"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 1 de junho de 2013

O PRIMEIRO PASSO DE CAMPOS

Levantamento feito por ISTOÉ nos diretórios estaduais e executiva nacional do PSB mostra que socialistas apoiam a candidatura de Eduardo Campos ao Planalto


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ACLAMADO NO PSB
O governador Eduardo Campos já conquistou 85% do partido
 
Manhã da segunda-feira 27, Mar Hotel, praia da Boa Viagem, Recife, Pernambuco. Passava das 10 horas quando o governador do Estado, Eduardo Campos, entrou em uma sala de reunião onde cerca de 300 militantes socialistas o esperavam para o 1º Encontro de Vereadores da legenda.
O objetivo do evento era frugal. Envolvia a troca de experiências no Legislativo. No entanto, o tom eleitoral tomou conta dos discursos. Adesivos e panfletos exaltando o nome do socialista para presidente da República foram distribuídos e a reunião transformou-se em palanque para Eduardo Campos.
Ovacionado com gritos de “Brasil para a frente, Eduardo presidente”, Campos abriu um largo sorriso. “Não tem mais volta, ele será candidato”, afirma o presidente do PSB em São Paulo, deputado Márcio França. Se a candidatura será mesmo oficializada em 2014, o tempo se encarregará de dizer. O primeiro passo, porém, já está dado.

Segundo levantamento feito por ISTOÉ entre os diretórios estaduais do partido e a executiva nacional, o governador já conquistou o apoio da maioria do PSB. A enquete mostra que os militantes e a direção do partido querem mesmo que Campos seja o candidato do partido à sucessão de Dilma Rousseff. “Não temos nada contra o governo Dilma.
Aliás, votamos com ela em 95% dos casos, mas chegou a nossa hora de tentar fazer mais e melhor”, defende França. “O nome de Eduardo está maduro.
O momento é agora”, faz coro o deputado federal Júlio Delgado, de Minas Gerais. Dos 35 representantes da executiva nacional do partido, 22 são a favor da candidatura própria (ver quadro).
 
Entre os diretórios estaduais, a vitória a favor da candidatura de Campos ao Planalto em 2014 é ainda mais avassaladora – 85% dos dirigentes são favoráveis ao voo solo. “O nome do governador Eduardo Campos representa algo diferente. Estamos com ele”, entende Severino Araújo, presidente do diretório paranaense.
 
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Além da contabilidade favorável, outro sinal de que todas as arestas já estão aparadas no PSB foi o jantar na terça-feira 28 entre Eduardo Campos e o ex-ministro Ciro Gomes. Crítico da candidatura própria até a semana passada, Gomes já diz que irá apoiar uma eventual postulação do pernambucano caso a maioria do partido decida lançá-lo. “Se meu partido tiver candidato, depois que fizer minhas ponderações, vou acompanhar o partido”, disse o ex-ministro.
Ciro Gomes aponta como “incoerência” dos socialistas disputar o Planalto na condição de sigla aliada ao governo. Para resolver a questão, a cúpula do PSB já acertou que entregará os cargos na administração federal em setembro. “A entrega dos cargos nos libera para fazer um discurso mais assertivo”, entende Márcio França.

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MATERIAL DE CAMPANHA
Socialistas distribuíram santinhos em favor da candidatura de Eduardo Campos
ao Planalto em encontro de vereadores na segunda-feira 27, no Recife
 
Dado o primeiro passo, que é a conquista do apoio interno, os socialistas trabalharão até o fim do ano para costurar as alianças. Em São Paulo, por exemplo, o PSB deverá se aliar à reeleição do governador Geraldo Alckmin, indicando um vice socialista à chapa.
A disputa é estadual, mas no apoio a Alckmin está embutida uma estratégia nacional.

O principal objetivo é tentar enfraquecer o palanque em São Paulo de Aécio Neves, pré-candidato à Presidência e, portanto, adversário em potencial de Campos. A 16 meses das eleições, o cenário ainda pode mudar por completo, mas os especialistas eleitorais são unânimes em afirmar que, entre os nomes dos pré-candidatos colocados até agora para a disputa em 2014 – Aécio Neves (PSDB), Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (Rede) –, só existe espaço para um ou no máximo dois candidatos, já que as previsões também dão como certo que Dilma estará no segundo turno.

Nessa lógica, Campos não tem muito a perder. Aos 47 anos, ele, na pior das hipóteses, terá a imagem conhecida nacionalmente. Hoje, o governador pernambucano figura com 6% de intenções de voto nas pesquisas eleitorais, mas só é conhecido por 20% do eleitorado nacional. São nesses índices que ele se apoia para decolar em 2014.

01 de junho de 2013
Alan Rodrigues

Fotos: Leo Caldas/ Editora Globo; Michele Souza/JC Imagem

SEDE DE INDIGNAÇÃO

 

O presidente do STF teceu duras críticas aos representantes do povo e o povo aplaudiu, não viu como uma ameaça às Instituições Democráticas, ao contrário, ampliou sua admiração pelo ministro Joaquim Barbosa.

A razão é simples: ele mostrou indignação, exatamente o que sempre tem faltado na política brasileira.

A reforma política que o Brasil precisa só ocorrerá quando os brasileiros sentirem indignação com os “partidos de mentirinha” e demais deficiências do nosso sistema político apontadas pelo ministro Barbosa.

Por séculos convivemos sem indignação com o absurdo da escravidão, inclusive de antepassados do ministro. A ideia da abolição só começou a se espalhar quando seus defensores passaram ao povo o sentimento de indignação moral contra a escravidão.

Enquanto os argumentos eram econômicos – “o trabalho livre é mais inteligente e produtivo” -; ou ideológicos - “a escravidão não é condizente com o espírito da época” -, a abolição não era entendida, nem sentida, não indignava.

Quando o discurso passou a ser ético, apresentando a escravidão como uma vergonha nacional, o assunto passou a crescer, até prevalecer.



Na Inglaterra, o grande abolicionista William Wilberforce reconheceu que a ideia da abolição só cresceu quando ele e seus companheiros de luta saíram do discurso lógico e provocaram indignação popular contra a escravidão. A abolição foi o resultado da força moral que surgiu da indignação.

Assim também não adianta apenas argumentos lógicos para justificar a necessidade da abolição do analfabetismo – a escravidão do século XXI; é preciso que os brasileiros sintam indignação com o fato de que para abolir o analfabetismo só precisamos de R$ 1,6 bilhão ao ano, por apenas quatro anos, de uma renda nacional de R$ 4,5 trilhões, empregando por dez horas semanais apenas 125 mil dos atuais 1,6 milhão de universitários que estudam com financiamento público.

Só agiremos quando sentirmos vergonha por não podermos colocar, em 2014, em frente de cada aeroporto, uma placa dizendo: “Você está entrando em um território livre do analfabetismo”.

Da mesma forma, não basta dizer e mostrar que o Brasil não tem futuro, na economia ou na sociedade, se não colocarmos todas nossas crianças em escolas com a mesma-máxima-qualidade.

É preciso indignar-se com a falta de qualidade e com a desigualdade da educação. Os argumentos lógicos fracassaram, é a vergonha de não despertar o espírito nacional para resolver o problema.

Houve um tempo em que precisávamos de consciência, agora precisamos de raiva e vergonha. Por isso, o presidente do STF é capaz de enfraquecer a independência dos Três Poderes ao denunciar os partidos, os congressistas e, portanto, o Congresso Nacional, e mesmo assim ser aplaudido.

Mesmo sendo verdadeiras as declarações, os aplausos não se justificariam do ponto de vista lógico das Instituições Democráticas, mas se explicam moralmente: o povo está com sede de indignação.


01 de junho de 2013
Cristovam Buarque é professor da UnB e senador pelo PDT-DF.

O PODER DO CONCEITO CERTO

Conceito é uma ferramenta muito mal utilizada pela grande maioria dos estudantes.
A diferença entre um aluno e um profissional está justamente em interpretar um desafio e mediante o conceito adaptar para cada necessidade.
Hoje em dia vejo que muitos estudantes desvalorizam os conceitos clássicos dos livros porque se apoiam em tutoriais do Youtube. E acreditam que já são "profissionais".


É válida a exposição em mídias sociais de alguns "truques" técnicos com atalhos e fórmulas que facilitam a vida dos profissionais. Mas é exatamente isso, para os profissionais. Aqueles que já tem o domínio do conceito.
Para quem ainda não é, faz-se necessário entender a origem dos conceitos, atualizar-se e adaptar ao problema proposto.
Um médico, por exemplo, precisa tratar doentes caso a caso, mas ele utiliza os conceitos que aprendeu por anos, aliado ao estudo de novas técnicas e os adapta para solucionar a patologia específica. Ele com certeza não encontra o remédio ideal no Wikipédia.
Um advogado precisa pegar todos os conceitos que aprendeu no seu curso, agregar o domínio dos códigos e legislações, adaptar à situação em que atua e trabalhar a retórica. Não adianta ele se basear em um capítulo de Law and Order.
Quem trabalha com comunicação precisa entender os conceitos pois a tecnologia muda a cada dia, as técnicas são aprimoradas sempre e as tendências do mercado são voláteis. Conhecendo o conceito, o tutorial técnico faz sentido. Do contrário vira apenas uma brincadeira sem função nenhuma e uma armadilha profissional.
É por isso que o aluno deve valorizar mais os conceitos nos os livros, nas pesquisas, nos artigos, e não apenas um link colocado na web.
Já o profissional ele é um resolvedor de problemas. Ele precisa das ferramentas certas e saber para qual lado devem ser giradas ou apertadas. Essas ferramentas são os conceitos e, tendo o conhecimento dos mesmos, saberemos se estamos fazendo o ajuste correto. Assim podemos diferenciar os profissionais dos aprendizes.

01 de junho de 2013
Fabrizio Albuja é Jornalista e Professor de Comunicação.

A EDUCAÇÃO DIGITAL DEMANDA NOVOS FORMATOS DE ESCOLAS E DE MATERIAL DIDÁTICO

Há algumas semanas, em um jantar com amigos, chamou minha atenção a desenvoltura da pequena Heloísa em manusear osmartphone de seu pai. Com apenas um ano e meio de idade, mal começando a articular as primeiras frases, ela transitava entre os programas e facilmente explorava os aplicativos que abria. Eu já havia visto alguns vídeos com crianças brincando em tablets e similares, mas a experiência de acompanhar o evento de perto foi marcante e despertou em mim algumas reflexões.
 
Que tipo de escola poderá atender com eficiência essa geração de nativos digitais que está chegando? Como geradores de conteúdo, de que forma conseguiremos estruturar um material didático adequado a essa nova realidade?
 
Como nativo analógico, devo dizer que me sinto confortável em lidar com papel quando leio livros ou imprimo os arquivos com dados que levarei às reuniões. No entanto, também sou migrante digital e confesso ficar fascinado com os novos recursos e tecnologias à nossa disposição, tanto aqueles que facilitam o cotidiano, como os já citados tablets e smartphones, quanto os que são voltados para o mundo educacional.
O tempo do professor em sala de aula hoje é otimizado com o auxílio dos recursos existentes nos programas de criação de apresentações e nas lousas digitais; o estudo do aluno em casa é incrementado pela facilidade de pesquisa em sites de busca e pela permanente comunicação com a escola, a qual, por meio de portais cada vez mais sofisticados, coloca à sua disposição aulas de reforço, listas de questões, atividades de fixação, revisão e aprofundamento.
No entanto, a rapidez com que avança a tecnologia e a forma como se sucedem as gerações de estudantes (e, no que se refere à população discente, o intervalo entre gerações é cada vez mais curto) trazem a certeza de que a transformação será mais profunda do que a que temos hoje.
O aproveitamento dos recursos tecnológicos que já existem e dos que virão passará necessariamente por uma modificação na linguagem educacional, na qual o aluno deixa de ser um componente passivo e se torna um elemento ativo do processo de ensino e aprendizagem.Condições para isso já existem: recursos audiovisuais que permitem contextualizar os conceitos apresentados, atividades especialmente desenvolvidas para possibilitar a aprendizagem contínua e significativa, uso de devices em sala de aula que acessam as redes colaborativas.
Ao professor está reservado o importante papel de coordenador do processo, mediando o caminho do aluno rumo à aprendizagem e à aplicação dos fundamentos. Por isso, é necessário e urgente capacitar os mestres desde sua formação; assim, poderão chegar à atividade docente com a consciência de que os conteúdos não são simplesmente alvo para a memória, mas ferramentas que possibilitam o desenvolvimento das habilidades e competências fundamentais para o pleno exercício das capacidades de nossos jovens.

01 de junho de 2013
Fernando Almeida é biólogo, professor e diretor editorial do Ético Sistema de Ensino (www.sejaetico.com.br), da Editora Saraiva.

SUBJUGAR A JUSTIÇA É MATAR A DEMOCRACIA

 


O avanço resoluto da presidente Cristina Kirchner para sufocar o Poder Judiciário argentino é mais um sinal de que seu governo segue a estratégia chavista de enfraquecer as instituições para que o Executivo tenha a última palavra.

É o autoritarismo em marcha acelerada para obter a hegemonia sobre o país, em detrimento das liberdades de expressão e de imprensa, dos direitos e garantias individuais.

O Congresso argentino, de maioria kirchnerista, aprovou seis projetos de lei do governo que “reformam” a Justiça. Um deles amplia de 13 para 19 o número de integrantes do Conselho da Magistratura, encarregado de designar juízes e fiscalizar sua atuação.

Os novos juízes serão escolhidos pelo voto popular, nas mesmas listas de candidatos a deputados e senadores. As decisões serão contaminadas pelo viés político e sempre favorecerão o governo, por óbvio.

Outro projeto estabelece um limite de seis meses para a vigência de liminares judiciais, também com endereço certo e imediato— vergar o Grupo Clarín na disputa que trava com o governo sobre a Lei de Meios, outro instrumento de controle criado pela Casa Rosada, este voltado para a mídia audiovisual (TVs, rádio, etc.).

Uma liminar tem impedido o desmantelamento do Clarín, que seria obrigado a vender uma parte importante de seus meios de comunicação. É punição por ter se mantido independente e, como tal, crítico do governo K, quando necessário.

O governo argentino apenas segue a cartilha chavista na aplicação do “kit bolivariano”, que consiste em usar as instituições democráticas para desossar a democracia. Foi assim com Hugo Chávez, que também ampliou o número de juízes para nomeá-los e, assim, controlá-los. Exemplo disso deu o Tribunal Supremo da Venezuela, quando, após a morte de Chávez, atropelou a Constituição e passou o poder diretamente ao sucessor designado, Nicolás Maduro, até a realização de eleições. Na Bolívia e no Equador, governos bolivarianos seguem o mesmo padrão de controle do Judiciário.

Felizmente, o Brasil destoa nesse quadro de involução institucional. O trabalho do Supremo Tribunal Federal no caso do mensalão foi o melhor exemplo de que as instituições funcionam segundo os pesos e contrapesos da democracia.

A mais alta Corte julgou, com vigoroso e técnico debate público, garantido amplo direito de defesa, importantes figuras do campo político no poder e cercanias. Condenou-se quando necessário, sem que isso representasse ameaça à estabilidade institucional. Ao contrário.

Esse é um dos fatores que garantem a segurança jurídica do país para, por exemplo, investidores nacionais e estrangeiros, alérgicos a aplicar seu dinheiro onde as regras do jogo mudam de um dia para o outro.

A esses investimentos está associada, na maior parte dos casos, a criação de riquezas, empregos e o progresso do país. No afã de controlar tudo, governos bolivarianos acabam tendo que administrar a escassez.

01 de junho de 2013
O Globo, Editorial

CLEPTOCRACIA DA IMPERATRIZ

 

 
Alpha Condé (presidente da Guiné) e Dilma Rousseff
Alpha Condé (presidente da Guiné) e Dilma Rousseff
 
Vejamos o início: “Com a prodigalidade de uma imperatriz, a doutora Dilma anunciou em Adis Abeba que perdoou as dívidas de doze países africanos com o Brasil. Coisa de US$ 900 milhões. O Congo-Brazzaville ficará livre de um espeto de US$ 352 milhões.
 
Quem lê a palavra “perdão” associada a um país africano pode pensar num gesto altruísta, em proveito de crianças como Denis, que nasceu na pobre província de Oyo, num país assolado por conflitos durante os quais quatro presidentes foram depostos e um assassinado, cuja taxa de matrículas de crianças declinou de 79% em 1991 para 44% em 2005. No Congo Brazzaville 70% da população vive com menos de US$ 1 por dia.

Lenda. Denis Sassou Nguesso nasceu na pobre província de Oyo, mas se deu bem na vida. Foi militar, socialista e estatizante. Esteve no poder de 1979 a 1992, voltou em 1997 e lá permanece, como um autocrata bilionário privatista. Tem 16 imóveis em Paris, filhos riquíssimos e seu país está entre os mais corruptos do mundo”.
 
 
Comento: Porra, fazer caridade política com o dinheiro dos outros é do caraglio. O galinácio (apud Old Man) já havia feito a mesma coisa. E antes dele, outros presidentes brasileiros também já. Qual dos nossos leitores DG não se lembra das Polonetas e outras. Nosso dinheiro parece que cresce soberbo nas planícies, como a soja.
 
O que não entendo é que o nosso orçamento não dá para atender às grandes necessidades de saúde, educação e segurança dos nativos de Pindorama, belo e formoso. Não há verba. Qual seria a mágica? Mas os nativos são cegos e surdos. Não vêem a mágica…
Elio refere ainda que “a doutora diz que o engajamento com a África tem um sentido estratégico”.   Entendeu agora a política? Não? Nem eu…
 
01 de junho de 2013
Anhangüera

UMA QUESTÃO DE OPINIÃO...

 

 
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As origens do rock and roll vem da transição entre as décadas de 1940 e 1950 do século passado, via uma mescla de diversos gêneros musicais (predominantemente negros) populares naqueles anos:  o gospel, a música folclórica, o blues – em especial as formas elétricas desenvolvidas em Memphis, New Orleans, Texas e outros lugares – à base do boogie-woogie tocado no piano e que foram se tornando conhecidos coletivamente como rhythm & blues.

Também adicionaram-se influências da música Country e do Jazz. Em 1956, Alan Freed, famoso disk-jockey estadunidense diz, no filme Rock, Rock, Rock, que o estilo é um rio musical que absorveu muitos riachos, R&B, Jazz, Ragtime, Cowboy music, canções country e música Folk. Todos contribuiram para o resultado, até desaguar em 1957 em Jailhouse Rock, canção de Elvis, cantor que já ganhara popularidade desde 1956.

 Acima um  exemplo do que quis dizer com época:
O conjunto estadunidense, da Califórnia, The Association, em atividade desde 1965, em apresentação recente, com a canção Never my love (nunca, meu amor) um rock balada (folk ou soft rock) sucesso em 1967, mais de quarenta anos depois, lota auditórios cheios de delinqüentes geriátricos, como podem ver no início do vídeo, que os ovacionam no final.
 
01 de junho de 2013
Magu

COTAÇÃO DO DÓLAR DISPARA SINALIZANDO QUE INTERVENCIONISMO ESTATAL DO GOVERNO DO PT AFUGENTA INVESTIDORES E PARALISA ECONOMIA


 
Apesar da intervenção do Banco Central, o dólar à vista --referência para as negociações no mercado financeiro-- fechou essa sexta-feira (31) em alta de 1,3% em relação ao real, cotado em R$ 2,137 na venda. É a maior cotação de fechamento desde 5 de maio de 2009, quando ficou em R$ 2,153.
 
Na semana, o dólar à vista acumulou ganho de 4,02% e, no mês, de 6,8%.
Depois de subir quase 1,7% pela manhã, o Banco Central promoveu no início da tarde um leilão de swap tradicional --equivalente a venda de dólares no mercado futuro-- quando a cotação da moeda no mercado à vista chegou a R$ 2,145 na venda. Foi a primeira intervenção do BC no câmbio desde 27 de março.
 
A operação ocorreu dois dias depois de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmar que o governo não usaria o mercado de câmbio como instrumento para controlar a inflação.
 
O dólar comercial --utilizado no comércio exterior-- fechou esta sexta-feira com valorização de 1,37%, para R$ 2,143 na venda.
 
No leilão de hoje, foram ofertados 30 mil contratos com vencimento em 1º de julho de 2013, dos quais 17.600 foram vendidos. A operação movimentou US$ 876,7 milhões.
 
"O que parece é que a intenção do BC foi apenas amenizar a alta do dólar. Isso porque, se ele quisesse, teria aceitado as ofertas para vender todos os contratos que foram colocados a venda, e não apenas 59% do total", afirma Hideaki Ilha, operador de câmbio da Fair Corretora.
 
A cotação do dólar chegou a subir quase 1,7% pela manhã, reduziu para 0,5% após o leilão do BC, mas voltou a subir no decorrer da tarde.
 
O dia foi marcado pela formação da ptax --taxa que é usada como referência na liquidação de diversos contratos de câmbio--, o que tende a estimular para cima a cotação da moeda, segundo operadores.
 
A alta do dólar também ocorreu depois da elevação na taxa básica de juros nacional --a Selic-- de 7,5% para 8% ao ano, conforme decisão do BC na última quarta-feira.
 
"Geralmente, o dólar cai em cenário de elevação dos juros. O que estamos vendo, porém, é que os investidores, especialmente os estrangeiros, não estão conseguindo confiar em nossa economia. Eles estão evitando aplicar no Brasil, preferindo colocar seus recursos em mercados com uma política econômica mais estável", diz Ilha.
 
Para Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, a entrada de dólares no país seguirá fragilizada, mesmo com uma Selic maior, por causa do intervencionismo do governo Dilma na economia.
 
Tal intervencionismo impediu a Petrobras de subir a gasolina, fez os bancos públicos reduzirem juros para forçar competição com os privados, diminuiu o ganho das empresas de energia para tornar mais barato o custo da eletricidade e promoveu o corte de uma série de impostos.
 
"Os investidores internacionais veem o governo interferindo em diversos segmentos da economia constantemente. Isso assusta e afasta os estrangeiros do país. Eles [os investidores internacionais] acabam colocando recursos em mercados com rentabilidade menor, mas com uma gestão política mais confiável."
 
01 de junho de 2013
in aluizio amorim

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE

                          CPI-Bomba apavora o Planalto!
 
01 de junho de 2013

NICOLÁS MADURO, O USURPADOR, AFIRMA QUE OS ESTADOS UNIDOS PLANEJAM INOCULAR VENENO EM SEU CORPO


 

Maduro é alvo de gozação pelas redes sociais.Fotomontagem da máquina norte-americana para inocular o câncer nos tiranetes bolivarianos que chegou ao blog pelo Twitter.
Nicolás Maduro, o usurpador.
 
Além de usurpador, Nicolás Maduro, o filhote de Chávez que abocanhou a presidência da Venezuela em mega-fraude eleitoral já se notabiliza pelos discursos bizarros recheados de teorias conspiratórias.
 
Desta feita a criatura emula o criador ao afirmar que o ex-Embaixador americano Roger Noriega, organiza em Miami uma missão para ir à Venezuela lhe inocular “veneno”. 
 
Embora não fale em câncer, Maduro diz que o tal “veneno” não será para matá-lo imediatamente, mas para que adoeça nos próximos meses.
 
No entanto, salientou que “não conseguirão (...) porque eu vou viver muitos anos e vou ser o presidente deste país por muitos anos também.”
A informação está no site do jornal El Nuevo Herald que transcrevo no original em espanhol:
EN ESPAÑOL - El presidente venezolano, Nicolás Maduro, aseguró este jueves que el ex embajador estadounidense Roger Noriega pretende junto a un grupo de expertos de Miami “inocularle” un veneno para enfermarle.
 
“Llegó un equipo de Miami junto a Roger Noriega (…) Están preparados para venir a Venezuela e inocularme el veneno a mí, no para que me muera en un día, para enfermarme en el transcurso de los meses”, dijo Maduro en un acto transmitido por el canal oficial VTV.
 
Noriega fue embajador ante la Organización de Estados Americanos entre 2001 y 2003 y el gobierno venezolano lo acusa con frecuencia de preparar planes en su contra.
 
“Tengan la seguridad que no van a lograrlo (…) porque yo voy a vivir muchos años y voy a ser presidente de este país por muchos años también”, agregó Maduro.
 
El presidente también se ha mostrado convencido de que a Hugo Chávez (1999-2013) le inocularon el cáncer que acabó con su vida el 5 de marzo, una sospecha ya expresada el año pasado por el fallecido mandatario.
 
01 de junho de 2013
in aluizio amorim

OPINIÃO DO ESTADÃO: TRANSNORDESTINA - MAIS ATRASADA E MAIS CARA

13/12/2010 – O maior e picatera do país e as obras de papel



Já custando quase o dobro do valor orçado, mas muito atrasada e ainda sem prazo confiável para sua conclusão, a construção da Ferrovia Transnordestina vai se transformando em mais um símbolo da exploração político-eleitoral das dificuldades do Nordeste pelo governo e pelos candidatos do PT e da incapacidade da administração petista de executar obras de acordo com o planejado. Tudo demora e tudo fica mais caro.
A Transnordestina soma-se a projetos destinados a melhorar a vida da população nordestina, mas cuja conclusão vai sendo sempre adiada e os custos, sempre aumentados. Estão nesse caso a transposição do Rio São Francisco e a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

A Transnordestina é um projeto muito importante para a região e resulta da ampliação e redesenho de planos que vinham sendo analisados pelo governo antes da chegada do PT ao poder, em 2003.

Quando concluída, ligará regiões produtoras do interior do Nordeste aos modernos Portos de Suape, em Pernambuco, e Pecém, no Ceará. Terá duas linhas principais, uma de orientação Oeste-Leste — entre Eliseu Martins, no interior do Piauí, e o Porto de Suape — e outra na direção Sul-Norte, de Salgueiro (onde se conecta à linha Oeste-Leste) até Pecém, passando por Fortaleza. Futuramente, a Transnordestina se interligará à Ferrovia Norte-Sul, o que criará a possibilidade de exportação de produtos da região pelo Porto de Itaqui, no Maranhão.

Estima-se que a Transnordestina poderá transportar cerca de 30 milhões de toneladas de carga por ano, evitando que a produção agrícola e mineral de diferentes regiões do Nordeste tenha de percorrer milhares de quilômetros por caminhões, muitas vezes até portos da Região Sudeste, por onde é escoada para o exterior, com alto custo para produtores, exportadores e para o País.

Sua importância estratégica mais do que justifica sua construção. Torna-a urgente. Disso têm consciência os governantes petistas. O ex-presidente Lula, por exemplo, transformou a Transnordestina num dos principais projetos de seu governo — afinal, é na Região Nordeste que os candidatos petistas têm alcançado os resultados eleitorais mais expressivos — e prometeu inaugurá-la ainda em seu governo, que terminou em 2010.

Mas, iniciadas em 2006, a um custo inicial de R$ 4,5 bilhões, as obras enfrentaram dificuldades desde o começo. Um dos primeiros problemas surgiu na definição do papel e das responsabilidades das partes envolvidas no projeto, que formalmente está a cargo de uma empresa privada controlada pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), mas cuja execução está sendo em grande parte financiada por bancos estatais. Quando chefe da Casa Civil, e chamada pelo então presidente Lula de "gerente do PAC", Dilma Rousseff chegou a ameaçar a CSN com o cancelamento da concessão para operar a Transnordestina, que seria inteiramente estatizada.

Depois, atrasos no licenciamento ambiental e nas desapropriações, de responsabilidade de governos estaduais, paralisaram o projeto. Revisões dos custos da obra, artificialmente comprimidos na elaboração do orçamento original, também retardaram os trabalhos.

Embora Lula tenha "inaugurado" um curto trecho da ferrovia, dois anos e meio depois de encerrado seu mandato a obra não está nem na metade, mas seu custo quase dobrou. Apesar de a presidente Dilma Rousseff ter afirmado, há pouco mais de um ano, que "não pretendemos ficar elevando indefinidamente o preço", a última revisão, feita no início deste ano, o elevou para R$ 7,5 bilhões.

Mas a CSN insiste em que o valor total não será inferior a R$ 8,2 bilhões, como se estimava em 2006.
Tendo sido desmentida quanto a custos, Dilma o será também com relação a prazos. Na última vez em que visitou as obras, em fevereiro de 2012, disse que tomaria todas as medidas para que a ferrovia ficasse pronta até o fim de 2014, quando termina seu mandato. A mais recente previsão do Ministério dos Transportes é de que a Transnordestina só será entregue em dezembro de 2015.

01 de junho de 2013
abobado

CAXIROLA E A FACILIDADE DESSE GOVERNO ORDINÁRIO DE FABRICAR MICOS

Chocalho de Carlinhos Brown está proibido até na Copa de 2014

 


Os atrasos e falhas ainda preocupam, mas pelo menos de um mico o Brasil já se livrou antes da Copa do Mundo de 2014. A caxirola está oficialmente fora dos estádios da competição, anunciou nesta sexta-feira o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O chocalho de plástico inventado pelo cantor Carlinhos Brown já tinha sido descartado para a Copa das Confederações por decisão do chefe de segurança do Comitê Organizador Local (COL).

Agora, o governo se manifesta publicamente sobre o projeto bilionário que ele próprio tinha autorizado — e admite que permitir a entrada do objeto nos estádios seria arriscado. A caxirola continuará sendo vendida nas lojas, mas é improvável que o objetivo ambicioso de Brown e seus sócios — produzir até 50 milhões de unidades — seja alcançado.

A "vuvuzela brasileira" tem tudo para se confirmar como um grande fiasco, mesmo depois de ser anunciada como instrumento oficial do Mundial de 2014 durante um evento realizado no Palácio do Planalto, com a presença da presidente Dilma Rousseff, entusiasta da novidade. "Houve uma análise técnica sobre a segurança da caxirola e viu-se que não é objeto adequado.
Essa posição vai ser mantida", disse Cardozo, em referência à posição já anunciada pelo COL. A empresa que fabrica a caxirola chegou a tentar mudar o projeto, deixando o objeto mais leve e flexível, mas isso não foi o bastante para convencer o governo.



No mês passado, durante uma partida entre Bahia e Vitória, torcedores da equipe tricolor protestaram atirando no gramado as caxirolas que tinham sido distribuídas gratuitamente antes do jogo.
Os jogadores do Bahia tiveram de retirar os objetos de plástico do campo para que a partida pudesse ter sequência, num episódio que acabou ficando conhecido como "a revolta das caxirolas".

O chocalho de plástico foi vetado no clássico seguinte, depois de uma reunião que contou com a participação de representantes da PM, da prefeitura, da Federação Baiana de Futebol, da Justiça e de torcidas organizadas. O uso das caxirolas como arma despertou a preocupação da Fifa e do COL, que já estudava banir o objeto das partidas do Mundial para evitar qualquer tipo de risco.

Na segunda, o chefe de segurança do COL, Hilário Medeiros foi categórico ao comentar o assunto. "Não é permitida a entrada de torcedores com qualquer instrumento musical, e a caxirola entra neste quesito", avisou Medeiros em entrevista coletiva no Rio de Janeiro. "Estamos adotando isso já nos jogos-testes e, na Copa das Confederações, a regra também vai valer."

O governo federal, através do Ministério do Esporte, avisou que não tinha se pronunciado oficialmente a respeito do assunto. A pasta chancelou o projeto de Brown como uma das ações culturais oficiais do Mundial, abrindo a porta para que Brown iniciasse a captação de recursos para a empreitada.

01 de junho de 2013
Veja online
 

CELULAR DENTRO DA ESCOLA? SIM!

Valorizar a utilização dos recursos tecnológicos nas salas de aula, de forma a favorecer o aprendizado e tornar o processo de ensino e aprendizagem mais significativo para crianças e adolescentes, faz com que os alunos utilizem ferramentas que já fazem parte do seu dia a dia. O celular, neste caso, pode ser visto como mais um recurso para que os professores desenvolvam suas aulas e projetos, dado que, atualmente, é difícil ver quem não o utilize.

A introdução do celular na sala de aula não é algo que acontece de um dia para o outro, considerando que a escola e alguns professores ainda têm características tradicionais de ensino. O uso de celulares nas salas de aula exige mudanças, e mudar não é tão simples, pois o ser humano resiste às mudanças. Aqueles professores que ainda não têm habilidade com as tecnologias precisam estar dispostos a aprender e, assim, incorporar gradativamente o uso da tecnologia em seus conteúdos, possibilitando aulas mais atrativas e desafiadoras.

Não precisa solicitar, o aluno já leva este objeto para a sala. Quer queira ou não, o celular faz parte do seu dia a dia, como as redes sociais fazem parte do cotidiano de vários alunos. A dimensão dessa junção “Aula, Conteúdo e Celular” estimula os alunos a participar mais das aulas, afinal, muitas crianças dão “show” ao usar seus celulares. 
É importante considerar que a proibição do uso de celular em sala de aula desperta ainda mais o desejo de usá-lo. “Tudo que é proibido é mais gostoso”. Mas, infelizmente, a escola tem buscado formas de proibir a entrada deste objeto em suas dependências. 

Contudo, façamos a análise: O professor fica sem o seu celular? Fica aí uma pergunta para reflexão. Por outro lado, se o celular for colocado como objeto de estudo e pesquisas, poderá apoiar o desenvolvimento das habilidades sociais do século XXI. 
Conteúdos e habilidades podem ser trabalhados e até otimizados com o uso do celular no desenvolvimento de Projetos. Por exemplo, num projeto em que o objetivo é explorar a cultura, os recursos do celular podem ser úteis para captar informações nos bairros, cidade e até mesmo em várias regiões do Brasil.

Se um projeto tiver a intenção de fazer com que os alunos conheçam os valores através dos tempos, é possível entrevistar funcionários da própria escola ou parentes, utilizando recursos próprios do aparelho como Filmagens, Imagens, Entrevistas, Gravações, Comunicação, além de envio de mensagens com dúvidas, avaliações e dicas diversas relacionadas às disciplinas. Qualquer conteúdo pode ser trabalhado usando o celular, contudo, é fundamental o planejamento do professor para que os objetivos ao usar esta ferramenta sejam alcançados.

O potencial do celular dentro de uma sala é o estímulo que ele causa nos alunos e a independência e autonomia que desenvolve, colocando-os como coautores do próprio conhecimento. Alunos que se deparam com objetos que já vivenciam fora da escola sentem-se mais seguros e independentes dentro do ambiente escolar e na construção do seu conhecimento, devido à facilidade que têm ao manusear a ferramenta.

O fato de usar o celular na sala de aula não é simples, é necessário um planejamento, uma proposta pedagógica alinhada à tecnologia. Há, é verdade, algumas leis de proibição, mas, comprovando-se o objetivo pedagógico e o avanço dos alunos, quem sabe isso pode mudar.

A utilização do celular promove o desenvolvimento intelectual, social e cognitivo de maneira conjunta, pois ele é um estímulo para auxiliar na assimilação dos conteúdos pedagógicos. Quando são propostos novos caminhos para aprender, o desenvolvimento intelectual acontece de forma natural, pois há exercício da capacidade de pensar. A informação se transforma em conhecimento.

Para quem deseja realizar este trabalho com os alunos, pode começar fazendo uma pesquisa de aplicativos pedagógicos. Existe uma grande variedade disponível no mercado para utilização gratuita. Essa é uma tarefa do Educador, que precisa avaliar a potencialidade desses aplicativos para atingir, especificamente, os objetivos traçados no planejamento das aulas.

Pense bem antes de utilizar qualquer recurso, prepare sua aula com muita dedicação, para que, no final, você seja mais um exemplo de sucesso com o uso de recursos digitais na educação.

01 de junho de 2013
Ana Paula Barros de Paiva é Orientadora Educacional na área de Informática Educacional na empresa Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br); Graduada em Pedagogia com ênfase em projetos educativos, com larga experiência no ensino e desenvolvimento da Educação Infantil em escolas públicas e privadas. 

MAIS LIVROS, MAIS LEITURA

Um dos mais influentes escritores brasileiros do século XX, Monteiro Lobato dizia que “um país se faz com homens e livros”, frase que se tornou célebre por destacar a importância da leitura para a formação do cidadão e de um povo. Lobato foi contista, ensaísta, tradutor e editor de livros, além de advogado, fazendeiro, diplomata e empresário. Mas ficou mesmo conhecido pelo conjunto de sua obra educativa voltada às crianças, com histórias que marcaram a infância de gerações seguidas, como os antológicos personagens do Sítio do Picapau Amarelo. 

Era seu sonho fazer livros que abrissem as portas da imaginação infantil: “Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar”. E foi o que conseguiu, tornando-se íntimo de muitos brasileiros. É, sem sombra de dúvidas, o escritor mais amado do país, como atesta a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro e Ibope. Em suas duas edições, de 2007 e 2011, Lobato aparece em primeiro lugar na preferência nacional.

Paulista de Taubaté, nasceu em 18 de abril de 1882, e, por sua importância para a literatura infantil (mais da metade de sua produção é dedicada às crianças), a data de seu nascimento foi instituída como o Dia Nacional do Livro Infantil. À parte a merecida homenagem, este é um momento mais do que oportuno para repensarmos o papel do livro e da leitura na sociedade brasileira e, em especial, como está a formação de nossas futuras gerações.

A mesma pesquisa sobre leitura no Brasil revela dados preocupantes. Entre a primeira edição, de 2007, e a última, de 2011, houve uma drástica diminuição no índice de leitura no país. A média de livros lidos por habitantes caiu de 4,7 livros por ano para 4,0, muito inferior ao de países desenvolvidos, onde as pessoas leem em média dez livros no mesmo período. A maioria da população, de qualquer idade, prefere assistir televisão ou navegar na internet, a ler um livro. 

Esses índices têm impacto diretamente sobre as competências de um povo, pois a pouca leitura diminui o olhar critico para o cotidiano. De acordo com pesquisa da Unesco, órgão das Nações Unidas para a educação, o Brasil está entre os piores avaliados em termos de leitura e compreensão de texto: ocupa o 47º lugar entre os 52 países pesquisados.

Os motivos para os baixos índices de leitura no país vão desde os altos custos do livro até a falta de incentivo à leitura. E é aí que vem o problema. Para muita gente, ler não é sinônimo de diversão, mas sim de obrigação. Ler, entretanto, pode ser uma experiência maravilhosa. É uma forma de apreender o mundo e se colocar nele. Vai muito além de percorrer frases com os olhos e decodificar o que está escrito. Ler é aprender, ensinar e explicar. É por meio da leitura que se tem acesso ao conhecimento, que conseguimos sonhar de olhos abertos, viajar sem sair do lugar. 

A leitura tem um papel significativo no desenvolvimento social, emocional e cognitivo da criança, contribuindo para a formação de um indivíduo crítico e ativo, responsável por sua aprendizagem e atuante na sociedade, por compreender o contexto em que vive e identificar como modificá-lo de acordo com a necessidade. 

Mas não é isso o que tem acontecido. As novas tecnologias estão cada vez mais ocupando um lugar importante no nosso cotidiano e principalmente no dia a dia das crianças. É comum vê-las brincando sozinhas com aparelhos sofisticados, de computadores e videogames, passando por outros aparatos tecnológicos. A internet pode ser uma fonte inesgotável de informações que ajudam na aprendizagem, mas isso só se realiza se o usuário já é um leitor para que possa aproveitar todas as oportunidades que o recurso oferece. 

A leitura não está sendo explorada nem pelas escolas e nem pelas famílias. Nas escolas, devido a pouca informação dos professores e a pesada carga diária a que são submetidos, a prática da leitura acaba sendo relegada. É possível imaginar um professor de natação que não saiba ou não goste de nadar? Mas nas salas de aula há hoje professores desabituados à prática da leitura. Cria-se assim um círculo vicioso. O mesmo se repete nas famílias: as crianças não veem em seus pais o exemplo. 

É possível reverter essa situação. Segundo especialistas, existem dois fatores para despertar o gosto da leitura nas crianças: a curiosidade e o exemplo. O livro precisa ter no lar a mesma importância que a televisão. Cabe aos pais lerem mais para os filhos, transformando aquele momento numa experiência de troca de afeto e de informações. Basta se ter em mente que ler é um hábito que começa a ser construído desde o  nascimento. 

É saudável, já no primeiro ou segundo ano de vida da criança, os pais investirem em livros de pano ou plástico com figuras atraentes, para que elas se familiarizem com o formato e o virar as páginas. Outro costume importante é ler “estórias” aos filhos antes deles dormirem (e não se importar ao contar dez vezes a mesma “estória”), ou simplesmente levar as crianças a bibliotecas ou livrarias. Ao mesmo tempo, cabe aos pais lerem mais para si mesmos, para dar o exemplo e desenvolver na criança o hábito de ler por prazer, não por obrigação. 

Para melhorar a situação nas escolas, cabe ao poder público investir na formação docente. É preciso uma política do livro e da leitura que subsidie programas de acesso ao livro e crie condições para que sua prática seja estimulada por professores preparados para mergulharem com seus alunos no maravilhoso mundo das aventuras, mistérios e fantasias que o livro pode trazer.

Se pais e professores acreditarem que, além de informar, instruir ou ensinar, o livro pode dar prazer, encontrarão meios de mostrar isso a seus filhos e alunos. Naturalmente, a criança vai querer descobrir toda a alegria, prazer e magia que a leitura proporciona. E quem sabe com esse novo hábito – a leitura – , podemos pensar mais e melhor o futuro do Brasil.

01 de junho de 2013
Jean Gaspar, mestre em Filosofia pela PUC/SP, é presidente da Liga do Desporto, entidade que promove atividades físicas e desportivas como instrumento de educação e formação da cidadania. 

A NOVA DIMENSÃO DOS LIVROS E DAS ESCOLAS

A harmoniosa convivência do livro impresso, cada vez mais bonito e lúdico, com o e-book é uma nova realidade do mercado editorial, tornando infrutífera a discussão sobre o risco de extinção do primeiro. As editoras, mais do que nunca, tornam-se provedoras de conteúdos e espaço de produção criativa, no qual interagem autores, ilustradores, tradutores, capistas, designers gráficos, revisores e, agora, os profissionais de TI especializados na elaboração de edições digitais.

Eletrônicos ou impressos, não há livros de qualidade, em todos os gêneros, inclusive os didáticos, sem boas ideias, criatividade e, principalmente, ótimos conteúdos. Considerada essa premissa, o advento do e-book, ao invés de limitante do livro convencional, agrega valor e acrescenta novas experiências. Cria possibilidades instigantes e permite pensar em maior interatividade e na exploração de todo o potencial das plataformas multimídias.

Para as novas gerações, sem dúvida, os formatos digitais são muito atrativos e certamente contribuirão para ampliar o número de leitores, um objetivo do mercado a serviço do País, pois somente a democratização do conhecimento permitirá a permanente ascensão socioeconômica da população.

Alguns números referendam esses movimentos propiciados pela tecnologia. Nos Estados Unidos, mais de 10% do mercado são cobertos por livros digitais, significando faturamento de um bilhão de dólares. Isso equivale a cerca de 20% das receitas das editoras norte-americanas. No Reino Unido, aproximadamente 8% das vendas do mercado editorial são referentes ao e-book. Os dados são de 2010.

Com a internet, a informação foi democratizada e a criação estimulada. Esse avanço tem reflexos na produção de livros. O Google calcula que, antes da Web, havia 130 milhões de títulos disponíveis. Depois de seu advento, o número aumentou para 676 milhões.

Surgiram novos leitores e autores como resultado das novas possibilidades abertas pelos computadores, tablets e a rede mundial. Tudo isso conspira a favor do livro. Cabe às editoras disponibilizarem ao público versões de qualidade dos livros impressos e dos digitais. As avançadas tecnologias da indústria gráfica e da eletrônica, respectivamente, possibilitam que se atenda às duas vertentes com elevada qualidade.

Para editoras como a nossa, com forte atuação no âmbito do público infantojuvenil, o e-book é ainda mais relevante como mídia para a expansão da leitura. Para essa nova geração de leitores, é muito simples baixar conteúdos da internet por meio de computadores, ou via Apple Store ou Google Play para tablets e celulares.

A convergência de mídias, uma realidade já concretizada, também permite ampliar as possibilidades do livro convencional: com o uso da câmera fotográfica do tablet ou do smartfone apontada para as páginas impressas, é possível ver imagens animadas em 3D.

As possibilidades são infinitas, contribuindo para o estímulo à leitura. No caso dos livros didáticos, por exemplo, esses recursos são fantásticos, conferindo vida aos elementos da biologia, a personagens da história e aos fenômenos da natureza, com utilização possível em casa, nas salas de aula e nas bibliotecas.

Escolas particulares já estão utilizando os tablets para professores e alunos, agregando aos conteúdos todas as possibilidades de interatividade, pesquisa e informação em tempo real. A adoção do e-book também nas escolas públicas, a partir de 2015, conforme anunciou o governo, é um passo importante para a sua disseminação e também para o avanço da qualidade do ensino no País. 

Estamos diante de uma nova e irreversível dimensão do livro. Compete-nos, como editores, prospectá-la com a máxima eficácia, para multiplicar a base de leitores no Brasil.     
 
01 de junho de 2013
Antonio Luiz Rios, economista, é o diretor-superintendente da Editora FTD.