e disse que, na verdade, venceu o candidato governista nas urnas.

"Não vamos reconhecer o resultado até a recontagem de cada um dos votos dos venezuelanos, um por um. Exigimos do CNE (Conselho Nacional Eleitoral) que abram todas as urnas e que cada voto seja recontado", afirmou o líder opositor em discurso transmitido pela televisão."O derrotado de hoje é você (Maduro), e digo isto com toda firmeza", declarou Capriles, que disse ainda terem sido detectadas mais de 3.200 irregularidades na eleição deste domingo. "Esta luta não terminou. Aqui vamos insistir até que se conheça a verdade".

"Eu sou um democrata convicto e esse resultado não reflete a realidade do país", prosseguiu Capriles. "Quero que a verdade seja conhecida e vamos fazer tudo para que seja. Senhor Maduro, se você antes era ilegítimo, agora esá carregado de mais ilegitimidade", acusou o oposicionista, que conquistou quase mais um milhão de votos na comparação com os recebidos por ele na disputa contra Hugo Chávez, em outubro passado.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral venezuelano, após 99,2% das urnas apuradas, Maduro teve 7.505.338 votos (50,66%) e Capriles 7.270.403 (49,07%) – uma diferença de pouco mais de 234.000 votos, que surpreendeu até mesmo os governistas e comprova o avanço da oposição ao chavismo na Venezuela.

Em seu discurso de vitória no palácio presidencial de Miraflores, Nicolás Maduro pediu à oposição para aceitar o resultado do processo eleitoral "com humildade", mas assegurou que aceita uma auditoria sobre os resultados. "Querem fazer uma auditoria. Bem-vinda a auditoria!".

Durante a eleição deste domingo, Capriles já havia falado em possibilidade de fraude eleitoral e feito denúncias de irregularidades no processo. "Alertamos o país e o mundo sobre a intenção de mudar a vontade expressada pelo povo venezuelano", escreveu o candidato opositor no Twitter. "Exigimos da reitora Tibisay Lucena (do Conselho Nacional Eleitoral) o fechamento das seções eleitorais. Estão permitindo a votação com as seções fechadas!", denunciou.
 

O vice-presidente venezuelano, Jorge Arreaza, reagiu advertindo que Capriles e a oposição devem ter "muito cuidado" com as denúncias. "Vamos ter consciência e respeitar o povo, nossos filhos e filhas, nosso futuro", disse. "Se vocês têm algum tipo de denúncia, aqui há instituições, há o Conselho Nacional Eleitoral. Oxalá isto seja (a denúncia) porque 'hackearam' a conta de Capriles como 'hackearam' a do presidente Nicolás Maduro", afirmou o vice-presidente.

15 de abril de 2013
Veja Online com Agëncia EFE

"CHOQUES DE CULTURAS"

A segunda metade do século 20 foi marcada por um forte conflito entre duas culturas: a humanista e a científica. Esse conflito foi desencadeado por uma conferência do químico e novelista C. P. Snow na Universidade de Cambridge, em 1959, em que expandiu a sua visão dos problemas formulados por um artigo publicado em 1956 num influente jornal inglês.

O que Snow fez foi chamar a atenção de seus colegas para o fato de haver na Inglaterra na ocasião (e no mundo?) duas culturas que não se comunicavam: as humanidades (em especial Latim e Grego), de grande prestígio, que eram a base da educação da aristocracia inglesa, e as atividades científicas e tecnológicas - decisivas para levar a Inglaterra à vitória na 2.ª Guerra Mundial -, que eram menosprezadas.
Em contraste, segundo Snow, os alemães e americanos preparavam seus cidadãos para as ciências, permitindo que eles competissem melhor na era dos grandes avanços científicos do século 20.

Snow argumentou que os cientistas eram considerados iletrados (analfabetos?) pelos humanistas, porque não liam Shakespeare, apesar de não ter nenhuma ideia do que é a Segunda Lei da Termodinâmica ou a Lei da Gravidade, que para os cientistas é a própria definição de analfabetismo científico. Na época um importante crítico literário atacou Snow como agente de relações públicas do estabelecimento científico inglês.


Alguns anos depois Snow amenizou suas críticas, mas o debate sobre o fosso entre as "duas culturas" marcou profundamente a segunda metade do século. Logo após, contudo, surgiu um novo e mais sério choque de culturas: desenvolvimentistas x ecologistas.


Para os desenvolvimentistas, o que interessa é melhorar as condições de vida da população, que só o crescimento econômico pode proporcionar. Este é o mundo do presente, dos investimentos e negócios, com sua ética própria de "retorno dos investimentos", cotação do dólar, exportações, construção de estradas e até corrupção, sem muita preocupação com o futuro. Essa visão casa bem com eleições frequentes, a cada quatro anos, e até com as promessas demagógicas necessárias para ser eleito.


Em contraste a visão dos ecologistas é a do longo prazo e de preocupações não só com a presente geração, mas com as gerações futuras. Essa visão ganhou grande impulso após os anos 1970, depois da Conferência de Estocolmo em 1972 que alertou os governos para as consequências do tipo de desenvolvimento predatório que caracterizou o século 20, baseado no consumo de combustíveis fósseis e no consumismo desenfreado. O que ela fez foi soar um sinal de alarme de que não poderíamos continuar num caminho que levaria ao esgotamento dos recursos naturais ou a níveis de poluição insustentáveis.


A crise do petróleo em 1973 - que foi erroneamente interpretada como o esgotamento das reservas, e não como manobra política dos países exportadores - só agravou essa visão pessimista do desenvolvimento. Como consequência, levou à adoção de dois princípios:


O do "poluidor pagador", que estabelece que o poluidor é responsável pela poluição que causa e deve pagar pelas consequências e medidas preventivas para evitá-la;


e o "princípio da precaução", que estabelece que não devem ser adotadas novas tecnologias sem uma avaliação das consequências que sua adoção pode acarretar.

Em maior ou menor grau, esses princípios foram adotados pela maioria dos países e estão incorporados na sua legislação. Mais ainda, grandes burocracias governamentais, como Ministérios de Meio Ambiente, foram criadas para fiscalizar sua aplicação.

No caso do Brasil, por exemplo, a Constituição, no artigo 225, estabelece que "todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações". Os adeptos extremados da visão desenvolvimentista argumentam que a visão dos ecologistas não é realista e impede na prática o desenvolvimento. Os mais moderados, contudo, reconhecem que um mundo em que a meta é o desenvolvimento a "qualquer custo" já passou e que as consequências predatórias desse tipo de desenvolvimento têm custos muito elevados.


O conflito dessas duas culturas lembra muito o debate provocado por Snow, só que agora o que está em jogo não são críticas literárias ou conflitos entre intelectuais, mas ações de governo, como construção de estradas, hidrelétricas, reatores nucleares, exploração de petróleo, mineração e desmatamento da Amazônia. Não há uma solução única para esses problemas: uma defesa extremada da preservação ambiental pode levar à parálise e até à perpetuação do subdesenvolvimento e da miséria. Já um desenvolvimento predatório pode levar a prejuízos sérios para as gerações futuras e até para a atual, como já se pode ver na poluição das grandes cidades, que ameaça a saúde.


O que se impõe é estabelecer uma ponte entre as duas culturas. Não se trata de fazer média ou uma conciliação em áreas em que ela não é possível, mas uma atitude realista que leve a um desenvolvimento sustentável que beneficie o conjunto da população, e não grupos de interesses e lobistas.

Diversas instituições internacionais, como o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), têm preparado relatórios detalhados mostrando que não há uma contradição fundamental entre desenvolvimento e proteção ambiental e que uma "economia verde" não só é possível, como também faz sentido econômico.


Dentro do nosso país, inúmeros cientistas têm tentado mostrar, em casos específicos, como estimular o desenvolvimento sem danos irreversíveis à natureza, que levem ao esgotamento dos recursos naturais.


O conflito entre as "duas culturas" não é insolúvel.

15 de abril de 2013
José Goldemberg
O Estado de S Paulo

 

LULA PRIVATIZOU A SI MESMO


O Ministério Público pediu à Polícia Federal abertura de inquérito contra Lula. A base do pedido é a denúncia de Marcos Valério, que o acusa de ter intermediado um repasse de R$ 7 milhões de uma telefônica para o PT. Valério afirmou que foi a Portugal em 2005 para preparar essa operação.

O Ministério Público parece que bebe. Será possível que os procuradores ainda não entenderam? Lula não sabia. Tanto não sabia, que até outro dia afirmava, para quem quisesse ouvir, que o mensalão não existiu. A condenação de seus companheiros mensaleiros, aliás, deve ter sido um choque para ele. Se é que ele já sabe o que aconteceu no Supremo Tribunal Federal.

É uma injustiça essa suspeita de armação petista para sugar milhões de uma empresa privada de telefonia. Todos sabem que o PT prefere extorquir empresas públicas. Até porque as estatais são coisa nossa (deles).
Com tanto trabalho para chegar ao poder e passar a ordenhar os cofres do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, do BNDES, por que Lula e sua turma perderiam tempo achacando uma telefônica portuguesa?



Ao receber a notícia sobre o inquérito contra Lula por suspeita de envolvimento com o valerioduto, José Dirceu reagiu imediatamente. E disparou o argumento fulminante: o mensalão não existiu. Se existe alguém com autoridade para afirmar isso, esse alguém é José Dirceu.

Condenado a dez anos de prisão, ele sabe que essas coisas que não existem podem dar uma dor de cabeça danada. Se Lula não sabia de algo que não existiu, nada melhor do que ser defendido pelo lendário Dirceu, guerreiro do povo brasileiro - personagem que também não existe.

Enquanto o filho do Brasil espera esfriar a denúncia do pedágio colhido com a telefônica, recebe a solidariedade dos fiéis por seu trabalho com as empreiteiras. Sabe-se agora que Lula fez uma série de viagens internacionais bancadas por algumas grandes construtoras brasileiras. Ele explicou que isso foi um ato patriótico - foi ajudar empresas nacionais a fazer negócios no estrangeiro, para o bem do Brasil.

Não restam mais dúvidas: a vida é bela. E é feita de gestos nobres como este: um ex-presidente aproveita seu tempo livre para fazer boas ações, ajudando empresários a ganhar dinheiro no exterior, porque país rico é país sem pobreza empresarial.

Aí surge um comovente coro de progressistas, éticos e crédulos para afiançar as turnês lulistas, gritando que Lula não fez nada demais. De acordo com a nova moral da república companheira, não fez mesmo.

Qual o problema de o líder máximo do partido que governa o país desenvolver uma relação particular (ou patriótica) com grandes empreiteiras que têm o governo como cliente?
Que mal haveria na ajuda de Lula a empresas decisivas no jogo político, com suas doações às campanhas eleitorais? Qual o problema de Lula ter viajado para a Venezuela para arrancar de Hugo Chávez US$ 1 bilhão, devido a uma dessas empreiteiras, que pagou a viagem de Lula? E se essa empresa for a mesma que realizará seu sonho de construir o estádio do seu clube de coração para a Copa do Mundo, fazendo a alegria de milhões de torcedores-eleitores fiéis?

Não tem problema nenhum. Esse é o Brasil moderno, onde as coisas acontecem às claras, inclusive o tráfico de influência. A não ser quando o ministro do Desenvolvimento declara secretos os documentos de financiamentos do BNDES a Cuba e Angola, para obras dessas mesmas construtoras amigas de Lula. Deve ser para a imprensa burguesa não meter o bedelho - sempre uma boa causa.

Por acaso, o ministro do Desenvolvimento é Fernando Pimentel, amigo de Dilma que prestou consultorias milionárias à indústria de Minas Gerais. Como se sabe, essas consultorias nunca foram demonstradas. Devem ter sido também apenas um ato patriótico, nova definição para o velho ditado "uma mão lava a outra".

Pelo visto, a mão que nenhuma outra lavou no final das contas foi a do companheiro Valério - logo ele, que lavou tanto para tanta gente. Agora, o operador do mensalão que não existiu quer mostrar a mão grande do chefe. Será mais um susto. Ele não sabia.

15 de abril de 2013
Guilherme Fiúza é jornalista.
O Globo