"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



sábado, 23 de março de 2013

AS PESQUISAS ELEITORAIS

O que é circunstancial e o que é estrutural. Ou: Sem confronto de valores, não há oposição possível. Ou ainda: boa notícia para Eduardo Campos


Ai, ai… Vocês são testemunhas das muitas vezes em que chamei aqui a atenção para o fato de que, tudo o mais constante no terreno oposicionista (ironia: por enquanto, o que não é constante só piora!), Dilma tem tudo para se eleger no primeiro turno em 2014, feito que nem Lula conseguiu nas duas jornadas em que venceu.
 
Certamente o PT atuou para que assim fosse, gostemos ou não. Mas convenham: é uma obra construída com a ajuda da oposição. Sua ruindade na esfera federal se traduz em votos… para o governo, certo? A esperança, hoje, vejam que coisa, chama-se Eduardo Campos, governador de Pernambuco (PSB).
 
Em certa medida, está em suas mãos, e no eventual crescimento de sua candidatura, Dilma ter de disputar ou não o segundo turno. Sim, caros, há elementos inerentes à própria narrativa, que independem de armações e circunstâncias, que explicam esse resultado. Mas é claro que há também, como chamarei?, um buliçoso movimento dos espertos. Falemos um pouco das espertezas. Depois volto às questões de fundo.
 
As circunstâncias
 
Dilma apareceu na TV no dia 8 de março — Dia Internacional da Mulher — para anunciar a desoneração dos produtos da cesta básica. Pouco antes, havia feito o anúncio, batendo bumbo, da redução da tarifa de energia. Naquele mesmo dia 8, o Ibope havia começado a colher os dados sobre a sua popularidade, que prosseguiu, segundo o instituto, nos dias 9 e 10 — os dados só seriam anunciados dez dias depois, a 19 de março.
 
Assim, com o noticiário, inclusive o da TV, tomado pela tal desoneração, com direito a pronunciamento oficial, o Ibope foi a campo: “O que você acha de Dilma?” O resultado foi aquele que se viu. Nem poderia ser diferente. Sua popularidade havia, é evidente, crescido. Na quarta e na quinta, 20 e 21 de março, os números recordes da presidente ganharam grande destaque: para 63%, o governo é ótimo ou bom; 79% aprovam seu jeito de governar.
 
Também nesta quarta e quinta, enquanto a imprensa e as redes sociais estavam inundadas com essas notícias, aí foi a vez de o Datafolha fazer a sua pesquisa, esta de intenção de voto. Bidu! Dilma cresceu de 54% em dezembro para 58% agora; Marina e Aécio oscilaram dois pontos para baixo — 16% ela, apenas 10% ele.
 
Quem oscilou dois para cima foi Eduardo Campos, que aparece com 6%. Ah, sim: um dia antes de o Datafolha fazer suas entrevistas, a imprensa brasileira havia dado grande destaque ao encontro de Dilma com o papa Francisco. Como se sabe, ela deslocou a Corte de Dario para Roma, gastando mais ou menos meio milhão de reais em três dias. Quem se importa?
 
Falta coisa. O Ibope, que, segundo afirmou, foi a campo entre 8 e 10 para fazer a avaliação de Dilma para a CNI, voltou às ruas, nesse clima de oba-oba, entre os dias 14 e 18, aí a serviço do Estadão, que também publica neste sábado uma pesquisa. Instituto e jornal decidiram ir mais longe, medindo o que chamam potencial de voto.
 
Se a Folha chama a atenção para os 58% de intenção de voto em Dilma, o Estado prefere um número ainda mais vistoso: o potencial de voto da petista seria de 76%, que é a soma dos 52% que dizem votar nela com certeza mais os 24% que afirmam que poderiam fazê-lo.
 
Levando a sério esse negócio de “potencial de voto”, os possíveis adversários deveriam retirar suas respectivas candidaturas e dar a vitória a Dilma por WO. Afinal, só ela tem saldo positivo, de 56 pontos: 76% votariam ou poderiam votar, contra 20% que não fariam isso de jeito nenhum. Marina tem saldo zero: 40% votariam ou poderiam votar, contra outros 40% que a rejeitam (estou nesse grupo!). 
O de Aécio é negativo em 11 pontos (25% a 36%); o de Campos, em 25 (10% a 35%). Mas há aí uma questão: 39% dizem desconhecer o mineiro; outros 54% não sabem quem é o pernambucano.
 
O truque

O PSDB caiu no truque de Lula — e apontei isso aqui à época. Quando ele decidiu antecipar a campanha eleitoral, chamando o PSDB para a briga, ele o fez de olho no calendário e na agenda do governo.
Como se começou a discutir a sucessão com quase dois anos de antecedência, os eventos políticos passam a girar em torno desse eixo. Dado que o governo está com a iniciativa, é claro que tudo conspiraria em favor de Dilma. Nota à margem (já volto aqui): embora Campos tenha rejeitado a campanha precoce, ele acabou se beneficiando desse processo, um efeito certamente indesejado pelo petismo, mas inevitável.
 
É claro que foi um erro o PSDB ter aceitado os termos do confronto proposto por Lula. Não foi falta de aviso. O governo tinha a faca e o queijo — sem qualquer alusão a Minas, eu juro! — na mão.
Eis aí. Aécio não pode reclamar de falta de generosidade do noticiário, que lhe garantiu bastante espaço. Apareceu como o candidato certo do PSDB à Presidência, como presidente já nomeado do partido; como adversário preferencial de Dilma, para responder a isso e àquilo. Há três meses, no Datafolha, tinha 12%; agora, está com 10%. Sigamos.
 
O que não é apenas circunstância

Há circunstâncias, sim — algumas matreiras, outras malandras —, que explicam o fantástico desempenho de Dilma. Mas há também elementos constitutivos da realidade política. Todas as dificuldades e irresoluções do governo e do país — inflação acima da meta, baixo crescimento, investimento pífio — não chegaram à população.
 
A economia ainda ancorada no consumo sustenta a fantasia de um Brasil que resolveu todos os seus problemas. E olhem que não faltam dificuldades, como a pior seca do Nordeste nos últimos 40 anos (a popularidade de Dilma voltou a crescer na região, diz o Ibope), a encalacrada da Petrobras, um serviço de saúde miserável, a infraestrutura capenga (vejam aquela estúpida e inacreditável fila de caminhões nas estradas rumo ao Porto de Santos)… De A a Z, dá para escolher.
 
“Ah, mas o povo vive bem!” Ainda que isso fosse uma verdade absoluta — e ouso dizer que não é (mas não me estenderei agora sobre a tal “classe média” com renda per capita acima de R$ 300… é piada!) —, é evidente que sobraria espaço para a oposição, não é? Não fosse assim, governos bem-sucedidos, mundo afora, sempre se reelegeriam ou fariam seus respectivos sucessores, o que absolutamente não é verdade. É claro que isso facilita enormemente a tarefa, mas não determina.
 
O principal problema da oposição no Brasil é não ter construído, ao longo dos anos, uma agenda e uma cultura. Não há valores alternativos aos do petismo. Isso, sim, é dramático. Nas vezes em que se ensaiou algo parecido, o PSDB fugiu como o diabo foge da cruz, com receio de ser considerado um partido conservador. 
 
E, na contramão do quase consenso estúpido da crônica política, sustento: é a ausência de uma visão conservadora sólida, organizada — que, obviamente, também pode estar voltada para o social —, que torna tão singular a política no Brasil.
Digam uma única democracia, uma só, além da nossa, em que todas as alternativas de poder, mesmo as remotas, sejam de centro-esquerda. Vejam que curioso: os petistas vivem acusando o PSDB de ser de direita, e os tucanos vivem tentando provar para os petistas que isso é mentira. São reféns de uma invenção do adversário.
 
Na última edição da VEJA DE 2010, escrevi um longo artigo sobre os caminhos e descaminhos da oposição. Dilma tinha acabado de vencer a eleição. Não mudei de ideia. Sem promover, de forma permanente, um confronto de valores — uma guerra mesmo! —, será muito difícil a oposição sair do lugar. Corre o risco é de se anular como alternativa de poder, não existindo senão como expressões regionais de poder.
 
Eduardo Campos

É cedo, mas parece que o nome do Eduardo Campos, dada a sua presença relativamente discreta na imprensa nacional, está além dos que esperavam petistas, tucanos e ele próprio: no Datafolha, 6%; no Ibope-Estadão, 10% dizem que votariam ou poderiam votar nele. Aécio está com 10% no Datafolha e é tratado como presidenciável desde 2006 — para quem tem boa memória, desde 2002 ele já se apresenta nessa condição.
 
Atenção para isto: Minas tinha, no ano passado, pouco mais de 15 milhões de eleitores (15.019.136); Pernambuco, menos da metade: nem 6,5 milhões (6.494.122). Se todos votassem, Aécio poderia ter, então, 13,85 milhões de votos (10% dos 138.544.348 que compõem o eleitorado brasileiro), um número inferior ao de eleitores mineiros, e Campos, 8,31 milhões, um número bem superior ao de eleitores pernambucanos. “Tá louco, Reinaldo? Nem todos votam! A abstenção é enorme; há os brancos, os nulos…” Eu sei. Mas isso não muda a proporção, já que nem todos votam no Brasil, em Minas e em Pernambuco. Será que fui claro?
 
Para encerrar

É ainda muito cedo. Não há campanha eleitoral, nada! A presença de Dilma na imprensa, especialmente na TV, é infinitamente maior do que a dos adversários. É esmagadora. De quanto tempo disporá Aécio se for mesmo candidato? Fará qual abordagem? Qual será seu discurso?
 
E Campos? Conseguirá se viabilizar? Seu caminho está mais ou menos traçado se candidato for: dirá que todos os governos até agora fizeram coisas boas, especialmente os do PT, mas falta muita coisa, é preciso ousar mais. Fará, digamos, a crítica construtiva. Isso forçará o candidato tucano a uma fala mais claramente de oposição?
 
E Marina? Caso viabilize mesmo seu partido, acho que pode ficar por aí mesmo, entre os 16% e os 20% (dos válidos), o que já é fabuloso. Em 2010, obteve 19,6 milhões de votos. Quando penso que quase 20 milhões julgam entender o que ela fala, eu me dou conta da fantástica diversidade humana.
 
23 de março de 2013
Reinaldo Azevedo

EDITORIAL


Este blog sempre foi e sempre será anti-PT. Nasceu para fazer esta luta, como eles gostam de dizer. Este blog não teve dó nem piedade de Sérgio Guerra, Tasso Jereissatti, Arthur Virgílio, José Richa , Aécio Neves e outros tucanos, quando estes não tiveram sangue nos olhos para defender a candidatura de José Serra à presidência da República. Em 2010, travamos uma batalha desigual contra a máquina petista e seus aliados, entre eles Eduardo Campos. Com o PSDB fazendo corpo mole. Já é fato histórico que foi a internet que levou a eleição para o segundo turno. Um feito e tanto. Ainda mais que, por teimosia de José Serra e de seu marqueteiro, a campanha foi uma verdadeira catástrofe. Até elogio à Lula teve. Até favela cenográfica. Os pobres de Serra eram feios. Os pobres de Dilma pareciam saídos de um conto de fadas. E, nos momentos mais decisivos, quando deveria ter coragem de ser conservador, Serra tremeu o beiço e recuou. Águas passadas.
O único candidato de oposição que o país tem até agora é Aécio Neves. Eduardo Campos é socialista e governista. Roberto Freire, se não achar quem compre o seu apoio, poderá ser candidato. Não passa de um comunista, que virou socialista e que agora quer votos liberais. Um coronel dono de partido, em luta pela sobrevivência. Kátia Abreu candidata? Nem pensar, Kassab seria o primeiro a sabotar qualquer possibilidade, assim como José Serra fez em 2010, ao não aceitá-la como vice porque ela era muito “direita”. Reinaldo Azevedo escreveu hoje que não existe nenhum país como o Brasil, onde todas as opções de alternância de poder são de centro-esquerda. Ponto.
Assim como este blog lutou a favor de José Serra, denunciando todas as traições cometidas contra ele, não terá ( e não está tendo!) nenhuma crise de consciência em denunciar o que Serra ou qualquer um de seus aliados fizer para sabotar a única candidatura de oposição à Dilma que teremos em 2014: a do PSDB. Serra não será o candidato. Vem de duas derrotas consecutivas, a última de forma vexaminosa em São Paulo. E não venham culpar a mídia, a máquina ou qualquer outro fator. Serra perdeu de mãos dadas com o mesmo marqueteiro de sempre. E sem ouvir ninguém, como sempre. É o único político brasileiro que conseguiu perder duas eleições seguidas para dois postes.
Hoje o candidato do PSDB é Aécio Neves. É o candidato anti-PT. Poderia ser Álvaro Dias. Gosto demais dele, pela sua combatividade, mas tem como inimigo o governador tucano do Paraná. Caminha para não ter legenda nem mesmo para disputar a recondução ao Senado. E pronto, acabou, o PSDB não tem mais nomes. Este blog é anti-PT, o que não significa que seja tucano. Qualquer candidato anti-PT é meu amigo, brigou com ele, brigou comigo. Não é assim que eles falam? Não é assim que, depois de todas as brigas internas, eles se unem em torno de um candidato? Não é por isso que eles estão indo para 12 anos no poder e com enormes chances de chegar aos 16 anos? Portanto, não venham cobrar coerência do blogueiro, ainda mais quando alguns escondem os objetivos pessoais por trás dos ataques que me fazem.
A luta aqui é contra o PT. E, por conseguinte, contra quem por qualquer ação ou movimento, ajudar o PT a se manter no poder. O PSDB do Aécio apanhou muito aqui dentro por não apoiar o PSDB do Serra. O PSDB do Serra terá o mesmo tratamento se, agora, sabotar o PSDB do Aécio, que está na sua vez. Repito: este blog é anti-PT, que é anti-democrático, contra as liberdades individuais, contra a liberdade de imprensa, contra o lucro e contra a propriedade. É por isso que o blogueiro dedica no mínimo oito horas por dia, abdicando de noites, madrugadas e intervalos de almoço para manter o blog em pé. Bom dia a todos!
 
23 de março de 2013
in coroneLeaks

O ZEITGEIST É SOMBRIO

 


Zeitgeist é uma palavra alemã que significa algo como “espírito do tempo” e tenta descrever o panorama cultural de uma determinada época.
Desde 2007 a palavra foi praticamente raptada por um documentário dirigido por Peter Joseph. Uma busca no Google demonstra isso. Neste documentário, dividido em três partes, cuja primeira se resume a uma coleção de ataques pueris contra o Cristianismo, todos eles originados nos textos de vigaristas como Acharya S. – plagiadora de Kersey Graves e discípula de Helena Blavatsky, Aleister Crowley e Anton Lavey -- e logo refutados por historiadores sérios. Nas outras duas partes, que abordam respectivamente a máfia do Federal Reserve e os atentados de 11 de setembro de 2001, o diretor acertou em algumas críticas, mas seu antiamericanismo adolescente faz do filme um panfleto ideológico, nos moldes de trabalhos mentirosos como os de Michael Moore e Oliver Stone.
De qualquer forma, deixando de lado o "documentário" e voltando ao significado original do termo, o zeitgeist da nossa geração – talvez também da anterior e provavelmente da próxima – é realmente sombrio.
Se não bastassem as ações governamentais que ocorrem em praticamente todas as nações ocidentais, que estão destruindo a civilização que nasceu dos ideais gregos e romanos e foi construída sobre a Moral Cristã, o zeitgeist que já está enraizado na nossa cultura é um misto de ódio e rancor, justamente contra os princípios e valores que sustentam o Ocidente, valores estes que estão entre o que de melhor a humanidade foi capaz de produzir.
Questões como cotas, bolsas, aborto, censura, destruição da família e até a pedofilia, aliadas a propostas espelhadas nos socialistas, comunistas e nazistas hoje são tidas como ideais respeitáveis e benéficos. E grande parte da população viciada em TV e adoradora do show business aceita este caldo de pseudocultura sem qualquer questionamento.
Resumindo, o zeitgeist atual é uma combinação do sonho de ditadores como Stálin, Pol Pot, Mao e Fidel, com o pensamento de psicopatas megalomaníacos como Gramsci, Lucács, Marx, Lênin, os dissimulados membros da Escola de Frankfurt, Michel Foucault e outros desequilibrados autoritários.
E o mais triste é que muitos idiotas úteis que defendem estes ideais nem imaginam o que promovem e só perceberão o perigo tarde demais, quando as suas liberdades forem confiscadas e a bota já estiver sobre o seu pescoço.
 
PS: Para quem ainda não conhece as refutações sistemáticas de todas as falsas afirmações da primeira parte do documentário Zeitgeist (2007), assim como as esdrúxulas comparações entre a vida de Jesus Cristo e os mitológicos Hórus, Mitra, Dionísio, Osíris, Attis e Krishina que circulam na Internet, vale a pena conhecer o trabalho do Dr. Chris Forbes, Doutor em História do Novo Testamento.
 
23 de março de 2013
ordem natural

AS ORIGENS DA BURRICE CONTEMPORÂNEA

 



 
Pode parecer estranho, mas acredito que a burrice que contamina o mundo de hoje tem, ao menos sob dois aspectos, origem relacionada à Igreja Católica, mas não pelas mentiras que contam seus inimigos. O problema, a meu ver, é mais embaixo.

Como sabem os que me conhecem ou freqüentam este blog, não caio nas bobagens dos que dizem ser a Igreja Católica inimiga da Ciência, e até já escrevi aqui sobre isso. Se os exemplos de Copérnico e Galileu não bastarem, o livro do Thomas Woods elimina qualquer dúvida. Acontece que a burrice e a vulgaridade que empestearam a nossa sociedade nada mais são do que conseqüências, não da ação da Igreja, mas da sua falta de ação.

Desde pouco antes da Reforma, mas principalmente no século XVIII, quando os debates científicos começaram a acontecer fora da Igreja, as mentes privilegiadas de Roma não deram a devida importância ao desenrolar dos acontecimentos, e a influência dos autores anticlericais, anticatólicos e até mesmo anticristãos foi crescendo sem qualquer oposição consistente.

Enquanto padres, bispos e cardeais, além de abdicar da exposição pública aquelas respostas que já estavam assimiladas a todos os membros da Igreja, ainda contribuíram produzindo matéria-prima para o adversário, como foi o caso de Guilherme de Okcham com sua navalha, que após alguns séculos decepou a capacidade de perceber os diferentes níveis causais, comprimindo-os, sempre, na mais simplória delas, a causa material.

A Igreja criou armas para seu adversário e, ao omitir-se, contribuiu com o avanço da burrice.

É evidente que a Igreja não é a única culpada pelo atual estado de coisas. Muito longe disso. Creio que a intelectualidade tem culpa ainda mais evidente e mais condenável. Contribuíram para o desastre intelectual da nossa época os filósofos Descartes, ao exigir a demonstração para o indemonstrável; e Kant, ao separar o inseparável. Ambos inteligentíssimos, cometeram um equívoco no início do raciocínio, uma escolha de premissas falsas, e com a influência que tiveram, seus erros foram levados aos limites do absurdo. Com a ajuda de doentes mentirosos como Marx, e doentes geniais como Nietzsche, a cultura foi contaminada por raciocínios avessos à realidade e cada vez mais distantes da verdade. Teorias inverossímeis, improváveis e até impossíveis passaram a fazer sentido dentro de um universo mental coletivo repleto de premissas falsas.

Resumindo a culpabilidade da Igreja, sua omissão facilitou a difusão e aceitação de bobagens, seja sobre a Igreja e a religião, seja sobre a própria realidade. Por outro lado, muitos pensadores que saíram do Cristianismo se afastaram do que havia de melhor no pensamento cristão ao tentarem se afastar de tudo que estava relacionado à Igreja Católica. O Cristianismo, como estava simbolizado pelo Catolicismo, sofreu com os ataques à Igreja. E todo mundo saiu perdendo.

Esse afastamento dos valores da Igreja como forma de afastar-se da instituição Igreja, do qual a Igreja é vítima, mas os algozes também o são, além de abandonar todas as conquistas da tradição, levou à errônea interpretação de que o universo é caótico e sem sentido, o que leva, inapelavelmente, à desesperança, depressão, suicídio e outras maravilhas da modernidade, ao mesmo tempo que restringe miseravelmente o horizonte congnocível . O ateísmo dos nossos dias nasce aqui, assim como nascem neste momento todas as teorias modernas que pregam a impossibilidade do conhecimento verdadeiro. Nos dois casos limita-se a capacidade de conhecimento que dispomos, pela nossa própria natureza, e transforma o estudo, a filosofia e a ciência em uma masturbação mental que só pode ser usada ideologicamente, com um fim político. Abandona-se a verdade para fazer política, exatamente como ensinou Gramsci, um estrategista do emburrecimento coletivo.

Pelos frutos, conhecereis a árvore

Hoje, quem raciocina de acordo com o bom senso e a ordem natural da realidade é desprezado pela academia, que tem mais compromissos burocráticos do que necessidades cognitivas; e ignorado pela mídia, que busca justificar sua ignorância alegando desinteresse do público.

Quando olhamos o desenrolar de todo este processo, que culminou na era mais estúpida da História, para entender a origem de tanta burrice, vemos que durante alguns séculos este distanciamento esteve disperso por toda Europa e toma corpo no Iluminismo e vai evoluindo até chegar em Karl Marx, que aproveita alguns truques de Hegel para criar uma ferramenta de transformação da sociedade. Marx não era um gênio, mas não era burro, era um vigarista. Aproveitou-se da cisão entre razão e emoção proposta por Kant - que a propôs apenas como método de estudo e não como aplicação prática -, para justificar a idéia de uma sociedade materialista - a princípio, já que Marx não era ateu, mas um satanista conforme comprovam cartas que enviou ao seu filho.

Eu poderia finalizar este texto afirmando que a influência de Karl Marx na intelectualidade moderna é a causa de toda estupidez, mas estaria simplificando ao extremo. Poderia dizer também que a origem da burrice é o Iluminismo, mas não estaria sendo preciso. Estes contribuíram imensamente para esse avacalhado mundinho moderno, mas a burrice contemporânea, a qual eu agrego o sentido de baixaria, vulgaridade, desinteresse, irrelevância e futilidade, surge antes, o Iluminismo apenas a condensou e a modernidade marxista a transformou em um método.

O panorama onde surge o Iluminismo era rico e exótico. As idéias das mentes iluminadas ajudaram a agregar todas as formas de manifestação anticatólicas, das mais racionais às mais obscuras. É neste ambiente que surgem as idéias de um estado totalitário e emerge o poder das sociedades secretas, que vão mudar a política para sempre. Afinal, onde existe a necessidade do segredo e da incompreensão, a ignorância torna-se uma ferramenta de poder. Pense nisso.
 
Cui Bono
A quem interessa essa burrice toda?

23 de março de 2013
ordem natural

CARTA ABERTA À COMISSÃO DA VERDADE

 

Tendo tomado conhecimento, em 5 de Março de 2013, da pauta de trabalho de um grupo de estudos da Comissão Nacional da Verdade coordenado pela Sra. Dra. Rosa Maria Cardoso da Cunha, integrante daquela comissão, escrevi-lhe a carta que segue, datada de 10 Mar 13. Não tendo obtido qualquer resposta até esse momento, resolvi compartilhá-la com os amigos:

Sra. Dra. Rosa Maria Cardoso da Cunha, receba minhas cordiais saudações.

Sei lá por quais desígnios de Deus, um documento relativo ao grupo de trabalho da Comissão da Verdade por V. Sa. coordenado, denominado “Contextualização do Golpe civil militar de 1964”, veio ter à minha caixa de entrada no dia 05 de março de 2013.

Recebi-o sem pedir, penso que posso comentar, também sem que me peçam.

Sou oficial reformado do Exército, mas – acima de tudo - sou também cidadão, pois, como dizia o General Osório: “a farda não abafa o cidadão no peito do soldado”. Assim, é um cidadão que faz comentários sobre um texto por V. Sa. chancelado.

A fim de cooperar com o trabalho do grupo, queria dizer que o mais correto é chamar de Contrarrevolução de 31 de março de 1964. E lhe digo por quê.

Se antes de 1964 o Brasil vinha de governos ditos trabalhistas, com forte protagonismo dos sindicatos, não é possível negar, à luz da História, que marchávamos para o Comunismo. Nisso, creio em sua concordância, pois sei tratar-se de pessoa culta e lúcida.

Caso fôssemos mudar – por qualquer meio e forma - de uma doutrina trabalhista-sindicalista para a doutrina comunista é de se supor, haja vista o agravamento da desordem na vida social do Brasil à época, que o País viveria uma revolução, ou seja, uma troca de ideologia por outra, à revelia da vontade do povo, e essa substituição, de uma ideologia por outra, é uma das principais causas, senão a principal, de um movimento revolucionário, como aquele que já estava em andamento no Brasil. Outra causa que contribui em muito para a desorganização de um País é a quebra da disciplina e da hierarquia nas Forças Armadas, o que vinha acontecendo naquela época, e com o aval e a leniência de autoridades constituídas...

As pessoas e instituições tidas pela Senhora como “golpistas” nada mais fizeram do que, com o Comunismo espalhando-se a olhos vistos e já infiltrado no governo (lembre-se do que, nessa época, dizia Luís Carlos Prestes...) aquelas pessoas e instituições anteciparam-se, oferecendo ao Brasil uma contrarrevolução. A Senhora entendeu, não é? Revolução comunista de um lado, contrarrevolução democrática do outro. Uma firula militar que nem todas as pessoas conhecem é que a “contrarrevolução” (contra-ataque) se dá em momento anterior ao da “revolução” (ao do ataque). Por isso, então, contrarrevolução de 31 de março de 1964. Ou seja, o momento em que o Comunismo foi dissuadido – outra vez - de se instalar no Brasil.

O texto diz que o grupo de trabalho tomará como foco da investigação o período que se inicia com a Contrarrevolução de 31 de março de 1964 e estende-se até maio de 1967. Ou seja, o período abordado cobre eventos relacionados ao momento da ruptura com o regime pró-Comunismo anterior e “sua institucionalização a partir de abril de 1964, incluindo a assinatura do Ato Institucional n.01, e prosseguindo até a criação do Centro de Informações do Exército – CIE –, um ano e dois meses depois”.

Sra. Dra. Rosa, em vista de sua elevada posição na Comissão Nacional da Verdade – destaco: “Verdade”- e como coordenadora do GT em questão, creio que V. Sa. poderia aceitar uma sugestão e mandar estudar a história da Contrarrevolução não só a partir de 31 de março de 1964 e sim um certo tempo antes, pois, como a Senhora sabe, fatos históricos devem ser estudados a partir de seus primórdios, sem esquecer de estudar suas causas, tanto as remotas como as causas. Desse modo, e somente desse modo, poder-se-á dizer que realmente houve uma contextualização.

Sobre o Ato Institucional n° 1, que institucionalizou a Contrarrevolução, seus alunos podem estudar o que quiserem sobre ele, mas não poderão depois dizer que, do ponto de vista dos contrarrevolucionários, tal ato era de suma importância, pois devemos considerar que os revolucionários pró-comunismo poderiam perder o “fair-play” (se não tivessem fugido do País...) e prosseguirem com sua revolução, não obstante o fato de a Contrarrevolução de 31 de março de 1964 ter sido vitoriosa no que se propôs: deter o Comunismo em sua segunda tentativa de tomada do poder no Brasil. A primeira foi em 1935, como a Senhora bem sabe.

Fico contente que o GT sob sua coordenação vá estender o período de seus estudos até 2 de maio de 1967, data de criação do Centro de Inteligência do Exército (CIE). Certamente que o GT encontrará dificuldades de fontes de consulta para essa parte do estudo. À parte de poucas obras escritas por militares sobre o CIE, por serem militares, esses autores poderiam parecer não adequados pelos estudantes. Por isso, sugiro que procurem a obra Ministério do Silêncio, do jornalista Lucas Figueiredo, de Minas Gerais. Uma pessoa que se supõe isenta dada sua profissão. Na obra citada, os integrantes de seu grupo de trabalho poderão obter muitas informações sobre o CIE e, principalmente, o reconhecimento pelo autor de que foi o CIE, com seu modo de agir, que deu um basta às ações deletérias dos comunistas e pró-comunistas inconformados com a vitória da Contrarrevolução de 31 de março de 1964. Quer dizer, foi o CIE – com o apoio de muitas outras instituições nacionais - que venceu – repito por importante que é: venceu - a dita “Luta Armada”.

Assim, Senhora Dra. Rosa, da leitura do texto que chegou ao meu conhecimento, é possível se inferir que o objetivo intermediário é reescrever a História do Brasil, retirando dela o que incomoda a certos setores nacionais da atualidade.

No geral, a impressão que o trabalho a ser realizado pelo grupo me deixou foi a mesma que trago desde quando estudei Lênin que, não satisfeito com a forma de pensar e atuar de Trotsky, mandou apagar a imagem deste numa fotografia em que apareciam juntos. Lênin, ainda não satisfeito, mandou retirar o verbete “Trotsky” da enciclopédia russo-soviética, e, depois ainda,...bem, a Senhora sabe como essa história continuou, no México.

Salvo minha limitada capacidade de análise, julgo não ser necessário muito esforço para inferir-se a ideia de que – num primeiro momento – o objetivo é reescrever a História do Brasil nos moldes de Lênin, depurando-a conforme as conveniências, trabalho este, ressalte-se, muito facilitado, pois os membros da CNV decidiram, de maneira ilegal e injusta, que só um lado da história seria investigado.

Tenho para mim que, num segundo momento, depois de tornar públicos, vilipendiar e escrachar os nomes de pessoas de verdade – agora genericamente alcunhadas por essa comissão de “agentes do Estado” - e que foram jogadas numa guerra sem que pedissem, dar-se-á então o assalto final: um novo ataque à Lei de Anistia, agora com tudo “amaciado” por uma “novistória” convenientemente reescrita. Qual a sua opinião a respeito Sra. Dra. Rosa?


23 de março de 2013
Jorge Alberto Forrer Garcia é Coronel Reformado do Exército.

MOROSIDADE E USO POLÍTICO DESGATAM A PETROBRAS

 

O sinal de descapitalização da Petrobrás, assim como sua desvalorização na BM&F Bovespa, vem sendo acompanhado de perto pelos diversos investidores da empresa, principalmente os de grande porte. Essa situação comprometeu o caixa da estatal e as perspectivas de novos investimentos, que atravancam seu crescimento.

A sua desvalorização no mercado traz desconfiança sobre o seu potencial. O aumento do endividamento está levando as agências de avaliação a sinalizarem a redução de sua nota, o que criaria mais uma dificuldade para a busca de fontes de recursos com juros menores. Quanto maior o risco, mais caro fica o capital.

A Petrobrás, através do governo federal, seu maior acionista, vem alinhavando parcerias com a estatal chinesa Sinopec para agilizar as obras de refinarias no Maranhão e no Ceará, que tem previsão de conclusão para 2018 e que inicialmente deve produzir diesel, e não gasolina.

Outras experiências estão sendo analisadas com parceiros da China e da Coréia do Sul para expandir novas refinarias e minimizar a dependência das importações de petróleo.

Segundo a empresa, a produção de petróleo aumentará dos atuais 2 milhões de barris/dia para 3 milhões em 2016, podendo atingir 4,2 milhões de barris/dia até 2020. Com isso, alega estar cumprindo seus objetivos e já sinaliza com melhoras a partir da exploração do pré-sal. Em sete anos, a Petrobras espera mais que dobrar o volume produzido, mesmo com redução de investimentos em sondas, equipamento essencial para agilizar a retirada e processamento do óleo.

O fato é que a empresa precisa tornar-se independente para que consiga tomar medidas mais eficazes em prol da manutenção do negócio e da busca pelo crescimento de forma responsável. O governo já vem demonstrando dificuldades na gestão de diversos setores e organizações. Temos acompanhado diversas áreas em a parceria público-privada agiliza e melhora a gestão, mas isso não se aplica à Petrobras.

Uma gestão mais ágil evitaria desvios de interesses como o uso politico para garantir metas do governo. E aqui lembro novamente, dada a sua gravidade, do não repasse do aumento do valor das importações para os combústiveis. Há ainda o escândalo envolvendo o ex-presidente da estatal com a compra da empresa Pasadena Refining System, onde a Petrobrás investiu cerca de US$ 1,2 bilhões, para em seguida vendê-la por US$ 180 milhões ao grupo Valero. Não houve até o momento uma justificativa para tal prejuízo, que afetou o resultado e gerou desconfiança de que outras situações desse tipo podem ocorrer futuramente.

O governo precisa cumprir seu papel social em áreas como habitação, transporte, saúde, segurança e educação, e não ser proprietário de empresas. Além da morosidade para a tomada de decisões, as estatais sofrem, como disse, com o uso politico para garantir ao governo as metas relacionadas ao PIB, superávit primário e ao controle inflacionário.

23 de março de 2013
Reginaldo Gonçalves é coordenador do curso de Ciências Contáveis da Faculdade Santa Marcelina.

CONTROLAR INFLAÇÃO É OBRIGAÇÃO DO GOVERNO E RESPONSABILIDADE DE TODOS

 

Embora os juros baixos sejam uma conquista política da presidenta Dilma Rousseff, dificilmente o Banco Central terá como manter ao longo de 2013 a Selic em 7,25%, menor taxa do País em todos os tempos. É o que sinaliza a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada na última quinta-feira, 14 de março, na qual o colegiado elevou suas projeções de inflação e admitiu a possibilidade de que a pressão nos preços não seja temporária.

Segundo a análise contida no documento, os preços mostram resistência e podem acomodar-se em patamar mais elevado. Há um trecho emblemático da ata: "O Copom avalia que a maior dispersão recentemente observada de aumentos de preços ao consumidor, pressões sazonais (em um determinado período) localizadas no segmento de transportes, dentre outros fatores, contribuem para que a inflação mostre resistência". Por isso, a autoridade monetária elevou as projeções de inflação para 2013 e 2014, acima do centro da meta de 4,5% estipulada pelo governo.

Nessa questão, há vários fatores a serem considerados, a começar pela crise internacional e o aumento mundial do preço dos alimentos, quebra de safras nos Estados Unidos e outros fatores circunstanciais. Há, contudo, de se destacar o fato de estarmos pagando por algo muito positivo: uma situação de quase pleno emprego, aumento real da massa de salários e o vigoroso processo de inclusão social e ascensão econômica verificado no Brasil desde 2003. Mais gente ganhando mais significa crescimento do consumo, com pressões sobre a demanda, que precisa expandir-se na mesma proporção.

Não é sem razão, portanto, que tenho observado, em vários artigos, a necessidade de o País remover obstáculos aos investimentos produtivos e ao estímulo do chamado espírito animal dos empresários, como os altos impostos, burocracia exagerada, insegurança jurídica e encargos sociais muito elevados, dentre outros problemas. Criar melhores condições para o resgate da competitividade da indústria é essencial para se estabelecer um círculo virtuoso a partir da bem-sucedida inclusão e/ou elevação de 53 milhões de brasileiros na sociedade do consumo (“O emergente dos emergentes”- CPS/BID).

Não há dúvida do quanto é necessário e premente que os poderes Executivo e Legislativo federais solucionem esses gargalos, fazendo as reformas tributária, previdenciária e trabalhista, revendo leis que dificultam a rotina empresarial e desburocratizando a Nação. Continuamos todos nós fazendo essas pertinentes cobranças.

Por outro lado, entretanto, não é justo negar os esforços do governo no enfrentamento da maior crise mundial do capitalismo, estabelecendo no Brasil uma situação melhor do que na maioria dos países. Nas condições adversas da economia global, não é tarefa simples conciliar o crescimento do PIB com o controle da inflação, pois juros baixos, maior liquidez e crédito, aumento do valor do Real na cesta cambial de moeda, desonerações da folha de pagamentos, redução de tributos e estímulo ao consumo conspiram a favor da majoração dos produtos na ponta do consumo.

Por isso, ao mesmo tempo em devemos cobrar ao governo algumas lições de casa, é preciso haver respostas ao barateamento da energia elétrica, desoneração tributária da cesta básica, linha branca, carros e construção civil. O Estado tem o dever de controlar a inflação, mas isso não diminui a responsabilidade de todos no processo!

23 de março de 2013
Antoninho Marmo Trevisan é o presidente da Trevisan Escola de Negócios, membro do Conselho Superior do MBC (Movimento Brasil Competitivo) e do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República).

QUEM DITA A MEMÓRIA?

 

“Como produzir história em um terreno minado onde o Estado se coloca como tutor de memórias de coletividades, apontando para aquelas que mais se comisera e as colocando em um pedestal jurídico blindado pela justificativa sempre nobre dos direitos humanos e do respeito às minorias?”
Revisitando o movimento “Liberté Pour L’Histoire”
 
Cada grupo, cada nação, cada etnia, tem sua memória, ou seja, possuem uma autovisão do tempo histórico produzida no particular ou no coletivo. Os russos vêem a Segunda Guerra Mundial como a “Grande Guerra Patriótica” , os americanos por tempo viam a Revolução Americana como uma “democracia da classe média” , tanto quanto outros povos cultivam sua percepção de fatos históricos. A celebração patriótica é em tese legítima para todos esses grupos. Todavia, memória e história, ainda que convivam, não andam sempre no mesmo caminho.

Se a memória pode servir de instrumento político ou cívico, a historiografia não pode conviver com a imposição de dogmas ou com uma agenda política e normativa que a modele ao bel-prazer do Estado. A História não deveria tornar-se objeto de “catecismo multiculturalista” , nem pode servir de redenção moral dependente do arbítrio do legislador.

Como produzir história em um terreno minado onde o Estado se coloca como tutor de memórias de coletividades, apontando para aquelas que mais se comisera e as colocando em um pedestal jurídico blindado pela justificativa sempre nobre dos direitos humanos e do respeito às minorias?

O objetivo desse pequeno ensaio é trazer à reflexão um tema bastante atual, qual seja, os embates entre a pesquisa histórica e a agenda política que incorpora pleitos de minorias políticas junto ao Estado com implicações normativas para o ofício do historiador.

A petição “Liberté pour L’Histoire” (Liberdade para a História) foi criada na França em dezembro de 2005, por 19 historiadores, tendo Pierre Nora como um de seus líderes. A petição fundamenta-se como uma reação à criação de projetos de lei da Assembléia Nacional, os quais legislam sobre diversos temas da história, como a colonização ultramarina e o genocídio armênio. Estas chamadas “lois mémorielles”, de acordo com o grupo de historiadores, impediriam não só os seus ofícios, mas a produção da Academia como um todo.

A primeira lei a qual se fez oposição é a Lei Gayssot , apresentada no Parlamento pelo deputado comunista Jean-Claude Gayssot em Julho de 1990. A lei tem como proposta ir contra qualquer discriminação étnica, racial, religiosa e de xenofobia, e estabelece, como delito, a negação de qualquer crime contra a humanidade.
Percebe-se, portanto, que tal projeto de lei dirige-se, em princípio, contra um discurso político de caráter revisionista, e não contra o trabalho que é feito pelo historiador. Porém, como afirma Pierre Nora em um artigo para o Le Monde , embora a lei não vá contra a pesquisa histórica em si, e sim contra “os militantes da mentira histórica”, ela teria um efeito perverso, por abrir portas a uma concorrência legislativa, ou seja, diversos grupos minoritários passariam a reivindicar cada vez uma maior proteção jurídica, o que poderia resultar em leis diretas de limitação do trabalho histórico.

Outras leis posteriores são atacadas pela petição, sendo elas: a de Janeiro de 2001 que reconhece o genocídio armênio, a de Maio de 2001 chamada Lei Taubira, que qualifica de crime contra a humanidade a escravidão, a partir do século XV pelas nações ocidentais , e a de fevereiro de 2005 denominada Lei Mekachera, que legisla em favor dos franceses repatriados, como os algerianos ou caribenhos, reconhecendo-os “como positivos na colonização ultramarina” e prescrevendo “o seu lugar merecido” na Academia, além de ditar diretrizes de ensino escolar sobre o tema .

Essas leis foram vistas pelo movimento Liberte Pour L’Histoire como leis que atingem o trabalho histórico. Segundo Pierre Nora, em uma entrevista ao Figaro , Bernard Lewis é um exemplo de historiador que foi mal-interpretado e consequentemente condenado pela justiça.
Estudou durante anos o massacre dos armênios, nunca negou o ocorrido, porém descartou a expressão “crime contra a humanidade” para caracterizá-lo, pois essa expressão determina um ato de caráter estritamente estatal como uma política de extermínio.
Porém, atualmente questiona-se se houve uma completa participação por parte do Estado turco. Aqui reside mais um dos questionamentossobre as leis: por que a República Francesa precisaria trazer para dentro de si um debate que estava sendo realizado na Turquia de maneira aberta?

O estudo criterioso de um tema, que deveria ser o trabalho de todo historiador, foi confundido com o revisionismo. Por não ter se adequado à uma “história oficial”, que estaria apoiada pela implementação das “lois memorielles”, o trabalho do historiador Bernard Lewis foi confundido com o discurso de um militante político negacionista, pelo simples fato de que ele buscava o refinamento de sua pesquisa.

No dia 20 de Dezembro de 2005, como reação à petição “Liberdade para a História”, publicou-se uma carta assinada por 31 personalidades francesas, entre elas escritores, juristas e historiadores. Essa carta afirma que as “leis memoriais” estão apenas estabelecendo o direito à dignidade, e que elas de forma alguma restringem o trabalho dos historiadores, pois o alvo dessas leis é outro: trata-se de combater o negacionismo que perpetua o discurso político, e não de criar uma história oficial.

Afirmam também que os historiadores a defender o movimento “Liberdade para a História” estão buscando se colocar acima das leis do país, como se a pesquisa histórica estivesse acima de qualquer legislação.

Embora a petição pela liberdade dos historiadores critique as “leis memoriais” desde uma preocupação acadêmica, os negacionistas, que não fazem parte do Movimento, mas se beneficiam através do questionamento dessas leis, não escondem seu antissemitismo ao criticá-las. Este é o caso de Robert Faurisson, que declarou:

A chamamos de Lei Gayssot, que é o nome de um comunista, mas também a chamamos de Lei Fabius-Gayssot. Fabius é um judeu muito rico, ele é socialista, mas é extremamente rico. Então a Lei antirevisionismo de 1990 é uma lei judeu-social-comunista.
Em outro momento, Faurisson diz que a lei “é mais uma das decisões do Grande Rabinato que são entranhadas na República Francesa”.

A Lei Gayssot, por si só, não restringe o trabalho do historiador. O medo maior é que sob a categoria de “crimes contra a Humanidade”, o Estado possa escolher quais eventos são dignos de seu reconhecimento, por exemplo, reconhecendo o genocídio armênio e ignorando as ações japonesas contra a população da Manchúria na Segunda Guerra Mundial.
E porque um Estado (alheio à questão) deveria escolher um dos dois? Quando o reconhecimento do evento histórico pelo Estado toma força de lei, ele suprime os pontos de vista contrários, como o texto original da Lei Taubira.

Outra das justificativas contra a lei é de que mesmo antes desta existir, o negacionista Faurisson havia sido condenado pela Justiça francesa . Todavia, o legislador, juntamente com a prática jurídica e a Assembléia Nacional, refutaram esta tese, pois a ausência de lei específica daria brecha para que entidades e indivíduos negacionistas se vissem como livres de sanções penais.

Ao fim de 2008, e até mesmo anteriormente, os esforços do movimento deram resultados. A Lei Mekachera teve a cláusula referente ao ensino de escravidão abolida.
A Assembléia Nacional desistiu de votar leis que qualificassem eventos históricos como genocídios ou crimes contra a Humanidade, e adotou uma postura juridicamente minimalista. Em termos claros, que a sanção da Lei Gayssot não serviria como porta de entrada para “leis memoriais” diversas.

No Brasil, a Lei de Ensino de História da África e Cultura Afro-Brasileira ou a Lei 987/07 proposta pelo Deputado Marcelo Itagiba tem situações semelhantes. Como determinar o papel de história da África na sociedade brasileira? Apenas os negros fariam parte desta narrativa histórica?
Proporia-se uma história que analisasse os pontos de convergência do Império Ultramarino Português, das rupturas internas do continente africano e da história colonial brasileira, ou atendendo á critérios políticos, idealizar-se-ia uma história oficial paralela de mártires e símbolos destinados a um determinado grupo?

A Lei 987/07, que criminaliza a negação do Holocausto e de crimes contra a humanidade, é uma outra face da ingerência do Estado. No Brasil, o caso de S.E Castan, é bastante emblemático. O dono da Editora Revisão, do Rio Grande do Sul e autor de obras negacionistas, foi condenado pelo STF com base no artigo 5º da Constuição.
O argumento do Supremo bem demonstra que se pode condenar o negacionismo com os instrumentos legais existentes, sem precisar recorrer às leis específicas. Mesmo que a lei se destine à combater quem negue o Holocausto e outros crimes para incitar prática de ódio, como se dará a identificação do propósito do autor?
O caso de Bernard Lewis, conforme citado anteriormente, é uma evidência de como o trabalho do historiador fica vulnerável à estas manifestações do Estado.
Entre Gayssot e Itagiba, o legado e os desafios da “Liberté Por L’Histoire” talvez ainda sejam revisitados, ou revistos, por diversas vezes. Pierre Nora, na última publicação no site do Movimento, coloca um interessante questionamento sobre o papel do historiador na vigilância dos excessos do Estado em sua relação com a História:

“Se não prestarmos atenção, qual margem de discussão e apreciação sobrará ao historiador que logo será acusado, à propósito de todo crime que condena nosso mundo atual, de “relativismo”, “contextualização”e “cumplicidade de banalização”?”

Leonel Caraciki e Isabelle Weber, Alunos de graduação do curso de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro e integrantes do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos.


Fonte: Revista Eletrônica do NIEJ, nº1 de 2009
Publicado originalmente em 26 de julho de 2011.

Notas:

1. Termo utilizado na Rússia e em alguns territórios pertencentes à antiga URSS para designar a reação contra a agressão nazista. Apareceu primeiro no jornal Pravda em um artigo chamado “A Grande Guerra Patriótica do Povo Soviético”. É interessante perceber que o termo é exclusivo da campanha soviética, sendo “Segunda Guerra Mundial” a denominação dos eventos do Front Ocidental e contra o Japão.

2. LEMISCH, L. Jesse.Ensayos Inconformistas sobre los Estados Unidos. Barcelona: Editora Barcelona, 1973. P. 16

3. Pétition des historiens belges, « Pléthore de mémoire : quand l’Etat se mêle d’histoire », 25 de janeiro de 2006

4. Idem

5. Jean-Pierre Azéma, Jean-Jacques Becker, Catherine Brice, Jean-Claude Casanova, Françoise Chandernagor, Christian Delporte, Valérie Hannin, Jean-Noël Jeanneney, Pierre Nora, Mona Ozouf, Krzysztof Pomian, Hubert Tison, Maurice Vaïsse, Michel Winock dentre outros.

6. http://www.legifrance.gouv.fr em “Loi Gayssot”

7. Pierre Nora, “Liberté pour L’Histoire!”. Entrevista realizada em 11 de Outubro de 2008.

8. http://www.legifrance.gouv.fr em “Loi Taubira”

9. http://www.legifrance.gouv.fr em « Loi Mekachera »

10. CAJANI, Luigi, “An Excessive Virtuous Identity: Europe Moves to Censor Historians”

11. Pierre Nora, “Gare à La criminalisation générale du passe…”. Entrevista realizada em 17 de Maio de 2006.

12. O site http://www.ozurdiliyoruz.com/, hosteado na Turquia juntou mais de dez mil assinaturas que pediam desculpas pelo Genocídio Armênio, entre eles diversos intelectuais; gerando reações do presidente ( http://www.hurriyet.com.tr/english/domestic/10582943.asp ) e primeiro-ministro turcos
( http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/7788486.stm )

13. ASH, Garton Timothy. Artigo publicado nos jornais The Guardian, La Reppublica, El País e outros. Em http://www.lph-asso.fr/actualites/46.html

14. Appel pour une vigilance sur les usages publics de l’histoire par Michel Giraud (CNRS), Gérard Noiriel (EHESS), Nicolas Offenstadt (Université de Paris 1), Michèle Riot-Sarcey (Université de Paris VIII) em http://cvuh.free.fr/

15. “« La Loi Gayssot et le Grand Rabbinat: Quand Faurisson délire sur les origines de la Loi Gayssot » em http://www.phdn.org/negation/faurisson/gayssotrabbinat.html

16. « Toda uma população de origem africana ou dos DOM-TOM (Departamentos Ultramarinos), que se sentia socialmente excluída, discriminada, maltratada, viu nesta situação o símbolo de sua condição de reprovada e também a definição de sua identidade. Estas leis, por sua vez, traduzem a lógica de compaixão das sociedades modernas e a parcelização de nossa memória nacional entre diferentes grupos e comunidades.»
Pierre Nora, «La vérité légale, une pratique des régimes totalitaires»

17. REBERIOUX, Madeleine, « Le génocide, le juge et l’historien », L’Histoire, n°138, novembre 1990 em http://www.lph-asso.fr/tribunes/1.html

18. Decisão da Corte de Apelação de Paris sobre o Genocídio Armênio em http://www.foruminternet.org/specialistes/veille-juridique/jurisprudence/cour-d-appel-de-paris-11e-chambre-section-civile-a-8-novembre-2006.html

19. CAJANI, Luigi. “An Excessive Virtuous Identity: Europe Moves to Censor Historians”, pág. 7

20. Sessões da Assembléia Nacional em http://www.assemblee-nationale.fr/12/cri/2006-2007/20070012.asp e http://www.assemblee-nationale.fr/12/cri/2005-2006/20060225.asp

21. NORA, Pierra. “Liberté Pour L’Histoire!” em http://www.lph-asso.fr/tribunes/49.html

UM ARTIGO POLÊMICO SOBRE O REVISIONISMO

Toda mentira deve ser combatida

Entrevista com um dos mais importantes autores revisionistas, o suíço Jürgen Graf.
“Para que os povos europeus se tornem minorias em seus próprios países, sua auto-estima deve ser quebrada, seus instintos naturais devem ser destruídos. Em primeira linha isto acontece com a mentira do holocausto, em segunda linha com o culto do complexo de culpa por causa da escravidão, do colonialismo etc.”

1. Sr. Graf, desde vossa última entrevista já decorreu algum tempo, todavia, você alegra regularmente nossos leitores com novos livros e ensaios revisionistas. Junto a temas puramente históricos, você se ocupa também nos últimos anos com estudos sobre o pano de fundo da política mundial. Qual é o tema atual de vosso interesse?

Infelizmente não tenho muito tempo para pesquisar, pois tenho que sustentar minha família através das traduções, as quais consomem boa parte de meu período produtivo. (Eu traduzo diferentes idiomas, principalmente inglês, russo e italiano, livros e artigos para o alemão).

No segundo semestre de 2013, se as condições permitirem, eu gostaria de escrever um livro sobre a invasão da Europa pelo terceiro mundo. Esta imigração em massa não é por acaso; ela é controlada por certos círculos que perseguem objetivos bastante concretos. Para que os povos europeus se tornem minorias em seus próprios países, sua auto-estima deve ser quebrada, seus instintos naturais devem ser destruídos.
Em primeira linha isto acontece com a mentira do holocausto, em segunda linha com o culto do complexo de culpa por causa da escravidão, do colonialismo etc. Tudo isso eu gostaria de mostrar em meu futuro livro, naturalmente com farta documentação.
Aliás, nos EUA, o professor Kevin MacDonald já fez um excelente trabalho em seu primoroso livro “The Culture of Critique”.

2. Em muitos Fóruns e Blogs na Internet, milhares de pesquisadores amadores investigam diariamente de forma crítica não apenas cada aspecto da lenda do holocausto, mas também outras lendas a cerca dos acontecimentos históricos. Na vossa opinião, o que direção deveria ser o ponta pé inicial para a pesquisa revisionista? Com quais temas os revisionistas deveriam se ocupar com mais intensidade?

Se você entende estritamente sob “Revisionismo” o revisionismo do holocausto, eu diria que existe um tema que não foi pesquisado suficientemente pelos revisionistas: a dimensão do fuzilamento de judeus nos territórios soviéticos ocupados.

Que houve tais fuzilamentos, é totalmente inquestionável. Mas nós não conhecemos a ordem de grandeza do número de vítimas, pois os documentos existentes, principalmente os relatórios dos Grupos de Ação (Einsatzgruppen), não são confiáveis.
Em certos aspectos, eles são refutados por outros documentos; vai contra sua autenticidade ou precisão, o fato de nunca ter sido encontrado uma vala coletiva com o número alegado de vítimas.

Uma equipe de revisionistas se ocupará com esta difícil tarefa; os trabalhos já começaram. Por causa da complexidade da questão e da quantidade da matéria a ser analisado, não devemos contar que os resultados das pesquisas estejam disponíveis antes do início de 2015.

Naturalmente se faz necessário isso em outras áreas do que o revisionismo do holocausto, pois “revisão” significa simplesmente “controle”. Que afirmações históricas sejam controladas em torno de sua consistência, é um procedimento totalmente normal.

De relevância política temos principalmente o revisionismo do 11 de setembro. Sobre isso já existe uma porção de bons livros e filmes, e não apenas na Rússia, mas também no ocidente um número crescente de pessoas coloca em xeque a versão oficial, segundo a qual o ataque terrorista do 11 de setembro fora cometido por árabes extremistas.
Apenas o fato de que, ao final daquele dia, um terceiro arranha-céus também desabou, e ninguém afirma que ele tenha sido atingido por um avião, já é o suficiente para mandar a versão oficial para o mundo da fantasia.
Neste reino da fantasia também faz parte a suposta eliminação de Bin Laden. O desvendar desta mentira seria para a principal potência da Nova Ordem Mundial, o inimigo mundial EUA, uma catástrofe de tamanho descomunal, a qual a casta dirigente deste país não poderia sobreviver.

3. Qual parte e expressões de vosso trabalho provocam mais críticas dos oponentes?

No fundo, os anti-revisionistas não abordam os argumentos revisionistas. A única exceção é uma equipe de anti-revisionistas – Jonathan Harrison, Jason Myers, Roberto Mühlenkamp, Sergey Romanov e Nicholas Terry – que em seu Blog “Holocaust Controversies”, escreveram uma minuciosa crítica dos livros revisionistas sobre Berzec, Sobibor e Treblinka (“Belzec, Sobibor. Treblinka: Holocaust Denial and Operation Reinhard.
A critique of the falsehoods of Mattogno, Graf and Kues”). Nossa resposta, cuja extensão é duas vezes maior que o ataque, será publicada dentro de um mês. Lá nós estaremos expondo como nossos adversários operam com mentiras e distorções.

4. Qual progresso a pesquisa revisionista alcançou desde a publicação de vosso livro “Mif o Holokostye” (O Mito do Holocausto)?
Os três assuntos mais complexos da questão do holocausto são:

a) Auschwitz

b) Os assim denominados “Campos de extermínio do leste”: Belzec, Majdanek, Sobibor e Treblinka

c) Os fuzilamentos no leste
 
Desde o aparecimento de meu livro “O Mito do Holocausto” no meio da década de 90, o Revisionismo avançou muito no primeiro tema, Auschwitz, no segundo tema, os alegados “campos de extermínio do leste”, angariou um conhecimento enorme, e no terceiro campo, os fuzilamentos no leste, conferiu apenas um modesto avanço.

A respeito de Auschwitz, podemos salientar o imenso trabalho de pesquisa de Germar Rudolf e Carlo Mattogno, refletido nos inúmeros artigos da coleção “Vierteljahresheften für freie Geschichtsforschung” (Boletim trimestral para a livre pesquisa histórica – NR), assim como em diversos livros, dentre os quais destaca-se, principalmente, o livro de Mattogno “Auschwitz. The Case for Sanity”.

Em relação aos “campos de extermínio do leste”, apareceram desde a publicação do “O Mito do Holocausto” um série de monografias, tanto no idioma alemão quanto em inglês. Eu vou apresentar os títulos em inglês, pois na Rússia atual mais pessoas entendem o inglês do que o alemão:

- Jürgen Graf e Carlo Mattogno, “Concentration Camp Majdanek. A historical and technical Study” (já na terceira edição);

- Carlo Mattogno e Jürgen Graf, “Treblinka – Extermination Camp or Transit Camp?”;

- Carlo Mattogno, “Belzec in Propaganda, Testimonies, Archeological Research and History”;

- Jürgen Graf, Thomas Kues e Carlo Mattogno, “Sobibor. Holocaust Propaganda and Reality”.

Em relação a Belzec e Sobibor, nossa tarefa foi aliviada graças à estupidez de nossos oponentes.

O U.S. Holocaust Museum contratou um professor de arqueologia polonês, Andrzej Kola, para realizar escavações e perfurações na área destes alegados campos de extermínio.
Embora Kola, que estava consciente da dimensão política de seu trabalho, tenha repetido a cantiga desejada, seus resultados provam que suas investigações, analisadas em nossos livros sobre Belzec e Sobibor, que nestes campos faleceram apenas um pequena fração do alegado número de vítimas.

Apesar de todo esforço, Kola não conseguiu encontrar o mínimo vestígio dos “galpões para gaseamento” descritos pelas testemunhas. Sem tais galpões para gaseamento não teria sido possível gasear alguém, seja em Belzec ou ainda em Sobibor.

Quanto à dimensão do fuzilamento de judeus assim como a política alemã em relação aos judeus nos territórios soviéticos ocupados, eu tenho que consolá-lo com o estudo mencionado que será publicado em dois anos. Eu tenho que lhe alertar também que a equipe de pesquisadores revisionistas não irá poder responder a todas as perguntas.

5. Nos últimos tempos, pudemos observar o seguinte desenvolvimento: Os propagandistas do holocausto colocam cada vez menos peso nas desacreditadas câmaras de gás e transferem o ponto principal para o “holocausto do fuzilamento” nos territórios soviéticos ocupados. Nós observamos que nos supostos locais de execução, cada vez mais memoriais brotam do solo, sem incomodar que no local não tenha sido encontrado uma cova coletiva. Para onde foram os cadáveres, caso eles tenham realmente existido?

Em relação às câmaras de gás, a situação dos historiadores ortodoxos é totalmente desesperançosa. Excetuando-se as absurdas testemunhas, eles nada têm onde possam se apoiar, e nós dispomos de uma série de documentos e provas técnicas contra a tese oficial.
Torna-se óbvio, portanto, a tentativa do lado oponente em deslocar cada vez o centro das atenções para o fuzilamento no leste.
O livro do mentiroso francês Patrick Desbois sobre o “Shoa através de balas” foi bastante anunciado pela mídia. Se os supostos locais indicados por Debois realmente forem de valas coletivas repletas de cadáveres de judeus fuzilados, então deve-se abrir todas estas valas e realizar uma autópsia nos cadáveres. Mas isso não foi feito até o momento. Por quê não?

6. É conhecido que em Babi Jar, em Kiew, tenha acontecido o maior fuzilamento da História, porém, nunca foi encontrado provas técnicas. Em seu livro “A maior mentira do século 20”, você escreve que a pesquisa revisionista apresenta muitas lacunas nesta área. Entrementes tais lacunas já foram preenchidas ou ainda permanecem abertas?

No livro mencionado que planejamos publicar, a questão sobre Babi Jar é abordada naturalmente. Mais eu não posso dizer no momento.

7. Em “O Mito do Holocausto”, você defende a visão de que o mundo mudará radicalmente quando os revisionistas se firmarem com seus argumentos. Você está satisfeito com a velocidade com a qual o revisionismo está se estabelecendo?

Naturalmente eu não posso estar satisfeito com a velocidade, mas os avanços existem de fato. Por toda parte novos revisionistas tomam a palavra. O último exemplo é o jovem judeu britânico Peter Eisen, que defendeu a posição revisionista em seu Blog.
Mas eu não acredito que o Holocausto explodirá antes do colapso do sistema financeiro capitalista ou pelo menos que este se enfraqueça substancialmente. Enquanto este sistema ainda existir, a mentira se defenderá com todos os meios, se necessário até com repressão de pensamento.
Na Alemanha multiplicam-se os processos contra os revisionistas. Isso demonstra como o outro lado necessita desta mentira aflitamente.

8. Você acredita que a decisão do Tribunal Internacional de Nuremberg será ser refutada cedo ou tarde?

Para uma revisão da decisão de Nuremberg necessita-se de uma mudança política radical, principalmente na Alemanha. Por que as potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial deveriam aliviar a Alemanha, se ela própria não quer e se agarra fanaticamente em sua culpa peculiar?

9. Sr. Graf, por causa de seu envolvimento com o revisionismo, você foi obrigado a emigrar de sua pátria. Outros revisionistas foram parar até mesmo na prisão. Algumas pessoas acreditam que a pesquisa dos problemas históricos não merece tal sacrifício e que pouco importa ao mundo atual se a versão oficial do Holocausto está ou não correta. O que você diria a respeito?

Toda mentira deve ser combatida, porque, como disse Jesus Cristo, o diabo é o pai da mentira. Quão maior for a mentira, mais prejudicial ela será para o mundo.
A mentira dos campos de extermínio e as câmaras de gás envenenam o mundo desde há mais de seis décadas e meia. Não apenas os alemães, mas para os povos brancos em geral, o desvendar desta mentira se tornou uma questão existencial, pois não se poderá mais combater aqueles que defendem a identidade dos povos brancos e que também são contra a imigração do terceiro mundo, com aquele argumento: “Tal pensamento leva a Auschwitz”.

10. Até mesmo os adeptos da versão oficial do Holocausto admitem às vezes que os revisionistas parecem aos olhos de muitas pessoas como cavaleiros destemidos, que tomaram para si a luta contra o mal. Sr. Graf, pode-se dizer hoje sem exagero que você escreveu seu nome na História e conseguiu mudar radicalmente a visão de muitas pessoas. No território pós-soviético, você é seguramente o pesquisador e historiador mais conhecido nesta área. Isso lhe satisfaz? Você nunca teve o desejo de trocar esta fama por uma vida calma e confortável?

Primeiro, que eu seja o revisionista mais famoso no território pós-soviético, isso em nada muda o fato de que outros pesquisadores, como Faurisson, Rudolf e Mattogno, tenham alcançado muito mais reconhecimento através do revisionismo do que eu.

Segundo, eu ainda tenho alguns projetos – não necessariamente sobre o holocausto, mas sobre outros polêmicos temas políticos.

Terceiro, meus inimigos não iriam me deixar em paz se eu me calasse ou retratasse. Estas pessoas não conhecem perdão ou absolvição. A única coisa que eles respeitam é você se manter firme. Olhe só o que aconteceu com David Irving.
Ele não conseguiu enfrentar a pressão e tentou se arrumar com o lobby do holocausto à medida que indicou o número total de vítimas em Treblinka, Belzec e Sobibor em 2,4 milhões, enquanto os historiadores do holocausto se satisfazem com 1,5 milhões.
Este salto mortal não ajudou Irving em nada; ele continua a ser caluniado pela mídia como “negador do holocausto”, e é agora desprezado pelos revisionistas. Ele perdeu seus velhos amigos e não ganhou qualquer um novo. Eu não ouso fazer o mesmo.

23 de março de 2013

Fonte: Velesova Sloboda
Altermedia-Deutschland, 18/03/2013.