"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 29 de novembro de 2011

OPERADOR DO MENSALÃO, VALÉRIO AINDA ESTÁ NA ATIVA


Primeiro depoimento na 9 vara criminal da JUstiça Federal de Marcos Valério, acusado de sonegação fiscal

BELO HORIZONTE - O escândalo do mensalão e as dezenas de processos em que figura como réu na Justiça não foram suficientes para tirar de cena Marcos Valério Fernandes de Souza, o lobista acusado de operar o maior esquema de ocultação e desvio de recursos por políticos brasileiros. Às vésperas da definição da data do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Valério está mais atuante do que nunca e despacha em escritório localizado no sexto andar do número 925 da Rua Sergipe, em Belo Horizonte. É a sede da T&M Consultoria Ltda, antiga Tolentino & Melo Assessoria Empresarial, que teve oficialmente Valério como sócio até 2005, ano em que o escândalo da base petista veio à tona.

No papel, Valério deixou a sociedade com Rogério Tolentino e José Roberto de Melo, mas, na prática, ele continua atuante na empresa de consultoria e ainda a cita, em ações na Justiça, como seu endereço comercial. Contratar a empresa virou sinônimo de sucesso profissional em negócios com o poder público. Caso da então modesta ID2 Tecnologia e Consultoria, empresa de Brasília fundada em 2004, que desenvolve softwares e que pagou pouco mais de R$ 200 mil pelos serviços da T&M em 2007.

O contato com a consultoria ligada a Valério foi a senha para a empresa abocanhar serviços milionários do governo federal. Pouco mais de um ano depois, foi contratada pelo Ministério do Turismo por R$ 14,9 milhões para fornecer software de apoio à administração. Em 2010, novos contratos com os ministérios do Esporte, Minas e Energia, Saúde e Valec somaram R$ 37,1 milhões.

Serviços para construtora falida

O valor total dos cinco contratos ultrapassa R$ 52 milhões. Quatro deles têm objeto idêntico, com previsão de "aquisição de tecnologia com painéis e gerenciadores gráficos, softwares e serviços vinculados". Antes disso, o único contrato com o poder público da ID2 Tecnologia era com o STF, de quem recebia R$ 19,8 mil mensais para dar suporte técnico ao software usado como ferramenta de gestão na área de serviços gerais do órgão.

A construtora baiana Concic também contratou os serviços da T&M em 2007. Apesar de falida desde o início dos anos 90, pagou R$ 850 mil à empresa ligada ao lobista, de acordo com informações contábeis da consultoria. A Concic deve R$ 495 milhões (R$ 5 bilhões, em valores atualizados) ao Banco Econômico, o que a torna maior devedora da instituição, sob intervenção do Banco Central desde 1995.

O pagamento à empresa de consultoria ligada a Tolentino e Valério ocorreu por intermédio da filial da construtora em Belo Horizonte. Nessa época, a Concic brigava no Tribunal de Justiça da Bahia para fazer valer uma atípica decisão proferida anos antes pelo juiz da Quarta Vara Cível e Comercial de Salvador (BA), José Bispo Santana, que a transformava de devedora a credora do Econômico, por cobrança de juros supostamente abusivos em contratos de empréstimo. Em julgamento que começou naquele ano, o Econômico conseguiu reverter a decisão, por 15 votos a 1. A falta de unanimidade retardou ainda mais o processo e permitiu novos recursos no âmbito estadual. Hoje, o assunto está em discussão no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Julgamento do mensalão será 'maior espetáculo midiático', diz Delúbio

Esses são os cafajestes com a antiga máquina registradora no cérebro, porque a digital moderna não se adequaria aos "dedaços antigos e pesados". O moderno e seguro para alguns deles, é guardar o dinheiro debaixo do colchão....
Está se tornando habitual, ladrões do dinheiro público, saírem a campo dando palpites, como se fossem o SUPREMO Tribunal da defesa deles próprios, e de todos os crimes praticados pela maior Corja de ladrões do planeta.
Essa é a espécie que ocupa o topo da pirâmide da política brasileira, com raras exceções de homens dignos e honrados. Movcc

Folha Poder

O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares afirmou que o julgamento do processo do mensalão será "o maior espetáculo midiático do Brasil". Em evento em Goiânia durante a semana, ele apresentou os argumentos de sua defesa no STF (Supremo Tribunal Federal).

Delúbio é apontado pelo Ministério Público como o operador do esquema. Se for condenado, pode pegar até 111 anos de prisão pelos supostos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

"Houve um problema de deficit de campanha. As pessoas do PT e dos partidos aliados recorreram aos partidos e coube ao tesoureiro do PT na época --pessoa jurídica de tesoureiro do PT, que era eu--, e resolvemos pegar dinheiro emprestado com os bancos e demos o dinheiro para as pessoas pagarem as dívidas. Se as pessoas não contabilizaram o dinheiro na Justiça Eleitoral, o problema é de quem pegou e de quem prestou serviço a eles. O dinheiro tem origem, por isso que nós saímos do termo caixa dois para os recursos não contabilizados. Foi isso que aconteceu", disse.

O ex-tesoureiro ainda alegou inocência e afirmou não ter comprado deputado. "Não comprei parlamentar para votar com o governo. Tenho a consciência limpa, tranquila. Ando para todo lado, não tenho medo de ofensa. Mas me preservo. Quero e acredito na Justiça."



Thiago Herdy, O Globo

ÁLVARO DIAS APONTA IRREGULARIDADES NO MINISTÉRIO DO TRABALHO

Da Redação / Agência Senado

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) apresentou ao Plenário nesta segunda-feira (28) um Termo de Compromisso de Doação assinado no dia 6 de agosto de 2007, que ele classificou como "prática ilícita documentada".
Nesse documento, o presidente de um sindicato do município de São Vicente (SP), João Carlos Cortez, assume o compromisso - com certidão expedida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, publicada no Diário Oficial da União - de doar à Força Sindical 10% do Imposto Sindical referente ao ano de 2010.


O valor, conforme o documento apresentado pelo senador, "será diretamente repassado até o mês de agosto do mesmo ano (2007), a título de doação".

Alvaro Dias apresentou um segundo documento com o mesmo teor, mas com o percentual da doação alterado para 30%, no exercício referente a 2008. Num terceiro documento, a doação ficou estabelecida em 20% para o exercício de 2009.

- Isso é um acinte, é uma afronta, é a documentação da corrupção - exclamou o senador.

Alvaro Dias afirmou que, com esse tipo de expediente, o Ministério do Trabalho "se transformou numa fábrica de sindicatos".

- Foram 1.457 cartas sindicais registradas em três anos e com mais de duas mil em curso, tramitando para o seu registro definitivo. O que não se entende é como o ministro continua ministro. O que não se compreende é como a presidente Dilma não toma nenhuma providência - disse.

O senador também registrou o encerramento, na última quinta-feira (24) em Curitiba, da 21ª Conferência Nacional dos Advogados, promovida pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Ele solicitou a transcrição nos Anais do Senado da palestra proferida pelo advogado constitucionalista Luís Roberto Barroso, que apresentou um decálogo de propostas para o Brasil nos próximos dez anos.

- Tive a honra de participar da abertura do referido encontro e destacar que o evento rememorou a 7ª conferência da OAB realizada nos idos de 1978, que representou uma das mais genuínas manifestações em prol da restauração da democracia - assinalou.

Da Redação / Agência Senado

EM GOVERNO DE TORPES, O PAÍS É DE MENTIRA


"O ministro fica porque ele quer ficar, e porque a presidente quer que ele fique". (Deputado Miro Teixeira, PDT-RJ)

Quanto mais mentem à vontade e sem constrangimento os cínicos que nos governam ou representam, pior é a qualidade de suas mentiras. De fato, a perda de qualidade tem tudo a ver com o grau de nossa indignação diante do que Dilma chama de malfeitos.

Se nos indignamos pouco ou quase nada, para que sofisticar as mentiras e torná-las verossímeis?

A mais recente e reles mentira oferecida ao nosso exame foi publicada na última edição da "Veja". O mecânico Irmar Silva Batista, filiado ao PT há 20 anos, tentou criar o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Reparação de Veículos e Acessórios no estado de São Paulo.

Em 2008, ele bateu à porta do Ministério do Trabalho para tratar do assunto com o então secretário de Relações do Trabalho, o ex-deputado Luiz Antonio de Medeiros. O ministro já era Carlos Lupi, presidente do PDT.
Medeiros encaminhou Irmar a Eudes Carneiro, assessor de Lupi.

Eudes trancou-se com Irmar em uma sala. Primeiro, pediu-lhe que desligasse o telefone celular. Em seguida, cobrou R$ 1 milhão para liberar o registro do sindicato. Irmar denunciou o caso a parlamentares do PT — entre eles, o senador Eduardo Suplicy.

Sem sucesso.
Então escreveu uma carta a Lula. Sem resposta. Um mês depois da posse de Dilma, Irmar enviou-lhe uma carta por e-mail contando em detalhes tudo o que se passara. Mandou cópia para Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência.

No dia 9 de março último, o Palácio do Planalto confirmou o recebimento da carta. Na semana passada, a assessoria de imprensa da Presidência informou que nenhuma providência a respeito pode ser tomada porque o trecho da carta que narrava a patifaria acabara cortado da mensagem.

Não é espantoso? Sumiu da carta justamente o trecho onde Irmar denunciava o grupo que agia no Ministério do Trabalho pedindo dinheiro para liberar registro sindical. Mas sumiu como?

Não se sabe.
Assim como ainda não se sabe se a carta para Gilberto apresentou a mesma falha.


Vai ver que o trecho mais explosivo dela chegou truncado aos seus destinatários. Vai ver que quem digitou o e-mail pulou o trecho.
Custava a quem o recebeu alertar seu autor que ficara faltando um trecho?
Assim a carta poderia ter sido reenviada.

Bons tempos aqueles em que um dossiê da Casa Civil sobre despesas sigilosas do governo Fernando Henrique foi batizado por Dilma de banco de dados.
Fazia até algum sentido — embora fosse mentira.

E o mensalão que Lula se empenhou para que fosse confundido com caixa dois?

Mensalão é crime.
Caixa dois também é.
Caixa dois soa como um crime leve, quase inocente.


O que alimentou o mensalão foi dinheiro desviado de órgãos públicos.
Se preferir, "recursos não contabilizados", como observou com deslavada hipocrisia o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.


Montagem de falso papelório político para uso contra adversários é coisa de bandido nos lugares onde as palavras correspondem ao seu verdadeiro significado. Aqui foi coisa de "aloprado" — um sujeito que age por conta própria para ajudar a se reeleger quem repele ajuda desse tipo.

Sobreviveu ao governo anterior e atravessará o atual uma das mais perigosas mentiras jamais produzida. Atende pelo nome de "controle social da mídia". Seria mais adequado referir-se a ela como "censura".

Diz-se que o controle se fará sem interferir no conteúdo. Quem acredita?

A mãe de todas as mentiras é também a mais perversa. Ela atribui a bandalheira à governabilidade. Como para governar é preciso contar com maioria de votos no Congresso ou nas assembleias, os partidos abiscoitam cargos e fazem com eles o que bem entendem. De preferência, roubam.

A bandalheira não decorre da necessidade de contar com o apoio de partidos. Decorre da falta de princípios e de coragem do governante para valer-se da força do mandato obtido mediante o voto popular.

Afinal, para que servem os milhões de votos que elegem um presidente ou governador?

Um país de mentira
Ricardo Noblat O Globo

"RELAXEM E GOZEM!" ANP: AGÊNCIA GASTOU ESTE ANO R$ 5,03 MILHÕES NA ATIVIDADE. PETROBRAS DESEMBOLSOU R$ 5,5 MILHÕES PARA SERVIR CAFEZINHO

Restando apenas um mês para acabar o ano, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) desembolsou até agora apenas 63% do previsto no orçamento de 2011 para fiscalizar as atividades de exploração e produção de petróleo no Brasil.

Foram R$5,03 milhões gastos, de um orçamento de R$8 milhões.
Os dados estão disponíveis nas páginas do Portal da Transparência, da Presidência da República, e no Siga Brasil, site do Senado Federal.


Para efeito de comparação, esse valor é inferior ao desembolsado pela Petrobras para abastecer suas máquinas de café em todas as suas unidades do país.

Somente dois contratos assinados pela estatal com essa finalidade em 2009, com validade de dois anos, somaram, segundo informa a empresa em seu site, R$11 milhões.

Ou seja, para financiar o cafezinho, a empresa gasta por ano algo como R$5,5 milhões.

Zylbersztajn: muita plataforma e pouco dinheiro

Para especialistas, os gastos da ANP com fiscalização são insuficientes. Ainda mais se for levado em conta que, do orçamento total da agência, de R$484 milhões, somente 3% são destinados à fiscalização das atividades de exploração e produção de petróleo.

Se for levado em conta o número de blocos de petróleo - 337 blocos em fase de exploração no país e 229 concessões em produção, entre terrestres e marítimos - o valor é de irrisórios R$9 mil para fiscalizar cada um destes 566 poços.

Entre eles está o Campo do Frade, operado pela Chevron, que completou, na sexta-feira, 25 dias de vazamento.

O ex-presidente da ANP David Zylbersztajn aponta dois problemas no orçamento da agência. Primeiro, o valor previsto para a fiscalização das atividades de petróleo no país é extremamente baixo. Segundo, o fato de a ANP não usar totalmente o pouco que tem para isso.

- Se considerarmos que existem cerca de 50 plataformas em alto-mar e o custo que existe de tecnologia e logísticas para acompanhar essas plataformas, é muito pouco. O problema é que ninguém se preocupou muito em acompanhar de perto isso, até que aconteceu o acidente - avalia Zylbersztajn.

Do orçamento total da ANP para este ano, R$484,3 milhões foram autorizados pela União para gasto (esse valor exclui o que foi contingenciado). Apenas R$243,8 milhões, de fato, foram efetivamente gastos.

Além dos recursos para a fiscalização, a ANP tem mais R$14,9 milhões no orçamento para despesas com "gestão das concessões" de produção e exploração de petróleo.

O valor gasto até o fim de novembro era de R$8,9 milhões, ou seja, 60% do total. O único gasto totalmente executado do orçamento do ano foi o de publicidade: R$3,5 milhões.

Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), lembra que a ANP não decide o tamanho do próprio orçamento.

O problema seria também de ausência de uma política pública para o setor de petróleo:
- O acidente da Chevron mostrou que a ANP não sabe lidar com acidentes em alto-mar. É preciso capacitar o órgão, o que significa melhorar o orçamento e os gastos com fiscalização.

Fora a ANP, o Ministério do Meio Ambiente trabalha com uma previsão de gastos com "prevenção e combate a danos ambientais causados pela indústria do petróleo". A estimativa para este ano é de R$633 mil. Mesmo depois do acidente da Chevron, nem um único tostão tinha saído dessa rubrica.

Em nota, a ANP garantiu que sua verba "é suficiente para desempenhar sua atribuição de fiscalizar". Para mostrar que isso é verdade, lembrou que "só foram gastos R$5 milhões" do previsto.

Sobre o possível uso do restante até o fim do ano, a agência informou:
"não é possível fazer previsão de gastos", que são realizados "de acordo com as necessidades".

Os gastos da ANP são concentrados na fiscalização de postos de combustíveis e distribuidoras, área que tem uma verba de R$49 milhões.

O Tribunal de Contas da União (TCU) instaurou, na semana passada, uma auditoria na ANP para apurar sua responsabilidade no vazamento.
A previsão é que o trabalho seja concluído entre 60 e 90 dias.


Bruno Villas O Globo

E NO GOVERNO DA "TESTA DE FERRO MAMULENGA": MINISTROS E OBRAS FANTASMAS

Ministérios deveriam existir para bem servir a população que paga os impostos que os sustentam.
Na forma petista de governar, porém, as 38 pastas existentes e seus ocupantes-mor se prestam a tudo menos produzir bem-estar para o público.


Para ficar apenas em dois exemplos, o que justifica a manutenção de gente como Carlos Lupi e Mário Negromonte na equipe ministerial?

Há um mês sob denúncias pesadas de corrupção e irregularidades, o ministro do Trabalho transformou-se num ectoplasma vagando pela Esplanada. Sua pasta está envolta em suspeita de favorecimentos, desvios de verbas públicas e irregularidades - muitas delas geradas pela disputa de facções sindicais pelo polpudo imposto sindical.

Mas Lupi não é apenas um fantasma retórico.
Soube-se pela edição da Folha de S.Paulo de sábado que também foi, por seis anos, funcionário com carteira assinada da Câmara dos Deputados sem nunca dar expediente.


E era muito bem remunerado:
nesse período, ele embolsou R$ 864 mil, em valores de hoje.

O agora ministro esteve lotado na Liderança do PDT na Câmara.
Lá, entre 2000 e 2006, recebia, como assessor técnico, o maior salário pago pela instituição:
R$ 12 mil. Mas desenvolvia apenas atividades partidárias.

Numa parte do tempo, 2004 a 2006, Lupi também acumulou a função de funcionário fantasma com a presidência do PDT.

Os funcionários do partido em Brasília, que pediram para não ser identificados, confirmaram que Lupi não aparecia no gabinete da Câmara e se dedicava exclusivamente a tarefas partidárias", informou o jornal.

Se o que estivesse em jogo fosse a lisura e o compromisso com a coisa pública, Dilma Rousseff já teria razões de sobra para tirar Lupi da sua equipe.
Mas ela prefere alimentar uma guerrinha miúda com a imprensa - a quem acusa de estar tentando emparedar seu governo, que já perdeu cinco ministros por envolvimento em corrupção - a limpar a área.

A presidente também tem motivos de sobra para defenestrar outro integrante do seu time. Mário Negromonte faz tudo no Ministério das Cidades, principalmente mágicas em documentos oficiais.

Só não faz o que se espera de sua pasta, ou seja, melhorar as condições de saneamento, mobilidade urbana, habitação etc do país.

Na semana passada, O Estado de S.Paulo mostrou que uma fraude num documento elevou em R$ 700 milhões os custos de uma obra de mobilidade urbana em Cuiabá. Trocou-se um corredor de ônibus orçado em R$ 489 milhões por um veículo leve sobre trilhos de R$ 1,2 bilhão.

A mudança foi feita contrariando pareceres e a boa norma técnica.

O que aconteceu na obra mato-grossense é apenas uma amostra do que está ocorrendo em geral com os empreendimentos associados à realização da Copa de 2014.

Estádios e intervenções urbanas em outras cinco capitais já ficaram pelo menos R$ 2 bilhões mais caras, mostra hoje o Estadão.

Além de Cuiabá, houve aumento de preço nas obras de mobilidade urbana em outras cinco cidades:
Belo Horizonte,
Manaus,
Porto Alegre,
Recife e Rio de Janeiro.
Os aumentos variam de 20% a 164%.

Elas têm lá também seu componente fantasmagórico:
orça-se o que viu e paga-se (muito mais) pelo que não se vê.

O tamanho do descalabro com o dinheiro público aplicado com vias à Copa pode ser aferido em reportagem que o Valor Econômico publica hoje:
"Arenas da Copa vão demorar até 198 anos para pagar custo".

As arenas esportivas que estão sendo construídas para a Copa do Mundo nas 12 cidades-sede demorarão de 11 a 198 anos para se pagar, levando em conta o nível atual de rentabilidade dos estádios nos locais onde estão sendo erguidas.

Também custarão mais que as estruturas construídas para as últimas duas edições da Copa, na Alemanha e na África do Sul.

As 12 arenas, somadas, estão orçadas em R$ 6,71 bilhões. O gasto é 32% maior do que foi dispendido pela África do Sul na última edição do torneio, e 46% maior do que o gasto pela Alemanha em 2006.

O montante, no entanto, pode aumentar.
Estimativas do próprio governo apontam que os gastos devem chegar a R$ 7 bilhões", informa o jornal.

Irregularidades, como aquelas em que Carlos Lupi está metido, ou excrescências como as que estão sendo descobertas no ministério de Mário Negromonte deveriam ser ceifadas de imediato.

Mas combater o mal não parece ser prioridade para o governo Dilma, que prefere esperar uma "reforma ministerial" que, pelo jeito, só servirá para manter tudo como está.

Ministros e obras fantasmas.
Fonte: Instituto Teotônio Vilela

NEXO DE TORPES. POBRE BRASIL: A FACE (OBSCURA) DO PODER

(Nosferatu da Rep/Dama testa de ferro mamulenga/O filho...do brasil parlapatão)

José Ribamar Ferreira de Araújo Costa é a mais perfeita tradução do oligarca brasileiro. Começou jovem na política, conduzido pelo pai.
Aos 35 anos resolveu mudar de nome.

Tinha acabado de ser eleito governador do seu estado.
Foi rebatizado por desejo próprio.
Alterou tudo: até o sobrenome.

Virou, da noite para o dia, José Sarnei Costa. O Costa logo foi esquecido e o Sarnei, já nos anos 80, ganhou um "y" no lugar do "i". Dava um ar de certa nobreza.

Na história republicana, não há personagem que se aproxime do seu perfil.
Muitos tiveram poder. Pinheiro Machado, na I República, durante uma década, foi considerado o fazedor de presidentes.
Contudo, tinha restrita influência na política do seu estado, o Rio Grande do Sul.

E não teve na administração federal ministros da sua cota pessoal.
Durante o populismo, as grandes lideranças lutavam para deter o Poder Executivo.

Os mais conhecidos (Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Leonel Brizola, entre outros), mesmo quando eleitos para o Congresso Nacional, pouco se interessavam pela rotina legislativa.

Assim como não exigiram ministérios, nem a nomeação de parentes e apaniguados. Mas com José Ribamar Costa, hoje conhecido como José Sarney, tudo foi - e é - muito diferente.
Usou o poder central para apresar o "seu" Maranhão.

E o fez desde os anos 1960.
Apoiou o golpe de 1964, mesmo tendo apoiado até a última hora o presidente deposto. Em 1965, foi eleito governador e, em 1970, escolhido senador.


Durante o regime militar priorizou seus interesses paroquiais.
Nunca se manifestou contra as graves violações aos direitos humanos, assim como sobre a implacável censura.


Foi um senador "do sim". Obediente, servil.
Presidiu o PDS e lutou contra as diretas já.

No dia seguinte à derrota da Emenda Dante de Oliveira - basta consultar os jornais da época - enviou um telegrama de felicitações ao deputado Paulo Maluf - que articulava sua candidatura à sucessão do general Figueiredo - saudando o fracasso do restabelecimento das eleições diretas para presidente.

Meses depois, foi imposto pela Frente Liberal como o candidato a vice-presidente na chapa da Aliança Democrática.

Tancredo Neves recebeu com desagrado a indicação. Lembrava que, em 1983, em fevereiro, quando se despediu do Senado para assumir o governo de Minas Gerais, no pronunciamento que fez naquela Casa, o único senador que o criticou foi justamente Ribamar Costa.

Mas teve de engolir a imposição, pois sem os votos dos dissidentes não teria condições de vencer no Colégio Eleitoral. Em abril de 1985, o destino pregou mais uma das suas peças: Tancredo morreu.

A Presidência caiu no colo de Ribamar Costa.
Foram cinco longos anos.

Conduziu pessimamente a transição.
Teve medo de enfrentar as mazelas do regime militar - também pudera:
era parte daquele passado. Rompeu o acordo de permanecer 4 anos na Presidência.

Coagiu - com a entrega de centenas de concessões de emissoras de rádio e televisão - os constituintes para obter mais um ano de mandato.
Implantou três planos de estabilização:
todos fracassados.

Desorganizou a economia do país.
Entregou o governo com uma inflação mensal (é mensal mesmo, leitor), em março de 1990, de 84%.

Em 1989, a inflação anual foi de 1.782%.

Isso mesmo: 1.782%! A impopularidade do presidente tinha alcançado tal patamar que nenhum dos candidatos na eleição de 1989 - e foram 22 - quis ter o seu apoio.

O esporte nacional era atacar Ribamar Costa.
Temendo eventuais processos, buscou a imunidade parlamentar. Candidatou-se ao Senado.

Mas tinha um problema:
pelo Maranhão dificilmente seria eleito.
Acabou escolhendo um estado recém-criado: o Amapá.


Lá, eram 3 vagas em jogo - no Maranhão, era somente uma. Não tinha qualquer ligação com o novo estado. Era puro oportunismo. Rasgou a lei que determina que o representante estadual no Senado tenha residência no estado.

Todo mundo sabe que ele mora em São Luís e não em Macapá.
E dá para contar nos dedos de uma das mãos suas visitas ao estado que "representa".
O endereço do registro da candidatura é fictício?
É um caso de falsidade ideológica?
Por que será que o TRE do Amapá não abre uma sindicância (um processo ou algo que o valha) sobre o "domicílio eleitoral" do senador?


Espertamente, desde 2002, estabeleceu estreita aliança com Lula.
Nunca teve tanto poder. Passou a mandar mais do que na época que foi presidente. Chegou até a anular a eleição do seu adversário (Jackson Lago) para o governo do Maranhão.


Indicou ministros, pressionou funcionários, fez o que quis. Recentemente, elegeu-se duas vezes para a presidência do Senado.
Suas gestões foram marcadas por acusações de corrupção, filhotismo e empreguismo desenfreado.

Ficaram famosos os atos secretos, repletos de imoralidade administrativa.
O mais fantástico é que em meio século de vida pública não é possível identificar uma realização, uma importante ação, nada, absolutamente nada.

O seu grande "feito" foi ter transformado o Maranhão no estado mais pobre do país. Os indicadores sociais são péssimos.

Os municípios lideram a lista dos piores IDHs do Brasil. Esta é a verdadeira face do poder de Ribamar Costa.
Como em uma ópera-bufa, agora resolveu maquiar a sua imagem. Patrocinou, com dinheiro público, uma pesquisa para saber como anda seu prestígio político.

Não, senador.
Faça outra pesquisa, muito mais barata.
Caminhe sozinho, sem os seus truculentos guarda-costas, por uma rua central do Rio de Janeiro, São Paulo ou Brasília.

E verá como anda sua popularidade. Tem coragem?

A face do poder
Marco Antonio Villa O Globo

CÓDIGO FLORESTAL: DESMONTANDO O CRIME LESA-PÁTRIA QUE O AMBIENTALISMO ESTÁ COMETENDO CONTRA O BRASIL NO EXTERIOR

A ex-ministra Marina Silva está comandando uma campanha criminosa contra a imagem do Brasil no exterior. Como perdeu a batalha democrática no Congresso Nacional, agora tenta, desesperadamente, fazer com que a Presidente Dilma Rousseff vete o novo Código Florestal.

As ONGS internacionais que apóiam Marina Silva lançaram um campanha global denominada: "Dilma, salve a Amazônia", que está sendo espalhada pelas redes sociais no mundo inteiro. É a última das tantas mentiras espalhadas contra o Brasil por Marina Silva e sua turma de ONGS internacionais. Est
ão usando uma premissa mentirosa, mas de alto impacto, dada a desinformação existente lá fora sobre o Brasil. E é simples entender o tamanho desta calúnia.

Hoje, 76% da Amazônia é ocupado por algum tipo de unidade de conservação pública. Ali dentro é proibido plantar um mísero pé de feijão. O novo Código Florestal determina que as propriedades privadas que ocupam os 24% restantes da Amazônia mantenham preservados 80% dessa área na forma de reservas florestais privadas, as chamadas Reservas Legais.

Ou seja: os proprietários de terra na Amazônia devem preservar 80% dos 24% que possuem, o que representa mais 19,2% de florestas protegidas. Sabem quanto dá isso? 95,2% da Amazônia permanecerá intocada, como maior santuário ecológico do planeta.


Este é o número verdadeiro sobre a Amazônia. Grande parte dos desmatamentos que ocorrem naquela região são ilegais e não são obra de produtores rurais. São madeireiras clandestinas, em conluio com índios e às vezes até com ambientalistas que se apropriam de caminhões de mogno apreendidos, como bem relatou o deputado Aldo Rebelo (PCdoB), durante as discussões na Câmara dos Deputados.

Ao espalhar esta mentira contra o Brasil, Marina Silva e suas ongs movidas a ecodólares atacam um setor que gera um terço dos empregos no Brasil, que é reponsável por um quarto do PIB, que garantiu, nos últimos 10 anos, mais de U$ 400 bilhões de superavit comercial, exportando apenas 30% do que produz, pois o restante alimenta o nosso país.

Esta mentira lá fora cria barreiras aos produtos brasileiros. Esta mentira lá fora passa a ser usada pelos nossos concorrentes. Essa mentira lá fora é um crime de lesa-pátria contra o país e contra todos os brasileiros.

Pois o que Marina Silva e estas ONGS estão fazendo é em interesse próprio,é para fundar um partido político. Estão desrespeitando a democracia, estão desrespeitando a vontade popular, estão atuando em favor de interesses internacionais escusos. Uma lástima se o governo federal dobrar a espinha para quem usa a mentira para criar miséria e pobreza no Brasil.

coroneLeaks

UM KLABIN É CONTRA O CÓDIGO FLORESTAL. É O PRÓPRIO CARA DE PAU.

Roberto Klabin,um Klabin da família que devastou as florestas brasileiras durante um século para fazer papel e embalagem virou ongueiro ambientalista.
Ele, que é um dos monopolistas do setor, está dando entrevista à Folha de São Paulo falando mal do novo Código Florestal.
Ele quer plantar florestas no lugar de soja, trigo, arroz e feijão. Óbvio, não? Quanto mais florestas forem plantadas, mais o preço da matéria-prima vai cair. Ou seja: a Klabin poderá comprar madeira mais barata para ser mais competitiva lá fora, já que exporta 60% da sua produção, faturando bilhões de dólares.
Azar de quem passa fome aqui dentro, porque a comida subiu de preço. Teremos guardanapos de papel Klabin e nenhuma comida no prato.
A Klabin faz todo um marketing de respeito à natureza. Não é tanto assim. Vejam o que está no texto de apresentação de um produto que ela vende ao agronegócio que está demonizando:

O saco valvulado com alça é composto pela tecnologia multifolhas, ou seja, a embalagem é formada por duas folhas de papel kraft e uma camada de polietileno. O grande diferencial está na manta de polietileno, que permite sua adaptação a um sistema diferenciado e mais forte de selagem que minimiza os vazamentos.

E segue a Klabin, falando do saco que ela produz:

As embalagens da Klabin são ambientalmente corretas, sendo 100% biodegradáveis, recicláveis e produzidas com matéria-prima proveniente de florestas plantadas. Os produtos também contam com a certificação FSC® (Forest Stewardship Council®), que reconhece empreendimentos que extraem recursos florestais corretamente, respeitando padrões sociais, ambientais e econômicos.

Como todos sabem, o polietileno demora cerca de 200 anos para se decompor na natureza. Esse é o prazo médio estimado por especialistas, já que ainda não é possível afirmar com certeza o tempo exato de degradação desse tipo de material.
A sua decomposição libera gás carbônico e água. O excesso de gás carbônico é um dos fatores que provocam o efeito estufa. A empresa do Klabin que fala contra o Código Florestal vende um produto poluidor para o agronegócio. Disso ele não fala. É o próprio cara de pau.

coroneLeaks

OLAVO DE CARVALHO: ENTREVISTA CENSURADA PELA REVISTA ISTOÉ

NEYMAR: 32 MOMENTOS ESPETACULARES !!!



O que encanta no futebol é a magia do drible. Neymar parece que se diverte mais com ele, do que com o gol propriamente. É o que os cronistas chamam de "futebol arte", aquela habilidade de fazer com a bola o que os mágicos fazem com o coelho e a cartola.
Consta que garrincha era o desespero dos técnicos. Quando a bola estava em seus pés, a impressão que causava é que não queria se desfazer dela por nada desse mundo. Ia pra cá, ia pra lá, chegava na cara do goleiro e voltava. Nada de chutar a jabulani. Uma criança que se divertia em enganar o adversário. O 'fominha de bola', como se dizia. Há momentos fantásticos gravados em vídeos desses 'divertimentos' de "alegria garrinchiana".
A arquibancada tremia, urrava, chingava, blasfemava, e garrincha se embalando com a bola, uma ciranda que parecia não chegar ao fim.
Assim parece Neymar, com aquele ar de menino moicanizado, ágil, lépido, faceiro, brincalhão, mas com a diferença que o futebol empresa hoje imprime no jogador: a marca do gol. Do número de gols que assinala a fama e, obviamente, o preço do seu passo.
Neymar, contudo, também é a alegria do povo. O encantamento que sabe derramar no gramado, arranca aquela admiração do torcedor, que grita, quando a jabulani atravessa a caneta do zagueiro e de quem mais estiver na sua frente. Como nas touradas, o OLÉÉÉÉÉÉ... ecoa no estádio, para o pânico da outra torcida. Neymar é a esperança que renasce do futebol arte, do futebol romântico, que enfrenta o futebol empresa...
m.americo

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

APROXIMAÇÃO DE 2012 PERTURBA O SONO DOS MENSALEIROS: VEM AÍ O BBB DA BANDIDAGEM

Em outubro de 2005, ao festejar o 50° aniversário no sítio em Goiás, o fora-da-lei Delúbio Soares presenteou-se com uma previsão debochada: “No futuro, o mensalão vai virar piada de salão”. Por enquanto, a profecia não se confirmou: o escândalo que escancarou a alma sombria do governo Lula desembocou no processo que será julgado no próximo semestre pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. E pode dar cadeia, começa enfim a desconfiar “nosso Delúbio”, como costumava referir-se Lula ao companheiro ladrão.

Neste sábado, numa reunião com 40 sindicalistas em Brasília, o ex-tesoureiro do PT preferiu qualificar de “boato” o colossal balaio de maracutaias que, passados seis anos, já deveria ter virado anedota. Delúbio, em sua essência, não mudou: o cinismo repulsivo, o vocabulário cafajeste, a compulsão para a mentira e outros traços abjetos seguem confirmando que certos defeitos de fabricação não têm conserto. Mas o sumiço do sorriso desdenhoso e a multiplicação de vincos no rosto indicam que o gerente da roubalheira imensa já não se acha condenado à perpétua impunidade.

“Esse julgamento será o maior espetáculo midiático do Brasil”, previu Delúbio no fim de semana. Desta vez, o delinquente enquadrado por formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro acertou. Por mais de dois meses, uma cadeia gigantesca composta por emissoras de rádio e TV, jornais, revistas, sites e blogs vai transmitir ao vivo uma espécie de Big Brother Brasil da Bandidagem, primeiro reality show inspirado na corrupção engravatada. Os advogados dos mensaleiros tornarão a recitar que o mensalão não existiu. Serão confrontados com as incontáveis provas dos muitos crimes cometidos pela quadrilha.

O destino dos participantes será decidido pelos ministros. Mas os juízes votarão vigiados por milhões de testemunhas que saberão o que fez e o que merece cada personagem. Só se viu algo parecido em julho e agosto de 2005, quando as sessões da CPI do Mensalão alcançaram índices de audiência de novela da Globo. O país foi apresentado à face horrível da Era Lula, a popularidade do presidente desceu a temperaturas siberianas e o governo só escapou do naufrágio porque a oposição oficial decidiu socorrer a federação dos corruptos.

Como ocorreu há seis anos, o BBB da Bandidagem também vai começar sem roteiro definido. É impossível adivinhar o desfecho. Delúbio e o resto dos mensaleiros têm motivos para perder o sono. Ficarão muito mais inquietos se os brasileiros decentes abrirem os olhos imediatamente e enxergarem com nitidez o calendário político até agora subvertido pelo Planalto. Com a cumplicidade dos jornalistas federais, os réus e seus padrinhos fazem de conta que 2012 será o ano das eleições municipais. Mais uma vigarice: o que vem aí é o ano do julgamento do mensalão.

As urnas poderão melhorar ou piorar a vida de uma cidade. Só isso. As togas dirão se a lei vale para todos, se ainda há juízes no Supremo e se o Brasil tem jeito ou perdeu de vez a vergonha.

Austusto Nunes

ANISTIA SE INSTALA NA CASA-DA-MÃE-JOANA

O UOL noticia hoje (21/11) que a Anistia Internacional (AI) vai acompanhar de perto a situação da segurança pública nos Estados brasileiros, especialmente o fortalecimento das milícias no Rio de Janeiro, e monitorar o impacto das grandes obras para os megaeventos que o país vai receber em 2014, com a Copa do Mundo, e, em 2016, as Olimpíadas no Rio. Sediado no Rio de Janeiro, o novo escritório da AI ainda está em fase de estruturação, mas já tem iniciado conversas com membros da sociedade civil, setores públicos e privados para ouvir as demandas e queixas de diversos segmentos.

Segundo Átila Roque, o diretor do novo escritório da organização no Brasil, a organização vai enfocar a sua atuação nas questões de segurança pública, de direitos dos povos indígenas e de direitos à moradia, assim como a contínua falta de justiça para os abusos cometidos durante a ditadura militar.
“Teremos uma agenda da defesa de direitos, e, nesse sentido, grandes eixos de trabalho: uma agenda ampla de segurança pública envolvendo a situação prisional, a polícia, o Estado e a Justiça; a conexão entre desenvolvimento e direitos com reforma do espaço urbano acompanhando a agenda da Copa e Olimpíadas”, disse Roque.

No âmbito do desenvolvimento, o novo escritório da AI irá também acompanhar o impacto das grandes obras de desenvolvimento sobre as populações indígenas e rurais, como a construção de grandes hidrelétricas na Amazônia, como Santo Antônio, Jirau e Belo Monte. “São estas três áreas que sintetizam os assuntos domésticos que a Anistia vai se concentrar”, anunciou o novo diretor.

Onde estamos? Uma organização internacional se instala em um país soberano e pretende assumir as funções do governo? E ninguém diz nada. Nem o governo nem a imprensa. Após a decisão da Anistia Internacional, Dona Dilma, Judiciário, Legislativo, Ministério Público, Exército e polícia se tornam perfeitamente dispensáveis. Pelas declarações deste senhor, será a Anistia quem decidirá sobre a construção de hidrelétricas no país e demarcação de terras indígenas.

Ainda segundo o UOL, as milícias serão um dos pontos de grande atenção por parte dos membros da Anistia no Brasil. “É um assunto urgente. As milícias hoje são o assunto de segurança que mais desafia o Estado e a sociedade. O crime se organiza em torno de um impulso econômico que é bem mais volumoso, corrompe radicalmente o Estado por dentro, as estruturas da polícia, e tem vínculos no Legislativo. É o embrião do que pode ser considerado como uma máfia”, afirmou.

Ora, eu imaginava que o país tivesse uma polícia para tratar do assunto. Pelo que me consta, até o Exército está tentando impor a lei nas favelas. Ao que tudo indica, estas questões serão agora competência da Anistia Internacional.
Em qualquer país decente, a arrogância com que o representante da organização se dirige aos brasileiros seria motivo de expulsão sumária do território nacional. Em Pindorama, o tal de Roque anuncia serenamente suas intenções de governar o país.

Que país é este? Cineastas e roqueiros gringos, que sequer têm voz em seus países, sentem-se à vontade no Brasil para determinar qual será nossa política de águas, de energia, de territórios indígenas.

Ano passado, o diretor do estúpido filme Avatar, James Cameron, em visita ao Brasil, criticou nesta a construção da usina de Belo Monte, no Rio Xingu. O cineasta disse que iria pedir apoio de congressistas norte-americanos na luta contra o projeto. “Esta não é uma questão só do Brasil, mas do mundo todo.
Vou para Washington para conversar com senadores”, disse. Em junho passado, a Anistia Internacional também pediu a suspensão do projeto de construção, tendo encaminhado o pedido, no dia seguinte, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Em novembro de 2009, o cantor britânico Sting reuniu-se em São Paulo com os líderes caiapós Raoni e Megaron Txucarramae, para chamar atenção para a questão da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.
Sting Explicou que é estrangeiro, e que este é um “assunto brasileiro - mas de todos os brasileiros”. “Há razões econômicas para que seja construída e razões ambientais para que não seja. O povo de Raoni precisa ser parte do processo”, alertou.

Estrangeiro, mas dá seu pitaco em assuntos brasileiros. Não é de hoje que Sting mete sua colher torta em questões nossas. Depois do I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em Altamira (PA), em 1989, Sting fundou com sua mulher, Trudie, a Rainforest Foundation, que, entre outros projetos, apoiou o reconhecimento oficial de terras indígenas no Xingu.
A Rainforest passou a apoiar projetos no Parque Indígena do Xingu, entre eles o monitoramento dos limites do parque para prevenir invasões e o desenvolvimento de um sistema de educação bilíngue para 14 etnias que ali vivem.

Faça um esforço de imaginação, leitor. Imagine uma entidade brasileira pretendendo determinar a distribuição de territórios nos Estados Unidos ou Reino Unido. Só nesta casa-da-mãe-Joana para se admitir tais intervenções.
Há dois meses, eu comentava notícia sobre o cacique Raoni Metuktire, que recebeu o título de cidadão honorário de Paris.
A capital da França, como salientava o redator, supondo que os leitores contemporâneos já não mais saibam que Paris é a capital da França. Raoni estava no país em campanha pela suspensão das obras da Usina de Belo Monte, no Rio Xingu (PA).
A prefeitura de Paris informou que a escolha de Raoni foi feita baseada na atuação em defesa da Floresta Amazônica e dos povos indígenas do Brasil. Os franceses o consideram uma espécie de símbolo de luta pelos direitos humanos, pelo desenvolvimento sustentável e pela conservação da biodiversidade. Raoni é 12º cidadão honorário de Paris. Ao receber o título, Raoni usava trajes indígenas.

Raoni, se alguém não lembra, é aquele cacique que, nos anos 80, exibia orgulhosamente aos jornais a borduna com que matou onze peões de uma fazenda. Não só permaneceu impune, totalmente alheio à legislação brasileira, como foi recebido com honras de chefe de Estado na Europa.

O papa João Paulo II, François Mitterrand e os reis da Espanha, entre outros, o receberam como líder indígena. Raoni, com seus belfos, se deu inclusive ao luxo de expor sua pintura em Paris. Um dos quadros do assassino atingiu US$ 1.600 em uma lista de preços que começava a partir de mil dólares. No final do ano passado, Raoni recebeu o título de Dr. Honoris Causa pela UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso).

É este assassino, que se orgulha de seus feitos, que se insurge contra uma hidrelétrica no país. Usina que foi planejada de modo a não afetar territórios indígenas. É este bruto que recebe total apoio de artistas e estadistas estrangeiros.

Nada de espantar que a Anistia Internacional se sinta plenamente autorizada a determinar qual será a política nacional, em termos de polícia, segurança ou territórios e até mesmo da organização da Copa.

Janer Cristaldo

THE NEW YORK TIMES, UM DOS MAIORES JORNAIS ESQUERDISTAS DOS EUA, FALA SOBRE SILAS MALAFAIA

Comentário de Julio Severo
Não gostei do tom debochador que o jornal esquerdista americano usou para falar de Malafaia, mas a mentalidade esquerdista é estreita e os impede de ver a realidade como ela é. O jornal erroneamente compara Malafaia a Pat Robertson, um conservador em outros tempos tão sólido que sugeriu que Hugo Chavez, o amigo de Dilma Rousseff e Lula, deveria ser morto.

Embora Malafaia tenha, sobre o aborto e a agenda gay, a mesma posição dos verdadeiros conservadores, suas inclinações políticas o distanciam do conservadorismo legítimo, e tal fato foi reconhecido na própria entrevista em que ele confessou ter votado em Lula duas vezes e não ter nada pessoalmente contra Rousseff. Se ela não apoiasse o aborto e o homossexualismo, estaria tudo ok? É evidente que não.
Além de um passado terrorista, ela não abre mão de sua ideologia socialista e de ligações com Hugo Chavez e Fidel Castro. Esse aspecto socialista repugnante não parece incomodar Malafaia. Eu continuarei, como escritor e blogueiro, apoiando Malafaia quando ele ataca a radical agenda do aborto e do homossexualismo.
Mas nunca poderei seguir suas desastrosas inclinações políticas. Afinal, se ele abomina tanto o aborto e o homossexualismo, por que apoiou publicamente os politicos mais abortistas e homossexualistas da historia do Brasil?
É uma pena que ele não tenha a metade das convicções políticas de Michele Bachmann, a candidata à presidência dos EUA que verdadeiramente é pentecostal e conservadora.

Eis a entrevista completa


Silas Malafaia: “Deus me chamou para ser pastor, e não vou trocar isso por um cargo político.”

Líder evangélico ergue-se nas guerras culturais do Brasil

Simon Romero

Os livros de Silas Malafaia, que vendem aos milhões no Brasil, têm títulos como “Como Derrotar as Estratégias de Satanás” e “Lições de um Vencedor”. O jatinho particular Gulfstream em que ele voa tem “A Serviço de Deus”, em inglês, inscrito na lataria.

Como evangelista de televisão, o Sr. Malafaia alcança espectadores em dezenas de países, incluindo os Estados Unidos, onde Daystar e Trinity Broadcasting Network transmitem suas pregações dubladas. Em mais de 30 anos de atuação, o Sr. Malafaia, 53, reuniu igrejas e prósperas empresas em torno de sua pregação pentecostal.

Ainda assim, ele poderia ter atraído pouca atenção fora de seus próprios seguidores se ele não tivesse entrado na versão brasileira das guerras “culturais”. Afinal, o Brasil tem líderes evangélicos que comandam impérios maiores, como Edir Macedo, cuja Igreja Universal do Reino de Deus controla a Rede Record, uma das maiores redes de televisão do Brasil. Outros, como Romildo Ribeiro Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, são conhecidos por maior zelo missionário.

Mas é o Sr. Malafaia que recentemente atraiu a maior atenção, ao atacar verbalmente, de forma incisiva, uma ampla variedade de inimigos, incluindo os líderes do movimento de direitos homossexuais, os defensores do direito ao aborto e também apoiadores da descriminalização da maconha no Brasil.

Foto do New York Times: Silas Malafaia dá entrevista no quintal de um hotel antes de um evento

“Eu sou o inimigo público nº 1 do movimento gay no Brasil,” O Sr. Malafaia disse em uma entrevista neste mês aqui em Fortaleza, uma cidade no Nordeste do Brasil, onde ele chegou para dirigir um de seus eventos que ele descreve como “cruzada”, num episódio misturando Bíblia e música em frente de um público de aproximadamente 200.000 pessoas.

Lágrimas escorriam pelos rostos de alguns dos participantes comovidos, enquanto outros dançavam conforme a atuação que serviu para a abertura que ele fez.

Antes de subir ao púlpito, ele descreveu como ele se tornou cobiçado em programas de entrevista da televisão como a parte do programa que discute, como numa disputa de boxe, contra líderes gays.
Mas isso é apenas uma pequena parte de seu repertório, e a televisão é apenas um dos muitos meios de comunicação à disposição do Sr. Malafaia.
No Twitter, ele tem quase 250 mil seguidores, e em vídeos distribuídos no YouTube, ele não só desce o chicote em inimigos liberais, mas também em jornalistas e líderes evangélicos rivais.

O que não é de surpreender é que sua proeminência crescente fez dele uma fonte de admiração e desconforto. Ele mobilizou milhares de pessoas para se manifestar na capital, Brasília, neste ano, contra um projeto de lei que visa ampliar legislação anti-discriminação para incluir a orientação sexual.

“Ele é como Pat Robertson, no sentido de ser um pioneiro ao mover a direita evangélica do Brasil para a esfera política nacional”, disse Andrew Chesnut, especialista em religiões latino-americanas da Universidade Commonwealth da Virginia, comparando o Sr. Malafaia ao evangelista conservador da televisão americana.

A elite do Brasil está tentando entender a ascensão de uma figura tão polarizadora, e como ele poderá influenciar a política da nação. Piauí, uma revista que é o equivalente tosco da revista The New Yorker nos Estados Unidos, publicou um longo artigo neste ano sobre como o Sr. Malafaia se ergueu da obscuridade no Rio de Janeiro, onde ele cresceu numa família militar, para o poder que ele agora ostenta.

Além do Sr. Malafaia, a ampla expansão de religiões evangélicas, especialmente o pentecostalismo, nas últimas décadas está alterando a política do Brasil. (Embora o pentecostalismo varie muito, os seus princípios no Brasil incluem a cura pela fé, profecia e exorcismo.) Líderes em Brasília são agora forçados a consultar-se sobre uma série de questões com uma bancada evangélica de legisladores com influência sólida.

Estima-se que de cada quatro brasileiros, um faça parte de igrejas evangélicas, e pentecostais como o Sr. Malafaia estão na vanguarda desse crescimento. Numa notável transformação religiosa, estudiosos dizem que embora o Brasil ainda tenha o maior número de católicos romanos no mundo, o Brasil está agora também competindo com os Estados Unidos ao ter uma das maiores populações pentecostais.

Nem todo mundo no Brasil está entusiasmado com essa mudança.

Num artigo de novembro, o jornalista Eliane Brum escreveu sobre a intolerância para com os ateus que tem sido demonstrada no Brasil por alguns adeptos de religiões de pessoas que “nasceram de novo”, descrevendo o que ela chamou de “disputa cada vez mais agressiva para as cotas de mercado” entre as grandes igrejas.

Nesse artigo, a Sra. Brum desencadeou uma onda de reações de pentecostais. E as palavras do Sr. Malafaia estavam entre as mais cáusticas

Durante a entrevista aqui, ele chamou a Sra. Brum de “vagabunda”, e repetiu sua afirmação de que “os ateus comunistas” na antiga União Soviética, Camboja e Vietnã foram responsáveis por mais mortes do que "qualquer guerra produzida por questões religiosas.”

Quer por intenção ou falta de opção, a linguagem agressiva dele tem frequentemente se tornado um espetáculo.
Em novembro, reportagem da revista Época disse que o Sr. Malafaia, durante comentários acalorados sobre a possiblidade de adotar medidas legais contra Toni Reis, um proeminente defensor dos direitos homossexuais, disse que ele “fornicaria” Reis.

O Sr. Malafaia apresentou uma explicação de que ele tinha realmente dito que iria “funicar” o Sr. Reis. Embora os pesquisadores não tivessem conseguido encontrar a palavra do Sr. Malafaia em dicionários de referência, ele disse que era uma gíria que em termos gerais se traduzia como “repreender vigorosamente”.

A visibilidade que o Sr. Malafaia alcança com tais episódios está alimentando questionamentos sobre suas ambições políticas. Ele disse que não tinha vontade alguma de se candidatar a cargos políticos, pois isso poderia colocá-lo em obrigações com um partido político específico, limitando assim a visibilidade mais ampla que ele tem agora.

“Deus me chamou para ser pastor”, disse ele, “e não vou trocar isso por um cargo político.”

Mas a influência política é outra questão. O Sr. Malafaia disse que votou duas vezes no ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e durante anos teve acesso aos corredores do poder de Brasília. Mas ele também contou um fato curioso sobre a sucessora de Lula, a presidente Dilma Rousseff, que sugere como figuras evangélicas estão se tornando importantes nas eleições nacionais.

Ele disse que ela falou com ele por telefone durante 15 minutos durante a campanha presidencial do ano passado, tentando atrair o seu apoio. Mas ele disse que recusou por causa de diferenças ideológicas com aspectos do governo do Partido dos Trabalhadores do Sr. Lula, um ex-líder sindical, e da Sra. Rousseff, ex-agente de um grupo de guerrilha urbana.

“Eu disse a ela: ‘Não tenho nada pessoal contra você. Eu acho você uma mulher inteligente e qualificada’”, disse ele. “Mas como posso votar em você se eu passei quatro anos lutando contra a facção de seu partido que apoia um projeto de lei para beneficiar gays, assim me prejudicando?”

O Sr. Malafaia, enquanto gesticulava, com os dedos com anéis de ouro adornados com diamantes incrustados, como se estivesse atacando o ar com punhais, passa tais contos em português estrondoso com abundante sotaque carioca.

Sua imagem deu-lhe um status de quase estrela do rock entre alguns que o apoiam.

“Eu não o reconheci sem bigode”, disse Erineide Mendonça, 39, uma empregada do hotel de Fortaleza onde o Sr. Malafaia estava hospedado, referindo-se ao bigode que era a marca registrada dele e que ele não raspava há muito tempo. “Mas reconheci a voz dele”, disse ela, pedindo para ser fotografada com o evangelista que ela adora.

Tanto o Sr. Malafaia quanto sua esposa Elizete foram treinados como psicólogos, e quando ele sobe ao púlpito, sua voz ecoa nas pregações carregadas de aulas de autoajuda e perseverança.

Um tema favorito envolve o sucesso e como alcançá-lo. Embora afirme que ainda vive uma vida relativamente humilde e nem sequer seja um milionário, ele não se desculpa por sua própria ascensão material. Aliás, ele a celebra, elogiando demasiadamente, por exemplo, o seu Mercedes-Benz — um presente, ele explica, de um amigo próspero.

Depois, há o jatinho Gulfstream, adquirido de segunda mão nos Estados Unidos, disse ele, não por ele mas pela sua organização religiosa sem fins lucrativos a um preço razoável.

“O papa voa num avião a jato”, disse ele, referindo-se ao avião fretado da Alitalia que transporta o bispo de Roma, e irritando-se com o que ele via como a hipocrisia com a qual os líderes evangélicos em ascensão no Brasil estão sendo obrigados a lutar. “Mas se um pastor viaja em algum jato velho, ele é considerado um ladrão.”

DIRCEU: ALÉM DE SOLTO, DESENVOLTO!

O semanário português Expresso afirma em sua última edição que a Band está interessada na privatização da RTP, uma das duas redes de TV mais importantes do Portugal e afirma que José Dirceu estaria ajudando a rede Band na empreitada.

Dirceu, segundo o semanário, é “amigo” de Miguel Relvas, ministro dos Assuntos Parlamentares de Portugal.

Tem outra:

Dirceu é apontado no mercado como “o” homem, no Brasil, do grupo português Ongoing, que já é dono dos jornais “Brasil Econômico”, do qual o “chefe de quadrilha” é colunista, “O Dia”, “Meia Hora” e “Marca”. O grupo busca um jeito de investir em TV.

Qual é o truque? A Ejesa (Empresa Jornalística Econômico S.A.), que edita esses jornais, tem 70,1% de seu capital em nome de Maria Alexandra de Almeida Vasconcellos, brasileira, mas casada com Nuno Vasconcellos, presidente do Ongoing, dona dos outros 29,9%. Em Portugal, dá-se como certo que é o grupo que comanda esses veículos por aqui. No meio político, o “Brasil Econômico” é chamado “aquele jornal do Dirceu”. Evanise Santos, namorada do réu, é diretora de marketing institucional da Ejesa. O Ministério Público Federal de São Paulo abriu investigação para apurar a atuação do grupo português no Brasil.

E o calhorda ainda fica pregando “regulamentação da mídia”. Tem cabimento?

Um chefe de quadrilha cassado que, além de solto, trafega na política e nos meios empresariais mais diversos, só aqui no Bananistão.
Por Ricardo Froes

HISTÓRIAS DA POLÍTICA

Não atrase, por favor

Fialho Pacheco era repórter de polícia do “Estado de Minas”, em Belo Horizonte, anos atrás. Escrevia bem e gostava de transformar os fatos mais duros do noticiário policial em textos literários, densos e tensos.

Uma tarde, um homem saltou para a morte do 22º andar do edifício Acaiaca, em plena Avenida Afonso Pena, no Centro da cidade, acima de nossa saudosa Faculdade de Filosofia da UFMG, que funcionava no 20º e no 21º andar.

Fialho escreveu um texto longo, dolorido, espremendo ao máximo a tragédia. O homem havia perdido tudo, emprego, mulher, filhos e amigos. Desesperou-se e pulou. O jornal deu a matéria com grande destaque, manchete e fotos.

***
FIALHO

No dia seguinte, de manhã, tocou o telefone na redação, chamando Fialho:

- Que beleza de coisas o senhor escreveu, seu Fialho. E não deve ter exagerado nada. Estou vivendo a mesma situação. Também perdi meu emprego, minha mulher me abandonou, meus filhos foram com ela, meus amigos não querem saber mais de mim, não tenho dinheiro para nada. Como ele, também vou me matar.

- Que maravilha! Também vai pular? De onde? E que hora vai ser?

O homem explicou tudo. Fialho ficou na maior empolgação:

- Então, está tudo combinado. Vou levar um fotógrafo para não perder nada. Na hora certa, estarei lá com ele. Mas, por favor, não atrase, ouviu? Não atrase!

O homem não atrasou. Pulou para a morte na hora marcada. Sem atraso nenhum. Fialho viu, fotografou tudo. E escreveu mais um texto sangrado, desesperado.

***
PARTIDOS CAMALEÕES

Os partidos que viraram camaleões para se salvarem na enxurrada do Mensalão (o PTB de Roberto Jefferson, o PP de Maluf, o PR de Valdemar Costa Neto, o PRB do “bispo” Macedo e os partidecos) ou são apenas paulistas ou existem nos estados como escritórios de representação de uma matriz paulista. Enquanto Lula e Dilma forem os editores do “Diario Oficial”, fazem o que eles mandarem.

O chamado “bloquinho” de pequenos partidos “de esquerda” (PSB, PDT, PC do B, PV etc.), que apóiam Lula e Dilma, é um punhado de banquinhas de camelô vendendo DVDs e CDs piratas. Não têm nenhum compromisso com o que existe lá dentro, gravado em seus programas políticos.

Cada “amostra de partido” desses (os camaleões, os do bloquinho etc.) vai ficar em 2014 com os candidatos melhor cotados na Bolsa de Futuro das eleições. Ou então vão se suicidar na frente do Fialho.

Sebastião Nery