"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



segunda-feira, 22 de outubro de 2012

MENSALÃO: FORMAÇÃO DE QUADRILHA

CAPÍTULO  4

SESSÃO SUSPENSA. DEPOIS DO INTERVALO, MARCO AURÉLIO
 
O ministro Ayres Britto suspendeu a sessão por meia hora. Na volta, vota o ministro Marco Aurélio Mello. Se condenar, o placar apontará para 6 a 4 pela condenação dos réus; se absolver, para um possível novo empate em 5 a 5.
 
22 de outubro de 2012
Por Reinaldo Azevedo

Mendes lembra que tanto a associação era de longo prazo que previa até a criação de um banco

O ministro Gilmar Mendes lembra alguns depoimentos do processo que deixam claro, de forma escancarada, a formação de quadrilha. A associação era de tão longa duração que previa, calculem!, até a criação de um novo banco.
Essas lembranças, vênia máxima, tornam incompreensíveis os votos de Rosa Weber e Carmen Lúcia nesse particular. Os de Lewandowski e Toffoli, por óbvio, são absolutamente compreensíveis…
 
22 de outubro de 2012
Por Reinaldo Azevedo

Gilmar Mendes dá o 3º voto pela condenação. Placar até agora: 4 a 3

Gilmar Mendes condena os réus por formação de quadrilha. É o terceiro voto, levando o placar, então, para “absolvição (4) X (3) condenação”.
Mendes faz a devida distinção entre formação de quadrilha e mero concurso de pessoas. O ministro lembra o óbvio que os crimes cometidos não quebraram a paz púbica em sentido convencional. Ora, eles quebraram, por exemplo, a paz jurídica, não?
O ministro lembra que os crimes contra o estado, como é o caso, significam ameaça à paz social. Bingo!
 
22 de outubro de 2012
Por Reinaldo Azevedo

Dias Toffoli absolveu quadrilha em 30 segundos, o gatilho mais rápido da República

O ministro Dias Toffoli foi o gatilho mais rápido da República em favor dos quadrilheiros. Num voto que durou 30 segundos, anunciou que seguia o revisor, Ricardo Lewandowski, e absolveu todo mundo. Nem mesmo se ocupou em ler três linhas para justificar o voto. Pra quê?
Todo mundo já sabia, não é mesmo?
Toffoli é o quarto voto pela absolvição.
 
22 de outubro de 2012
Por Reinaldo Azevedo

FAZ SUCESSO NA INTERNET IMAGINAR LEWANDOWSKI NO JULGAMENTO DE HITLER





“Senhores, não existem filmes, fotos, nem testemunhas de Hitler abrindo registro de gás em campos de concentração, nem apertando o botão de uma Bomba V2 apontada para Londres, pilotando um caça Stuka, dirigindo um tanque Panzer, disparando um torpedo de um submarino classe U-Boat sobre seu comando a navegar no Atlântico ou mesmo demonstrando habilidades no manuseio de um canhão antiaéreo Krupp, manipulando uma metralhadora MP40, uma pistola Walther P-38 ou simplesmente dirigindo um jipe Mercedez Benz acompanhado do general
Von Rommel pelos desertos do norte da África.


Por isso, parece claro que não existe nada a incriminá-lo. Com certeza, ele não sabia de nada. Não via nada. A oposição diz que foram queimados documentos incriminatórios importantes, mas nada, absolutamente nada foi comprovado, apenas evidenciou-se a existência de cinzas e destroços por todos lados que somente foram trazidos com a chegada dos americanos e russos que não fazem parte da peça de acusação do proceso entregue pelo “Parquet”, o Sr. Procurador.

Afinal, ele seria apenas um Chanceler e presidente do Partido Nazista; ou seja, ele não passava de um mequetreque. Jamais foi pego, ou mesmo visto transportando armamentos debaixo dos braços (tipo pão francês) ou carregando pacotes de dinheiro nas cuecas.

Alguns relatos que citavam seu nome eram meros registros de co-réus, como alguns membros da Gestapo, os quais, por conseguinte, carentes de confiabilidade. Outros relatos são de inimigos figadais – os denominados “Países Aliados” e assim longe de merecerem qualquer relevância para serem tomadas como fundamentos de acusação.

Alguns o acusam de ter invadido Paris e desfilado sob o Arco do Triunfo. Esta é mais uma acusação inventiva dos opositores. Ele apenas foi visitar seu cordial amigo o General De Gaule que infelizmente havia viajado para o sul da França. Ele então, teria apenas aproveitado a sua viagem para passear e fazer compras na Avenue de Champs Elisé com seus amigos.
Qualquer outra conclusão é mera ilação ou meras conjecturas que atentam a qualquer inteligência mediana. Por aí vemos que nada contribui para a veracidade das acusações.

Não afasto a possibilidade dele ser o suposto mentor intelectual, mas nada, repito, nada consubstancia essa hipótese nos autos. E olha que procurei em mais de 1 milhão e 700 mil páginas em 10.879 pastas do processo.

E não podemos esquecer que ele foi vítima de diversos atentados que desejavam sua morte, articulados pela mídia e pelas potentes e inconformadas forças conservadoras. Seus ministros como Goebbels, Himmler, Rudolf Hess e outros também nada sabiam. Eram coadjuvantes
do nada, sem nenhuma responsabilidade de “facto”.


O holocausto, em que pessoas de diversas racas e etinias talvez tenham tido um suicídio coletivo ao estilo do provocado há anos nos EUA pelopastor Jim Jones. É, ainda hoje, um tema controverso. Assim trago aos pares, como contraponto, a tese defendida pelo filósofo muçulmano Almanidejah, que garante a inexistência de tal desgraça da humanidade.

Assim – já estou me dirigindo para encerrar meu voto, Sr. Presidente – afirmando acreditar que todos eles foram usados, trapaceados por algum aloprado tesoureiro de um banco alemão que controlava financeiramente a tudo e a todos; especialmente os projetos políticos e as doações corruptivas.
E tudo em nome da realização de um plano maquiavélico individual de domínio total que concebeu e monitorava do porão da sua pequenina casa nos Alpes.

“Enfim, depois de exaustivas e minuciosas vistas nos autos, especialmente nos finais de semana, trago aos pares novos dados que peço ao meu colaborador Adolfo para distribuir a todos.
Depois desta minha “assentada” declaro a improcedência da ação, inocentando por completo o réu por falta de provas. É como voto, Sr. Presidente.”

DILMA EM CÁDIZ, NA CÚPULA IBERO-AMERICANA

 

Em 16 de novembro, será inaugurada, na Espanha, a Cúpula Ibero-americana de Cádiz. O ibero-americanismo corresponde a uma tentativa – frustrada, diga-se de passagem – da Espanha, de desafiar e tentar sabotar a posição do Brasil que, por meio de mecanismos como o Mercosul, a Unasul e o Conselho de Defesa Sul-americano, se tornou o eixo da integração e da união continental.



Cádiz foi escolhida para o evento deste ano durante a Reunião Ibero-americana de Santiago do Chile, em 2007, quando o Rei Juan Carlos, ao lado de Zapatero, pronunciou o famoso “por que no te callas ?” dirigido ao Presidente da Venezuela e ouviu contundente resposta, que pode ser encontrada na internet, em vídeo, mas que não foi tão divulgada pelos meios de comunicação quanto foi a pergunta atrevida do Rei.

Em 2007, a Espanha, embalada pelo dinheiro farto, a fundo perdido, da Comunidade Européia, e pelos empréstimos conseguidos a juros baratos que lhe permitiram comprar várias empresas sul-americanas – na farra da privatização dos anos 1990 – acreditava que entraria para o G-8, como a oitava economia do mundo.

Hoje, Madrid busca, com afã de sua diplomacia, contando nos dedos, a presença de mandatários sul-americanos na Cúpula de Cadiz, a fim de evitar que o “ibero-americanismo” morra ali, depois de quase ter perecido no encontro de Assunção do ano passado, ao qual não compareceram os principais dirigentes latino-americanos – entre eles Dilma, Cristina Kirchner, e o próprio Chavez.

O México, que compartilha com a Espanha incômodo cada vez maior com o crescimento econômico e geopolítico da América do Sul, enviou seu Presidente de então.
E, não satisfeito, depois se aliou à Espanha, esta como “convidada”, para lançar, com o Chile de Piñera, a “Aliança do Pacífico”, uma organização que não consegue esconder seu verdadeiro objetivo – apoiado, entusiasticamente, pelos EUA – o de “rachar” a América do Sul, criando alternativas à Unasul e ao Mercosul, para diminuir a influência brasileira no continente.

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CORRELAÇÃO DE FORÇAS

Hoje, a correlação de forças entre a Espanha e o Brasil mudou totalmente. Madrid – infelizmente para o povo espanhol, que está sofrendo muito mais com a crise que suas “elites” – acumula uma enorme dívida pública, privada e financeira.
O desemprego está em 26%, e calcula-se que, desde 2009, um terço do capital do país tenha deixado suas fronteiras, e um milhão de pessoas tenham feito o mesmo, a um ritmo, conforme divulgou a imprensa espanhola na semana passada, de 200 espanhóis por dia.
A Catalunha e o país basco querem votar sua independência.
A Standard & Poors acaba de rebaixar de novo a nota da dívida soberana, e fez o mesmo com um grupo de 19 instituições financeiras espanholas, inclusive dois grandes bancos que operam aqui no Brasil, no varejo.
A Presidente Dilma já disse que vai a Cádiz em novembro. Sejamos solidários com o povo espanhol neste momento. Mas não deixemos de continuar defendendo – frente às suas “elites”- nossos interesses.

SUPERTÉCNICOS JUSTIFICAM A MEDIOCRIDADE

 

Aos poucos, o estilo do futebol brasileiro, orgulho nacional, foi modificado e dilapidado. Criaram outro futebol.



Muitas equipes passaram a jogar com três zagueiros (três autênticos ou dois e mais um volante-zagueiro) a fazer marcação individual, como a de Adriano sobre Ronaldinho, no jogo entre Santos e Atlético, a jogar com dois ou três volantes brucutus, para proteger os zagueiros e fazer a cobertura dos laterais, a ter um único meia responsável por toda a criação de jogadas, a dar chutões, a privilegiar jogadas aéreas, a cometer um absurdo número de faltas e a tumultuar as partidas. Tudo programado e compartimentado.

Os técnicos criaram verdades e dogmas para justificar essa mediocridade coletiva, com o apoio de parte da imprensa. Todas as partidas passaram a ser analisadas a partir da conduta dos técnicos. Havia até um programa na TV, o “Super Técnico”. Era duro assistir a tanta prepotência.

O futebol feio, ineficiente e violento atingiu níveis insuportáveis. Até a turma do oba-oba tem reclamado. Muitas coisas começam a mudar, timidamente. São ilhas de esperança. Algumas partidas são excelentes, como a entre Fluminense e Grêmio, dois times organizados, que colocam a bola no chão. O jogo foi do mesmo nível técnico dos grandes clássicos europeus.

A mediocridade convive com alguns excelentes jogadores, geralmente veteranos, e com Neymar, um fenômeno. Ele, se tiver, com frequência, as mesmas atuações contra as melhores equipes do mundo, seja atuando pelo Santos, pela Seleção ou por um dos grandes times da Europa, se tornará um dos maiores jogadores da história do futebol mundial. Acho que isso é questão de tempo.

Um clube que tem um Neymar não possui um rápido e bom atendimento a atletas com graves problemas na partida. Muito mais importante que a entrada da ambulância é ter condições técnicas, tecnológicas e médicos capacitados para atender os jogadores, conduzi-lo à ambulância bem equipada e, em seguida, ao hospital. Na Inglaterra, exemplo de organização, as ambulâncias não entram no gramado. Todos os estádios brasileiros têm de ser, com frequência, vistoriados.

Quando a seleção, mesmo contra adversários medianos, como o Japão, mostra dois zagueiros que têm bons passes, volantes que marcam e atacam com qualidade, e quatro jogadores adiantados que são meias e atacantes, cria-se uma esperança de que o Brasil possa ter um ótimo time na Copa e que isso provoque mudanças nas equipes brasileiras.

Outros acham que, para reagir, a única solução é jogar mais e perder o Mundial. Cresce também o número de indiferentes. Penso que, depois da Copa, independentemente do que ocorrer, nosso futebol nunca mais será o mesmo, para melhor ou para pior.

SUSPENSE NO SUPREMO. DAQUI A POUCO VAMOS SABER SE DIAS TOFFOLI CON SEGUE VOTAR PIOR DO QUE LEWANDOWSKI

Na sessão do Supremo de sexta-feira passada, o ministro Ricardo Lewandowski, revisor da Ação Penal 470, apresentou um dos votos mais escalafobéticos da História da Justiça no Brasil, ao absolver todos os 13 réus acusados de formação de quadrilha no Capítulo 2 do processo do mensalão.



Nunca se vira nada igual. Para dar essa guinada, o ministro deu um verdadeiro show de contorcionismo jurídico e distorceu uma tese lançada em outra votação pela ministra Rosa Weber, para quem os réus nem sempre se associam como quadrilha para cometer crimes.

Na visão de Rosa Weber, manifestada no Capítulo 6, há situações em que os réus fazem apenas uma coparticipação para obter vantagens individuais.
E a tese dela é procedente, porque uma grande quadrilha sempre tem seus líderes, os verdadeiros quadrilheiros, mas tem também os bagrinhos, que são apenas co-participantes e não dividem o produto do crime.

Nesse esforço hercúleo e incomensurável para absolver os chefes dos mensaleiros, Lewandowski releu grande parte do voto da ministra Rosa Weber, para argumentar que só existe quadrilha quando os réus se associam de forma permanente para perturbar a paz social.

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FALSO JURISTA

Já comentamos aqui no Blog que, segundo a tese esdrúxula de Lewandowski, não existiria quadrilha formada apenas para um único crime, como um assalto a banco, por exemplo.
Ele inovou em matéria de Direito também ao destacar que, na formação de quadrilha, os acusados devem sobreviver apenas do produto do crime, o que, em sua opinião, não ocorreu em relação aos 13 réus julgados nesse capítulo.


Por fim, para constituir formação de quadrilha, na visão deturpada do ministro revisor, os criminosos teriam de se unir para sempre, como no casamento religioso, vejam a que ponto chega a desfaçatez desse falso jurista.

Detalhe importantíssimo: o ministro ainda mudou o voto anteriormente dado para absolver parlamentares condenados por ele por formação de quadrilha no Capítulo 6, cujo tema central era o crime de corrupção passiva. Com a mudança, o revisor inocentou todos os réus acusados do crime de formação de quadrilha no processo.

“Imputou-se a alguns réus uma série de crimes, alguns dos quais poderiam ser dispensados, ou talvez não estivessem caracterizados com a precisão técnica que se exige de uma denúncia”, alegou o revisor, que hoje será massacrado pelos votos dos demais ministros, à exceção de Dias Tofolli, é claro, que consegue o fenômeno de ser pior do que Lewandowski, se é que isso pode ser possível.

PENETRAÇÃO NA FAIXA CONSERVADORA ASSEGURA VITÓRIA DE HADDAD

 

Pesquisa do Datafolha, comentada pelo repórter Ricardo Mendonça e publicada domingo, pela Folha de São Paulo, assegura com antecipação e segurança a vitória de Fernando Haddad sobre José Serra nas eleições de domingo próximo, segundo turno, pela Prefeitura da cidade de São Paulo.



A matéria da FSP destaca a penetração do lulismo nas áreas de classe média, de pensamento conservador. Assim, liderando em todos os grupos sociais, Haddad não tem como ser alcançado pelo ex-governador e ministro da Saúde.
Na classe média, 46 a 33%. No conjunto, 49ª 32.
Pode-se acreditar que os votos de Russomano, no primeiro embate, transferiram-se quase integralmente para Haddad no segundo.


Na mesma edição do FSP, o ex presidente Lula, em comício para Márcio Pochman para prefeito de Campinas, matéria de Marília Rocha e Daniel Carvalho, ironiza e diz que, de poste em poste, o Brasil se ilumina. Uma piada. Mas não é bem assim, Lula referia-se a pouca densidade
eleitoral do ex-presidente do IPEA, um técnico em sua primeira incursão no campo do voto popular.


O ex-presidente da República, de fato, é um fenômeno. Reelegeu-se por 61 a 39%, depois de se eleger batendo Serra por 62 a 38, garantiu a vitória de Dilma Rousseff por 56 a 44, no segundo turno, e mantém muito elevado seu grau de aprovação e popularidade. Dilma, à frente do governo, até suplanta o patamar para o qual foi alçada.

A legenda do PT segue firme, como as pesquisas assinalam, tanto as do Datafolha quanto as do Ibope, comprovando que o pleito deste ano não foi e tampouco está sendo sensibilizado pelo mensalão em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
A opinião pública não foi afetada pela questão, embora sela ela amplamente popular. O mesmo que tentar fazer o esporte influir eleitoralmente. Não pega. Nada disso.

A reação do mensalão parte de uma faixa da opinião pública já antecipadamente oposicionista.
Não se estende aos grupos sociais de modo geral a levá-los a mudar de opinião.
O que a pesquisa do Datafolha apontou como conservadorismo não se refere apenas aos grupos de melhor renda. Mas também aqueles cujos integrantes não são ameaçados de prejuízo em matéria de poder aquisitivo.
A política de reposição salarial está na raiz da questão.

Lula, a presidente Dilma e o próprio PT, como legenda, não ameaçam a estrutura da sociedade. E é importante reconhecer que, em São Paulo, o Partido dos Trabalhadores forma em aliança com o PMDB.
Conservador, como se sabe. PT e PMDB formam em São Paulo uma base de estabilidade.
A questão, entretanto, não se cinge apenas a esse ângulo.

Fundamental é que, como Lula disse à FSP ao se referir à eleição presidencial de 89, o PT não assusta hoje frações da sociedade que o temiam ontem. Tornou-se um partido tanto das classes trabalhadoras quanto assumiu um perfil de classe média.
Os números da pesquisa do Datafolha na cidade de São Paulo comprovam a convergência. Que, a meu ver, antecipa a vitória do ex-ministro da Educação.

ADIANTANDO O RELÓGIO...

 

ABATER AMIGAVELMENTE OS INIMIGOS, OU OS TUCANOS KAMIKASES

 

A 14 de agosto de 1945 o comandante da Quinta Frota da Marinha de Guerra dos Estados Unidos, sediada no Pacífico, enviou o seguinte telegrama aos seus comandados:

“A GUERRA COM O JAPÃO TERMINARÁ ÀS 12 HORAS DE AMANHÃ. É PROVÁVEL QUE DEPOIS DISSO OS KAMIKASES ATAQUEM A FROTA, NUMA ARREMETIDA FINAL. QUALQUER AVIÃO QUE ATAQUE A ESQUADRA DEVE SER DERRUBADO DE MANEIRA AMIGÁVEL.”


Guardadas as proporções, dia 28, no próximo domingo, terminará a guerra no ninho dos tucanos entre José Serra e Aécio Neves, com a derrota do candidato do PSDB à prefeitura paulistana para Fernando Haddad, do PT.
Senão o fim de carreira, pelo menos reduzem-se profundamente as pretensões de Serra à presidência da República, em 2014.
O problema para o comandante da frota, quer dizer, o Aécinho, serão os kamikases, ou seja, Geraldo Alckmin e seus seguidores.

Os tucanos paulistas não se conformam com a derrota antecipada de sua sociedade secreta na disputa pelo palácio do Planalto, no âmbito do partido, daqui a dois anos.
Um avião suicida capaz de esboroar-se no convés do encouraçado mineiro poderá muito bem resumir-se na reafirmação do governador paulista de estar pronto para disputar a sucessão presidencial.
O ex-presidente Fernando Henrique, nessa história, está mais para Imperador Hiroito, ainda que capaz de perturbar a paz em nome de sua divindade.

Por conta disso deve o candidato natural da social-democracia cuidar-se e avisar seus correligionários para que tratem de abater os tucanos kamikases assim que surjam no horizonte. Amigavelmente, é claro…

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EDUARDO CAMPOS TAMBÉM

O irônico telegrama do comandante da Quinta Frota presta-se a outra alegoria, na dependência dos resultados das eleições do dia 28.

Claro que por inspiração do general MacArthur, perdão, do Lula, o PT e a presidente Dilma fazem tudo para cortar as asas do Partido Socialista, de Eduardo Campos.
Tendo crescido no primeiro turno, a legenda do governador de Pernambuco emite sinais de que poderá romper a aliança com o governo do PT para juntar-se aos tucanos, disputando o seu líder maior a vice-presidência da República ou até a presidência. Importa, para os detentores do poder, afastar desde já a incômoda hipótese.

Daí a presença de Dilma nas campanhas dos companheiros que tentam derrotar os socialistas, como em Campinas e em outras grandes cidades. Mas derrotar amigavelmente, por certo…

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A HORA DAS APOSTAS

As nuvens ficarão turvas, talvez até sobrevenham tempestades quando o Supremo Tribunal Federal começar a fixar as penas dos mensaleiros já condenados.
Certamente não nesta, mas quem sabe na próxima semana, dez ministros, dez cabeças e dez sentenças levarão a confusão aos advogados dos réus.
Unanimidade, só por milagre, mesmo sabendo-se estarem proibidos de se pronunciar os ministros que tiverem absolvido determinados cidadãos condenados pelos demais.

O problema será a aplicação do Código Penal e de outras leis punitivas. Às piores sentenças, de prisão em recinto fechado, seguir-se-ão outras, de prisão em regime aberto, devendo o preso apenas dormir na cadeia, de prisão domiciliar e de prestação de serviços comunitários, além da dos políticos, da cassação de mandatos, de multas, devolução do dinheiro surripiado e sucedâneos.
Além de inevitáveis protestos e reclamações, surgirá também aquele sentimento tão comum na sociedade brasileira: a piedade.

O MISTÉRIO DA MORTE

 

Agildo Barata, herói dos tenentes de 1930, dos capitães de 1935 e dos comunistas de 1945 e pai do querido ator Agildo Ribeiro, era o menor e o mais valente dos prisioneiros de Fernando de Noronha, entre 1935 e 45, na ditadura de Getulio Vargas.

Um guarda enorme, bruto e violento, sempre armado, estava espancando presos, que se reuniram e encarregaram Agildo de falar com ele para dar um basta.

Na hora da chamada matinal, todos no pátio, Agildo, baixinho, mãozinha miúda, deu dois passos à frente, ficou algum tempo parado diante do brutamontes, pôs o dedo no nariz dele e disse que, na primeira vez em que ele batesse em um preso, iria matá-lo em público.

O guarda ficou parado, imóvel, arregalou os olhos e pumba!, caiu duro. Começou o corre-corre. Chamaram o médico do presídio.

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AGILDO


Antes dele, chegou chorando a mulher, gritando desesperada:
- Meu amor. Não morra! Você não pode morrer! Não me deixe!
Punha a mão nos olhos, no coração, pegava o pulso, conferindo. Chegou o médico. Não adiantava mais nada. A mulher gritava:
- Doutor, me diga. Ele morreu mesmo? Não é só um desmaio?
- Não, minha senhora. Morreu. Não há mais o que fazer.
A mulher ajoelhou-se, enfiou os dedos nos olhos dele, convenceu-se de que ele estava mesmo morto e se levantou, sorrindo histérica:
- Graças a Deus, doutor! Ele está morto mesmo! Morreu tarde! Isso era um bandido. Um canalha. Me batia, quase me matava todo dia. Morreu tarde. Todo poderoso, todo valentão um dia se acaba!

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CLERISTON


Cleriston Andrade chegou ao hotel da Bahia às oito da noite em ponto. Candidato do PDS a governador da Bahia, em 1982, nosso amigo comum, Nilson de Oliva Cesar, o saudoso Pixoxó, havia marcado aquele jantar para conversarmos.
Jantamos e conversamos até meia-noite. Uma conversa fácil, agradável, carinhosa, cheia de infâncias e lembranças.
Ele havia estudado no internato do Colégio Taylor-Egídio, de minha pequenina cidade de Jaguaquara, quando eu chegava de Salvador nas férias, de batina.
Era de Ipiaú, ali perto, as famílias ligadas por casamentos. Fizemos um levantamento sobre a situação política baiana. Ele tinha absoluta certeza da eleição. E nenhum receio das brigas dentro do PDS.

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SENHOR DO BOMFIM


Já falava com pose, gestos, palavras e sotaque de governador:
- Nery, a liderança do Antonio Carlos é tão forte no partido que superará tudo. O Jutahy quer um pedaço do poder. Darei. O Luis Viana quer voltar para o Senado. Voltará. O Lomanto quer ficar em evidência. Ficará, tem mais quatro anos de Senado. O Prisco Viana ainda é muito verde para o governo. Minha eleição é uma coisa do destino, Nery.
Como ele era evangélico, brinquei:
- Você já perguntou ao Senhor do Bonfim?
Deu uma gargalhada. Não tinha perguntado.
Dias depois, meu amigo Cleriston Andrade morria de helicóptero na serra do Marçal, entre Conquista e Itapetinga, um mês antes das eleições.

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SÃO PAULO

São Paulo, o maior jornalista de todos os tempos, indagava:
- “Onde está, ó morte, a tua vitoria”?
Sempre está quando morre alguém perto de nós. Ficamos derrotados. E quanto mais absurda a morte, mais impotentes e arrasados nos sentimos.
Sabia é a Igreja Católica que, bem antes dos quinze anos, toda manhã, no inesquecível Seminário de Santa Tereza, em Salvador, nos punha a ouvir quinze minutos de leitura e meditar outros quinze minutos sobre o livro “Sete Meditações Sobre a Morte”, de Santo Afonso Maria de Ligorio.

FERREIRA GULLAR NA VISÃO DE SPONHOLZ

 

http://www.sponholz.arq.br/caricaturas/grd/carica_grd_002.jpg

PIADA DE SALÃO

 

Quando o escândalo do mensalão abalou a vida política do país e, particularmente, o governo Lula e seu partido, alguns dos petistas mais ingênuos choraram em plena Câmara dos Deputados, desapontados com o que era, para eles, uma traição. Lula, assustado, declarou que havia sido traído, mas logo acertou, com seus comparsas, um modo de safar-se do desastre.



Escolheram o pobre do Delúbio Soares para assumir sozinho a culpa da falcatrua. Para convencê-lo, creio eu, asseguraram-lhe que nada lhe aconteceria, porque o Supremo estava nas mãos deles.

Delúbio acreditou nisso a tal ponto que chegou a dizer, na ocasião, que o mensalão em breve se tornaria piada de salão.

Certo disso, assumiu a responsabilidade por toda a tramoia, que envolveu muitos milhões de reais na compra de deputados dos partidos que constituíam a base parlamentar do governo.

Embora fosse ele apenas um tesoureiro, afirmou que sozinho articulara os empréstimos fajutos, numa operação que envolvia do Banco do Brasil (Visanet), o Banco Rural e o Banco de Minas Gerais, e sem nada dizer a ninguém: não disse a Lula, com que privava nos churrascos dominicais, não disse a Genoino, presidente do PT, nem a José Dirceu, o ministro político do governo.

Era ele, como se vê, um tesoureiro e tanto, como jamais houve igual. Claro, tudo mentira, mas estava convencido da impunidade.
A esta altura, condenado pelo STF, deve maldizer a esperteza de seus comparsas. Mas os comparsas, por sua vez, devem amaldiçoar o único que, pelo menos até agora, escapou ileso do desastre -o Lula.

Pois bem, como o tiro saiu pela culatra e o partido da ética na política consagrou-se como um exemplo de corrupção, Lula e sua turma já começaram a inventar uma versão que, se não os limpará de todo, pelo menos vai lhes permitir continuar mentindo com arrogância.
O truque é velho, mas é o único que resta em situações semelhantes: posar de vítima.

E se o cara se faz de vítima, tem o direito de se indignar, já que foi injustiçado. Por isso mesmo, vimos José Genoino vir a público denunciar a punição que sofreu, muito embora tenha sido condenado por nove dos dez ministros do STF, quase por unanimidade.

A única hipótese seria, neste caso, que se trata de um complô dos ministros contra os petistas. Mas mesmo essa não se sustenta, uma vez que dos dez membros do Supremo, oito foram nomeados por Lula e Dilma.

Reação como a de Genoino era de se esperar, mesmo porque, alguns dias antes, a direção do PT publicara aquele lamentável manifesto em que afirmava ser o processo do mensalão um golpe semelhante aos que derrubaram Getúlio Vargas e João Goulart.
Também a nota posterior à condenação de José Dirceu repete a mesma versão, segundo a qual os mensaleiros estão sendo condenados porque lutam por um Brasil mais justo. O STF, como se sabe, é contra isso.

Não por acaso, Lula -que reside num apartamento duplex de cobertura e veste ternos Armani- voltou a usar o mesmo vocabulário dos velhos tempos: “A burguesia não pode voltar ao poder”. Sim, não pode, porque agora quem nos governa é a classe operária, aquela que já chegou ao paraíso.

Não tenho nenhum prazer em assistir a esse espetáculo degradante, quando políticos de prestígio popular, que durante algum tempo encarnaram a defesa da democracia e da justiça social em nosso país, são condenados por graves atentados à ética e aos interesses da nação.
As condenações ocorreram porque não havia como o STF furtar-se às evidências: dinheiro público foi entregue ao PT, mediante empréstimos fictícios, que tornaram possível a compra de deputados para votarem com o governo. Tudo conforme a ética petista, antiburguesa.

Mas não tenhamos ilusões. Apesar de todo esse escândalo, apesar das condenações pela mais alta corte de Justiça, o PT cresceu nas últimas eleições. Tem agora mais prefeituras do que antes e talvez ganhe a de São Paulo.
Nisso certamente influiu sua capacidade de mascarar a verdade, mas não só. Com a mesma falta de escrúpulos, tendo o poder nas mãos, manipula igualmente as carências dos mais necessitados e dos ressentidos.
Não vai ser fácil acharmos o rumo certo.
(Artigo enviado por Mauro Julio Vieira)

POR QUE METADE DOS AMERICANOS NÃO VAI VOTAR PARA PRESIDENTE?

 

Milhões de americanos não se sentem representados nem pelos democratas e nem, tampouco, pelos republicanos. O segundo duelo presidencial americano foi um choque de passados. O passado de Obama são os últimos doze anos, excetuados naturalmente os quatro dele mesmo. O passado de Romney são os quatro anos de Obama.



Entre os dois existe o consenso de que o presente americano é uma lástima.
Romney não para de falar nos 5 pontos de seu programa. Pego carona e enumero os 5 pontos do declínio dos Estados Unidos.

1) Desemprego alto, símbolo de uma economia quebrada;

2) o fim da crença quase universal no sonho americano;

3) perda de influência e de admiração na arena internacional;

4) ganho de peso na balança graças à indústria da junk food, e a emergência de um Império dos Obesos;

5) o crescimento global de um antiamericanismo como nunca se viu.

Raras vezes se viu, na história da humanidade, um país tão universalmente detestado. Império nenhum, ao longo dos tempos, conseguiu se manter quando acumulou rejeição por todos os lados.

O que se viu, no segundo debate, foi mais uma vez a tentativa de os dois candidatos atribuírem o presente funesto um ao outro. Romney diretamente: ele pega as promessas de Obama da campanha passada e mostra, sem dificuldade, que nada foi realizado.

Obama põe a culpa em Romney indiretamente: o drama americano, segundo ele, é fruto dos oito anos de administração de George W Bush. Romney e Bush são do mesmo partido e defendem as mesmas coisas. Romney no poder equivaleria, segundo a lógica de Obama, ao retorno de Bush. Ele está certo.

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APATIA E DESCRENÇA

Você vê os debates e pode ser tomado pela impressão de que os americanos estão eletrizados pelas eleições. Não é verdade. O que existe, na sociedade americana, descontado o circo armado em torno das eleições, é uma mistura de apatia, descrença e indiferença.
A abstenção deve chegar a 50%.

Metade dos americanos não se sente representada nem por democratas e nem por republicanos. São dois partidos essencialmente iguais, ou tão diferentes quanto Coca e Pepsi. Um regime político da natureza do americano, se estivesse presente na China, por exemplo, seria chamado de ditadura de dois partidos.

Nos debates, você vê dois atores muito bem treinados. Romney mantém sempre o sorriso, o ar artificialmente autoconfiante de um médico — ou charlatão — capaz de devolver a saúde rapidamente a um doente já sem esperanças. A expressão de superioridade só o abandona quando ele se descuida muito.
Mesmo assim, o lapso dura uma fração. No debate de ontem, isso aconteceu. Romney acusou Obama de não ter tratado imediatamente como “ato de terror” o ataque islâmico à embaixada americana na Líbia.

Mas Obama tinha falado rapidamente, sim, em terror. A mediadora do debate confirmou. Obama, no único momento em que a plateia se manifestou com aplausos, pediu que ela falasse de novo “mais alto”. Ela falou. Ainda assim, mesmo contra os fatos, Romney insistiu em seu ponto.

O avanço da candidatura de Romney pode ter parado aí. Esta cena será repetida milhões de vezes no YouTube e nas redes sociais. (Você pode vê-la no pé deste texto.) Comentaristas políticos escreverão sobre como Romney insistiu num ataque mesmo diante da evidência de que cometera um erro.

Mas nada será capaz de tirar da letargia a chamada voz rouca das ruas dos Estados Unidos. Para ela, as eleições presidenciais não merecem sequer o esforço de ir até um posto de votação.

A ELEIÇÃO IDEAL EM 2014 SERIA LULA ENFRENTANDO DILMA, UMA DISPUTA ELETRIZANTE

 

Por incrível que pareça, admito também que o Francisco de Assis tem razão ao comentar que Aécio Neves não terá chances se disputar a eleição de 2014 contra a presidente Dilma Rousseff.
Igualmente não vejo em qualquer outro partido um nome da oposição com cacife suficiente para estabelecer uma razoável competição, pelo menos.


Lula e Dilma disputando votos

Em comentários anteriores eu dissera que o único político que pode interromper a reeleição de Dilma, na hipótese de ser impedida de concorrer por decisão partidária, seria o ex-presidente Lula – além desse nome, nenhum outro no atual momento, lógico.

Mas eu gostaria muito de ver estes dois (Lula e a presidente Dilma) separados. Assim, na
eventualidade de o ex-presidente Lula se candidatar, que a presidente então trocasse de partido e que o enfrentasse em campo aberto, disputando os mesmos eleitores e, quem sabe, parte dos brasileiros que estão hoje desencantados com o PT e o Lulismo, mas que não enxergam alguém que possa combatê-lo com eficiência nas urnas neste momento.


Seria, indubitavelmente, uma campanha à presidência eletrizante, espetacular, ainda mais se Dilma Rousseff fizer um bom governo, apesar das dificuldades que está tendo em conseguir decolar este País e resolver seus problemas crônicos já muito bem conhecidos.

Acredito que teríamos uma reviravolta positiva na política nacional, um novo ciclo, um novo Legislativo e Executivo, e com o término dessas alianças espúrias e deploráveis e seus fisiologismos prejudiciais ao povo e à Nação brasileira!

22 de outubro de 2012
Francisco Bendl

NÃO TEMOS O DIREITO DE FICARMOS INDIGNADOS! NÓS SOMOS CÚMPLICES DESSA VERGONHA!!!

BEM PAGOS, FOLGADOS E CHEIOS DE MORDOMIAS. UMA ELITE DE FOLGADOS


 
A lista dos benefícios dos 513 deputados federais é tão extensa que eles podem viver sem colocar a mão no próprio bolso , só à custa dos ganhos e regalias que recebem para exercer o mandato.
Apenas 1% dos brasilienses têm um salário igual ou superior ao de um parlamentar , R$ 26,7 mil.
A essa dinheirama, somam-se 14º e 15º salários , auxílio-moradia, 50 dias de recesso por ano , aposentadoria integral, plano de saúde ilimitado e crédito de até R$ 34,2 mil por mês com direito a reembolso.
Lista extensa de benefícios recebidos e a remuneração tão alta deixam deputados federais longe da realidade da população. Apenas 1% dos brasilienses têm um rendimento mensal parecido, acima de 40 salários mínimos.
Receber um salário de R$ 26,7 mil é um luxo para poucos. Somente 1% dos brasilienses têm renda domiciliar igual ou acima desse valor. Mas para os deputados federais que ganham essa bolada todos os meses, os rendimentos privilegiados não são o único atrativo do cargo.
A lista de benefícios é tão extensa que um parlamentar pode viver sem sequer colocar a mão no próprio bolso. Além dos rendimentos mensais, eles têm direito a atendimento médico ilimitado, passagens aéreas, carro alugado, combustível, conta de telefone paga pelo estado, além de auxílio-moradia.
O Correio comparou os benefícios garantidos aos deputados com os direitos assegurados aos cidadãos comuns e constatou que a situação de quem tem mandato no Congresso destoa — e muito — da realidade dos brasileiros que eles representam.
Segundo a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), somente 7.783 famílias do Distrito Federal vivem com renda domiciliar entre 40 e 50 salários mínimos, o que corresponde a 1% dos lares brasilienses.
Se forem somados aos rendimentos dos parlamentares os R$ 3 mil de auxílio-moradia e os R$ 4,4 mil mensais referentes aos 14° e 15° salários, o ganho de um deputado ultrapassa a marca de 50 salários mínimos. Apenas 3.151 famílias da capital federal têm um rendimento mensal tão alto.
Essa fatia da população corresponde a 0,4% dos moradores de Brasília.
O presidente da Codeplan, Júlio Miragaya, afirma que os representantes do povo no Congresso representam o topo da pirâmide salarial do Distrito Federal.
“Em Brasília, a renda já é bastante alta em comparação com o resto do país.
Aqui, 9,3% das famílias ganham mais de 20 salários mínimos, o equivalente a R$ 12 mil. Mas, com um salário de R$ 26,7 mil, os deputados estão em um grupo com privilégios muito acima da média”, comenta o economista.
Como 505 dos 513 deputados vêm de outras unidades da Federação, a Câmara garante R$ 3 mil mensais para que os beneficiários paguem o aluguel de um imóvel ou a conta de um hotel. A Casa legislativa dispõe ainda de 432 apartamentos funcionais e, para mantê-los, gastou R$ 30 milhões desde 2008. Essa benesse está bem longe da realidade da maioria dos brasilienses.
O DF é a unidade da Federação com o menor percentual de pessoas com casa própria.
Aqui, 41% dos moradores separam boa parte do salário para pagar aluguel e precisam encarar preços que estão entre os mais altos do país. E pouquíssimos recebem uma mãozinha do empregador, como os deputados: somente 2,8% das casas e dos apartamentos do DF são funcionais. Os dados constam no último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 
Reembolso
 
A assistência médica ilimitada é outro benefício utópico para a maioria dos cidadãos. Os deputados podem pedir reembolso de despesas médicas e hospitalares realizadas em qualquer local do país. A Câmara paga cirurgias, exames e tratamentos realizados na clínica ou hospital de preferência do parlamentar.
O sistema só não vale para procedimentos odontológicos e não cobre familiares ou dependentes.
Mas é possível se associar ao plano de saúde dos servidores da Câmara, que prevê assistência para filhos e cônjuges. Segundo a Câmara, esse serviço de reembolso é mais vantajoso para os cofres públicos. Isso porque o custo de pagar um plano de saúde para deputados seria alto, já que a maioria tem mais de 50 anos.
O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo de Almeida, explica que poucas empresas oferecem planos de saúde com sistema de reembolso que cubra todo e qualquer tipo de procedimento ou consulta. Ele estima que um benefício como esse custaria pelo menos R$ 5 mil para um cidadão comum.
“É um plano de saúde muito caro. Se a pessoa quiser incluir cirurgias, transplantes, todos os exames, o valor é altíssimo. Poucas empresas oferecem essa possibilidade de o paciente ser atendido em qualquer lugar e depois pedir reembolso das despesas”, comenta Arlindo.
É na cota parlamentar que estão as maiores vantagens do cargo. Os deputados têm direito a reembolso de gastos com limite mensal que varia de R$ 23 mil a R$ 34,2 mil, dependendo do estado do parlamentar.
Com esse dinheiro, é possível comprar passagens aéreas;
pagar telefone e serviços postais;
manter escritório de apoio à atividade parlamentar;
acertar conta de restaurantes e de hotéis;
alugar ou fretar aeronaves,
embarcações ou carros;
encher o tanque de combustível;
contratar segurança particular ou serviços de consultoria.
A gastança, entretanto, tem alguns limites:
não é permitido fazer compras de supermercado com o dinheiro.
Os deputados que ocupam cargos de líder ou vice-líder de partido ou bloco ou presidente e vice-presidente de comissão têm direito a mais R$ 1,2 mil por mês para pagar essas despesas.
A aposentadoria dos parlamentares é um dos únicos benefícios que se assemelha ao garantido ao funcionalismo público. O Plano de Seguridade Social dos Congressistas estabelece a necessidade de 35 anos e contribuição e idade mínima de 60 anos, sem nenhuma diferenciação entre homens e mulheres.
Os parlamentares recebem esse benefício proporcional ao tempo de mandato. “Os deputados não têm nenhuma vantagem considerável em comparação com a aposentadoria prevista para servidores.
O sistema atual é o mesmo dos funcionários públicos e de empresas estatais”, comenta o especialista em previdência Renato Follador. Até 1997, os deputados tinham benesses expressivas quanto às aposentadorias. Eles podiam receber um valor proporcional depois de oito anos de contribuição e apenas 50 anos de idade. Mas esse sistema foi alterado há 15 anos.
Todos esses direitos assegurados aos deputados federais somam-se a outras vantagens do cargo — algumas muito polêmicas. Na semana passada, a Câmara aprovou uma resolução que restringe as sessões deliberativas às terças, às quartas e às quintas-feiras. Assim, a Casa oficializou uma prática já bastante popular entre os representantes do povo: a de desaparecer do Congresso na segunda e na sexta-feira.
Apesar de aprovar a rotina de três dias de expediente, os parlamentares até hoje adiam uma decisão a respeito do fim dos 14° e 15° salários. Eles recebem em fevereiro e em dezembro de todos os anos uma “ajuda de custo” equivalente à remuneração de R$ 26,7 mil. Em um ano, esses salários extras representam um incremento médio de R$ 4,4 mil no rendimento mensal.
“Em Brasília, a renda já é bastante alta em comparação com o resto do país. Mas com um salário de R$ 26,7 mil, os deputados estão em um grupo com privilégios muito acima da média”
Júlio Miragaya, presidente da Codeplan
 
HELENA MADER, Correio Braziliense
22 de outubro de 2012

OS DOIS NETOS


Arthur Neto e ACM Neto
Dois netos estão com uma eleição muito mais encaminhada do que o nosso vovô predileto. O Neto de Salvador está liderando em todas as pesquisas. O Neto de Manaus está na frente em todos os levantamentos, até mesmo naquela marmelada do Ibope. O Neto baiano e soteronapolitano foi atacado por Lula e Dilma, com adjetivos como "baixinho" e "naniquinho".
 
O Neto manauara foi ofendido por Lula, que afirmou que ele batia em camelô e que era desequilibrado. ACM Neto e Arthur (Virgílio) Neto estão tendo uma campanha dificílima, mas estão reagindo com coragem aos ataques, não deixando nada sem resposta e respondendo à altura todas as ofensas.
Olho por olho, dente por dente. E olha que foram vítimas de mentiras nojentas. Espalharam que ACM Neto seria racista. E que Arthur Neto teria mandado jogar um ovo na cara da adversária comunista.
 
Os dois Netos podem até perder a eleição, mas estão tendo uma postura efetiva de oposição. Até agora estão vencendo. Já o nosso vovô predileto, com toda a sua experiência... A oposição poderia enfiar um 3 x 0 no Lula, vencendo Manaus, Salvador e São Paulo.
Mas aí teria que jogar no ataque, não na retranca. Ainda temos cinco programas de TV e 200 comerciais de TV...
 
22 de outubro de 2012
in coroneLeaks