"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 4 de junho de 2013

NO QUEBRA-CABEÇA DA ECONOMIA NACIONAL, GOVERNO FEZ DESAPARECER MUITAS PEÇAS NOS ÚLTIMOS ANOS



https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiyfI-8vl9R8znwcdVQ-q4d4EFZnZTBskRCyG_Egs6uwpyoR5FDhE5SbViDmrch-o0d7WrxUXCqKeB3hiQWRot4SP7PrwcvS7irl73yfL0KNInvNlE-ZDxOsGS33w_bbtdGKDK0YHw1kf0/s400/efeito+domin%C3%B3.gif A economia brasileira cambaleia à beira do precipício, mas as autoridades do governo de Dilma Vana Rousseff continuam firmes com a gazeta da prosperidade. 
O palavrório ufanista ganhou força com o crescimento da produção industrial em abril (1,8%), mas a realidade é bem diferente.  Em abril, a produção de petróleo no País registrou queda de 4,9%, na comparação com o mesmo mês de 2012. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), no quarto mês do ano a produção brasileira de petróleo atingiu a marca de 1,923 milhão de barris por dia, volume 3,8% maior que o registrado em março.
Em maio, a venda de veículos novos caiu 5,25%, o que pode significar um desaquecimento do mercado, apesar de todos os incentivos do governo e os esforços dos fabricantes. 
 Não há como imaginar qualquer possibilidade de recuperação da economia com um cenário cujas peças não se encaixam, mesmo com os palacianos tentando vender a ideia que a turbulência é passageira e que o Brasil continua sendo o país de Alice, aquele das maravilhas.
A falta de perspectiva se confirma com a decisão do Banco Central de, por enquanto, não intervir no mercado de câmbio, deixando a moeda norte-americana flutuando livremente. Nesta terça-feira (4), a cotação do dólar ultrapassou a casa de R$ 2,14. 

Ou seja, a inflação terá como adversária apenas a Selic, a taxa básica de juro, que em recente decisão Copom saltou para 8% ao ano e deve encerrar 2013 em 8,25%.

Essa conjuntura complexa explica as recentes previsões nada otimistas para o crescimento da economia em 2013. Depois do pífio avanço de 0,6% do PIB no primeiro trimestre, alguns respeitados economistas já trabalham com previsão de crescimento da economia abaixo de 2,5%.
 
 
ucho.info
04 de junho de 2013

O FIM DE UMA ERA: CONSUMO MENOR E CALOTE FAZEM BANCO FREAR CRÉDITO

e lembrando que o ainda ministro Guido Mantega rompeu o ano garantindo que o crescimento econômico deste no ficaria na casa dos
A maior cautela dos bancos privados na concessão de financiamentos - motivada pelos ainda elevados índices de inadimplência e pelas incertezas quanto à recuperação da economia - fez aumentar significativamente o volume de dinheiro no caixa das instituições.  
E, em vez de direcionar este montante ao crédito de pessoas e empresas, um enorme volume de recursos está sendo girado em aplicações de curto prazo entre os próprios bancos e o Banco Central.
O enxugamento do dinheiro para crédito coincide com um momento de vendas fracas e queda no consumo.

Estudo da Austin Rating, com base nos balanços de 126 bancos, mostra que, enquanto o total das operações de crédito cresceu 16,4% no ano passado, totalizando R$ 2,23 trilhões, os recursos que os bancos tinham em operações de curto prazo, como aplicações interfinanceiras de liquidez (AIL) e em títulos mobiliários, avançaram 33,5%, atingindo R$ 2,14 trilhões. 

 
Ou seja, para cada real emprestado a clientes os bancos tinham quase a mesma quantia alocada no mercado aberto. Na prática, o crescimento menor dos empréstimos significa menos dinheiro para investimentos de empresa e consumo de pessoas físicas.

Para manter a rentabilidade, as instituições privadas têm buscado aumentar as receitas com serviços, como seguros e cartões. Os balanços do primeiro trimestre confirmam que a postura dos bancos pouco mudou em relação a 2012.


Dados de 23 bancos analisados pela Austin mostram que as operações de liquidez saltaram 47,1%, contra 16,7% do crédito.

- A contrapartida da redução da taxa de crescimento do crédito, nos bancos privados principalmente, foi o crescimento do volume de ativos, da liquidez do sistema - afirma Luis Miguel Santacreu, analista de bancos da Austin.


Descompasso entre banco público e privado 
 Por trás desse aumento da liquidez no sistema bancário estão as próprias medidas do governo para estimular o crédito, como a redução dos depósitos compulsórios (que os bancos são obrigados a recolher no Banco Central) no ano passado. Os bancos também estão captando mais depósitos com o contínuo aumento do número de correntistas, decorrente do aumento da renda e da ascensão da chamada nova classe média.

As compras de dólares pelo Banco Central a fim de calibrar a taxa de câmbio, que o obriga a vender títulos da dívida pública para gerar reais, também são usadas pelos bancos para remunerar o excesso de caixa.
- Diferentemente do que desejava o governo, o dinheiro adicional que tem entrado no sistema bancário não tem ido para a economia real, na forma de mais investimentos para empresas ou renda ao consumo, mas está girando no mercado aberto - diz Santacreu.

O esforço dos bancos privados para "limpar" suas carteiras e baixar a inadimplência teve efeito direto no ritmo de contratação de novos financiamentos, observa Luiz Rabi, economista da Serasa Experian. Mais seletivos e exigentes, essas instituições encerraram 2012 com volume de créditos 7,6% maior que o do ano anterior.

Porém, o calote (medido pela taxa de atrasos com mais de 90 dias em seus financiamentos) passou de 5,1%, em dezembro de 2011, para 5,4% no final do ano passado.

No mesmo período, a inadimplência dos bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) permaneceu estável em 1,8%, enquanto eles aumentaram em 27,9% os seus financiamentos.

O descompasso se repete este ano. De janeiro a abril, o crédito nos bancos privados avançou 6% em relação a igual período de 2012, enquanto o calote recuou a 5,2%. 

 
Nos públicos, os empréstimos subiram 29% e a inadimplência foi a 2%. - A inadimplência cai muito lentamente e isso faz com que os bancos privados reajam também lentamente. Daí essa montanha de dinheiro no mercado aberto. A torneira dos bancos privados está entupida - diz Rabi, acrescentando que os bancos tiveram R$ 92 bilhões em perdas com calote em 2012.

Se a inadimplência não contribui para destravar o crédito, tampouco a perspectiva de alta dos juros ajuda. 

 
O ciclo de aperto monetário, com a alta da Taxa Selic de 7,25% para 8% pelo Comitê de Política Monetária (Copom), encarece o crédito e dificulta a queda na inadimplência - condição que, em tese, tende a manter a oferta de crédito restrita.
Ronaldo D"Ercole O Globo
04 de junho de 2013

GERENTONA IMPLODE NOSSA COMPETITIVIDADE


 
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjVCwM2Liv6ebfdtxLMhXTtDo2F-WLMy0ISqPrtn-648OZ-ih77IRu1DjFtLpkmlsfm1KTu3Chl_xt3fAuQ5x6qYO7YG25tQSJADS5qIOsBEI_GI453dp1i3RhsxdYLkmwBIepdZlcU3Kkj/s400/dilma1001.jpeg
A safra de más notícias na economia parece não ter fim.

É o pibinho que cresce quase nada;
a inflação que o governo petista alimentou e agora corre desesperadamente para segurar;
os juros que sobem na contramão de todo o resto do mundo;
o dólar que dispara e encarece tudo;
os rombos crescentes e astronômicos nas contas públicas.
Mas um indicador resume com precisão a indigência em que o país foi enfiado pelo governo da presidente Dilma Rousseff:
o que mede a nossa competitividade em relação ao resto do mundo.
Por sorte do governo, a divulgação do novo ranking global aconteceu no meio do feriadão e passou meio despercebida na leva de más novas. Mas ele merece ser analisado em detalhes, porque a fotografia que traz do país é muito feia.
O Brasil voltou a cair no ranking feito pelo International Institute for Management Development (IMD), uma das maiores escolas de negócios no mundo, sediada na Suíça. Figuramos agora na 51ª posição numa lista que tem 60 países. 
No ano passado, o país estava em 46º lugar. 
 O tombo foi grande, mas uma visão em retrospectiva revela queda ainda mais espetacular. Em 2010, o Brasil ocupava a 38ª posição no ranking do IMD. Isto significa que, nos anos Dilma, perdemos 13 colocações e nos tornamos o país com o pior desempenho no período.
Repetindo:
ninguém caiu tanto no mundo no quesito competitividade nos últimos três anos quanto o Brasil da presidente Dilma. Desde 2011, as nossas quedas no ranking do IMD foram constantes e sucessivas.
 
Na lista geral, agora só estão abaixo de nós a Eslovênia, 
a África do Sul, 
a Grécia, 
a Romênia, 
a Jordânia, 
a Bulgária, 
a Croácia, 
a Argentina e a Venezuela, nesta ordem.
 
Todos, de certa forma, já estavam no buraco.
A novidade é que o Brasil foi se juntar a eles nos últimos anos.
 
Os Estados Unidos recuperaram o topo da lista, que tem ainda Suíça, Hong Kong, Suécia e Cingapura, nesta ordem. São países cujo sucesso baseia-se em orientar sua atividade manufatureira para a exportação, diversificar os produtos fabricados, fortalecer pequenas e médias empresas e apostar fundo na disciplina fiscal, segundo avalia o IMD.
 
Olhando-se os fatores que compõem o indicador geral fica mais clara a cota de participação do governo da petista no desastre brasileiro:
no quesito "eficiência governamental", que mostra como as políticas públicas colaboram ou não para a competitividade do país, estamos em 58º lugar, à frente apenas da Argentina e da Venezuela - quem mais, senão eles, poderia sair-se tão mal?
 
O que impede o naufrágio completo do Brasil é o desempenho no item "eficiência nos negócios". Mesmo caindo 13 posições desde 2010, ainda estamos em 37º lugar neste quesito. Em "desempenho econômico", o Brasil surge em 42º e em "infraestrutura", em 50º, sem alterações relevantes nos últimos anos. 
 
O IMD analisou o desempenho dos países ao longo dos últimos 25 anos, durante os quais vem fazendo, sistematicamente, o acompanhamento sobre a competitividade das economias ao redor do mundo.
 
Com crueza, dividiu os países estre "vencedores" e "perdedores".
Adivinha onde o Brasil ficou?
(Em 1997, estávamos na 34ª colocação.)
 
Para quem acompanha o dia a dia da economia brasileira, o ranking da instituição suíça apenas traduz em números o que é evidente a olho nu: um país travado, estrangulado, garroteado por uma má administração.
Uma economia em que consumo e produção estão em flagrante desequilíbrio e os investimentos, principalmente em infraestrutura, simplesmente não acontecem.
Estamos pagando a conta de uma postura intervencionista que interferiu na dinâmica da economia de maneira deletéria, minou a força de agentes econômicos e desorganizou ainda mais a atividade produtiva.
Num mundo cada vez mais competitivo, o Brasil escolheu seguir o caminho mais difícil, que nos levou ao pântano de onde a presidente Dilma Rousseff não demonstra a menor aptidão para nos tirar.

Fonte: Instituto Teotônio Vilela
04 de junho de 2013

MINISTRO DIZ QUE MENSAGEM "SOU FELIZ SENDO PROSTITUTA" SERÁ SUSPENSA

 

'Enquanto for ministro, não acho que tem que ser passada', diz Padilha.
Mensagem faz parte de campanha contra associação entre prostitutas e HIV.

 

Flyer da campanha pelo Dia Internacional das Prostitutas (Foto: Divulgação)
Mensagem da campanha pelo Dia Internacional
das Prostitutas (Foto: Divulgação)

O ministro da saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta terça-feira (4) que o panfleto com a mensagem "Sou feliz sendo prostituta" não deve ser veiculado em campanha do ministério. A pasta lançou nas redes sociais no último final de semana uma campanha o objetivo de reduzir o estigma da prostituição associada à infecção pelo HIV e Aids. O G1 viu o panfleto no site do ministério na manhã desta terça, mas ele foi retirado no início da tarde.

"Enquanto eu for ministro, não acho que essa tem que ser uma mensagem passada pelo ministério. Nós teremos mensagens restritas à orientação sobre a prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis. Respeito as entidades e os movimentos que queiram passar essa mensagem, mas é papel deles. O papel do Ministério da Saúde é estimular a prevenção às DST's".
O tema da mobilização feita pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do ministério é “Sem vergonha de usar camisinha” e celebra o Dia Internacional das Prostitutas, comemorado no último 2 de junho.  

Padilha disse ainda que o ministério recebeu sugestões de mensagens para a campanha de "entidades que representam as profissionais do sexo"  e que todo o material  passa por avaliação. .
"Não é a primeira vez que o ministério fazcampanhas, ações e materiais específicos para grupos específicos que são mais vulneráveis às DST's. Não tem remédio, então o Ministério da Saúde toda vez ouve organizações, ouve essas pessoas, para saber qual é a melhor forma de chegar essa mensagem", disse Padilha.

 "Não existirá nenhum material assinado pelo Ministério da Saúde que não seja material restrito às orientações de como se prevenir das DST's", completou,

A mobilização é composta por panfletos e cinco vídeos protagonizados por prostitutas. Os panfletos trazem frases como “não aceitar as pessoas da forma como elas são é uma violência”;  "um beijo para você que usa camisinha e se protege das DSTs, Aids e hepatites virais" e “o sonho maior é que a sociedade nos veja como cidadãs”. 

Um dos vídeos mostra uma prostituta que sonhou ter sido respeitada: “sonhei que sou respeitada, que sou uma flor, uma rosa sem espinhos”, diz a protagonista.

O material, feito em uma oficina de comunicação em saúde para profissionais do sexo em João Pessoa (PB), vai circular na internet até dia 2 de julho. A campanha também homenageia Rosarina Sampaio, fundadora da Federação Nacional de Trabalhadoras do Sexo, que morreu no último dia 25 de março.

04 de junho de 2013
Do G1, em Brasília

ÍNDIOS E FAZENDEIROS TROCAM TIROS EM MATO GROSSO DO SUL


Era previsível. Ao chegarem para invadir, destruir e incendiar a quarta fazenda da região de Sidrolândia, Mato Grosso do Sul, os proprietários reagiram contra os índios. Houve troca de tiros.
Não há maiores informações. As FARC indígenas, comandadas pelo CIMI e com a conivência da FUNAI, transformaram o Campo em zona de guerra.
Como não temos ministro da Justiça e Advogado Geral da União, a tragédia era anunciada. Tomara que não existam mais vítimas.
 
04 de junho de 2013
in coroneLeaks

COISAS QUE VOCÊ NUNCA VIU...

Cabeça de bacalhau, enterro de anão e antropólogo da Funai que faz laudo

Na conversa que manteve nesta segunda com dom Leonardo Steiner, secretário-geral da CNBB, a ministra Gleisi Hoffmann disse que os laudos antropológicos da Funai serão levados em conta e coisa e tal: “A Funai tem, claro, a sua palavra no laudo antropológico, que não vai ser desconsiderada de maneira nenhuma”!
 
Tenho a certeza de que não, mas deveria. Gleisi sabe muito bem que a Fundação apresentou laudos sobre a presença indígena ancestral em 15 áreas do Paraná. E era tudo mentirinha! A Embrapa realizou estudos técnicos a respeito e descobriu a fraude.
 
Desafio

Alguém já viu cabeça de bacalhau, enterro de anão ou esquerdista rejeitar um emprego público? Nunca! E também nunca viu antropólogo da Funai e seus critérios científicos para definir o que é e o que não é área indígena.
– Quem é essa gente?
– Onde está?
– Quais são as referências histórias, as evidências, a bibliografia, o trabalho de campo?
– Que método é empregado?
– Qual é o tamanho da equipe?
– O trabalho é submetido a alguma supervisão?
– O trabalho é submetido, como se deve fazer no estudo acadêmico (porque é disso que se trata), ao juízo dos pares?
– Os antropólogos são funcionários da Funai ou são contratados?
– No caso de contrato, como é feita a escolha?
 
Ninguém sabe nada! Esses seres misteriosos — os antropólogos da Funai!!! — detêm um poder discricionário a ninguém mais conferido. Se, amanhã, decidirem que a Avenida Paulista deve ser entregue o Cacique Touro Folgado, abre-se, digamos, um procedimento e pronto! A área passa a ser “de interesse dos índios”.
 
A gente não precisa ver cabeça de bacalhau.
O enterro do anão só é da conta de seus familiares e amigos.
Mas a gente precisa, sim, saber como são contratados os “laudos antropológicos” da Funai e quem, afinal de contas, são esses antropólogos.
 
04 de junho de 2013
Por Reinaldo Azevedo

LUTA SEM CLASSE - EM BANÂNIA, LOGO VÃO INVADIR A SUA CASA, TOMAR A SUA CACHAÇA E FAZER COCÔ NA SUA SALA.

E você ainda terá de negociar! Ou: Como é o “Pai Nosso” de um padre de tacape?

A Justiça Federal anulou na noite desta segunda liminar da Justiça que concedia 48 horas para que índios terenas desocupassem — ou melhor: DESINVADISSEM — a fazenda Buritis, na cidade de Sidrolândia, em Mato Grosso do Sul. A Funai, como poder soberano que é, acima dos três outros que compõem a República, decidiu ampliar em 2010 uma reserva indígena.
Do nada, lascou um laudo antropológico (já falo a respeito desses laudos), e o que era uma fazenda — propriedade de uma mesma família há OITENTA E SETE ANOS — passou a ser, então, terra de índio.
Os esbulhados recorreram à Justiça e ganharam. A demarcação foi suspensa. Assim, é bom ficar claro, a fazenda Buritis é… propriedade privada.
 
Em qualquer país do mundo, democrático ou ditatorial, basta a polícia para dar voz de prisão a invasores. Em Banânia, há o risco de alguém invadir a sua casa, tomar a sua cachaça, fazer cocô na sua sala e só ser removido de lá depois de uma junta de conciliação…
 
Vamos ver. Existe um Estatuto do Índio, que é de 19 de abril de 1973. Estabelece o seu Artigo 63:

“Nenhuma medida judicial será concedida liminarmente em causas que envolvam interesse de silvícolas ou do Patrimônio Indígena, sem prévia audiência da União e do órgão de proteção ao índio.”
 
Lei votada em plena ditadura arreganhada, o Estatuto, vejam aí, proíbe liminar em casos que digam respeito a “interesses de silvícolas”. Mas, além de apito, como naquela música de Carnaval, o que mais querem os índios, que já dominam 13% do território nacional? Tudo, ora essa! A fazenda Buritis é de “interesse dos silvícolas” porque, a rigor, sob certo ponto de vista, tudo é, certo? Brancos e negros não são originais destas terras…
 
Se o Artigo 63 for invocado pela Justiça sempre que um “silvícola” cismar que uma determinada terra pertence a seus ancestrais, estão abertas as portas para as invasões de propriedade. E, como é evidente, a rodada de conciliação já é, por natureza, hostil ao proprietário. A “união”, nesse caso, tem lado. A Funai, que fez a demarcação aloprada, tem lado.
E o Ministério Público não tem sido neutro.
A partir da noite de ontem, contam-se 36 horas para que os órgãos se manifestem. Só depois desse prazo a Justiça poderá, então, conceder ou não a liminar. Esse é um aspecto da (in)cultura jurídica brasileira que tanto surpreendeu os ingleses naquela história da interdição do Maracanã.
 
As almas convencionais, que não têm a nossa ginga e o nosso samba-no-pé, não conseguem entender uma meia-legalidade. Mesmo aquele especioso conceito no Estatuto do Índio, da ditadura, é de deixar os anglo-saxões num buraco lógico. Quer dizer que existe uma área “de interesse dos índios” — seja lá o que isso signifique —, mas que ainda não é deles. Não sendo, é de alguém. Sendo, por que ficaria a Justiça impedida de garantir a posse?
 
A liminar, emitida no domingo, determinava que os índios deixassem a fazenda Buritis até quarta e estipulava multa diária de R$ 1 milhão ao governo e de R$ 250 mil à Funai, e também às lideranças indígenas, caso a ordem não fosse cumprida. Vamos ver. A Funai, com o apoio da Secretaria-Geral da Presidência, cujo titular é Gilberto Carvalho, insuflou os índios, e eles decidiram botar pra quebrar.
Lembro que, na primeira operação de reintegração de posse, eles receberam a Polícia Federal a bala. Estabeleceu-se ali um novo padrão de luta, e ninguém foi — ou será — responsabilizado.
 
Ontem, a ministra Gleisi Hoffmann recebeu a visita do secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner. Padre gosta de índio não é de hoje. Os jesuítas queriam catequizá-los. Os de agora foram catequizados pelos índios — especialmente o Cimi (Conselho Indigenista Missionário). Gleisi já anunciou que o governo vai ouvir outras áreas da administração em casos de demarcação. O bispo tem receio de que os índios sejam ignorados — como se a Funai já não falasse por eles e, de fato, já não os mobilizasse para a guerra.
 
Pergunto onde estava a CNBB quando a vila chamada Posto da Mata, distrito da Cidade de São Felix do Araguaia, no Mato Grosso, foi literalmente demolida pelo governo federal, deixando 4 mil cristãos aos relento. NÃO APARECEU UM SÓ HOMEM DE BATINA PARA FALAR EM DEFESA DESSES DESVALIDOS. Por que essa, digamos, fixação religiosa em índio? Existe algum padre que ainda tem a ambição de encontra Deus-Ele-Mesmo na “alma pura” dos silvícolas?
 
A ministra respondeu ao bispo que a Funai não será ignorada: “Nós queremos apenas ter instrução de outros órgãos para que a gente possa basear as decisões. Porque a decisão de demarcações não é uma decisão só da Funai. Ela sobe para o ministro da Justiça e para a presidenta da República. É importante que a gente tenha o procedimento claro”. É o óbvio, é o mínimo, é o bom senso.
 
No tempo em que padre ficava na missa, as igrejas estavam cheias, e 90% dos brasileiros eram católicos. Aí eles resolveram fazer passeata e usar tacape… As igrejas estão vazias, e o catolicismo míngua no Brasil. Não é por causa de uma coisa em particular, não é por causa de outra. É pelo conjunto da obra.
A CNBB que se cala quando uma vila inteira, com 4 mil moradores, é destruída em nome da política indigenista não tem moral para fazer agora essa cobrança. A única coisa de pau numa igreja, como símbolo de humildade, deve ser o crucifixo. Espero que os bispos também voltem suas orações para os que estão tendo seus direitos esbulhados no Mato Grosso do Sul. Ou eles não merecem nem um “Pai Nosso”?
A propósito: com é o “Pai Nosso” de um padre de tacape?
 
04 de junho de 2013
Por Reinaldo Azevedo

LÍDER INDÍGENA AMIGO DE LULA E DILMA FALSIFICOU REGISTRO DE ÍNDIO


Indiciado pela PF sob suspeita de fraudar o registro de índio, Paulo Apurinã, com arco e flecha no quintal da casa onde mora
 
 
Um líder indígena do Amazonas, habitué de cerimônias com autoridades como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua sucessora, Dilma Rousseff, não é índio, segundo a Polícia Federal.

Para a PF, Paulo José Ribeiro da Silva, 39, o Paulo Apurinã, fraudou o Rani (Registro Administrativo de Nascimento de Índio), RG indígena emitido pela Funai (Fundação Nacional do Índio).

Apurinã nega ter fraudado documento
Após um ano e meio de apuração, ele e a mãe, Francisca da Silva Filha, 56, foram indiciados sob suspeita de falsificação de documento público.

Entre os indícios de fraude, diz a PF, estão a ausência de dados genealógicos e de estudos antropológicos, além de depoimentos de índios que negaram a origem dos dois
A própria mãe de Silva, em depoimento à PF, disse ter tirado os nomes indígenas dela e do filho --"Ababicareyma" (mulher livre) e "Caiquara" (o amado)-- de um dicionário de tupi-guarani. Eles não falam a língua apurinã.

"Esses documentos foram adquiridos mediante fraude com colaboração de uma funcionária da Funai", afirmou Sérgio Fontes, superintendente da PF no AM, sobre os registros obtidos em 2007.

Documento administrativo da Funai, o Rani não confere direitos por si só, mas na ausência da certidão de nascimento serve como subsídio para inclusão em programas sociais, como o Bolsa Família e cotas em universidades.

Com o Rani, a mãe de Silva entrou como cotista no curso de turismo da Universidade Estadual do Amazonas.

Um dos critérios para emissão do registro é o autorreconhecimento --a comunidade indígena tem de reconhecer a pessoa como índio. Caso a Funai tenha dúvidas sobre a etnia, deve pedir laudo antropológico, o que não ocorreu.

CERIMÔNIAS
Porta-voz do Mirream (Movimento Indígena de Renovação e Reflexão do Amazonas), Silva ganhou notoriedade em 2009, após liderar invasões de terras públicas para assentar índios sem teto.

Em outubro de 2011, presenteou Dilma e Lula com cocares na inauguração de ponte sobre o rio Negro. "O meu cocar está com a Dilma", disse à Folha nesta semana. Ele nega ter fraudado o registro.

A investigação começou em dezembro de 2011, após ele ser detido por desacato no aeroporto de Manaus. Tentava embarcar com cocar de penas de ave ameaçada de extinção e insultou um fiscal do Ibama e um agente da PF. Foi condenado à prestação de um ano de serviços comunitários.

Estimados em cerca de 8.000, os índios apurinã vivem dispersos às margens do rio Purus, no Amazonas, em Mato Grosso e em Rondônia.

O cacique apurinã José Milton Brasil, 48, da comunidade Valparaíso, em Manaus, disse ter dúvidas sobre a origem de Silva. "Precisamos saber qual é a linhagem dele para não sermos enganados."

O ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff com os cocares que ganharam de Apurinã em inauguração da ponte Rio Negro
 
 
04 de junho de 2013
KÁTIA BRASIL - Folha de São Paulo
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DEBILIDADES

            
          Artigos - Movimento Revolucionário        

Que a sociedade dominada, esmagada e anulada não sinta mais o peso da dominação não quer dizer que esta não exista, mas que o dominado está exausto e estupidificado demais para tomar consciência dela.

No artigo anterior, expliquei que um dos mais velhos truques do movimento revolucionário é limpar-se na sua própria sujeira, cuja existência negava até a véspera.

Desde a queda da URSS, a maneira mais usual de aplicar esse truque consiste em jurar que tudo aquilo que durante setenta anos todos os comunistas do mundo chamaram de comunismo não foi comunismo de maneira alguma: foi capitalismo. Mediante essa simples troca de palavras a idéia comunista sai limpa e inocente de todo o sangue que se derramou para realizá-la, e gentilmente solicita da platéia um novo crédito de confiança, isto é, mais sangue, jurando que desta vez vai ser um pouquinho só, um tiquinho de nada. Por exemplo, varrer Israel do mapa ou exterminar a raça branca.

O apresentador dessa modesta sugestão não explica nunca como bilhões de pessoas inspiradas na teoria histórica mais científica de todos os tempos – insuperável, no dizer de Jean-Paul Sartre --, puderam se enganar tão profundamente quanto àquilo que elas mesmas estavam fazendo, nem como foi que ele próprio, subindo acima de Lênin, de Stálin, de Mao Dzedong e de tantos luminares do marxismo, foi o primeirão a ver a luz.

Nem muito menos explica como é possível, de uma teoria que ensina a unidade substancial de idéia e prática, se pode obter uma separação tão radical dessas duas coisas que uma delas saia inteiramente limpa e a outra inteiramente suja.

Mas esse pessoal é assim mesmo: quando chega na página seguinte, já esqueceu a anterior.

Dois exemplos recentes vêm-nos da Sra. Lúcia Guimarães, que é talvez o caso mais típico de ignorância elegante no jornalismo brasileiro, e da srta. Yoani Sanchez, uma abnegada que procura salvar a imagem do comunismo cubano isolando-a de um breve erro de percurso de apenas meio século.

O argumento das duas é substancialmente o mesmo: não se pode culpar o comunismo por nada do que aconteceu na URSS, na China, no Camboja ou em Cuba, porque o comunismo é a posse e domínio dos meios de produção pelos proletários, e não pelo Estado como se viu nesses lugares.

Dona Lúcia chega a passar pito no dramaturgo David Mamet porque este diz que a doce promessa de Karl Marx, "De cada um conforme suas possibilidades a cada um conforme suas necessidades" não passa de uma expressão cifrada para justificar a espoliação de todos pelo Estado. Em todos os regimes comunistas foi isso o que se deu realmente, mas ainda assim Dona Lúcia assegura que Mamet “levaria nota baixa em marxismo, porque o espantalho invocado por Mamet estava pensando numa utopia do proletariado, não do Estado”.

No mesmo sentido pronuncia-se Yoani Sanchez para jurar que em Cuba nunca houve comunismo, apenas capitalismo de Estado.

Não é preciso observar que assim, com um estalar de dedos, a teoria que se apresentava como idêntica à sua encarnação histórica se torna uma idéia pura platônica, um ente metafísico separado, imune a toda contaminação deste baixo mundo.

Eu não seria cruel de esperar dessas duas criaturas a compreensão dessa sutileza, mas elas poderiam ao menos ter lido um dos mais célebres parágrafos de Karl Marx, no Manifesto Comunista:

“A última etapa da revolução proletária é a constituição do proletariado como classe dominante... O proletariado servir-se-á da sua dominação política para arrancar progressivamente todo o capital da burguesia, para centralizar todos os meios de produção nas mãos do Estado, isto é, do proletariado organizado...”

Aí não existe, no mais mínimo que seja, o antagonismo que aquelas duas inteligências iluminadas acreditaram enxergar entre o Estado e o proletariado: o Estado é o proletariado organizado, o proletariado organizado é o Estado. E o proletariado organizado não é outra coisa senão o Partido.

A profecia da “autodissolução do Estado” na apoteose dos tempos é somente uma figura de linguagem, um jogo de palavras, uma pegadinha infernal. Marx explica que, como tudo pertencerá ao Estado, este já não existirá como entidade distinta, mas a própria sociedade será o Estado. É uma curiosa inversão da regra biológica de que quando o coelho come alface não é o coelho que vira alface, mas a alface que vira coelho. Se o Estado engole a sociedade, não é o Estado que desaparece: é a sociedade. Que a sociedade dominada, esmagada e anulada não sinta mais o peso da dominação não quer dizer que esta não exista, mas que o dominado está exausto e estupidificado demais para tomar consciência dela. É o totalitarismo perfeito em que, nas palavras de Antonio Gramsci, o poder do Partido-Estado já não é percebido como tal, mas se torna “uma autoridade onipresente e invisível como a de um imperativo categórico, de um mandamento divino”.

Um exame atento dos textos de Karl Marx teria bastado, em plena metade do século XIX, para perceber neles o Gulag, o Laogai e centenas de milhões de mortos, todo o terror e misérias dos regimes comunistas como conseqüências incontornáveis da própria lógica interna da teoria caso tentasse sair do papel para encarnar-se na História. Marx, Engels e Lenin em pessoa reconheceram isso inúmeras vezes, enaltecendo o genocídio e a tirania como “parteiros da História”. Que, decorridos cento e sessenta e tantos anos, ainda haja tantas pessoas que insistam em explicar como fruto de desagradáveis coincidências aquilo que a própria teoria exige como condição sine qua non da sua realização é, decerto, uma das provas mais contundentes de uma debilidade intelectual que não deixa de refletir, talvez, alguma debilidade de caráter.


04 de junho de 2013
Olavo de Carvalho

Publicado no Diário do Comércio

ESQUERDA EVANGÉLICA ANTI-ISRAEL PERPETUA SOFRIMENTO DOS PALESTINOS


          Artigos - Movimento Revolucionário        
Recentemente, a “Christianity Today,” proeminente revista evangélica dos Estados Unidos, colocou seus holofotes na lista “Os 5 Mais Importantes Livros sobre Israel & Palestina,” feita por Gary Burge, professor da Faculdade Wheaton, uma das mais prestigiosas faculdades evangélicas dos Estados Unidos.

Burge vem empreendendo uma cruzada para tentar mudar a direção dos evangélicos, a fim de afastá-los de sua posição tipicamente pró-Israel. Todos os cinco livros indicados por Burge prestam muitos elogios a uma perspectiva pró-Palestina, em variados graus. Evidentemente um livro que ofereça a experiência judaica não é, de acordo com ele, digno de atenção.
O primeiro livro que Burge louvou foi “Blood Brothers” (Irmãos de Sangue) de Elias Chacour, arcebispo da Igreja Católica Grega Melquita de Akko, Haifa, Nazaré e toda a Galileia. Conforme narra Burge, Chacour recorda a história de sua vida como um clérigo palestino, confrontando o “problema espinhoso de luta e reconciliação na Galileia.”
Outro livro é “I Am a Palestinian Christian” (Sou um Cristão Palestino) de Mitri Raheb, um pastor luterano de Belém, descrito por Burge como “um dos principais intelectuais cristãos da igreja palestina.”
O terceiro livro, “On the Road to Armageddon: How Evangelicals Became Israel’s Best Friend” (Na Estrada para o Armagedom: Como os Evangélicos se Tornaram os Melhores Amigos de Israel), de Timothy Weber, explica “por que os Estados Unidos e suas comunidades evangélicas são tão ardorosamente pró-Israel.”
O quarto livro, “Coffins on Our Shoulders: The Experience of the Palestinian Citizens of Israel” (Caixões em Seus Ombros: A Experiência dos Cidadãos Palestinos de Israel), de Dan Rabinowitz e Khawla Abu-Baker, que são sociólogos, “um israelense e um palestino, que contam suas histórias pessoais crescendo perto um do outro em Haifa.”
O livro final, “Whose Promised Land?: The Continuing Crisis over Israel and Palestine” (De Quem É a Terra?: A Contínua Crise sobre Israel e a Palestina), de Colin Chapman é talvez de certo modo mais imparcial. Como Burge descreve, é uma “história comovente e irresistível do conflito Israel-Palestina, contada por um estudioso cristão britânico que agora reside em Cambridge,” que foi durante “muitos anos professor em Beirute e, graças à sua fluência no árabe, pode ver essa batalha do lado de dentro diferente de muitos outros.”
A seleção desses livros que Burge fez para a revista Christianity Today [ligada à liberal revista brasileira Cristianismo Hoje, que já entrevistou Julio Severo aqui: http://bit.ly/XRENbx] expressa a própria postura de Burge, que sempre apresenta Israel como um país imperialista que invadiu a vida dos palestinos. Os principais culpados dessa invasão, nessa perspectiva, são os evangélicos pró-Israel dos Estados Unidos. Ao contarem histórias de palestinos, especialmente a pequena minoria cristã, como vítimas, Burge espera influenciar os evangélicos a adotarem a neutralidade ou, melhor ainda, uma defesa das causas palestinas.
Pretensamente, essa nova postura livrará os palestinos oprimidos de seus senhores imperialistas, que concordarão com as exigências palestinas graças à pressão dos EUA. A suposição é que as vitórias políticas palestinas iniciais realmente ajudarão os palestinos, principalmente seus cristãos. Qual é a base para essa suposição? Não se sabe. Atualmente, onde é que no Oriente Médio os grupos minoritários cristãos estão vivendo em segurança sob democracia pluralista? Nos países muçulmanos ou em Israel?
Burge e seus camaradas da esquerda evangélica que fazem cruzadas contra Israel presumem que a intransigência israelense é o principal bloqueio para a paz. Mas e se Israel se retirasse unilateralmente para suas fronteiras antes de 1967, abandonasse Jerusalém e permitisse um direito ilimitado de volta para todos os palestinos que reivindicam ser descendentes dos residentes palestinos originais no que é hoje Israel? Essas concessões unilaterais aplacariam completamente a maioria dos palestinos e criariam harmonia mútua? Ou eles, não provavelmente, alimentariam sua fome por vitória ainda maior, para incluir a erradicação de Israel como uma nação judaica?
Contrário à postura anti-Israel que Burge prefere, se o obstáculo real para a paz é a recusa dos palestinos de aceitarem a realidade permanente do Israel judaico, então o que Burge e camaradas defendem só joga gasolina no fogo das brigas e sofrimento dos palestinos. Na verdade, só dá para alcançar a paz se a maioria dos palestinos firmemente aceitar a permanência de Israel e se conformarem com um Estado palestino com base na Margem Ocidental, não sonhos de uma Palestina maior e livre de judeus.
A postura de Burge e da esquerda evangélica sobre Israel & Palestina também inquestionavelmente aceita os pronunciamentos públicos de uma pequena minoria de clérigos e ativistas cristãos palestinos sem admitir que esses cristãos cercados têm pouca escolha de expressar uma opinião contrária à [esquerda e à maioria muçulmana]. Sua sobrevivência requer que os palestinos fiquem sempre lustrando suas credenciais nacionalistas. É interessante que a esquerda evangélica, que faz tantas críticas ao nacionalismo americano e ao nacionalismo israelense, tenha tanta facilidade para abraçar a causa do nacionalismo palestino.
Burge está na diretoria do grupo Evangélicos a favor da Compreensão no Oriente Médio, uma campanha permanente para neutralizar os evangélicos pró-Israel. Esse grupo realizou uma reunião no Centro Billy Graham da Faculdade Wheaton em novembro de 2012, apresentando palestrantes anti-Israel como o Pe. Stephen Sizer, da Igreja da Inglaterra. Burge teve também papel proeminente no filme de 2010 “With God on Our Side” (Com Deus do Nosso Lado), feito especialmente para audiências evangélicas, tendo como alvo caricaturar os sionistas cristãos como fanáticos dos últimos dias que são indiferentes ao sofrimento palestino.
Se Burge e os evangélicos anti-Israel, que pretensamente se preocupam tanto com os cristãos palestinos, realmente fizerem o que quiserem, o resultado quase que certamente seria sofrimento ainda maior para todos os palestinos. Israel tem suficiente força militar e econômica para perseverar. Qualquer esperança para os palestinos requer a aceitação de coexistência mútua. Contudo, intencionalmente ou não, a esquerda evangélica anti-Israel pressiona para que sejam feitas políticas que inflamariam esperanças palestinas irrealizáveis de erradicar Israel, mas na realidade só garantiriam sua própria contínua marginalização.
Os livros anti-Israel que a revista “Christianity Today” recomenda a partir da lista escolhida de Burge superficialmente oferecem empatia pelos palestinos. Mas como a maioria das ingenuidades políticas esquerdistas, as políticas que eles apontam são absurdas para todos.
04 de junho de 2013
Tradução: www.juliosevero.com

SÍNDROME DE RAUL GIL

           
          Artigos - Cultura 
raulgilresUm dos grandes males da minha geração é algo que chamo, assim de brincadeira, de "Síndrome de Raul Gil". Essa geração cresceu com uma expectativa exageradíssima sobre sua capacidade e sobre o seu destino.

Foi marcada com um senso desproporcional de protagonismo e dotada de um senso de realização pessoal irracional muitas vezes delirante.

Ninguém consegue convencer as pessoas dessa geração, quando é o caso, de que não sabem cantar, nem atuar, nem dançar, que são feios, suas vozes são horríveis, não tem nenhum carisma nem talento e que, muitas vezes, são ignorantes e/ou burros demais para o que pretendem fazer.

Nada consegue tirá-las da sua ilusão de 'gracinha da mamãe' - tudo as machuca, desrespeita, ofende suas heroicas escaladas rumo ao Olimpo.

Consideram-se prontos e acabados desde o nascimento, celebridades ainda não descobertas apenas pela inveja que imaginam receber de todos ao seu redor. Cada uma dessas pessoas uma revelação 'urbi et orbi' para o mundo.
Às vezes até tem algum talento, mas não conseguem desenvolvê-lo por causa da incapacidade total de avaliar seus potenciais com honestidade.A frustração da não-realização dos seus sonhos de infância causa então um sofrimento enorme nestas pessoas.
Elas, muitas vezes, acabam caindo na promiscuidade e nas drogas para fugir de uma realidade que avoluma-se cada vez diante dos seus olhos: a de que provavelmente são medíocres.
E mutilam-se: tomam esteroides, tentam afirmar a personalidade tatuando o corpo inteiro com símbolos que desconhecem, implantam silicone, fazem plásticas agressivas, ficam anoréxicas, são vitimizadas pela moda e pelo consumismo voraz.
Talvez até nem sejam mesmo medíocres; mas como convencê-las de que elas precisam se aperfeiçoar? Jamais conseguem se desenvolver em nada por pura incapacidade de exercer alguma humildade sobre si mesmos. São imunes a qualquer 'anamnese' possível. Em busca de ser estrelas comportam-se como buracos negros.

inlandempire
Talvez por isso a minha geração seja tão ressentida e magoada. As ideologias enxergam, com muita esperteza, esse mar cheio de peixes e atiram a rede que volta farta. Eu sei que 'tudo-pode-ser-só-basta-acreditar-tudo-que-quiser-você-será', mas talento é algo raro. E fama é algo inexplicável; está aí o You Tube para comprovar. A celebridade não é um direito, mas sim uma graça efêmera que vai e volta como o vento.
 
Ainda existe uma coisa chamada 'sorte'. É claro que muitos conseguem se libertar dessa síndrome e encontrar alguma consolação na vida. E muitas vezes ela é encontrada em uma inesperada habilidade de cultivar jardins, no prazer da contemplação de um mistério religioso ou no amor de uma mulher e filhos.
 
Muitos infelizmente não conseguem e perecem pelo caminho na tristeza infinita de uma sarjeta, no fundo de uma espiritual garrafa de desalentos eternos. A nossa geração precisa retornar urgentemente ao empreendimento mais essencial da jornada humana sobre a Terra, empreendimento mesmo do qual os poetas, profetas e filósofos perseguiram com tanta obsessão e esperança: a busca do 'Eu' e a conquista definitiva de uma verdadeira personalidade.

*Cena do filme "Inland Empire", de David Lynch


04 de junho de 2013

Luiz Fernando Vaz
 

FUNAI É A GRANDE CULPADA

Abaixo, editorial de O Globo, intitulado "Funai amplia insegurança jurídica", publicado hoje.
O foco de tensão que já esteve concentrado na atuação de organizações ditas sociais de trabalhadores sem terra se transfere, no momento, para a ação de ONGs, da Igreja (Cimi, Conselho Missionário Indigenista), promotores e procuradores na militância junto a povos indígenas. Com um objetivo duplo: paralisar o programa estratégico de aproveitamento do potencial hidrelétrico na Amazônia e ampliar ao máximo reservas indígenas ao arrepio de normas em fase final de fixação pelo Supremo.

E, para espanto de não iniciados na forma como o governo é loteado, a Funai (Fundação Nacional do Índio) não atua, no setor, como órgão governamental, mas na função de instrumento desta militância. Repete-se o modelo do Incra, com os sem-terra Este é o pano de fundo da série de invasões do canteiro de obras da usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. Detalhe esclarecedor é que os mundurukus, por viverem a 800 quilômetros do local, são transportados de ônibus para fazer as ocupações. Alguém, por óbvio, paga as viagens.

O conflito, já com a morte de um índio terena, na Fazenda Buriti, em Mato Grosso do Sul, é outro caso emblemático. A Justiça, como se espera, tem concedido aos proprietários o direito à reintegração da posse, mas a pressão continua, com a Funai ao lado dos invasores. A autarquia tem trabalhado para ampliar a insegurança jurídica nas áreas de conflito entre índios e produtores agrícolas. A situação seria outra se a Funai seguisse as regras estabelecidas pelo Supremo, no julgamento da legalidade da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, por meio do voto do ministro, já falecido, Carlos Alberto Direito, dado depois de um pedido de vista. A Advocacia Geral da União chegou a baixar portaria, em julho do ano passado, para instruir os diversos órgãos públicos a agir nos litígios com base nas diretrizes aprovadas pelo Supremo. Depois, diante das pressões, voltou atrás.

Funai e aliados se aproveitam da demora no fechamento formal do processo sobre a reserva de Roraima e atuam como se nada tivesse acontecido. Não por acaso, forem impetrados inúmeros embargos ao acórdão do processo, cujo relator, Ayres Britto, caiu na “expulsória” dos 70 anos de idade. O indicado para seu lugar, o advogado Luís Roberto Barroso, terá de ser sabatinado, aprovado pelo Senado e tomar posse para avaliar os embargos e encerrar o caso.

Segundo as regras aprovadas, por exemplo, nenhuma reserva já demarcada pode ser ampliada (já representam 13% do território nacional), nem haverá restrição — como desejam Funai e aliados — à atuação das Formas Armadas e Polícia Federal nas áreas. Preocupada com a tensão, a presidente Dilma convocou ministros e determinou a criação de programas sociais específicos para os índios. Mas, em vez de instituir um “Bolsa índio”, a prioridade da presidente deveria ser enquadrar a Funai e reintegrá-la ao Estado brasileiro.
 
04 de junho de 2013
in coroneLeaks