"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 27 de setembro de 2011

ESQUERDA x DIREITA (Parte 2)


A crise da direita

Apesar do surgimento do comunismo na Rússia, o capitalismo nos EUA experimentava uma nova revolução no início do século XX, com a produção em série iniciada pelo fundador da Ford. Mais uma vez, vale ressaltar, que os ganhos de produtividade ficaram restritos apenas aos patrões. As jornadas de trabalho continuavam muito elevadas, as condições de trabalho precárias e agora o trabalho ganhava um caráter robótico com o fordismo, já que cada funcionário agora era contratado para executar apenas uma tarefa repetida o dia inteiro.

Com o início da I Guerra Mundial, em 1914, o progresso norte-americano foi ainda mais intensificado, pois os EUA passaram a exportar quase tudo para a Europa.

Com o fim da guerra, no entanto, o cenário começou a mudar, tanto que já em 1924 ocorreu uma acentuada queda na atividade econômica. Para contrabalancear os efeitos negativos para economia, os bancos norte-americanos, comandados pelo Federal Reserve (FED), criaram repentinamente US$500 milhões em crédito novo, o que elevou a expansão do crédito em mais de US$ 4 bilhões em menos de um ano. O artificialismo desta e outras ações do governo nos anos seguintes não só protelaram a crise iminente, como jogaram ainda mais combustível na bolha que se formava.

E como sempre acontece, a “fatura” da irresponsabilidade governamental finalmente chegou. Aos poucos as indústrias norte-americanas começaram a ter dificuldade de escoar a produção. Havia mais mercadorias que consumidores e, consequentemente, os preços caíram, a produção diminuiu, o desemprego aumentou e, por fim, as ações das empresas valorizadas artificialmente despencaram, o que levou a quebra da bolsa de valores de Nova York, em 1929.

A mais grave crise da história do capitalismo se estendeu até a II Guerra Mundial, atingindo principalmente os países que tinham relações mais estreitas com os EUA, como Canadá, Reino Unido e Alemanha, como, aliás, ocorreu também recentemente na Crise de 2008.

Na Alemanha, a Grande Depressão teve também uma conseqüência ainda mais nefasta, pois criou as condições necessárias para a ascensão de Hitler ao poder.

Nos países periféricos como o Brasil e a Argentina, por exemplo, a Crise de 1929 foi sentida quase como uma “marolinha”. Assim como na Crise de 2008, num primeiro momento, o impacto foi forte, reduzindo nossas exportações pela metade, principalmente de café, produto responsável por 70% das nossas exportações. A médio prazo, no entanto, a Grande Depressão abriu caminho para a adoção de um modelo econômico centrado na substituição de importações e na intervenção estatal, da mesma forma que a crise de 2008 consolidou a posição dos países emergentes como novos protagonistas do novo cenário mundial.

Enquanto isso, os efeitos negativos da Grande Depressão atingiam seu ápice nos EUA em 1933, quando o então presidente norte-americano Franklin Roosevelt aprovou uma série de medidas, que ficaram conhecidas como “New Deal” (Novo Acordo), com o objetivo de recuperar e reformar a economia norte-americana e diminuir seus efeitos sobre os mais pobres.

Entre as medidas propostas, destacamos:

1.A destruição dos estoques agrícolas excedentes, para normalizar os seus preços;

2.O controle dos preços e da produção, para evitar a superprodução na agricultura e na indústria;

3.Investimento maciço em obras públicas, com o objetivo de gerar novos empregos;

4.A diminuição da jornada de trabalho, com o objetivo de abrir novos postos de trabalho.

5.Fixação de um salário mínimo, criação do seguro-desemprego e do seguro-velhice para os maiores de 65 anos.

Qualquer semelhança com as políticas adotadas por Getúlio Vargas não é mera coincidência. Aqui também ele ordenou a queima de toneladas de café, instituiu os direitos trabalhistas, aumentou a participação do Estado na economia, etc.

Vale ressaltar ainda que os direitos básicos dos trabalhadores, assim como a instituição da jornada de 48 horas semanais já haviam sido ratificados por uma convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que contou a participação de 52 países já em 1919. Tanto Vargas quanto Roosevelt, portanto, apenas acataram uma decisão internacional, tanto que apenas três anos após o New Deal, os franceses reduziram ainda mais quatro horas na jornada semanal.

Portanto, Vargas não inventou nada. Assim como Lula, apenas seguiu uma tendência mundial e capitalizou politicamente o bons ventos da economia. Qualquer que fosse o presidente da época, portanto, as ações teriam sido semelhantes, como, aliás, ocorreu em vários outros países. No entanto, para a grande massa, o ditador populista e simpatizante de Hitler, Getúlio Vargas, entrou para a história como o “pai dos pobres”, principalmente depois do seu suicídio, seu xeque-mate na oposição.

Mas, voltando ao coração do capitalismo, o New Deal (adotado também pela Alemanha), serviu de base para Keynes sistematizar sua obra “A Teoria geral do emprego, do juro e da moeda”, publicado três anos após a divulgação das medidas de Roosevelt, tornando-se uma espécie de bíblia para economistas do mundo inteiro, até meados dos anos 70, quando suas principais teses começaram a ser contestadas. Sobre este assunto falaremos brevemente. Antes, porém, vamos dar uma revisada na trajetória da esquerda na primeira metade do século XX.

A ascensão da esquerda

Voltando um pouco a questão da Revolução Russa, que falamos resumidamente no final do último post, é necessário dizer que tal revolução foi precedida de uma luta interna entre duas correntes de pensamento do Partido Operário Social-Democrata Russo: os mencheviques: que defendiam uma revolução gradativa, esperando o desabrochar das contradições capitalistas para então dar início efetivo à ação revolucionária de uma forma mais pacífica possível; e os bolcheviques, liderados por Lenin, que achavam imprescindível a luta armada para se chegar ao poder e então estabelecer a “ditadura do proletariado”, na qual também estivesse representada a classe camponesa. Tal estrutura seria então conduzida por um único partido, que teria um papel não apenas de conduzir o país, como também para servir de elo de comunicação com as massas e, claro, garantir a unanimidade necessária para sustentar o novo regime. Começava então o estado-policial russo que se expandiu para as demais repúblicas da chamada União das Respúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), criada cinco anos após a Revolução de 1917.

Qualquer semelhança com o governo do PT não é mera coincidência. O populismo, a exaltação do Estado, a manipulação das massas contra o “inimigo capitalista” (ou de “conspirações da direita” ou da “mídia”), as pseudo-democráticas reuniões comunitárias (que servem mais para “legitimar” as ações do governo do que realmente dar voz ao povo) são algumas das características que se tornaram um padrão nos partidos de esquerda que chegam ao poder, democraticamente ou não.

Mas, voltando o início do século XX, com a morte de Lenin, em 1934, uma nova divisão surgiu entre os comunistas liderados por dois companheiros muito próximos de Lenin e candidatos a sua sucessão: Trotski e Stalin.

O primeiro acreditava que o socialismo somente seria possível se fosse construído em escala internacional. Em outras palavras, a revolução socialista deveria ser exportada à Europa e ao mundo. Nesta época, Trotski já percebia que a economia planificada comunista nunca teria o mesmo dinamismo capitalista e, portanto, ao longo do tempo ficaria para trás, como de fato aconteceu.

Já Stalin preferia concentrar os esforços na construção do socialismo na URSS, pois acreditava que a “revolução permanente”, defendida por Trotski, comprometeria a consolidação do socialismo soviético.

Ambos estavam corretos, embora nenhuma das duas correntes tivesse realmente chance de sucesso. Caso a corrente trotskista tivesse vencido, certamente o comunismo teria naufragado já na primeira metade do século XX, pois seria muito difícil (quase impossível) implantar o comunismo em escala global. Portanto, se as idéias de Trotski tivessem prevalecido, certamente a II Guerra Mundial não teria tido Hitler como principal inimigo, e sim o comunismo.

Como venceu Stalin, o comunismo ganhou um pouco mais de fôlego e sobreviveu por quase todo o século XX. Iniciava-se então a fase de maior progresso da URSS e também de maior repressão.

Existem muitas divergências sobre o número de mortos vítimas do stalinismo, mas é certo que o total esteja na casa dos milhões. Stalin não poupou nem mesmo seu ex-companheiro,Trotski, que viria a ser assassinado anos depois, no México, a golpes de picareta na cabeça, por um agente de segurança soviético.

No próximo post, vamos falar do período de maior polarização entre a direita e esquerda, a partir da segunda metade do século XX.

Amilton Aquino

MAIA DECIDE NÃO ANULAR SESSÃO-FANTASMA DE COMISSÃO


O petê Marco Maia, presidente da Câmara, reuniu-se com o companheiro João Paulo Cunha, mandachuva da Comissão de Constituição e Justiça.

Conversaram sobre providências a adotar, para atenuar um vexame que ronda o noticiário desde a semana passada.

Veja lá no vídeo (apresentado em outro post): reunida por três minutos, com a presença de apenas dois deputados, a comissão de Justiça aprovou 118 propostas.

Pois bem. Marco Maia e João Paulo decidiram cruzar os braços. Repetindo: optaram por validar o acinte.

Desde a véspera, Marco Maia esforçava-se para apelidar o anormal de normal:

"Se vocês acompanharem as sessões de quinta-feira aqui na Câmara, vocês vão ver que nós só votamos aquelas matérias em que há acordo absoluto dos líderes…”

“...Se um líder, ou um deputado, levanta um questionamento e diz 'eu quero discutir esta matéria', ela sai da pauta."

Quer dizer: a sessão-fantasma de quinta passada foi igual a muitas outras. A única diferença foi o flagrante.

Melhor dar o visto pelo não visto. Até porque, na ata oficial, a pantomima tem ares de verdade. No vídeo da Câmara, o ermo do plenário não aparece.

No mais, resta anotar duas constatações: se tem deputado fazendo eleitor de idiota é porque existe matéria prima.

Se você, depois de ler o texto acima, está se sentindo um perfeito idiota, parabéns. Já começou a deixar de sê-lo.

Josias de Souza

BRASIL E BÔNUS DEMOGRÁFICO: CRÔNICA DE UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA


Por “tragédia anunciada”, ou apenas antecipada, desejo referir-me ao fato – na verdade ainda uma hipótese – de que o Brasil vai perder a chance única de que dispõe como sociedade para crescer e ficar rico no momento de maior potencialidade produtiva de sua população, fenômeno conhecido como “bônus demográfico”, ou seja, a melhor (e maior) relação possível entre o número de ativos e o de dependentes na sociedade. Dentro de 25 a 30 anos essa relação não apenas vai se inverter, como a situação vai começar a ficar mais preocupante, em termos de maiores despesas com a terceira idade, e uma riqueza acumulada insuficiente para cobrir despesas de saúde e as previdenciárias.

Colagem de Luiz Rosemberg Filho

Observando o que tivemos de 2003 até aqui, e que promete prolongar-se de 2014 até 2022, eu ousaria antecipar uma imensa perda para o Brasil: pelo menos metade do bônus demográfico será desperdiçado em distributivismo demagógico, com uma deterioração ainda maior dos padrões educacionais (em todos os níveis, com uma mediocrização absoluta e relativa de todos os ciclos educacionais, tendo em conta as “pedagogas freireanas” que dominam a educação no Brasil, as novas saúvas do nosso país), e uma perda de oportunidade completa para fazer crescer a produtividade do trabalho humano.

Em outros termos, vamos continuar crescendo pouco, e descendo ainda mais na agregação de valor no capital humano, com custos de transação aumentando (em virtude do desmantelamento atual, e futuro, das instituições públicas) e perda de competitividade relativa e absoluta do Brasil no contexto do Mercosul, da região e do mundo. Ou seja, vamos decair como decaíram a China, desde o século XIX, como a Inglaterra nos primeiros 80 anos do século XX, e a Argentina desde os anos 1930 (e continuando até hoje); vamos ficar atrás dos asiáticos e outros países.

Minha análise é, obviamente mais sociológica (e, portanto, mais impressionista), do que seria um exame econômico, portanto mais fiável e colado na realidade, mas esta é a minha visão do processo que assisto hoje no Brasil, vendo comparativamente o que ocorreu com outras sociedades, em outras épocas. Estamos entrando (já entramos há muito tempo) numa República Sindical ainda mais medíocre do que o padrão argentino (que tinha alguma ideologia atrás de si, enquanto o nosso se baseia unicamente na ignorância de 70% do eleitorado), e que promete ficar conosco durante toda a duração do bônus demográfico.

Ou seja, sou pessimista, apenas moderadamente na vertente econômica, mas absolutamente na vertente educacional. Creio que estamos perdendo uma imensa oportunidade de “ficar ricos” – relativamente, claro – enquanto podemos contar com esse bônus; depois disso será muito tarde.

E por que perderemos? Porque a produtividade da mão de obra no Brasil é baixa e continuará baixa pelo futuro previsível, com a educação de qualidade medíocre que temos hoje e que continuaremos a ter nos anos à frente.

Em outros termos, perdemos e perderemos, de forma agravada, pois imagino que a carga fiscal continuará aumentando em virtude da inevitabilidade dos aumentos já encomendados dos gastos públicos, com previdência, salario mínimo, funcionalismo, transferências a gregos e goianos (ou melhor, aos capitalistas, banqueiros e recebedores da Bolsa-Família). Além de todos os problemas decorrentes do aumento, ainda que menor, da dívida pública e, portanto, da drenagem da poupança privada (voluntária) pelos mecanismos compulsórios de requisição estatal, ademais da compressão contínua dos investimentos públicos pelos gastos constantemente altos com juros.

Como se vê, sou bastante pessimista quanto à má qualidade e à falta de visão de nossos dirigentes atuais (de qualquer vertente, pois a oposição também é inconsequente). Acredito, aliás, que o melhor que poderia ocorrer ao Brasil, quanto antes melhor, seria uma crise fiscal, ou uma crise de transações correntes, pois uma delas, ou as duas, pelo menos nos obrigaria a fazer alguns ajustes.

De outro modo, só uma “fronda aristocrática” – ou seja, uma revolta dos empresários contra a extorsão tributária – poderia iniciar um processo necessário de reformas, o que acredito, contudo, que não ocorrerá, pois os nossos capitalistas, organizados por sindicatos de aproveitadores, como sabemos, estão muito empenhados em arrancar favores fiscais, proteção tarifária e crédito subsidiado do ogro estatal que os explora do outro lado, e a todos nós.

Acho que vamos decair lentamente, um pouco como a Inglaterra nos primeiros 80 anos do século 20...

Por Paulo Roberto de Almeida,
Brasília, 29/8/2011

O MUNDO SEM O ONZE DE SETEMBRO: EXPLORANDO HIPÓTESES


Imaginemos, por um momento, que não tivesse ocorrido o Onze de Setembro. As duas torres gêmeas ainda fariam parte do skyline do sul de Manhattan e o Pentágono não teria sido renovado, continuando, portanto, a exibir sua horrível arquitetura stalinista (que, por sinal, ele ainda tem, a despeito das fachadas mais limpas e menos cinzentas). Mais importante, três mil pessoas não teriam sido barbaramente eliminadas – e me desculpo imediatamente por não mencionar isso em primeiro lugar – por um dos mais espetaculares (e cinematográficos) atentados jamais ocorridos na história.

Claro, outras matanças “terroristas” produziram muito mais vítimas, algumas delas até em doses concentradas (ou delongadas, como os crimes igualmente bárbaros ou genocídios perpetrados por déspotas e tiranos como Hitler, Stalin, Mao e outros candidatos menores), mas nenhuma, até aqui, frequentou tanto os espaços da mídia quanto aquela perpetrada numa bela manhã de céu azul do final do verão americano. Nenhuma dessas outras matanças – historicamente mais relevantes – foi vista ao vivo por milhões de pessoas ao redor do mundo; a repetição contínua, nos canais de TV, dos ataques às torres gêmeas ainda nos enche de horror e de estupefação (ainda que sem mais a completa surpresa daqueles momentos terríveis).

Imaginemos, então, que não tivessem ocorrido esses ataques – aliás dotados de “tecnologia” relativamente ingênua, cujos autores poderiam ter sido detectados e interceptados a caminho de seu intento criminoso – ou que, simplesmente, o cérebro que esteve por trás de seu planejamento pudesse ter continuado suas ações “normais” de terrorismo localizado, sem conceber tal tipo de ação verdadeiramente espetacular. O mundo não teria esse “marco fundador do século XXI” assim classificado por cronistas e observadores contemporâneos (e que talvez seja confirmado pelos historiadores). Não teria deixado de existir Al Qaeda e atentados terroristas, mas teríamos sido poupados do horror desse marco simbólico do terrorismo fundamentalista da era contemporânea.

Sem esses ataques o mundo teria sido muito diferente? Vejamos, por meio de um exercício de imaginação, como seria, ou como poderia ser, o mundo atual, sem o Onze de Setembro.

O Afeganistão, em primeiro lugar, seguiria por alguns anos mais – não sabemos exatamente quanto tempo mais – com o horrível regime dos talibãs, que continuaria a oprimir as suas mulheres (e os homens também), seguiria desmantelando estátuas e símbolos iconoclastas em sua concepção (como a lamentável destruição dos budas gigantes de Bamian), e continuaria, obviamente, a abrigar bases de treinamento de grupos terroristas ao estilo da Al Qaeda (que continuaria planejando ataques contra alvos americanos e ocidentais, como o do U.S.S. Cole, nas costas do Iêmen, ou das embaixadas em Nairóbi e em outros lugares).

O Paquistão vizinho, em segundo lugar, continuaria abrigando grupos terroristas, que continuariam atacando alvos na Cachemira ocupada ou na própria Índia. Palestinos e israelenses continuariam se matando uns aos outros, em pequenos e grandes atentados. A teocracia iraniana também continuaria oprimindo seus dissidentes e sustentando grupos terroristas e nacionalistas da região, como os do Hamas ou do Hesbollah. A violência anticristã dos fundamentalistas islâmicos do norte da Nigéria continuaria produzindo vítimas entre os habitantes de pequenas aldeias no centro do país. As ditaduras árabes continuariam oprimindo seus povos, na indiferença geral...

Os Balcãs, com exceção do Kossovo, continuariam talvez pacificados pelas forças da OTAN, mas se encaminhariam progressivamente para a integração europeia, como já parecia inevitável. Mas os grupos antiglobalizadores continuariam, na Europa, nos EUA e em outros lugares, a perturbar as reuniões multilaterais, provando, mais uma vez, que não é difícil reunir multidões de ingênuos em torno de teses idiotas que pretendem lutar contra a globalização, como se fosse possível interromper marés, maremotos e furacões...

A Europa e talvez o mundo continuariam, por alguns anos mais, como efetivamente ocorreu, a enfrentar a doença da vaca louca, assim como a Ásia continuaria a se debater com epidemias animais que ocasionalmente ameaçam transmigrar para a espécie humana. Terremotos, maremotos e outros acidentes naturais continuariam a produzir seu lote de enormes desastres humanos nos lugares e países mais desprovidos de condições materiais para minimizar seus efeitos catastróficos.

Ecologistas ingênuos e ambientalistas científicos continuariam a anunciar as catástrofes decorrentes da ação industrial do homem, dizendo que o “fim está próximo” se não nos arrependermos de nossos progressos tecnológicos e não gastarmos algumas centenas de bilhões de dólares em medidas “preventivas” de duvidoso efeito real. O bug do milênio e a paranoia que ele despertou já teriam passado, mas hackers, crackers e outros cyber-terrorists continuariam a trazer preocupações aos órgãos de defesa e de inteligência, assim como aos simples webmasters de sites oficiais de governos e de empresas...

A América Latina continuaria com o seu cortejo de miséria, de desigualdades sociais, de corrupção e, claro, com o seu lote habitual de caudilhos histriônicos e de demagogos candidatos a qualquer coisa, a dilapidar os recursos públicos e a enganar populações de pobres e dependentes. O Haiti, provavelmente, não teria conseguido evitar sua trajetória de desastres naturais e humanos, e continuaria a depender da ajuda humanitária para evitar cenários ainda mais pavorosos.

A África, muito pior, continuaria seu itinerário horroroso de conflitos étnicos, guerras civis, ditadores bilionários e doenças endêmicas, com alguma recuperação aqui e ali, e muita assistência pública internacional, como tem sido o caso no último meio século. Russos e cidadãos das repúblicas da Ásia central ainda teriam remanescentes dos antigos aparatchiks comunistas no poder, sobrevivendo na “maldição do petróleo” e continuando a construir o “modo capitalista-mafioso de produção”, uma modalidade não exatamente prevista por Marx.

O mundo, enfim, não seria muito diferente do que ele foi, na década que passou desde o Onze de Setembro, e do que ele é, hoje, com seu desfile de grandezas e misérias, grandes invenções e pequenos acidentes de percurso, filmes de Hollywood (e, cada vez mais, de Bollywood), prêmios Nobel e prêmios igNobel (alguns imerecidos, numa e noutra categoria), avanços dramáticos nas ciências, nas artes e na tecnologia (certamente iPod, iPhone e iPad), outros recuos não menos dramáticos na ética pública e na gestão governamental.

Ou seja, certos desenvolvimentos naturais, certos processos sociais e alguns eventos contingentes teriam sido inevitáveis, em função da flecha do tempo e da roda impessoal da História. Resta ver, então, o que o mundo NÃO seria, no sentido de poder ter sido melhor do que ele foi, efetivamente, ou, eventualmente, de ter sido mais “ameno” ou simplesmente mais tranquilo, pelo menos potencialmente, na ausência daqueles fatídicos ataques.

Bem, os EUA não teriam atacado o Afeganistão – devidamente autorizados pelo Conselho de Segurança, relembre-se – e provavelmente não teriam tido “escusas” para invadir o Iraque e derrubar Saddam Hussein – não autorizados pelo CSNU, relembre-se – e não estariam envolvidos, com alguns aliados da OTAN, em duas guerras intermináveis, que já provocaram mais vítimas inocentes do que vários atentados terroristas reunidos.

Claro, George Bush talvez tivesse buscado outras escusas, e outros expedientes, para terminar a missão inconclusa de seu pai na primeira guerra do Golfo. Mas provavelmente não teria ocorrido uma revisão radical nas estratégias de segurança dos EUA, como a “doutrina Bush” e a noção de “guerra preventiva”. Guantánamo não teria sido convertida em prisão para “inimigos combatentes”, à margem das convenções multilaterais relativas à guerra e “prisioneiros” de guerra. A própria noção de “guerra ao terror” provavelmente não teria existido, continuando apenas o trabalho habitual das agências de inteligência na prevenção aos ataques terroristas, seguido de uma ou outra ação tópica, de caráter militar, no desmantelamento de bases e eliminação de agentes em alguns hotspots do planeta.

Mais importante, talvez, para os cenários econômicos da globalização capitalista, os EUA não teriam acumulado cinco ou seis trilhões de dólares adicionais de dívida pública e não estariam em tão má postura, como atualmente, para continuar a servir de “locomotiva econômica planetária”, nos momentos de recuperação da sempre esquizofrênica economia mundial.

A ciclotimia habitual do capitalismo continuaria igual, claro, e crises financeiras continuariam a ocorrer com sua regularidade habitual, e nem sequer seríamos poupados dos desastres da bolha imobiliária, da crise financeira de 2008-2009 e da atual crise do endividamento público dos países avançados, que obedecem a uma lógica própria, sem nada dever a qualquer tipo de ataque terrorista de qualquer grupo religioso ou político. O capitalismo financeiro sempre produz seus próprios desastres, com quedas espetaculares dos valores das ações, sem necessidade de derrubada física dos papéis.

O único vínculo entre a crise atual e os ataques terroristas talvez seja o excessivo endividamento americano, mas o enorme buraco provavelmente não existiria, se Bush não tivesse lançado o país, irresponsavelmente, em duas custosas guerras de nation building e de construção de democracias em países já por si problemáticos.

Os EUA, que obtiveram, espontaneamente, a imediata solidariedade de todo o mundo, no imediato seguimento dos ataques – Nous sommes tous américains!, escreveu em letras garrafais o Le Monde de 12 de setembro de 2001 – e que tiveram o apoio na luta contra o terror mesmo de competidores estratégicos, passaram a ser odiados em vários quadrantes, por causa de ações arrogantes, irrefletidas, unilaterais. Obviamente que não se pode combater grupos terroristas apenas com base no diálogo, na cooperação e na coordenação multilateral – que são instâncias ineficientes, ineficazes ou inexistentes, simplesmente –, mas a escolha de uma estratégia de “enfrentamento imperial” dilapidou rapidamente o crédito de confiança que eles tinham conquistado na conjuntura dos ataques.

Não é seguro que uma estratégia de maior coordenação e consulta com aliados habituais e parceiros circunstanciais teria evitado, por exemplo, os ataques terroristas de Madrid e de Londres – para ficar apenas em dois dos mais mortíferos – mas talvez fosse possível obter um ambiente de luta clandestina, nos bastidores e por ações mais de inteligência do que pelo uso da força bruta, que evitasse o antiamericanismo militante que surgiu a partir da invasão do Iraque. Grupos militantes e outros fundamentalistas espalhados ao redor do mundo talvez não tivessem se organizado em torno do rótulo Al Quaeda para perpetrar alguns desses ataques e tentativas de ações terroristas que foram, em parte, estimuladas pela resposta imperial americana.

O próprio conceito de “guerra ao terror” e o caráter punitivo a que esse tipo de enfrentamento conduz superestimam a capacidade dos grupos terroristas e realçam um hipotético status de combatentes, no plano do direito internacional, o que eles obviamente não são, no sentido próprio da palavra. O inteiro arcabouço jurídico internacional da luta contra o terrorismo poderia ter avançado mais, na ausência de uma resposta militar dos EUA aos ataques, ou mais exatamente, na ausência da estratégia americana de “guerra preventiva”, materializada especialmente pela invasão do Iraque. Ditadores e ditaduras foram poupados em certos cenários de “cooperação” na “guerra ao terror”, e muitos deles sobreviveram e sobrevivem ainda hoje, em função das tensões acumuladas nesse ambiente unilateralista criado pelos EUA.

Em qualquer hipótese, é extremamente difícil dizer se o mundo, sem o Onze de Setembro, teria sido muito diferente do que ele foi, pois forças impessoais continuam se movimentando na mesma direção, provocando, talvez, efeitos semelhantes, ou processos similares, aos que ocorreram a partir dos ataques terroristas e das respostas imperiais.

Deve-se, em todo caso, relevar a parte dos fatores contingentes, dos imponderáveis humanos no desenvolvimento que efetivamente tivemos, desde antes do Onze de Setembro. Na ausência de homens como Osama Bin Laden e de George W. Bush – este aqui cercado dos “falcões” do unilateralismo americano, pois o próprio presidente era conceitualmente muito fraco e intelectualmente débil para conceber a sua “guerra ao terror”– provavelmente não teríamos tido nem os ataques do Onze de Setembro, nem as respostas desproporcionais que se seguiram, e que marcaram indelevelmente estes dez anos como uma das mais problemáticas décadas desde o final da Segunda Guerra Mundial.

A vida continua, os impérios se sucedem, o capitalismo se renova, os governos continuam acertando e errando na construção de sociedades mais seguras e mais estáveis, a prosperidade se instala lentamente num mundo de mercados cada vez mais unificados, e é este último fator, finalmente, que vai conduzir, senão à eliminação do terrorismo, pelo menos à atenuação das vocações, ao arrefecimento dos ardores militantes e à diminuição do número de candidatos a ações terroristas.

Quando todos os jovens miseráveis do planeta tiverem sido alçados a uma pobreza aceitável, e passarem a desfrutar dos equivalentes dos iPhones e iPads da atualidade, todos eles devidamente conectados, poderemos ter certeza de que o mundo terá menos ditadores, menos miséria e menos terrorismo. Minha visão é, sim, economicista a este respeito, pois acredito que o espaço das crenças irracionais – e o terrorismo fundamentalista é basicamente uma crença irracional – será diminuído pela educação universal. E não existe melhor antídoto contra esses fenômenos reacionários, e melhor remédio à miséria educacional do que o processo irrestrito da globalização de mercados.

Mais um pouco e eu diria que os antiglobalizadores são os inocentes úteis do terrorismo fundamentalista, mas não vou ofender gratuitamente uma tribo de jovens ingênuos (ainda que animados por velhacos de má-fé e intelectualmente desonestos). Vou apenas torcer para que essas “crenças irracionais” da globalização – aliás, animadas pelas próprias ferramentas da globalização – sejam rapidamente revertidas e colocadas a serviço do único processo que vai diminuir, progressivamente, os fervores terroristas.

Brasília, 10 setembro 2011
Paulo Roberto de Almeida é diplomata, professor universitário e autor de Globalizando.

O ESTADO BRASILEIRO CONTRA O BRASIL: A LIBERDADE ECONÔMICA NO MUNDO E O CASO DO ESTADO "OPRESSOR" DO BRASIL (parte 1)

Liberdade econômica no mundo: o relatório do Fraser Institute

Os brasileiros pagaram mais impostos em 2010 do que eles haviam pago em 2009; mas eles já haviam pago mais impostos em 2009, comparativamente a 2008; aliás, 2008 também já tinha representado um aumento em relação a 2007, assim como 2007 tinha seguido essa mesma tendência, e assim por diante (ou, neste caso, assim para trás), até onde a vista alcança no passado.

Desde a promulgação da Constituição de 1988, os brasileiros pagam progressivamente mais impostos a cada ano, quase como a “crônica de uma extorsão anunciada”. Mas não se pense que, antes, o cenário de espoliação fosse mais ameno para os contribuintes brasileiros; eles já vinham sendo espoliados de forma relativamente eficiente um pouco mais a cada ano, desde o início do regime militar. A Constituição de 1988 apenas consolidou esse processo, ao “encomendar” despesas sempre crescentes, a partir de todas as “bondades” prometidas a todos e a cada um.

O pagamento de impostos, contudo, é apenas uma das categorias retidas pelo Fraser Institute, de Vancouver (Canadá), em cooperação com o Cato Institute, de Washington, para classificar os países segundo o critério básico das liberdades econômicas no Economic Freedom of the World: 2011 Annual Report (disponível: http://www.freetheworld.com/2011...; para os outros anos: http://www.freetheworld.com/reports...). A metodologia utiliza mais de quatro dezenas de critérios, organizados em cinco grandes categorias, para atribuir uma pontuação comparativa a quase uma centena e meia de países, indo do mais livre (Hong Kong) até o mais “oprimido” (o Zimbábue, na 141a., e última, posição).

As cinco grandes categorias em torno das quais são organizados os 42 critérios de avaliação da pesquisa sobre liberdades econômicas no mundo são as seguintes: tamanho dos governos (despesas, impostos, investimentos); estrutura legal e garantias quanto aos direitos de propriedade; disponibilidade de moeda estável; liberdade de transacionar no plano mundial; regulação do crédito, do trabalho e do ambiente empresarial.

Os fundamentos das liberdades econômicas, na tradição dos inspiradores desse estudo – Adam Smith, Alfred Hayek e Milton Friedman –, são a liberdade de escolha, as trocas voluntárias e a existência de mercados abertos. Friedman, como se sabe, era um grande admirador de Hong Kong, não que isso significasse uma adesão da ex-colônia britânica às sua teorias: a ilha simplesmente seguia o pragmatismo britânico, tendo aliás superado a renda per capita da metrópole muito tempo antes de ser “devolvida” à China.

Hong Kong, hoje uma região autônoma do gigante asiático, exibe 9.01 pontos de um máximo de 10, posição que ela vem ocupando de forma consistente desde 1980. O Zimbábue, por sua vez, não passa de 4.08 pontos, degradando por pouco o antepenúltimo lugar da Venezuela, que figura na lista com 4.28 pontos. Apenas antecipando a análise mais detalhada que se fará adiante, o Brasil aparece na posição 102o, com 6.19 pontos, sendo o pior dos Brics na categoria das liberdades econômicas, ainda assim superando com folga a vizinha Argentina, que persegue sua própria marcha para a opressão estatal.

(a continuar...)

Por Paulo Roberto de Almeida, de Brasília

CAPITAL INICIAL NO ROCK IN RIO: UM SHOW DE CIVILIDADE

"QUE PAÍS É ESSE?"

SITES CENSURAM CONTEÚDOS CRISTÃOS

Notícias Faltantes - Perseguição Anticristã

Facebook, Google e outros sites censuram conteúdos cristãos

Um novo estudo revelou que o Google e outros grandes sites de mídia social como Facebook de forma enérgica estão censurando as opiniões cristãs e conservadoras.

O relatório, conduzido pela Mídia Religiosa Nacional (MRN) e pelo Centro Americano de Lei e Justiça, examinou as políticas e práticas de várias grandes plataformas de comunicação da “nova mídia” interativa de internet e provedores de serviço de internet, inclusive a Apple e sua Loja de Aplicativos iTunes, Facebook, Google e outros.

O estudo revelou que algumas empresas de tecnologia da nova mídia estão de forma descarada banindo conteúdo cristão, e que todos os sites de mídia social, exceto o Twitter, têm políticas de liberdade de expressão que são mais restritivas do que os direitos de livre expressão garantidos na Constituição dos EUA.

De acordo com o estudo, sete grandes sites de mídia social baniram “expressões de ódio”, um termo que os autores do estudo apontam que “é muitas vezes aplicado na cultura para reprimir comunicadores cristãos”.

Os autores do estudo também revelaram que algumas das empresas de mídia reagem de forma favorável às exigências de grupos de pressão que pedem que as opiniões conservadoras ou cristãs sejam censuradas.

O estudo nota que quando estabeleceu novas normas para seu “Google para Uso Sem Fins Lucrativos” em março de 2011, o Google recusou colocar na lista “igrejas e outros grupos religiosos” que consideram “a religião ou orientação sexual em práticas de contratação”. As igrejas cristãs que solicitaram o software completo das ferramentas do Google produzidas para uso sem fins lucrativos foram rejeitadas.

Em outra ocasião o mais potente programa de busca do mundo inicialmente proibiu o Instituto Cristão Britânico de comprar espaço para um anúncio sobre aborto. O mecanismo de busca só permitiu o anúncio depois que o Instituto Cristão Britânico processou o Google.

Por duas vezes, a Apple removeu, de sua Loja de Aplicativos do iTunes, aplicativos que continham conteúdo cristão, documentou o estudo. Em ambos os exemplos, a Apple confessou que esses aplicativos tiveram acesso negado porque a Apple considerou as opiniões cristãs expressas nesses aplicativos como “ofensivas”.

“Dos 425.000 aplicativos disponíveis no iPhone da Apple, os únicos censurados pela Apple por expressarem opiniões normalmente legais foram aplicativos com conteúdo cristão”, comenta o estudo.

Por sua parte, o Facebook vem de forma pública fazendo parceria com ativistas homossexuais para “erradicar comentários anti-homossexualismo em sua plataforma”, revelou o relatório.
“Tudo isso indica que conteúdos cristãos que critiquem a homossexualidade, o casamento de mesmo sexo ou práticas semelhantes estarão em risco de sofrer censura [por parte do Facebook]”, diz o estudo. Aliás, em alguns casos tais conteúdos já foram removidos pelo site de rede social.

Myspace, outro site de rede social semelhante, mas menos popular do que o Facebook, também tem uma política de banir conteúdo “homofóbico”.

A organização pró-vida Live Action tem enfrentando muitos casos de censura da nova mídia. Numa conversa com LifeSiteNews sobre o estudo da MRN, David Schmidt, diretor de meios de comunicação de Live Action, recordou uma ameaça de censura vinda do YouTube no começo deste ano.

“Fomos ameaçados no começo deste ano”, disse ele. “Depois que nosso advogado enviou uma carta ao YouTube, eles não removeram nossos vídeos. Felizmente, eles foram considerados como vídeos que ‘merecem ser publicados’, uma política padrão para todos os usuários”.

Schmidt disse que a maioria dos vídeos de Live Action foram rejeitados pelos Vídeos Promovidos pelo YouTube por causa “de alguma questão de conteúdo”.

Os autores do estudo da MRN apontam para o fato de que as atitudes das empresas da nova mídia para com os conteúdos cristãos são importantes, pois atualmente “algumas das gigantescas empresas da ‘nova mídia’ são os guardiões das novas plataformas de comunicação com base na internet”.

“Há um perigo real e presente de que essas empresas possam, e em alguns exemplos realmente tenham, feito o compromisso de censurar opiniões como consequência de seu controle exclusivo dessas tecnologias”.

Escrito por Jeremy Kryn, 27 Setembro 2011
Tradução: Julio Severo

ANULEM O PRÊMIO A HOLLMAN MORRIS, CÚMPLICE DOS TERRORISTAS DAS FARC

Artigos - Terrorismo

Carta aberta ao Prêmio Internacional de Direitos do Homem de Nüremberg, Alemanha

Estimados senhores jurados,

Sua cidade, estigmatizada durante tantos anos na memória dos povos por seu apoio ao Terceiro Reich, acaba de coroar, com seu Prêmio Internacional dos Direitos do Homem, um cúmplice de outro fascismo, o das FARC da Colômbia: Hollman Morris.

Em nossa condição de jornalistas especializados no estudo do país andino, pedimos-lhes que, a partir da evidência que lhes proporcionamos aqui, tenham a gentileza de anular indefinidamente o prêmio que acabam de conceder a um agente de uma organização classificada como terrorista pela União Européia, por suas inumeráveis atrocidades e por seus numerosos seqüestros de civis.

Sob o rótulo de jornalista defensor dos direitos do homem, este colombiano demonstrou sua baixeza ao dar apoio encoberto às FARC, como o demonstram os seguintes fatos:

Hollman Morris se atreveu, com microfone e câmera na mão, a arrancar confissões sob ameaças a quatro reféns das FARC (três policiais e um soldado) antes de sua libertação em 1º de fevereiro de 2009. Nenhum meio de informação foi autorizado a ir ao local dessa libertação, sob pena de pôr fim ao acordo entre o Governo e os terroristas. Entretanto, Hollman Morris foi enviado em segredo a esse lugar por seus amigos da guerrilha.

Sob a ameaça de serem executados ou não ser libertados se não falassem bem de seus captores, os quatro reféns foram obrigados a recitar em frente a Morris o texto exigido pelos terroristas. O indigno agraciado registrou essa tragédia sem dizer uma palavra. Quando esse ato infame foi descoberto, graças à valentia dos quatro ex-reféns quando voltaram à liberdade, Morris disse que havia tomado essas declarações sem a intenção de dá-las a conhecer. Ele mentia. Hollman Morris ofereceu esse vídeo à cadeia de televisão Al Jazeera por três mil dólares. Este canal rechaçou a oferta, como o revelou a revista colombiana Semana.

Juntamos uma cópia de cartas que os quatro reféns libertados enviaram em 3 de fevereiro de 2009. Uma foi enviada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Washington. Nela, dizem:

“... as declarações que demos ao mencionado jornalista (Hollman Moris) estando seqüestrados, não foram obtidas com nosso livre consentimento, pelo contrário, foram produto de ameaças de morte e de continuar no cativeiro, fato claramente conhecido e aproveitado por ele, razão pela qual consideramos que é nosso direito solicitar que não sejam divulgadas publicamente sem nossa autorização”. A outra carta, enviada a Antoine Schwarz, presidente da Radio France International, diz: “Fomos obrigados por nossos captores a oferecer uma entrevista a um repórter pertencente à Radio França Internacional” (...) “nos ameaçaram de não nos devolver a liberdade e inclusive em nos assassinar, se não respondêssemos às perguntas dos jornalistas na forma em que eles queriam”.

Seu indigno laureado nunca desmentiu tais provas, nem respondeu nossas perguntas sobre este tema que é um insulto para a nossa profissão. “Tua cumplicidade comprovada com a barbárie me repugna, se manténs tal silêncio. Tu usurpas o papel do jornalista quando o confundes com o de porta-voz de uma causa terrorista”, lhe escreveu um de nós, no dia seguinte desse escândalo, sem resposta de sua parte.

Frente a esta negação da verdade, nós alertamos então à ONU e à OEA sobre o caso Hollman Morris, sem resultado, lamentavelmente. Isso permitiu a esse indivíduo, que tinha até o ano passado proibição de entrar nos Estados Unidos, beneficiar-se há alguns meses com uma bolsa da Universidade de Havard, antes do vosso voto em seu favor!

Uma investigação realizada em 2009 pelo semanário colombiano Cambio, confirmou a cumplicidade de seu indigno agraciado com os terroristas, como o mostra o intercâmbio de correios eletrônicos entre Hollman Morris e Raúl Reyes, o número 2 das FARC, abatido em 2008 pelo Exército colombiano, encontrados nos computadores apreendidos de Reyes, cujo conteúdo foi validado pela Interpol.

A estreita relação entre este pseudo-jornalista e os terroristas é evidente. Morris dá o tratamento amistoso de “velho” ao comandante das FARC, Rodrigo Granda, em um correio eletrônico. Morris converteu-se em intermediário dos terroristas segundo os correios eletrônicos de Reyes. Este o creditou, em 21 de abril de 2004, para promover uma reunião entre ele e o embaixador da França na Colômbia, Daniel Parfait.

Em um correio eletrônico à guerrilha, Morris anuncia que se propõe realizar “um documentário que seria transmitido pelas principais cadeias da Europa com boa publicidade. Tenho contatos que me garantem. Lembra que nos momentos de crise foi suficiente um bom filme ou uma boa foto ou um bom documentário para levar a frágil opinião pública a exigir os acordos” com as FARC, para a permuta de reféns com o excarceramento dos rebeldes. Hollman Morris abandonou assim seu papel de testemunha para se converter em conselheiro da guerrilha!

Por último, porém não menos importante, Hollman Morris foi acusado publicamente por Fernando Londoño, ex-ministro do Interior e de Justiça da Colômbia, de haver “comprado testemunhas na região de Urabá (norte da Colômbia) para acusar os militares de ser os responsáveis pelo desaparecimento de uma pessoa, a qual resultou estar viva”. Seu indigno agraciado nunca respondeu ante os tribunais e a justiça colombiana se fez de surda. Incluímos o link que permite ver o documentário falso e as revelações do falso homem “desaparecido”.

Reiteramos respeitosamente, em nome da verdade, nossa petição de que seu corpo de jurados revogue a atribuição desse prêmio a alguém que não é digno de levar o nome de defensor dos direitos do homem, por ser cúmplice dos que violam esses direitos na Colômbia.

Se os senhores desejam verificar e inclusive investigar o que Hollman Morris fez, e as acusações que existem contra ele na Colômbia, nós os convidamos a revisar a documentação que pomos à sua disposição mediante os seguintes links:

http://www.youtube.com/watch?v=mJt23AxVoZM&feature=email

http://www.gees.org/articulos/el_caso_morris_la_etica_periodistica_vuela_en_pedazos_6230

http://www.jacquesthomet.com/category/hollman-morris/

http://www.noticias24.com/actualidad/noticia/23971/ex-rehenes-colombianos-de-farc-piden-a-rfi-no-divulgar-entrevista/

http://www.elpais.com.co/elpais/colombia/noticias/niegan-visa-norteamericana-hollman-morris

http://www.elpais.com.co/elpais/colombia/uribe-rendira-version-libre-ante-comision-acusacion-por-chuzadas

Escrito por Eduardo Mackenzie & Jacques Thomet, 27 Setembro 2011

Eduardo Mackenzie
Jornalista - Paris, autor de Las FARC, fracaso de un terrorismo (Edições Random House-Mondadori, Bogotá, 2007).

Jacques Thomet
Jornalista - Paris. Ex-redator-chefe da Agência France-Presse. Ex-diretor da AFP em Bogotá.

Tradução: Graça Salgueiro

CNJ REAGE A DECLARAÇÕES DE CORREGEDORA QUE ACUSA JUSTIÇA DE ABRIGAR "BANDIDOS DE TOGA"

Integrantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reagiram nesta terça-feira (27) às declarações da corregedora-geral de Justiça, Eliana Calmon, que afirmou que há “bandidos de toga” na Justiça brasileira.
Em nota lida na sessão desta terça, o presidente do CNJ, ministro Cezar Peluso, não citou abertamente a corregedora, mas disse que acusações feitas contra os juízes são “levianas” e que “desacreditam a instituição perante o povo”.

Em entrevista concedida à Associação Paulista de Jornais, Eliana Calmon disse que a Associação de Magistrados Brasileiros (AMB) tenta restringir a atuação do CNJ, o que, para ela, “é o primeiro caminho para a impunidade da magistratura, que hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga”.
A ministra referia-se, com o comentário, à ação impetrada no Supremo Tribunal Federal (STF) pela AMB, que pede que o CNJ só atue depois de esgotados todos os recursos nas corregedorias estaduais.

“Sem identificar pessoas, nem propiciar qualquer defesa, lançam, sem prova, dúvidas sobre a honra de milhares de juízes que, diariamente, dedicam-se ao ofício de julgar com imparcialidade e honestidade, garantindo a segurança da sociedade e a estabilidade do Estado Democrático de Direito”, diz trecho da nota lida por Peluso.
O texto foi assinado por 12 dos 15 conselheiros. Os demais – Eliana Calmon, Jefferson Kravchychyn e José Lúcio Munhoz – não estavam presentes na sessão.

A ação da AMB foi o estopim de debates sobre o papel do CNJ.
A entidade pretende declarar inconstitucional uma resolução que o conselho editou em julho para regulamentar suas atividades administrativas e disciplinares. Caso acatada pelos ministros da Corte, a ação pode resultar no esvaziamento do poder de correição do CNJ e restringir sua atuação ao planejamento, à gestão e modernização do Judiciário.

Isso ocorreria porque o CNJ só seria chamado a agir depois das corregedorias locais nos processos em que a idoneidade de juízes é colocada em dúvida. O procedimento era esse até 2005, quando a aprovação da reforma do Judiciário, no Legislativo, criou a figura do CNJ.
A ideia era que os tribunais tivessem um órgão de controle para monitorar suas atividades, papel desempenhado pelo conselho desde então.

Com informações da Agência Brasil.
Da Redação

UM PODER DE COSTAS PARA O PAÍS


Justiça no Brasil vai mal, muito mal.
Porém, de acordo com o relatório de atividades do Supremo Tribunal Federal de 2010, tudo vai muito bem. Nas 80 páginas — parte delas em branco — recheadas de fotografias (como uma revista de consultório médico), gráficos coloridos e frases vazias, o leitor fica com a impressão que o STF é um exemplo de eficiência, presteza e defesa da cidadania. Neste terreno de enganos, ficamos sabendo que um dos gabinetes (que tem milhares de processos parados, aguardando encaminhamento) recebeu “pela excelência dos serviços prestados” o certificado ISO 9001.
E há até informações futebolísticas: o relatório informa que o ministro Marco Aurélio é flamenguista.


A leitura do documento é chocante. Descreve até uma diplomacia judiciária para justificar os passeios dos ministros à Europa e aos Estados Unidos. Ou, como prefere o relatório, as viagens possibilitaram “uma proveitosa troca de opiniões sobre o trabalho cotidiano.” Custosas, muito custosas, estas trocas de opiniões. Pena que a diplomacia judiciária não é exercida internamente. Pena. Basta citar o assassinato da juíza Patrícia Acioli, de São Gonçalo. Nenhum ministro do STF, muito menos o seu presidente, foi ao velório ou ao enterro. Sequer foi feita uma declaração formal em nome da instituição. Nada.

Silêncio absoluto. Por que? E a triste ironia: a juíza foi assassinada em 11 de agosto, data comemorativa do nascimento dos cursos jurídicos no Brasil. Mas, se o STF se omitiu sobre o cruel assassinato da juíza, o mesmo não o fez quando o assunto foi o aumento salarial do Judiciário. Seu presidente, Cézar Peluso, ocupou seu tempo nas últimas semanas defendendo — como um líder sindical de toga — o abusivo aumento salarial para o Judiciário Federal. Considera ético e moral coagir o Executivo a aumentar as despesas em R$ 8,3 bilhões. A proposta do aumento salarial é um escárnio.

É um prêmio à paralisia do STF, onde processos chegam a permanecer décadas sem qualquer decisão. A lentidão decisória do Supremo não pode ser imputada à falta de funcionários.

De acordo com os dados disponibilizados, o tribunal tem 1.096 cargos efetivos e mais 578 cargos comissionados. Portanto, são 1.674 funcionários, isto somente para um tribunal com 11 juízes. Mas, também de acordo com dados fornecidos pelo próprio STF, 1.148 postos de trabalho são terceirizados, perfazendo um total de 2.822 funcionários. Assim, o tribunal tem a incrível média de 256 funcionários por ministro.

Ficam no ar várias perguntas: como abrigar os quase 3 mil funcionários no prédio-sede e nos anexos? Cabe todo mundo? Ou será preciso aumentar os salários com algum adicional de insalubridade? Causa estupor o número de seguranças entre os funcionários terceirizados. São 435!

O leitor não se enganou: são 435. Nem na Casa Branca tem tanto segurança. Será que o STF está sendo ameaçado e não sabemos? Parte destes abuso é que não falta naquela Corte. Só de assistência médica e odontológica o tribunal gastou em 2010, R$ 16 milhões.

O orçamento total do STF foi de R$ 518 milhões, dos quais R$ 315 milhões somente para o pagamento de salários.
Falando em relatório, chama a atenção o número de fotografias onde está presente Cézar Peluso. No momento da leitura recordei o comentário de Nélson Rodrigues sobre Pedro Bloch. O motivo foi uma entrevista para a revista “Manchete”. O maior teatrólogo brasileiro ironizou o colega: “Ninguém ama tanto Pedro Bloch como o próprio Pedro Bloch.”

Peluso é o Bloch da vez. Deve gostar muito de si mesmo. São 12 fotos, parte delas de página inteira. Os outros ministros aparecem em uma ou duas fotos. Ele, não. Reservou para si uma dúzia de fotos, a última cercado por crianças. A egolatria chega ao ponto de, ao apresentar a página do STF na intranet, também ter reproduzida uma foto sua acompanhada de uma frase (irônica?) destacando que “a experiência do Judiciário brasileiro tem importância mundial”.
No relatório já citado, o ministro Peluso escreveu algumas linhas, logo na introdução, explicando a importância das atividades do tribunal.

E concluiu, numa linguagem confusa, que “a sociedade confia na Corte Suprema de seu País. Fazer melhor, a cada dia, ainda que em pequenos mas significativos passos, é nossa responsabilidade, nosso dever e nosso empenho permanente”.
Se Bussunda estivesse vivo poderia retrucar com aquele bordão inesquecível: “Fala sério, ministro!”
As mazelas do STF têm raízes na crise das instituições da jovem democracia brasileira. Se os três Poderes da República têm sérios problemas de funcionamento, é inegável que o Judiciário é o pior deles. E deveria ser o mais importante. Ninguém entende o seu funcionamento.

É lento e caro. Seus membros buscam privilégios, e não a austeridade. Confundem independência entre os poderes com autonomia para fazer o que bem entendem. Estão de costas para o país. No fundo, desprezam as insistentes cobranças por justiça. Consideram uma intromissão.

Marco Antonio Villa é historiador e professor da Universidade Federal de São Carlos

BRASIL, UM PAÍS DE INCOERÊNCIAS

Nem vou discutir as incoerências absurdas como, por exemplo, a dedicação de um vereador, sem função, buscando a aprovação do "dia do orgulho hétero" como se alguém, nesta terra, chegou a sofrer qualquer tipo de preconceito por não ser gay.

Ou os ensinamentos religiosos de líderes de igrejas e a não aplicação prática destes.
Os pré-julgamentos, de importantes assuntos, com total desconhecimento por parte de vereadores, deputados e ministros, que nos representam e conduzem este país por meio dos mapas da manipulação e dos interesses próprios.

Assim como as determinações legais impostas pelos juízes da União e que sem punição, não são cumpridas pelos representantes do governo, como se nada tivesse acontecido.

Sendo um pouco mais específico, faço para você leitor a seguinte pergunta:
Você sabe qual é um dos motivos que um tratamento, por mais caro que possa custar para um paciente, mesmo que provado ser este um medicamento efetivo, não faz parte da lista do SUS?

"Porque não se tem um número suficiente de portadores" é o que você vai ouvir do Ministério da Saúde. Ou seja: precisamos de mais doentes para conseguir que um tratamento de mais de R$ 50 mil por mês faça parte da lista do SUS.
Isto é uma incoerência ou não?

O SUS, sistema público de saúde, foi criado em 1988 pela Constituição brasileira e tem como tripé de sustentação a universalidade, integralidade e equidade.

A universalidade determina que todos os cidadãos devem ter acesso aos serviços e cuidados da saúde, sem qualquer forma de discriminação, com relação à cor da pele, renda, classe social, sexo ou qualquer outra variável.

A integralidade estabelece que a saúde do cidadão, entre outras coisas, tenha acesso e qualidade dos serviços de saúde, com direito ao pleno e completo cuidado, incluindo prevenção, tratamento e reabilitação.

E finalmente a equidade declara que as políticas da saúde devem estar orientadas para a redução das desigualdades entre os indivíduos e grupos populacionais.
Então por que tanta dificuldade para se evitar as mortes que têm ocorrido?
Divergência ou vontade política? As favas com isso! Pura Incoerência quando estamos falando de vidas.

Quanto tempo e dinheiro os portadores e seus familiares das doenças genéticas, raras e degenerativas terão que gastar em processos judicias contra o governo?

E quanto dinheiro está sendo "gasto" pelo próprio governo com as compras feitas via distribuidoras nacionais, quando o medicamento poderia ser comprado diretamente do fornecedor estrangeiro?

E por que o não cumprimento de uma determinação judicial não é punido como estabelece a lei (a lei determina prisão ao infrator)?

Claro que são respostas que nunca iremos saber, até o dia em que o paciente seja o filho de um político influente.

Enquanto isso, a população morre ou se mobiliza como pode, como é o caso do "Instituto Eu Quero Viver, criado e presidido pela atriz Bianca Rinaldi, não porque ela tenha um filho doente, pois não tem ninguém na família com problemas dessa grandeza, mas pela indignação ao ver como os portadores de Mucopolissacaridose, por exemplo, estão invisíveis aos olhos da sociedade enquanto imploram por aquilo que é constitucionalmente um direito: VIVER!

Hoje, por meio do seu site, o "Instituto Eu Quero Viver", que tem como principal missão angariar fundos para apoiar as investigações de tratamentos inovadores e possíveis curas de doenças genéticas, melhorando a qualidade de vida dos portadores e de suas famílias, procura apoio da sociedade com um abaixo assinado, que será encaminhado ao Ministro da Saúde, solicitando a inclusão dos medicamentos para o tratamento da Mucopolissacaridose na lista do SUS.

A petição precisa de mais de um milhão de assinaturas para "sensibilizar" o Ministério da Saúde e seu conselho, mas todo esse trabalho e energia poderiam ser economizados se o próprio governo cumprisse o que determina a Constituição.

A solução é simples assim!


*Eduardo Menga, - é empresário, executivo da Advantage Brasil e voluntário do Instituto Eu Quero Viver

RETRATO DE UM POVO


Todos os dias assistimos ao escárnio de nossos políticos, ilibados senhores homens públicos, a cometer deslizes (premeditados) envolvidos em corrupção, falcatruas, quando não encobrindo , prevaricando fazendo de conta como se o problema não fosse dele.

E o nosso povão, também culpado por tanto abuso, porque são um bando de acéfalos que quando compram um jornal ou uma revista, estão preocupados com o placar esportivo, com o desfecho da novela, pulam as páginas de política. para lerem a página policial, e depois vem na TV chorar miséria, por conta do mal atendimento nos hospitais , etc..etc.. falta de segurança, escolas caindo aos pedaços.

As pessoas atingidas diretamente por esses desconfortos, não se mobilizam, e quando vem uma "autoridade" como um deputado , um secretário de Estado, Governador, um pilantra qualquer, a primeira coisa que o prefeito manda fazer, é pintar o meio fio de branco, os troncos das árvores (agora proibido mas mesmo assim acontece nas pequenas cidades) soltar muito rojão e improvisar um comício enaltecendo os feitos (?) do ilustre visitante.E esse mesmo povão "tá lá" gritando "Viva o Prefeito".Viva o Governador", Viva o Presidente", e dá-lhe rojão.

Ninguém se mexe, em muitos lugares serão aumentados o número de vereadores, o povo não tem noção, acontece que alem de aumentar os gastos com esses parasitas, aumentando o número de vereadores, aumenta a possibilidade das velhas raposas se reelegerem, assim também nas assembléias, câmaras e senado.

Eles nunca farão uma reforma conforme se deve e se espera, porque os maiores "prejudicados" serão eles , então bola pra frente, engaveta essa "pôrra" de projeto deixa para próxima legislatura, "depois a gente vê como é que faz".

Esse é o Brasil de Sarney, FHC, Collor, Lula e Dilma Rosbife. (rosbife é bão, né não?)

Juntam-se 5 milhões de evangélicos num evento, 3 milhões na parada gay em São Paulo e mais 2 milhões no Rio, 2 milhões de pessoas para ver(?) o papa, 100 mil idiotas no Rock In Rio, 50 a 60 mil para assistir a pelada de futebol, mesmo sabendo que o campeão e o vice serão sempre os mesmos, milhares para ver a Ivete Sangalo sempre fazendo a mesma coisa, está pior que assistir vídeo pornô, todo mundo sabe como é que é mas sempre tem uma torpe de espectadores procurando não sei o que.

Mas para protestar contra essa vergonha nacional, esse câncer que está arrebentando com o país, não se consegue mobilizar mais que 3 mil pessoas, "Eita povão bundão sô."


NOTA AO PÉ DO TEXTO

Fico me perguntando: riem, de quê? (Será que, por acaso, seriam as tão faladas hienas daquela anedota, sempre felizes com o putrefato?). A saúde desmantelada; segurança dos cidadãos, às moscas. A sociedade rendeu-se ao crime, pois a bandidagem tomou conta de tudo. Educação? Somente falando como Bernard Shaw: "seria interessante!" Saneamento básico? kkkkk Transportes públicos? Uma vergonha! As cidades, por essa já tão repetida cantilena, tornaram-se inviáveis, tantos são os veículos entupindo ruas e avenidas. Problema sem solução. Não funciona essa histórinha amadora de par ou ímpar, dias tais e tais... A solução que ninguém quer enxergar é a do transporte coletivo digno para quem trabalha oito, dez, doze horas por dia... Engarrafamentos de kilômetros nas grandes metrópoles. Aterros sanitários? Sem problema: joga atrás do muro ou nas ruas, pois o lixo não tem endereço. Emprego? "Minha casa, minha vida"?

Então, olhando a cara dos parlamentares, dos ministros, das excelências em geral, sempre sorridentes, com novas propostas de impostos, (como se já não bastasse a extorsão de que somos vítimas!) para isso ou para aquilo, enquanto não vemos absolutamente nada que traga real benefício para a sociedade. Ah! E tem a Copa do Mundo! Que maravilha! Que deslumbramento! Dinheiro que não acaba mais para estádios, aeroportos, contas bancárias estranhas etc, (será que é disso que eles riem à toa?) que já se anunciam como fracassos.

Quando vejo a turba aos saltos e urros saindo dos estádios de futebol após um "clássico", e a fúria das agressões, das depredações, da violência gratuita, penso com os meus botões: será a catarse das frutrações de uma vida que corre para o ralo da desesperança de dias melhores? Ou será mesmo a face cruel, medíocre e banal de pessoas que, finalmente, irão eleger os nossos governantes, deputados, vereadores...

m.americo

UM COMENTÁRIO INTELIGENTE

Adjetivos para qualificar nosso povo não faltam, e sempre bati nessa tecla, qualificando-os de acéfalos, analfabetos, bando de viralatas, procurando sempre enquadrá-los pela sua inércia, falta de iniciativa , mas também é preciso procurar entender o que aconteceu com essa massa ignara. Quem sabe essa crônica explique mais ou menos o porque desse comportamento:

Caçando porcos selvagens

Você sabe como capturar porcos selvagens?
Havia um professor de química em um grande colégio com alunos de intercâmbio em sua turma.
Um dia, enquanto a turma estava no laboratório, o professor notou um jovem do intercâmbio que continuamente coçava as costas e se esticava como se elas doessem.
O professor perguntou ao jovem qual era o problema. O aluno respondeu que tinha uma bala alojada nas costas, pois tinha sido alvejado enquanto lutava contra os comunistas de seu país nativo, que estavam tentando derrubar seu governo e instalar um novo regime, um “outro mundo possível”.

No meio da sua história ele olhou para o professor e fez uma estranha pergunta:
“O senhor sabe como se capturam porcos selvagens?”
O professor achou que se tratava de uma piada e esperava uma resposta engraçada. O jovem disse que não era piada.
“Você captura porcos selvagens encontrando um lugar adequado na floresta e colocando algum milho no chão. Os porcos vêm todos os dias comer o milho gratuito.

Quando eles se acostumam a vir todos os dias, você coloca uma cerca mas só em um lado do lugar em que eles se acostumaram a vir.
Quando eles se acostumam com a cerca, ele voltam a comer o milho e você coloca um outro lado da cerca. Mais uma vez eles se acostumam e voltam a comer.

Você continua desse jeito até colocar os quatro lados da cerca em volta deles com uma porta no último lado. Os porcos que já se acostumaram ao milho fácil e às cercas, começam a vir sozinhos pela entrada.
Você então fecha a porteira e captura o grupo todo.”
“Assim, rapidamente, os porcos perdem sua liberdade. Eles ficam correndo e dando voltas dentro da cerca, mas já foram pegos. Logo, voltam a comer o milho fácil e gratuito.
Eles ficaram tão acostumados a ele que esqueceram como caçar na floresta por si próprios, e por isso aceitam a servidão.”

O jovem então disse ao professor que era exatamente isso que ele via acontecer neste país.
O governo ficava empurrando-os para onde ele queria e espalhando o milho gratuito na forma de programas de auxílio de renda, bolsas disso e daquilo, impostos variados, estatutos de “proteção”, cotas para estes e aqueles, subsídio para todo tipo de coisa, pagamentos para não plantar, programas de “bem-estar social”, medicina e medicamentos “gratuitos”, sempre e sempre novas leis, etc, tudo ao custo da perda contínua das liberdades, migalha a migalha.

Devemos sempre lembrar que “Não existe esse negócio de almoço grátis” e também que “não é possível alguém prestar um serviço mais barato do que seria se você mesmo o fizesse”.

Lembre-se sempre disto para que não ocorra com você, nem com seu negócio esta transformação em porco selvagem.

AFINAL, QUEM GOVERNA O BRASIL? (OU DESGOVERNA?)


Malgrado ele próprio tenha anunciado sua disposição de “desencarnar” da Presidência, Lula não consegue.

Há quatro meses, ligou para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, determinando providências na área dela (foram tomadas, por sinal);

mais recentemente, convocou o ministro Fernando Haddad para uma reunião no Instituto de Cidadania (falou da candidatura dele a prefeito de São Paulo e igualmente, deu sugestões na área da Educação);

fala, habitualmente (como falava Antônio Palocci), com Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência (na reunião do PT em Brasília, Gilbertinho tirou do baú a idéia do controle da mídia, sonhado por Franklin Martins, por orientação do ex-presidente) e agora, nesses dias de turbulência na economia, telefonou para Guido Mantega, da Fazenda. Reclamou do aperto e recomendou pisar no acelerador, como em 2008. E deu lições de economia no italiano.


*Afinal qual o verdadeiro papel da Dilma em Brasilia, de um lado o Zé Dirceu se reunindo com ministros , deputados etc... sorrateiramente em um apartamento de hotel, de outro, o zumbi do PT Lulafraio, mandando ver.
Acho que ela preferiria ser "torturada" a ter que bater de frente com esses dois quebra-queixo. Haja jogo de cintura.


Informações tiradas do Giba Um

A VIAGEM MORTAL DO EURO

A situação europeia é assustadora. Com países que respondem por um terço da economia da zona do euro sob ataque especulativo, a existência da moeda única está sob ameaça - o colapso do euro seria terrível para o mundo.

Os políticos europeus continuam na mesma. Provavelmente conseguirão ampliar o crédito dos países em apuros, o que poderá ou não impedir o desastre. Mas não parecem dispostos a reconhecer algo crucial - sem políticas fiscais e monetárias expansionistas nas principais economias da Europa, as tentativas de solução vão falhar.

A introdução do euro, em 1999, levou a uma forte expansão nos empréstimos às economias periféricas da Europa, porque os investidores acreditavam (erradamente) que a moeda comum tornaria a dívida grega ou espanhola tão segura quanto a alemã. Contrariamente ao que se ouve com frequência, esse dinheiro não financiou majoritariamente gastanças governamentais. Espanha e Irlanda tinham superávits fiscais às vésperas da crise e baixo endividamento. O influxo de recursos foi usado em gastos privados, especialmente no mercado imobiliário.

Mas, quando o crédito abruptamente secou, o resultado foi crise econômica e fiscal. Recessões selvagens reduziram a receita tributária, levando a déficits orçamentários; enquanto isso, o custo do salvamento dos bancos levou a um súbito aumento da dívida pública. Um dos resultados foi o colapso da confiança dos investidores nos títulos das nações periféricas.

E agora? A resposta da Europa foi exigir forte austeridade fiscal, especialmente drásticos cortes nos gastos públicos, dos países endividados, enquanto providenciava créditos tapa-buracos até que a confiança dos investidores privados voltasse. Pode funcionar?

Não para a Grécia, que realmente entrou na gastança fiscal durante os anos de bonança e deve mais do que pode pagar. Provavelmente não para Irlanda e Portugal, que por diferentes razões também têm pesados débitos. Mas, graças a um ambiente externo favorável - especificamente, a forte economia europeia como um todo, com moderada inflação -, a Espanha, que mesmo hoje tem relativamente baixo endividamento, e a Itália, que tem alto endividamento, mas déficits surpreendentemente baixos, poderiam sair do buraco.

Infelizmente, os políticos europeus parecem determinados a negar aos devedores o ambiente de que precisam.

Pense comigo: a demanda privada nos países devedores despencou com o fim do crédito fácil. Enquanto isso, os gastos do setor público estão sendo também drasticamente reduzidos pelos programas de austeridade. Então, de onde supostamente virão os empregos? A resposta deve estar nas exportações, principalmente para outros países europeus.

Mas as exportações não podem disparar se os países credores também estiverem adotando políticas de austeridade, muito provavelmente empurrando a Europa de volta à recessão.

Também as nações devedores precisam cortar preços e custos relativamente às nações credoras, como a Alemanha, o que não seria difícil demais se a Alemanha tivesse inflação de 3% ou 4%, permitindo aos devedores ganhar mercado simplesmente por terem inflação zero ou abaixo daquele número. Mas o Banco Central Europeu tem um viés deflacionário - ele cometeu um erro terrível ao subir as taxas de juro em 2008, quando a crise financeira estava ganhando força, e mostrou não ter aprendido nada ao repetir o erro este ano.

Como resultado, o mercado agora espera inflação muito baixa na Alemanha - ao redor de 1% nos próximos cinco anos -, o que implicará deflação significativa nas nações devedoras. Isto aumentará seus tombos e tornará mais pesada a carga de suas dívidas, tornando provável que falhem todos os esforços para resgatá-los.

E não vejo sinal algum de que as elites europeias estejam prontas para repensar seu dogma de política monetária apertada e austeridade.

Parte do problema pode ser que essas elites políticas têm um problema de memória histórica seletiva. Elas adoram falar sobre a hiperinflação alemã do início de 1920 - algo que nada tem a ver com nossa atual situação. Todavia, elas quase nunca falam sobre um exemplo muito mais relevante: as políticas de Heinrich Brüning, chanceler da Alemanha de 1930 a 1932, cuja insistência em equilibrar déficits e preservar o padrão ouro tornou a Grande Depressão ainda pior na Alemanha que no resto da Europa - preparando o terreno para você sabe o quê.

Não prevejo nada de tão ruim acontecer na Europa do século XXI. Mas há um enorme fosso entre o que o euro precisa para sobreviver e o que os líderes europeus estão dispostos a fazer, ou mesmo falar em fazer. Diante disto, é difícil achar razões para otimismo.

PAUL KRUGMAN é colunista do "New York Times"
O GLOBO - 27/09/11

A VERDADE ESCONDIDA

Lá no blog Combate Militar, foi postada excelente matéria, em abril passado, com o título "A verdade escondida", que reproduzo logo abaixo.

Ao seu final, se inseriu um vídeo de nome "Revolução de 1964 - A Esquerda Derrotada", que seria o tipo de vídeo, entre outros, que sugeri na matéria "Comissão da Verdade" (e que de resto, ao recordar os fatos desde a década de 30, já vinha sugerindo desde as matérias envolvendo a OEA e a referida ignominia, iniciada com o post "Maria do Rosário), deles se valessem as Forças na ignóbil Comissão, caso instalada ou não nos moldes doentios, retrógados e revanchistas anunciados, de modo a que se resgatasse a verdade da história, desmaracando e mostrando o que estava por trás daqueles movimentos criminosos e traiçoeiros, aniquilando, de vez, os poltrões que hoje governam, roubam e desonram o País.

JabaNews

NOS ÚLTIMOS VINTE ANOS, PARTE DA NOSSA HISTÓRIA, LIGADA À QUEDA DO PRESIDENTE JOÃO GOULART, EM 1964, VEM SENDO DISTORCIDA E MANIPULADA PELOS POLÍTICOS, EM SUA MAIOR PARTE E PELA IMPRENSA QUE NÃO ASSUME OS SEUS ATOS, PERANTE O MOVIMENTO DE 1964, COMO É DE PRAXE. .
SALVO ALGUNS JORNALISTAS, É PASSADO À GERAÇÃO DE HOJE, ATRAVÉS DA IMPRENSA, DOS LIVROS ESCOLARES, DAS NOVELAS E SERIADOS DE TV, UM BRASIL PÓS GOVERNO MILITAR E OUTRO BRASIL ANTES DO GOVERNO MILITAR.
A IDÉIA QUE NOS É PASSADA, SOBRE O BRASIL, ANTES, DE 1964, É SOBRE UM PAÍS ESTÁVEL, COM EDUCAÇÃO E SAÚDE DE QUALIDADE, TRANSPORTE E ALIMENTAÇÃO, SATISFATÓRIOS, OU SEJA UM PAÍS, QUASE DE PRIMEIRO MUNDO, PORÉM, ASSUMIU O GOVERNO MILITAR E ACABOU COM O BEM, ESTRUTURADO, PAÍS QUE TÍNHAMOS, NÃO SENDO POSSÍVEL REESTRUTURÁ-LO, APÓS A "DEMOCRACIA". SERÁ?
A NOSSA IMPRENSA ACREDITA QUE PODE NOS ENGANAR.
A ESQUERDA COMUNISTA NO GOVERNO DE JK INICIOU PLANOS PARA UMA GUERRILHA URBANA E RURAL E DEPOIS, NO GOVERNO DE JÂNIO QUADROS, PASSOU A ENVIAR JOVENS BRASILEIROS PARA CURSOS DE GUERRILHA EM CUBA. TUDO ISSO, BEM ANTES, DO GOVERNO MILITAR. ALIÁS, O GOVERNO MILITAR FOI USADO COMO PANO DE FUNDO, PARA LUDIBRIAR A SOCIEDADE BRASILEIRA, COMO SENDO O MOTIVO PARA A GUERRILHA ARMADA.
A BEM DA VERDADE, O GOVERNO MILITAR ASSUMIU O BRASIL, DA NOITE PARA O DIA, DESARTICULANDO, A ESQUERDA, QUE ACREDITAVA NA DIVISÃO DAS FORÇAS ARMADAS E NUMA GUERRA CIVIL, QUE FACILITARIA O SEU GOLPE DE ESTADO.
COMO NÃO ACONTECEU, NADA DISSO, A ESQUERDA ARMADA PREPAROU-SE PARA LUTAR PELO PODER, NA DÉCADA DE 70, COM O PRETEXTO DE DEFENDER A DEMOCRACIA.
O VÍDEO "REVOLUÇÃO DE 1964 - A Esquerda Derrotada" É UMA TENTATIVA DE FAZER A JUVENTUDE DE HOJE, PENSAR, REFLETIR, SOBRE O QUE CONTAM A ELA.
NÃO É INTERESSE DESTE VÍDEO, FORMAR A OPINIÃO DE NINGUÉM. PEDIMOS, APENAS, QUE LEIAM MAIS LIVROS, VEJAM MENOS NOVELAS E ESCUTEM MENOS OS JORNALISTAS, QUE EM SUA MAIORIA, INTITULAM-SE FORMADORES DE OPINIÃO.
CUIDADO!

REVOLUÇÃO DE 1964 - A Esquerda Derrotada