A histeria bichesca dos ativistas
homossexuais vai acabar transformando um vigarista em vítima, no caso o pastor e
deputado Marco Feliciano, que está com todas as chances de reeleger-se, graças
aos GLBTs da vida. Está rolando nas ditas redes sociais um boato de que o pastor
quer a liberação (?) para tratar menstruação como se fosse doença. Atribui-se a
ele a frase: “O livro de Levítico é bem claro quanto à enfermidade: a mulher
deveria ficar separada por causa da sua imundície por sete dias”.
O
pastor ainda teria dito que absorventes não são cura, são paliativos, o melhor é
realmente deixar as mulheres isoladas e usá-las apenas na época da procriação. O
movimento feminista imediatamente reagiu e ameaçou borrifar água no cabelo com
chapinha do pastor. Desafetos do pastor alegaram nas redes sociais que não se
pode transportar para nossos dias prescrições milenares.
Além de bichas,
analfabetas. Se os boateiros querem atribuir a alguém a idéia de menstruação
como doença, não é preciso buscar bodes expiatórios. Quem assim pensa são os
judeus. Não os judeus de mais de 3.000 atrás, quando foi escrito o Levítico, mas
os judeus de hoje, 2013, que deambulam entre nós.
O Levítico considera,
de fato, a menstruação uma doença. Levantei o problema em 2006. Vivo em um
bairro judeu, infestado de ortodoxos, e aos poucos fui descobrindo os hábitos da
comunidade. Judeu não dá a mão para mulher. Não havia percebido isto, pois não
notamos quando alguém não dá a mão a alguém. Só notamos quando estão de mãos
dadas. Foi uma amiga sabra que me visitava quem me chamou a atenção para o
fato.
Em 2005, quando ainda prefeita, Marta Suplicy pagou uma gafe
monumental. Num encontro com rabinos, como todo político, foi logo estendendo a
mão. Que restou inútil, balançando no ar. Henry Sobel (remember gravatas), mais
diplomático, ousou responder ao gesto da pustulenta. Ainda há pouco, republiquei
foto de um rabino em um avião, enrolado em plástico, para evitar o contato com
as enfermas. A foto rolou pela rede.
Os judeus não gostam de ser acusados
de tanto obsoletismo. Internautas foram rápidos em apontar que a explicação pode
não ser totalmente correta. "Isso não tem nada a ver com as mulheres," –
escreveu um usuário. "Ele é um Cohen," descendente dos sacerdotes sagrados do
templo e não estão autorizados a entrar ou voar sobre um cemitério, que os torna
impuros”.
O cemitério, no caso, estaria situado em Holon, área
metropolitana de Tel-Aviv. Em 2001, a El Al Airlines decidiu não permitir que
judeus ultra-ortodoxos se revistam hermeticamente em sacos de plástico quando
voando sobre o cemitério de Holon, a fim de evitar a impureza ritual. Segundo a
empresa, considerações de segurança de vôo não permitem passageiros a bordo
cobertos por sacos plásticos fechados.
Pode ser. Mas a restrição ao
contato com as pestilentas está lá atrás, no Levítico, 15:19-24: “E mulher,
quando tiver fluxo, e o fluxo da sua carne for de cor sangüínea, sete dias
ficará separada na sua impureza; e todo aquele que tocar nela será impuro até a
tarde. E tudo sobre o que se deitar na sua impureza será impuro, e tudo sobre o
que ela se sentar será impuro. E todo que tocar no seu leito, lavará suas
vestes, se banhará em água e será impuro até a tarde. E quem tocar sobre o leito
ou sobre o objeto em que ela está sentada, tocando neles, será impuro até a
tarde. E se um homem deitar com ela, a sua impureza passará sobre ele, e ficará
impuro sete dias; e toda cama em que ele se deitar, se fará impura”.
À
concepção judaica da mulher, fez eco o poeta italiano Gabriele d’Annunzio: “Essa
chaga sempre aberta, que cheira e fede sem cessar”.
Voltando ao Levítico:
“Fala aos filhos de Israel, dizendo: Se uma mulher conceber e tiver um menino,
será imunda sete dias; assim como nos dias da impureza da sua enfermidade, será
imunda. (...) Mas, se tiver uma menina, então será imunda duas semanas, como na
sua impureza”.
No artigo de 2006, considerei os judeu obsoletos e fui
acusado de anti-semitismo. Ora, não me parece que considerar obsoletas
determinadas práticas possa constituir anti-semitismo. Através de um porta-voz,
tive a suprema honra de ser respondido pelos rabinos do Colel Iavne, de
Higienópolis:
"Atacar os judeus se utilizando da sua religião, costumes,
vestimentas e retirando do contexto afirmações bíblicas não é novidade. O
recurso foi usado infinitas vezes por anti-semitas ao longo da história da
jornada judaica neste planeta. Janer Cristaldo, ao repetir o ato em seu artigo
publicado no Mídia Sem Máscara, e intitulado, "Sobre Maimônides" sequer foi
original. De todo modo, merece uma resposta, o que fazemos a seguir. Este artigo
foi escrito com a colaboração inestimável das seguintes pessoas: Rav. Avraham
Zajac, André Cardon, Sérgio Kalmus, Marcella Becker e sob consulta e
aconselhamento de rabinos do Colel Iavne".
A bem da verdade, eu não
atacava os judeus. Apenas falava de seus hábitos e transcrevia alguns preceitos
de Maimônides, de seu livro Os 613 Mandamentos. (Ou você pensava que eram
apenas dez?). Preceitos que aliás nem são do bom rabino, mas da Torá.
Continuavam meus interlocutores: “Um homem, mesmo tendo 100% de certeza
de que uma mulher não está menstruada e ainda que seja sua esposa; mesmo assim,
pelas leis mais estritas judaicas, não pode cumprimentá-la em público. E porque?
(sic!) Por questão de recato. Para preservar carinhos e troca de afagos para os
momentos íntimos e particulares com a sua amada”.
De minha parte, não
vejo nenhuma falta ao recato em dar a mão a uma mulher. Assim fosse, todos os
cristãos deste país seriam despudorados irremediáveis. Mas não é disso que se
trata. Em minha Torá, o rabino Meir Matzliah Melamed especifica com rabínicas
minúcias as substâncias tóxicas que portam estes seres imundos:
“Os
cientistas maravilham-se diante do fato de que os antigos hebreus praticavam o
mais alto padrão de higiene sexual reconhecido nos tempos atuais. Tem sido
demonstrada também a existência de uma substância tóxica no sangue, na salivas,
na transpiração, na urina e em todas as outras exsudações da mulher durante o
período da menstruação”.
Para denunciar a estupidez não é preciso criar
fatos. Ela sempre está a nosso lado. Soberana, eterna e onipresente.
09 de maio de 2013
janer cristaldo