"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



domingo, 14 de abril de 2013

MURICI, A CIDADE ONDE A FAMÍLIA CALHEIROS SE REVEZA NO PODER HÁ MAIS DE 30 ANOS...

Reportagem de VEJA desta semana mostra que o município, a 50 quilômetros de Maceió, é privilegiado em verbas federais, mas boa parte da população ainda vive na miséria


SÓ POBREZA - Portelinha: favelados dependem da prefeitura de Remi (entre Renan, à esq., e Olavo Neto)
SÓ POBREZA - Portelinha: favelados dependem da prefeitura de Remi (entre Renan, à esq., e Olavo Neto) (Manoel Marques)


Município de 27 000 habitantes situado a 50 quilômetros de Maceió, Murici frequenta com certa assiduidade o noticiário nacional por três motivos - todos lamentáveis: inundações devastadoras, escândalos de desvio de dinheiro público e o fato de sempre ter na prefeitura, em esquema de revezamento, políticos de sobrenome Calheiros.

A família domina há mais de trinta anos (21 deles ininterruptos) a administração municipal, muito embora seu filho mais famoso, o presidente do Senado, Renan Calheiros, 57 anos, só apareça por lá em campanha ou em dia de inauguração.

Chafurdado em alguns dos piores indicadores socioeconômicos do Brasil - até mesmo para os padrões alagoanos -, Murici é o resultado da velha política assistencialista, cujas raízes remontam ao coronelismo.
Um terço dos moradores não sabe ler nem escrever, 65% dependem do Bolsa Família para sobreviver e o Índice de Desenvolvimento Humano rasteja em 0,58 (numa escala que vai de 0 a 1).

Uma das maiores escolas públicas muricienses, com 560 alunos, funciona em salas de chão de terra separadas por tapumes. As crianças saem uma hora mais cedo porque a escola não oferece merenda. O problema não parece ser, nesse caso, de miséria. Um processo que aponta irregularidades nas verbas de merenda na cidade já chegou ao Supremo Tribunal Federal.

14 de abril de 2013
Gabriele Jimenez - Veja

FERNANDO COELHO CONFIRMA FAMA DE TRAIDOR E APOIA DILMA CONTRA EDUARDO CAMPOS

Ministro indicado por Campos prefere Dilma. Contra planos de padrinho, Bezerra defende candidatura petista em 2014. Na Integração Nacional, ele nutre mágoa do presidenciável e se põe como pré-candidato ao governo de Pernambuco

No fim da semana, em rápida entrevista no interior da Bahia, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, defendeu a manutenção da aliança entre o PT e o PSB na corrida à Presidência.

Ou seja, o ministro indicado pelo governador Eduardo Campos para representar o PSB no governo federal defende a reeleição da presidente Dilma Rousseff e o adiamento do projeto presidencial de seu padrinho político.

À Folha, na manhã de sexta, pouco antes de se encontrar com Campos no interior do Estado, ele repetiu: "Acho que deveríamos aprofundar mais o debate e explorar a possibilidade de manter essa aliança [PT e PSB] em relação às eleições do próximo ano".

Surpreendente para alguns, essa posição de Bezerra se expõe após sua aproximação com Dilma, de quem se tornou parceiro preferencial nas viagens pelo Brasil.

O prestígio do ministro aumentou desde que Campos começou a se movimentar como candidato a presidente, viajando pelo país em busca de aliados para seu projeto.

De 14 cerimônias com a presença de Dilma, Bezerra participou de oito e, na maioria delas, discursou. Metade dos eventos foi no Nordeste, área de influência de Campos.

Em todas as falas ele anunciou obras para a seca e defendeu o governo --ao contrário de Campos, que não perde oportunidade para fazer críticas pontuais ao Planalto.

A presidente também demonstra afeição pelo ministro em temas extraoficiais --quis conhecer um dos filhos de Bezerra, que concluiu pós-graduação nos EUA.

Dirigentes petistas em Pernambuco se dizem surpresos com o destaque que a presidente tem dado ao ministro.

Políticos locais apostam que ele trocará o PSB pelo PT para se lançar candidato ao governo estadual com Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no palanque.

O histórico de Bezerra dá margem a essa sugestão. Ele passou por quatro partidos (PDS, PFL, PMDB e PPS) em sua trajetória, além do PSB.


RESSENTIMENTOS
Bezerra diz que, apesar de tantas trocas, sempre teve "um lado" e nega que esteja de mudança para o PT.

"Rumores prosperam porque todos acham que o partido precisa ter um pensamento único. Isso não é realidade dentro do PSB", afirmou.

Bezerra nutre vários ressentimentos em relação a Campos. Em 2010, ele foi preterido na disputa por uma vaga do Estado no Senado.

No ano passado, a pedido do governador, transferiu seu domicílio eleitoral ao Recife para pressionar o PT a definir seu candidato na capital, mas o governador acabou construindo a candidatura do atual prefeito, Geraldo Julio.

Além disso, o governador não se empenhou como esperado na campanha derrotada do filho de Bezerra em Petrolina, a 770 km de Recife.

O ministro já foi prefeito de sua cidade natal, Petrolina, deputado estadual e federal e secretário de Campos.

Como ministro, comanda duas das maiores obras em execução pelo governo federal: a transposição do rio São Francisco e a construção da ferrovia Transnordestina.

Mas Campos tende a optar nas eleições de 2014 por um político de perfil mais discreto, como Geraldo Julio, que não ameace sua hegemonia na política estadual.

14 de abril de 2013
DANIEL CARVALHO e FÁBIO GUIBU - Folha de São Paulo

"O MEDO, O LUXO, A PEC"

Nos dias de hoje é preciso ter cuidado, há quem fique a favor de qualquer invasão, quando ouve falar em luxo
 
Tem dias que a gente acorda e fica com medo; isso me aconteceu esta semana.

Tive medo quando vi as fotos dos índios que invadiram o hotel Fazenda da Lagoa, no sul da Bahia. Há pouco tempo, um ou dois meses, conheci o hotel, através de um programa de TV sobre arquitetura; o local parecia o paraíso sobre a terra.

Era mesmo muito bonito, e dizer que era um hotel de luxo é maneira de falar; na verdade, os bangalôs, a decoração feita apenas com o artesanato local, os jardins, era tudo que podia haver de mais simples e mais brasileiro, e de um enorme bom gosto, o que o tornava luxuoso, no sentido puro da palavra (nos dias de hoje é preciso ter cuidado com esta palavra, pois há quem fique a favor de qualquer invasão, quando ouve falar em luxo).

Saber que uma propriedade foi invadida traz insegurança, e fico pensando no que deve ter sido para os donos que trabalharam dez anos para fazê-lo admirado no mundo todo. A Funai fez com que os índios saíssem do hotel, mas e se eles voltarem, qual a solução? Botar um bando de seguranças em volta do hotel, no meio dos coqueiros?

Por mais que o mundo seja hostil, não há refúgio que nos pareça mais seguro do que nossa casa, seja ela um castelo ou um casebre; é nela que nos sentimos protegidos, e quando se imagina que esse espaço pode ser violado, vem o grande medo.

Já me aconteceu: há muitos anos, cheguei em meu apartamento e encontrei-o todo revirado; tinha sido assaltado. Foi terrível ver minhas gavetas abertas, minha cama usada, a casa toda mexida. O roubo não teve importância, diante da violência que foi a invasão de minha casa.

E agora vamos a meu assunto predileto, atualmente: a PEC das domésticas, e são duas historinhas verdadeiras. Uma amiga foi contratar uma empregada, e se surpreendeu com a proposta da candidata: por razões pessoais, ela propôs um horário de 16h às 21h.

Minha amiga ficou radiante: ela sai de casa para o trabalho às 10h e chega, dependendo do trânsito, entre 18h e 19h. Assim, teria quem lhe preparasse um jantarzinho, mas aí, pensou, seria hora extra noturna o que para ela seria muito caro.

A pretendente ao emprego só estava disponível nesse horário, e como não encontrava trabalho, abriu mão da hora extra noturna, só queria um bom salário. Se acertaram, mas aí criou-se o problema. Segundo a PEC, mesmo as duas partes estando de acordo e assinando um contrato, não pode, pois fica fora da lei. E agora?

Outro caso: um casal muito muito rico, tem duas empregadas há uns 15 anos, que dormem no emprego. Quando veio a PEC, a dona da casa -que não suporta a ideia de ter um livro de ponto em casa, e ao mesmo tempo quer ter o direito de pedir um chá às 10h da noite-, fez as contas com o contador, soube o quanto lhe custaria pagar as horas extras, e chamou as duas para conversar.

Nenhuma delas queria virar diarista, pois estavam gostavam do emprego e tinham, cada uma, seu quarto confortável, ar condicionado e televisão; foi combinado, então um bom aumento. Os principais direitos elas já tinham, foi então acrescentado o FGTS, e como nenhuma das duas pretendia ter filhos, os auxílio creche e maternidade estavam fora da questão.

O que o empregador não aceitava era se sentir vigiada pelo Grande Irmão, de George Orwell, a cada vez que pedisse um chá às 10h da noite. As partes se acertaram, mas talvez estejam vivendo na ilegalidade.

Tenho a impressão que o governo está interferindo um pouco mais do que o tolerável na relação entre empregado e empregador no trabalho doméstico.

P.S.: O prefeito do Rio inventou uma multa altíssima para quem jogar um só amendoim nas ruas da cidade.

Quem comprar um chiclete no jornaleiro vai ter que engolir o papel, pois as (poucas) latas de lixo do Rio são do tamanho de uma sacola Chanel.

14 de abril de 2013
Danuza Leão, Folha de São Paulo

"CIÊNCIA E PACIÊNCIA"

Nem sempre a sabedoria dos mais velhos ajuda os mais jovens. O jovem quer errar, precisa errar
Houve época em que a idade era tida como qualidade, mas, de uns tempos para cá, caiu em descrédito. Nos anos 60, tornou-se comum dizer-se que não se devia confiar em ninguém que tivesse mais de 30 anos. Descobriu-se, então, que ser jovem era o único valor real e que a chamada sabedoria dos mais velhos era simples balela.

Os que diziam isso, naquela época, hoje têm mais de 50 anos e não sei se continuam a afirmar a mesma coisa ou se ensinam a seus filhos o que aprenderam com a idade.

Por exemplo, que o consumo de drogas, a que se entregavam entusiasticamente naquela época, levou muitos amigos seus à loucura ou à morte precoce. Mas, se o fizerem, correm o risco de ouvir deles que não confiam em ninguém que tenha mais de 30 anos de idade, pois foi o que aprenderam com os próprios pais.

De fato, aos 20 anos, a gente não sabe muito da vida. Tampouco os mais velhos sabem tudo. Se aquela frase irreverente expressava a necessidade de uma geração de romper com os valores estabelecidos e entregar-se ao desvario beatnik, há que levar em conta que cabe aos jovens inventar a própria vida e, para isso, têm que, às vezes, não ouvir os conselhos dos pais.

É que nem sempre a sabedoria dos mais velhos ajuda os mais jovens. E mais que isso, o jovem quer errar, precisa errar, porque é errando que se aprende. Não adianta a mãe advertir o filhinho de não tocar o dedo na chama da vela, pois fogo queima. Ele só acreditará depois de queimar o dedo.

Bem, toda essa conversa vem a propósito de minha irritação com a barulheira desta rua onde moro. Desta vez, foi um vendedor de laranjas que apregoava as virtudes de sua mercadoria, berrando num alto-falante posto em cima de uma caminhonete.

Minha filha Luciana, que me visitava na ocasião, preocupada com meu estado de espírito, aconselhou-me a mudar de apartamento e buscar uma rua tranquila, como aquela onde mora. Minha reação a seu conselho deve tê-la surpreendido.

-- Sair eu deste apartamento onde moro há 30 anos?! Nunca! Já pensou na quantidade de livros que teria que transportar e rearrumar na outra casa? Prefiro enlouquecer aqui mesmo.

Foi a minha primeira reação. Logo, mudei de tom e lembrei-lhe de que, mal me instalara aqui, descobri que, sob meu quarto de dormir, funcionava uma boate. Iniciou-se uma luta que durou anos e que terminei vencendo. Se não saí naquela época, não seria agora que o faria.

E quando os meninos da vizinhança passaram a jogar bola embaixo de minha janela? Era todos os dias, no final da tarde. Eles, na verdade, menos jogavam do que gritavam, se esgoelavam. Um inferno.

Desesperado, comecei a engendrar um plano para acabar com aquilo e concluí que o mais eficaz seria quebrar meia dúzia de garrafas e jogar os cacos de vidro na calçada. Encontrada a solução, fui dormir naquela noite mais conformado, sem calcular as consequências daquele plano. Sucedeu que, dois dias depois, à hora de sempre, não houve a pelada. Nem no dia seguinte, nem nunca mais.

Achei ótimo, mas não me dei ao trabalho de refletir sobre o fato. Não muito depois, foi um vendedor de uvas que, todos os dias, a partir das três da tarde, começava a gritar num alto-falante: "Uvas por dois reais! É só hoje e não tem mais!".

Isso durou semanas, mas um dia acabou também. Senti-me aliviado e não pensei mais no assunto, mesmo porque o que nos desagrada a gente trata, se possível, de esquecer.

E não é que, certa noite, dois caras começaram a conversar aos berros debaixo da minha janela. Além do berro em si mesmo, irrita-me especialmente o fato de que o sujeito está junto do outro, mas berra como se estivesse do outro lado da rua.

Tive vontade de descer, ir até eles e lhes dar um esporro. Mas pensei um pouco, fui até a cozinha tomar um gole d' água e, quando voltei à sala, eles tinham ido embora ou se calado. Então refleti: se eu tivesse dado um esporro neles, teria ganho dois inimigos e eles, para me irritar, estariam possivelmente berrando até agora. E ainda teria ganho dois inimigos.

Terminei aprendendo: espere passar, pois tudo passa. A sabedoria é ter paciência e não se estressar nem brigar. Mas isso só se aprende com a idade.

14 de abril de 2013
Ferreira Gullar, Folha de São Paulo

A ROTINA DA GANGUE MENSALEIRA DE LULA À ESPERA DA PRISÃO

A rotina dos deputados mensaleiros à espera da prisão. João Paulo Cunha, José Genoino, Pedro Henry e Valdemar Costa Neto traçam planos para o futuro, ainda que a cadeia seja o horizonte mais provável


Montagem dos deputados João Paulo Cunha, José Genoino, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry
Os deputados João Paulo Cunha, José Genoino, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry (Dida Sampaio/Dorivan Marinho/Vagner Campos/Lindomar Cruz )

Na próxima semana, quatro meses depois do término do julgamento do mensalão, o Supremo Tribunal Federal (STF) publicará o acórdão detalhando cada argumento dos magistrados na condenação dos 25 políticos, empresários e assessores que participaram do maior escândalo de corrupção do país. Com a formalidade, abre-se o prazo de cinco dias para a apresentação de recursos, ainda que a maior parte dos apelos finais dos condenados seja apenas protocolar. Na prática, o acórdão é o prenúncio de que o cumprimento das sentenças se aproxima - para muitos mensaleiros, a hora de enfrentar a prisão.

Condenados por envolvimento no esquema, quatro mensaleiros têm atualmente uma rotina diferente dos demais penalizados no escândalo. Os deputados Valdemar Costa Neto (PR-SP), José Genoino (PT-SP), Pedro Henry (PP-MT) e João Paulo Cunha (PT-SP) detêm mandatos, cujas despesas são bancadas com dinheiro público. Desde que ouviram suas sentenças, os quatro não apresentaram nenhuma proposta de lei, não relataram matérias relevantes e, com exceção de Genoino, não se arriscaram sequer a um discurso em plenário.

Embora tenham optado por submergir, a presença dos mensaleiros nos gabinetes da Câmara acarretaram gastos de quase 2 milhões de reais aos cofres das Casa. Até o mês de março, apenas a gestão dos gabinetes desses deputados movimentou 1,17 milhão de reais. Com contratação de consultorias, pagamento de gasolina e selos postais, foram desembolsados outros 797 717 reais.

Valdemar - No sexto mandato consecutivo na Câmara, Valdemar Costa Neto é, dos quatro deputados mensaleiros, o que mantém as atividades políticas a todo o vapor. Apesar de atuar nos bastidores – ele próprio reconheceu após a condenação nunca ter sido um bom legislador –, continua como homem forte do Partido da República e articulador astuto na barganha por cargos públicos. A aliados, Valdemar confidenciou que não espera a redução de sua pena. Ao todo, foram sete anos e dez meses em regime semiaberto por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Ciente de que terá de acertar as contas com a Justiça, Costa Neto já começou a abrir caminho no PR para que o senador Antonio Carlos Rodrigues (PR-SP) ocupe a secretaria-geral da sigla quando seu afastamento dos quadros do partido for mesmo inevitável. Suplente da atual ministra da Cultura, Marta Suplicy (PT), Rodrigues chegou ao parlamento após um arranjo político com o PT. No ano passado, para forçar o engajamento de Marta na campanha que elegeu Fernando Haddad à prefeitura paulistana, o ex-presidente Lula conseguiu que ela fosse nomeada ministra.

Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Antonio Carlos Rodrigues tem a missão de defender os interesses da ala paulista do PR ante o fortalecimento do braço fluminense da legenda, capitaneado pelo ex-governador Anthony Garotinho, e do grupo do senador mato-grossense Blairo Maggi.

Valdemar Costa Neto foi o primeiro dos mensaleiros a anunciar publicamente a tática de apelar à Corte Interamericana de Direitos Humanos, na Costa Rica, contra supostos erros processuais do julgamento do mensalão. Mas, para aliados, tem dito que sua intenção é evitar uma “postura Genoino” de enfrentamento ao STF.

Genoino - Ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, José Genoino é o parlamentar mensaleiro com perfil mais beligerante entre os condenados. A petistas, afirma “ter direito à indignação”. Penalizado em seis anos e 11 meses por formação de quadrilha e corrupção ativa, ele não fala publicamente sobre o mensalão, mas passa quase todo o dia – chega ao Congresso antes das 8h da manhã – em “articulações políticas”. As “articulações políticas” já haviam sido usadas como argumento central do ex-presidente do PT para tentar se livrar da acusação de partícipe do mensalão. Mas conforme sentenciou a Justiça, a atuação do petista no esquema criminoso foi documentalmente materializada em assinaturas de empréstimos bancários fraudulentos, forjados para camuflar o desvio de dinheiro público usado na compra de apoio político no Congresso.

Mesmo sem votos suficientes para ser eleito deputado – ele chegou ao cargo apenas como suplente –, José Genoino ocupa uma cadeira na poderosa Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, colegiado responsável por analisar previamente a viabilidade de projetos de lei. “Ele fala e discursa na tribuna, mas dá para perceber que não é mais o mesmo. Perdeu um pouco do brilhantismo”, afirma um aliado na bancada do PT.

Genoino teve o apoio do PT para retornar à Câmara, mesmo já condenado no mensalão. Atualmente, tem alardeado que pretende “discutir até o fim da vida” a sentença imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Experiente, relata sentir uma “sensação dura” por ter sido condenado. A correligionários, compara a condenação às dificuldades dos anos em que viveu na clandestinidade durante a ditadura militar. O advogado Luiz Fernando Pacheco, que defende o petista no processo do mensalão, resume o estado de espírito do parlamentar à espera do cumprimento da sentença: “Ele é um cliente preocupado, ansioso com o andamento do processo”.

Com patrimônio declarado de pouco mais de 170 000 reais, Genoino terá de cumprir a pena imposta por participação no mensalão em regime semiberto, podendo trabalhar normalmente durante o dia. Interlocutores arriscam que ele deverá atuar como palestrante enquanto vigorar a pena do mensalão.

Henry - Presença constante em escândalos políticos, o deputado Pedro Henry (PP-MT) cumpre o quinto mandato parlamentar consecutivo no Congresso, apesar de ter sido condenado a sete anos e dois meses por participação no mensalão. Conhecido entre desafetos como “o homem da lista” – referência a supostas exigências de propina – o parlamentar, penalizado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, anunciou que, quando a sentença for executada, pretende atender como anestesista durante o dia no Hospital Santa Rosa, em Cuiabá. Uma das sobrinhas de Henry é sócia da instituição, e ele próprio foi acusado de beneficiar o hospital com um contrato sem licitação para a realização de cirurgias ortopédicas. Aos sábados, o mensaleiro já perambula pelos corredores e consultórios médicos do Santa Rosa e, ocasionalmente, atende pacientes.

Escanteado nas últimas eleições municipais, Henry perdeu um pouco da influência no sudoeste do Mato Grosso, sua base política, mas continua nomeando aliados sem dificuldade no Executivo local. Atua sem contratempos na secretaria estadual de Saúde, onde indicou os dois últimos secretários. “Este será o último mandato do Pedro Henry. Ele vai pegar o legado político e fazer um trabalho de bastidor”, diz o aliado de primeira hora e secretário-geral do PP em Mato Grosso, Ezequiel Fonseca.

Para manter sua influência sobre os políticos mato-grossenses, Henry já trabalha para eleger no próximo ano o ex-deputado Neri Geller, que atuará em Brasília como preposto do mensaleiro. Para dar continuidade à sua atuação na área da saúde, Pedro Henry prepara ainda a inauguração de um hospital particular em Florianópolis, especializado em cirurgias bariátricas. O irmão dele, o ex-prefeito de Cáceres Ricardo Henry, deverá administrar formalmente a instituição.

No dia a dia da Câmara, Pedro Henry é discreto e não discursa em plenário desde 2009. Também não apresentou nenhum projeto de lei desde 2011. Para evitar o constrangimento de ser cobrado por seus atos, aparece publicamente nas votações apenas para registrar presença ou formalizar o voto. No intervalo entre o início da sessão e o momento de abertura das urnas para votação, prefere ficar recluso em seu gabinete.

João Paulo - Condenado a nove anos e quatro meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) é o quarto mensaleiro que atualmente ocupa uma cadeira no Congresso Nacional. Ele já tentou articular com a cúpula da Câmara para evitar que os mensaleiros percam seus mandatos. Ex-presidente da Casa, Cunha se reuniu com os novos dirigentes para discutir como atrasar o inevitável processo de cassação dos mandatos.

Desde que foi condenado, logo no início do julgamento do mensalão, João Paulo Cunha viu suas pretensões políticas ruírem. Foi obrigado a deixar de imediato a disputa pela prefeitura de Osasco (SP). Cabisbaixo, trancafiou-se em um quarto por quase um mês após o veredicto do Supremo. Hoje tenta concluir o curso de graduação em direito em uma faculdade particular em Brasília. A esperança do mensaleiro é de se beneficiar com a presença em sala de aula. De acordo com a Lei de Execuções Penais, a cada 12 horas de frequência escolar, incluindo a universitária, um dia de pena é abatido.

Nas aulas, Cunha costuma se sentar ao fundo da sala, afastado dos demais alunos e se recusa a debater assuntos da atualidade com os estudantes. “Nunca ouvi a voz dele”, relatou ao site de VEJA um colega de classe. O comportamento é repetido no Congresso Nacional. Apesar de integrar a cobiçada Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), não relata ou apresenta matérias de interesse do público. Na CCJ, faltou em sete das 14 reuniões do colegiado. Nenhuma das ausências foi justificada.

14 de abril de 2013
Laryssa Borges e Marcela Mattos - Veja

ECONOMIA "À LA DILMA", A GERENTE DE ARAQUE, GERA PREOCUPAÇÃO

Ao interferir na formulação de políticas e se dirigir ao mercado, presidente atropela equipe econômica
Ao falar constantemente de assuntos delicados no terreno econômico, a presidente Dilma Rousseff tem deixado cada vez mais claro que o principal formulador de sua política econômica é ela própria. Dilma dá recados ao mercado, interfere diretamente na preparação de medidas e discute detalhes com técnicos do Ministério da Fazenda e de outras pastas, muitas vezes, sem falar com os titulares. Esse estilo tem gerado preocupação e constrangimento entre integrantes da equipe econômica.


Num episódio recente, a presidente disse, durante reunião dos países dos Brics na África do Sul, que não concorda com medidas de combate à inflação que comprometam o crescimento da economia. A declaração, dada ao lado de Tombini e Mantega, foi feita na frente de uma plateia de jornalistas. Imediatamente o mercado interpretou a frase como uma pressão para que o BC segurasse os juros num momento delicado, em que a inflação está alta.

O IPCA acumulado em 12 meses fechados em março atingiu 6,59%, superando o teto da meta fixada para o ano, que é de 6,5%. Logo depois da repercussão negativa de seu comentário sobre inflação, Dilma mandou Tombini tentar consertar a situação usando a imprensa e chegou a dizer que suas palavras foram manipuladas.

— A presidente não deveria falar tão frequentemente sobre questões conjunturais da economia. Muito menos bater boca com pessoas ligadas ao mercado financeiro, como aconteceu recentemente na África do Sul. Este comportamento traz desgastes desnecessários e passa a impressão de que seus ministros não têm autonomia para conduzir o dia a dia de suas áreas. No caso de assuntos relativos ao Banco Central esse desconforto é ainda maior, pois existe o tal pressuposto da independência operacional de nossa autoridade monetária — afirmou o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES e sócio-fundador da Quest Investimentos.

Já o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, ressaltou que uma sinalização errada ao mercado pode causar estragos na economia num momento em que há muita volatilidade e onde uma fuga de capitais pode ocorrer facilmente.

— Não há problema no fato de a presidente falar de economia. Isso é comum. Mas é preciso ter cuidado na comunicação com o mercado. Vivemos tempos muito líquidos. Isso acarreta um peso muito grande à coordenação das expectativas dos agentes — afirma Perfeito. — O que me incomoda um pouco é um viés ideologizado que ela adota e que vê no mercado um antagonista.

‘Mais clareza e sem dubiedades’

Para Mendonça de Barros, o país está perdendo a batalha da comunicação com os investidores em mercados de ações e de títulos brasileiros, os chamados investidores em portfólio.

— Não por outra razão o mercado de ações brasileiro é um dos que mais vem sofrendo na comunidade dos países emergentes. Este grupo de investidores é muito sensível à postura do governo em relação à liberdade dos mercados e dos compromissos macroeconômicos de ordem geral. O governo precisa passar aos investidores com mais clareza e sem dubiedades os principais objetivos de sua política econômica — disse.

Nos bastidores, os técnicos do governo garantem que o BC tem autonomia de fato e que a presidente dá total liberdade para que a autoridade monetária avalie a necessidade ou não de subir os juros. No entanto, não é isso que ela passa quando fala publicamente.

A impressão de que a presidente interfere diretamente nas ações do Comitê de Política Monetária (Copom) se tornou tão forte que há quem diga que o BC subirá os juros já na próxima semana só para mostrar que é independente e não age de forma leniente com a inflação.

Outro problema apontado pelos técnicos do próprio governo na postura de Dilma é que, por entender de economia e ter o chamado estilo “gerentona”, a presidente acaba acelerando o anúncio de medidas que ainda não estavam completamente fechadas ou atrasando o andamento de projetos que precisam sair do papel. Um exemplo disso foi a desoneração da cesta básica, que deveria ser anunciada em maio. Preocupada com a alta da inflação, a presidente decidiu na última hora anunciar a redução dos impostos no Dia Internacional da Mulher (8 de março) para tentar segurar os preços dos alimentos.

Como sempre, a Receita Federal fez simulações como uma enorme lista de produtos que poderiam ser incluídos ou não no benefício. Assim, o valor da renúncia poderia variar de R$ 3 bilhões a R$ 7 bilhões. O maior valor acabou sendo o escolhido. No entanto, até o último minuto, os técnicos do Fisco e do Tesouro não sabiam com qual número deveriam trabalhar.

14 de abril de 2013
Martha Beck - O Globo

BASTIDORES DO PODER

"Socorro a Eike seria capitalismo de compadrio"
 
As cotações de Eike Batista nada têm a ver com a imagem do Brasil, muito menos com risco sistêmico
 
Quem comprou um lote de ações da OGX de Eike Batista quando ela foi lançada, em 2008, pagou R$ 1.200.
Hoje ele vale R$ 150. Milhares de pessoas tomaram esse tombo, sem que houvesse uma crise na economia ou cataclismo. Pequenos e grandes investidores acreditaram num negócio e deram-se mal. Assim é o mercado.

Diante das dificuldades do bilionário brasileiro, surgiram duas linhas de argumentação defendendo um socorro da Viúva. Quase todas vindas da privataria, outras, do comissariado.

Numa, Eike Batista deve ser amparado para evitar que suas dificuldades comprometam a imagem do Brasil junto ao mercado de investidores internacionais.

Ou então ele deve receber alguma proteção para evitar um risco sistêmico.

O primeiro argumento é uma falsidade. Imagine-se um investidor americano, em seu escritório de Chicago, recebendo a informação de que o governo brasileiro amparou o empresário que em 2011 foi listado como o homem mais rico do país, com US$ 30 bilhões, e anunciou que pretendia ser o primeiro do mundo.

Ele tem grandes empreendimentos, mantém uma Mercedes SLR McLaren atrás de uma vidraça de sua sala de estar e disputou num programa de televisão a lingerie que pertencera a sua mulher. Já veio a público defender o seu direito de emprestar um jatinho para autoridades federais, estaduais e municipais.

Na última campanha do governador Sérgio Cabral pingou R$ 2 milhões. Noutra, do prefeito Eduardo Paes, botou R$ 500 mil. Ademais, ele tem patrimônio para oferecer ao mercado.
O governo ampararia um empresário que em 2007 criticava a falta de "cultura de risco" de seus pares.

O sinal que o investidor estrangeiro recebe é o do triunfo, no Brasil, do capitalismo de compadrio. Ele já viu o fim desse filme na Coreia em 1997, na Espanha em 2008 e na Grécia em 2010.

O segundo argumento, mencionando um "risco sistêmico", merece ser traduzido: trata-se de usar dinheiro da Viúva para blindar bancos oficiais e privados que emprestaram dinheiro ao grupo EBX, assumindo riscos maiores que os dos acionistas.
Típico resgate do andar de cima. Coisa de pelo menos R$ 13 bilhões. Uns oito bilhões saíram do BNDES e da Caixa, que lidam com recursos públicos. Outros R$ 5 bilhões foram emprestados por banqueiros e fundos que tinham "cultura de risco".

Imagine-se a seguinte situação: Em 2008 Guido Coutinho comprou R$ 1,2 milhão de ações da OGX. Nesse mesmo ano, um grande banco emprestou R$ 120 milhões a uma empresa de Eike Batista.
Mais tarde, sem relação com o investimento que fizera, Guido fez um empréstimo de R$ 1,2 milhão no mesmo banco que comprou o "risco Eike".
Hoje, o bom Guido está com R$ 150 mil na sua carteira de ações e, com seu trabalho, tudo paga o que deve ao banco.
 Ele sabe que nos próximos anos não recuperará o investimento que fez nas ações, mas o banco que emprestou a Eike quer o seu.
Como metade do crédito saiu do BNDES, o capitalismo de compadrio poderá colocar Guido Coutinho no pior dos mundos:
Perdeu nas ações, pagou o que devia e o dinheiro dos seus impostos, convertido em aportes do Tesouro, seria usado para refrescar os bancos que emprestaram a Eike.
O mesmo acontecerá se, por meio de alguma gambiarra, a Viúva capitalizar as empresas X para fechar a conta com a banca privada.

Fracassada a tentativa de transferir um estaleiro capixaba para a carteira do grupo X, surgiu uma manobra no mercado: a Petrobras pode entrar no empreendimento do porto de Açu.
Metade dessa grande obra está pronta, recebeu R$ 4 bilhões de investimentos, emprega oito mil pessoas e tem muito para dar certo.
A doutora Graça Foster informou que a empresa ainda não pensou nesse assunto. Se a Petrobras quiser entrar no Açu pode-se perguntar porque esse interesse só apareceu agora, já que o projeto existe desde 2007.

Se a estatal se decidir por essa transação, fará bem se exibir uma transparência a que não está habituada, mostrando todos os números aos seus acionistas. O petrocomissariado pode provar que está diante de uma boa ocasião para fechar um grande negócio: basta contratar uma auditoria internacional para referendar sua opinião, mostrando custos e preços.

14 de abril de 2013
Elio Gaspari
 
REGISTRO

Muita gente acredita que foi o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, quem levou o ministro Luiz Fux ao comissário José Dirceu na sua cabala para ser nomeado para o STF.
Não foi. Dirceu prefere não revelar o nome do anjo da guarda, mas a pelo menos uma pessoa ele contou que foi o advogado Arnoldo Wald.
 
A BOA BANCADA

Se os ministros do Supremo Tribunal Federal quiserem sair da rota que pode levá-los a se transformar numa Câmara de Vereadores, podem recorrer a um expediente simples:
Basta que só falem fora das sessões o triplo do que falam os ministros Teori Zavascki, Celso de Mello, Rosa Weber e Cármen Lúcia. Como os quatro só dizem "boa tarde" e "até logo", o tribunal voltará a ser o que já foi.
 
CORINTHIANS

O comissariado petista está trabalhando duro para conseguir justificar um empréstimo de R$ 400 milhões ao Corinthians. O Banco do Brasil caiu fora. O BNDES tem obstáculos legais. Restaria a Caixa Econômica.
 
DESALENTO

Os mensaleiros condenados pelo Supremo receberam sinais de que são praticamente nulas as chances de alterar as sentenças.

 BAIXARIA

A família da baronesa Thatcher pediu que não houvesse representantes da Argentina no seu funeral.
Ecoaram, de forma medíocre, um pedido de Lord Mountbatten, assassinado pelo Exército Revolucionário Irlandês em 1979. Ele adorava pompa, projetou o próprio funeral e vetou a presença do governo japonês.
Mountbatten, contudo, combateu na Guerra do Pacífico.
 
MARTA TERMINOU A FAXINA DA BIBLIOTECA
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, concluiu a faxina da Biblioteca Nacional. Aquilo que pareceu uma simples troca de direção, com a escolha do professor Renato Lessa para o lugar e a transferência das políticas editoriais do governo para um setor adequado, foi uma limpeza de bom tamanho.

Caindo aos pedaços, a Biblioteca Nacional vinha sendo privatizada pelo interesse de editoras e medalhões. Num lance de marquetagem, chegou a criar um programa de compras de livros a R$10 o exemplar. Parecia coisa boa, mas era apenas a aquisição de encalhes que custavam às editoras a preservação do estoque.

Se a faxina demorasse, apareceria até um conselho de notáveis para ensinar ao governo como administrar a biblioteca. O ar refrigerado da BN está aos cacos, mas a Viúva gastará uns R$ 12 milhões na feira do livro de Frankfurt.
No ano passado a BN não participou da feira de Belém do Pará.

14 de abril de 2013
O Globo

INFLAÇÃO DA CESTA BÁSICA É A MAIOR EM 10 ANOS E CORRÓI SALÁRIO MÍNIMO

 
O aumento dos preços da cesta básica voltou a corroer o poder de compra das pessoas que ganham o salário mínimo, invertendo uma tendência que marcou quase todo o período do governo Lula e o início da gestão Dilma.

Nos 12 meses encerrados em março, o valor da cesta básica nas principais capitais teve a maior alta dos últimos dez anos. Em São Paulo, subiu 23,1%, segundo o Dieese. No Rio, aumentou 22,7%; em Brasília, 22,5%, e em Salvador, 32,6%. Já o salário mínimo avançou apenas 9% no período.

Até então, o que vinha ocorrendo era o inverso: o salário mínimo ganhava poder de compra em cima da cesta básica ano após ano, com exceção de uma pequena perda em 2010, mais do que compensada em 2011 e 2012.

O gráfico abaixo deixa isso claro. Mostra qual a parcela do salário mínimo, em termos porcentuais, que fica comprometida com os produtos da cesta básica. Em março de 2003, por exemplo, essas mercadorias consumiam 91% do mínimo em São Paulo. A proporção foi caindo sistematicamente até chegar a 48% no ano passado.



Nos últimos 12 meses, no entanto, houve uma alta significativa, e a proporção subiu para 54%. Em outras palavras, ao contrário do que ocorria no ano passado, hoje o salário mínimo deixou de ser suficiente para comprar duas cestas básicas.

No ano que vem, o aumento do mínimo deve ser menor, porque seu cálculo que leva em conta o PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos antes. Em 2014, o reajuste vai se basear no crescimento econômico de apenas 0,9% registrado em 2012.


Veja piadas com o preço do tomate

 
A alta de até 150% no preço do tomate repercutiu nas redes sociais e tem gerado muita polêmica entre
 
14 de abril de 2013
Sílvio Guedes Crespo - UOL

MÁFIA DE EX-SERVIDORES DO GOVERNO DO PT, LIGADOS À ERENICE GUERRA, DOMINA "MINHA CASA, MINHA VIDA". 80.000 CASAS SOB SUSPEITA.


Um esquema de empresas de fachada, parte delas registrada no mesmo endereço e controlada por um grupo de ex-funcionários do Ministério das Cidades, abocanha cada vez mais contratos para construção de casas populares destinadas às faixas mais pobres da população.
No centro da história está a RCA Assessoria em Controle de Obras e Serviços, empresa com sede em São Paulo e três sócios: Daniel Vital Nolasco, ex-diretor de Produção Habitacional do Ministério das Cidades até 2008 e filiado ao PCdoB; o ex-garçom do ministério José Iran Alves dos Santos; e Carlos Roberto de Luna.
A RCA funciona numa sede modesta, mas apresenta números invejáveis para quem está no setor há tão pouco tempo. Alardeia atuar em 24 estados e mil municípios, e garante que entregou 80 mil casas. Hoje, estaria à frente da construção de 24 mil unidades. O faturamento milionário da RCA virou alvo de disputa judicial, que expõe supostas conexões da empresa com o PCdoB. Até a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra tem o nome citado.
A RCA dá consultoria a prefeituras e beneficiários, e atua como correspondente bancário de sete pequenas instituições financeiras autorizadas a repassar verbas federais nos programas de casas populares para cidades com menos de 50 mil habitantes.
Atuou no Programa Social de Habitação (PSH) e agora opera no seu sucessor, o Minha Casa. Até aí, tudo dentro da normalidade. Mas a RCA faz mais: consegue ao mesmo tempo ser representante do agente financeiro, tocar construções e também medi-las e fiscalizá-las. Para isso, usa uma rede de empresas que os sócios e os funcionários registraram em seus nomes e cujos endereços ou são na sede da RCA, em São Paulo, ou na casa de parentes.
O site da empresa dava o exemplo de como a RCA frauda o processo de seleção de construtoras que vão executar obras financiadas com recursos federais e encomendadas por prefeituras. Para contratar uma construtora responsável pela execução de obras no Espírito Santo, lançou um edital de convocação em dezembro de 2012. O site convocou os interessados e dias depois divulgou os vencedores. 
Duas foram selecionadas. Uma delas é a JB Lar. Tudo como manda o figurino. Não fosse um detalhe: o endereço da JB Lar é o mesmo da RCA, a Avenida Brigadeiro Luiz Antônio 4.553. A JB Lar foi habilitada para construção de 95 casas no Espírito Santo. Na sexta-feira, após ser procurada pelo GLOBO, a RCA tirou do ar o link “Editais” do seu site.
Disputa pelo faturamento da empresa
 
O esquema de empresas de fachada está narrado numa ação na Justiça de São Paulo. Nela, Fernando Lopes Borges — outro ex-servidor do Ministério das Cidades, que seguiu na Secretaria Nacional de Programas Urbanos até ser exonerado por abandono do cargo em 2010 — apresenta-se como sócio oculto da RCA. Ele era representado no negócio pelo irmão Ivo, já falecido. E a disputa pelo faturamento da empresa começou justamente após a morte de Ivo.
Num acordo prejudicial, Fernando chegou a receber pouco mais de R$ 1 milhão da RCA. Mas quer mais e briga na Justiça. Na ação, afirma, sem apresentar provas, que o desvio de recursos do Minha Casa Minha Vida teria começado com Erenice Guerra. Ela teria articulado a entrada de bancos privados na operação do programa em pequenos municípios. Segundo o denunciante, teria direito a R$ 200 por casa construída. Fernando sustenta na ação que o negócio chegaria a render R$ 12 milhões.
Ele diz que o PCdoB desde 2005 receberia dinheiro desviado para a construção de casas populares do Programa de Subsídio Habitacional (PSH), que foi absorvido pelo Minha Casa Minha Vida.
Procurado, Fernando sustentou que a RCA está envolvida em irregularidades nos programas federais do Ministério da Cidades, mas não quis confirmar as denúncias contra Erenice e o PCdoB. No processo, Fernando mostra uma troca de e-mails entre Carlos Luna, da RCA, e o escritório Trajano & Silva, que foi fundado por Erenice. Eles tratam da retirada do sócio Ivo e do valor que deveria ser pago a Fernando.
O esquema incluiria a construtora Souza e Lima Engenharia, que pertence ao ex-engenheiro e ao ex-gerente-geral da própria RCA.
Essa empresa fez casas no Maranhão para o Minha Casa Minha Vida em contratos geridos pela RCA. Outra empresa de pessoas próximas prestou o mesmo serviço. A Martins MA Engenharia — que hoje pertence ao cunhado de Daniel Vital Nolasco — também construiu casa para a RCA.
Na ação, Fernando reclama a sociedade nas empresas de assessoria cadastral Artifício, Setorial, Sigma e Marketplan. Todas seriam do grupo RCA. As três primeiras têm Nolasco como sócio. José Iran é um dos donos da última. O grupo tem participação em outras empresas. Carlos Luna e José Iran são donos da Superdata. Luna é um dos sócios da LL Engenharia. Fernando relata no processo que há contratos com a DJC/Naza Engenharia, que seria responsável pela construção de oito mil casas.
Essa empresa seria de Divaildo, irmão de Celma Casado Silva. Ela foi exonerada em fevereiro deste ano da Secretaria de Habitação do Ministério das Cidades. Segundo o órgão, ela foi exonerada a pedido. ( O GLOBO)
 
14 de abril de 2013
in coroneLeaks

BRASIL, TERRA SEM LEI

Já há mortes dos dois lados. Índios massacram brancos. Brancos matam índios. Por todo o Brasil, a FUNAI, o CIMI da Igreja Católica e ONGs internacionais fomentam uma verdadeira guerra civil.
 
Aliados ao Ministério Público Federal, cujo papel de "fiscal das leis" se transformou em contestar decisões judiciais e relativizar o direito de propriedade.
 
Ontem, indios guaranis kaiowas executaram um produtor rural em Douradina, Mato Grosso do Sul.
Veja post de ontem, abaixo.
 
Hoje, o jornal O Globo traz uma notícia de que, com o apoio do Ministério Público, índios prometem entrar em guerra e descumprir uma decisão judicial.
A Constituição Federal está sendo rasgada em todo o país, porque Dilma Rousseff não nomeia um ministro do STF que irá julgar os embargos interpostos por quem no caso Raposa Serra do Sol?
Pelo Ministério Público!
 
O STF definiu, neste caso, exatamente o que é terra indígena e qual o rito demarcatório. É só cumprir.
 
Dilma, Maria do Rosário, José Eduardo Cardozo, a FUNAI e o Ministério Público não querem cumprir. É o Brasil, terra sem lei. Leia abaixo a absurda matéria de O Globo.
 

Índios reunidos na tribo em Caarapó
Foto: Michel Filho
Índios reunidos na tribo em Caarapó
 
DOURADOS (MS) — A bandeira vermelha foi hasteada nesta sexta-feira no acampamento guarani-caiová de Pindoroky, em Caarapó, Mato Grosso do Sul. Foi o sinal dado pelos mil indígenas instalados dentro da fazenda de Orlandino Gonçalves Carneiro, de que vão resistir à ordem judicial de reintegração de posse.
 
A Justiça deu a eles dez dias para desocupar a fazenda e permitir a exumação do cadáver do menino Denilson Barbosa, de 15 anos, assassinado a tiros em fevereiro pelo fazendeiro. Isso revoltou os índios, que estão dispostos a morrer pela posse da fazenda, considerada por eles e pela Fundação Nacional do Índio (Funai) como parte da terra indígena.
A reintegração de posse foi concedida anteontem pela juíza Raquel Domingues do Amaral Corniglion, da 1ª Vara Federal de Dourados. A notificação chegou à aldeia ontem, o que faz com que eles tenham de deixar a área até dia 19 de abril, o Dia do Índio.
Logo que souberam da ordem de despejo, os índios iniciaram a convocação dos guarani-caiovás de todo o sul do estado, como os vizinhos da reserva Teikuê, habitada por 5.600 índios. Nesta sexta-feira, já estavam no local 2 mil índios.
Os líderes indígenas prometem reunir 5 mil homens até a semana que vem, para impedir o despejo. Em toda a região, com 26 municípios, moram 45 mil guarani-caiovás. Dezenas de líderes se reuniram nesta sexta-feira em frente à oca principal e, uma a uma, começaram a fazer relatos desesperados da situação em que vivem desde o dia 18 de fevereiro, dia em que o fazendeiro Orlandino Carneiro atirou duas vezes na cabeça de Denilson Barbosa. Foi depois desse crime que eles resolveram ocupar a propriedade e lá enterrar o corpo do garoto indígena.
Ernesto Veron, líder guarani-caiová, de cara pintada para a guerra, disse:
— Vamos reunir todos os nossos irmãos aqui para lutar contra a decisão da juíza. Ela não tem coração. Aqui moram crianças, velhos e mulheres grávidas. Vamos morrer aqui. Daqui não sairemos vivos. Aproveito para dar um recado para a juíza e para a presidente Dilma: a aldeia do Tekuê tem 5 mil índios e todos estão dispostos a resistir. Nosso sangue já foi derramado aqui — disse, apontando para a cova onde está sepultado Denilson.
Os índios gritavam enlouquecidamente a cada palavra de Veron, que teve o pai, Marcos Veron, assassinado em 2003 por pistoleiros do fazendeiro Jacinto Honório, em Juti, a 40 quilômetros de Caarapó.
— Isso não é justiça. O assassino do Denilson está em liberdade. Ele matou o menino como se fosse um cão.
Pegou o corpo, colocou numa camionete e o jogou na estrada. Depois, confessou o crime. Ao invés da Justiça jogar o fazendeiro atrás das grades, vem esta ordem judicial. Mas não vamos sair. Vamos enfrentar polícia, jagunços do fazendeiro, quem vier. Vamos resistir até a morte — bradou Ernesto.
Depois, falaram os avós, tios e até os três professores de Denilson. Todos repetiam que vão resistir até a morte e que jamais permitirão a exumação do corpo do garoto.
Muitos choraram enquanto falavam, em guarani, como foi o caso de dona Lúcia Barbosa, a avó:
— Não vou sair de perto do meu neto. O tio, Odivaldo Barbosa, ameaçou “invadir a cidade de Caarapó” se a reintegração acontecer:
Não vamos correr. Pode vir batalhão de choque. Se a presidente Dilma não se sensibilizar e não fizer a demarcação das terras indígenas, é melhor que mande abrir grandes valas para nos enterrar aqui.
Valdelice Veron, líder guarani-caiová, era a mais emotiva e contundente: — Orlandino é réu confesso, mas seus pistoleiros estão com sede do nosso sangue.
Vão nos atacar junto com a polícia no dia do despejo, mas vamos morrer aqui lutando pela terra que a Constituição nos garante. Nunca aceitamos ficar no chiqueiro das oito reservas em que nos confinaram aqui no Mato Grosso do Sul. Vamos lutar por nossa terra até o último suspiro. Os índios reivindicam uma área de seis mil hectares, incluindo a fazenda de Orlandino como terra indígena.
O procurador da República Marco Antonio Delfino, do Ministério Público Federal de Dourados, não acredita que a decisão da juíza será cumprida no próximo dia 19, como temem os índios. Segunda-feira, ele vai entrar com um embargo contra a decisão da Juíza Raquel Corniglion. Vai alertá-la de que a reintegração pode gerar um conflito de grandes proporções.
— A juíza não levou em consideração que 5 mil índios podem se rebelar. No embargo, vamos lembrar as dificuldades de se retirar tanta gente. Como convencer um índio que ele tem que tirar da terra o corpo de um filho? — disse Delfino.
Vamos levar pelo menos dois ou três meses com recursos, tempo suficiente para negociar uma saída para o impasse.
A Funai e o MPF estão fazendo estudos antropológicos para considerar o local como terra indígena.
A advogada Sueli Lima, que representa o fazendeiro Orlandino Carneiro, no entanto, diz que se os índios não deixarem as terras de seu cliente em dez dias, vai requerer força policial para o cumprimento da ordem judicial: — O Orlandino reconheceu seu erro. Foi à polícia e disse que atirou para assustar. Confessou que atirou, mas não é invadindo suas terras que vão penalizar meu cliente.
 
14 de abril de 2013
in coroneLeaks

EX-PRESIDENTE LULA VIRA INVESTIGADO PELA PF NO CRIME DO MENSALÃO

 

Na minha opinião, as investigações da polícia Federal em cima do EX presidente Defuntus Trampolineirus, não passam de um jogo de cartas marcadas.

Todo Brasuca que tenha dois neurônios em bom estado sabe que a PF é subordinada ao Ministro da Justiça.

E todo Brasuca que tenha UM neurônio intacto sabe que o Sinistro da Justiça, Eduasno Cardozo, é baba ovo, puxa saco, bate pau e"amigo de infância" do EX presidente Sebentus.

Quem em sã consciência pode acreditar que as investigações sejam levadas à sério? E por um aborto da natureza, se forem sérias, as investigações irão dar em porra nenhuma.
É tudo muito óbvio, eles estão jogando esta conversa de investigar o Sebento para a população para mostrar uma trânsparência que não existe nestes DESgovernos.
E acima de tudo, o EX presidente aceitou ser "investigado" sem fazer muita presepada porque sabe que tudo será de faz de conta e sua absolvição e sua inocência são liquidas e certas.
Não dá para falar em investigação séria quando o chefe encarregado da polícia que vai atrás do bandidão, é amigão do meliante.
No mínimo conflitos de interesse, sem contar a safadeza habitual e trampolinagem corrupta que faz parte do DNA de TODO PTralha.
Este governo não tem autoridade moral para investigar o Sebentão. E a PF já é a Guarda Pretoriana da presidência da república.
Uma investigação séria com resultados eficientes será feita um dia, quando as Ratazanas Vermelhas deixarem o poder, por enquanto TUDO o que fizerem a respeito do mensalão, inclusive essa investigação de araque pra cima do Sebento, não passa de jogada para livrar a cara do EX presidente oficialmente.
E em uma próxima eleição, os seus opositores não terão munição para bombardea-lo pelo crime no qual seus amigos investigaram e o inocentaram.
Esta investigação, nada mais é do que uma manobra safada para dar credibilidade e "ficha limpa" para o bebê de Rosemary.Mutreta das brabas, isso sim!!!
 
14 de abril de 2013
omascate

SE GRITAR PELA LADRÃO...


 
Duvido muito que dê em alguma coisa.
Ainda mais quando membros da quadrilha são responsáveis pelas investigações.
Mas, mesmo assim, mantenho as esperanças em ver esta pocilga, um dia, se tornar uma nação de verdade.
Para que isso aconteça temos que ajudar a acabar com a praga vermelha que veio ao poder apenas para roubar o povo burro e festeiro de Banânia Brasilis.
 
14 de abril de 2013
omascate