"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

DIRCEU PODE DAR ADEUS ÀS ILUSÕES. SUPREMO CONCLUI QUE HOUVE COMPRA DE VOTO, SIM, E ATÉ DIAS TOFFOLI DERRUBOU A TESE DO CAIXA 2

 

A sessão de segunda foi altamente reveladora e decisiva para definir como será, daqui para frente, o julgamento do mensalão. A surpresa foi muito grande, por conta do voto do ministro Dias Toffoli.

Quando todos esperavam que ele seguisse a posição do revisor Ricardo Lewandowski, que levantou a tese de corrupção sem lavagem de dinheiro, Toffoli simplesmente votou pela condenação de todos os parlamentares denunciados por corrupção passiva e apoiou a tese de que houve compra de voto, sim, e não apenas caixa 2.



No caso da lavagem de Dinheiro, Toffoli disse que os próprios réus confessaram aceitar vantagem viabilizada pelo grupo do publicitário Marcos Valério e pelo Banco Rural, sendo indiferente o destino dado à verba.

O ministro também entendeu que todos os réus acusados do crime de formação de quadrilha são inocentes, porque não se uniram com o objetivo de cometer crimes em bando, e sim para obter vantagens individuais. Toffoli, assim, seguiu a corrente inaugurada pela ministra Rosa Weber, para quem determinados réus atuaram apenas na condição de coparticipantes.

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MARCO AURELIO APOIA

O ministro Marco Aurélio Mello, como já se esperava, absolveu os 13 réus do Capítulo 16 da denúncia, que envolve partidos da base aliada do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do crime de lavagem de dinheiro. Nesse particular, seguiu expressamente o voto do revisor:

“Não podemos confundir, e o revisor ressaltou isso muito bem, o exaurimento da corrupção com a lavagem de dinheiro”, apontou Marco Aurélio Mello, que defendeu a existência da compra de votos, dizendo que o intuito do esquema não era cobrir os gastos de campanha dos partidos, mas formar uma base parlamentar para que determinadas reformas fossem aprovadas na Câmara.

“Ao votar corrupção passiva, faço de forma clara. Essa corrupção não visou cobrir caixa dos diversos partidos na espécie, mas, sim, a base de sustentação para aprovar-se. Sofrendo, com isso, a própria sociedade brasileira”, disse o ministro.

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NOVA TENDÊNCIA

O ministro Celso de Mello proferiu um dos votos mais duros, pedindo a condenação de 12 réus no julgamento do mensalão. Assim, o único acusado que não foi condenado nesta etapa foi Antônio Lamas, de quem o próprio Ministério Público pede a absolvição.

“O Estado brasileiro não tolera o poder que corrompe e nem tolera o poder que se deixa corromper”, anunciou o ministro, antes formar maioria pela condenação dos dez réus acusados de corrupção passiva nesta parte da denúncia. Eles são ligados a partidos aliados ao PT – PP, PL (atual PR), PTB, PMDB.

“Quem tem o poder e a força do Estado em suas mãos não tem o direito de usá-lo para exercer em seu próprio benefício a autoridade que lhe é conferida pelas leis da República”, disse.

Além de Celso de Mello, os ministros Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello foram incisivos sobre o entendimento de que houve a compra de apoio no governo Lula.
E até Dias Toffoli reconheceu a compra de apoio ao analisar a acusação contra os réus ligados ao ex-PL, atual PR.

Ou seja, assunto encerrado. Lula é um mentiroso e Dirceu vai mesmo para a cadeia.

01 de outubro de 2012
Carlos Newton

O CRIME DE EXTERMÍNIO DE SERES HUMANOS

 

Com um triste atraso, inclusive se atentarmos para os fatos que já ocorrem há décadas, foi publicada no último dia 28 de setembro de 2012 a Lei n° 12720, que altera o Código Penal, para dispor, com nova causa de aumento de pena, sobre os crimes praticados por grupos de extermínio ou milícias privadas, tendo entrado em vigor na mesma data e aplicando-se especificamente somente aos fatos típicos que serão cometidos a partir de então.


Miliciano tem crime agravado

O art. 121 (matar alguém) do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, passou a vigorar acrescido do parágrafo 6º, que determina que a pena do crime de homicídio será aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio.

Além disso, com a alteração do parágrafo 7º do artigo 129 (lesão corporal: ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem), a pena será aumentada de um terço se ocorrer, além das hipóteses do § 4º já previstas anteriormente, com a pena aumentada de 1/3 (um terço) no homicídio culposo, se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante.

Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos), também nas hipóteses do parágrafo 6º do art. 121 descrito acima.

Também foi criada a figura típica específica da “constituição de milícia privada”, conforme a redação do artigo 288-A, que abrange as condutas de constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo armado ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes previstos no Código Penal. Tal dispositivo prevê a pena de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos.
Antes tarde do que nunca.

NAS GRANDES CIDADES, MAIORIA DOS CANDIDATOS APOIADOS POR LULA TEM DIFICULDADES PARA SE ELEGER

 

Em sua megalomania galopante, o ex-presidente Lula parece ter se tornado uma mistura de Luiz XIV (“O Estado sou eu”) e Luiz XV (“Depois de mim, o dilúvio”). Ele julgou que elegeria quem bem entendesse nessas eleições.
Mas aconteceu justamente o contrário, quase todos os candidatos apoiados diretamente por ele estão enfrentando muitas dificuldades. Nesse reinado ilusório e delirante do criador do PT, há casos até em que o dilúvio está acontecendo antes do tempo, e de corpo presente.


“L’Etat c’est moi”

A verdade é que a maioria dos candidatos a prefeito pelos quais o ex-presidente petista se empenhou pessoalmente na campanha, participando de comícios e programas de TV, chega à reta final em situação de inferioridade.

Lula apareceu no palanque de apenas dez candidatos a prefeito na campanha deste ano. Somente dois deles lideram com folga a disputa eleitoral em suas cidades: Luiz Marinho, em São Bernardo, e Pedro Reali, em Diadema. Outros dois aparecem em situação de empate técnico: Nelson Pellegrino, em Salvador, enfrentando ACM Neto; e Wanessa Grazziotin, em Manaus, contra Artur Virgilio.
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COM ALGUMA CHANCE

Outros cinco candidatos pelos quais o ex-presidente se empenhou têm chance de chegar ao segundo turno da eleição, mas ainda aparecem nas pesquisas muito distantes dos candidatos que estão em primeiro lugar na corrida. São os candidatos de São Paulo, Belo Horizonte, Campinas (SP), Mauá (SP) e Santo André (SP).

Em Feira de Santana (BA), cidade visitada por Lula, o candidato que ele apóia, Zé Neto, não parece ter nenhuma chance, de acordo com as pesquisas.

Lula havia previsto um périplo por palanques de seis aliados no Nordeste, mas na última semana decidiu concentrar esforços na campanha de Fernando Haddad (PT) em São Paulo – que briga com José Serra (PSDB) por uma vaga no segundo turno.

Em Recife, Lula abandonou Humberto Costa, o nome escolhido pelo PT para desafiar o candidato do governador Eduardo Campos (PSB). Humberto, que liderava a corrida no início, hoje é o terceiro colocado e corre o risco de ficar fora do segundo turno.

Em Belo Horizonte, o PT enfrenta o PSB. Lula esteve no palanque de Patrus Ananias (PT), que corre o risco de ver Marcio Lacerda (PSB) ser reeleito em primeiro turno.

Manaus foi a única cidade em que Lula apareceu para apoiar um concorrente não petista. Vanessa Grazziotin (PCdoB) disputa palmo a palmo com o ex-senador Arthur Virgílio (PSDB), antigo desafeto de Lula, e a decisão será no segundo turno.

01 de outubro de 2012
Carlos Newton

O QUE A CHINA ESTÁ DIZENDO COM A PUNIÇÃO A BO XILAI

 

LONDRES – A China, com o caso Bo Xilai, está dando um recado para todos os chineses: ninguém está acima da lei.
O país enriqueceu. Caminha para ser a maior potência do mundo. Muito dinheiro está indo parar na mão dos chineses. Montar negócios prósperos ok, como disse Deng Xiao Ping, o líder chinês que promoveu uma virada no país há 30 anos. Mas roubar, não.

O que a China está dizendo com a punição a Bo Xilai
Bo Xilai com a mulher

Bo Xilai, que era uma estrela em ascensão no governo chinês, foi, como se esperava, formalmente expulso do Partido Comunista, que governa a China.
As acusações são múltiplas. Propinas, acobertamento de um
crime (a morte de um britânico), abuso de poder. E sexo: Bo, segundo relatos da mídia chinesa, teria tido relações sexuais inadequadas com uma quantidade de mulheres que pode chegar a 1000.

Todo o dinheiro que Bo acumulou ilicitamente não lhe servirá para nada agora. É difícil que ele escape de uma sentença que o fará terminar os dias na prisão.

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INDESTRUTÍVEL

A China tem uma cultura tão forte que a torna “indestrutível”, para usar uma expressão de Bertrand Russel, filósofo inglês que no começo dos anos 1900 passou uma temporada entre os chineses e depois escreveu um livro excelente sobre o país. (Disponível, de graça, no iBooks.)
O país sobreviveu a predações externas de toda natureza. No chamado “Século da Humilhação”, a Inglaterra impôs o ópio aos chineses pela força de seus canhões e depois tomou Hong Kong.

Alemanha, França e Estados Unidos se locupletaram também com a China combalida depois de ser batida pelos britânicos nas infames Guerras do Ópio. E o Japão, bem, o Japão fez horrores, o último dos quais foi pegar na Segunda Guerra Mundial para si ilhas chineses que agora diz, cinicamente, que sempre foram suas.

A China, graças à força da cultura confucionista, sobreviveu a todos os inimigos externos. No passado remoto, os mongóis ocuparam o país, mas a cultura confuciona prevaleceu e os ocupantes foram assimilados, em vez de assimilar.

Mas o pior inimigo da China é interno. Sua conversão em superpotência pode minar os valores preciosos que fazem dela pujante mesmo sendo a civilização mais antiga do mundo.

O castigo de Bo Xilai é um sinal de que os líderes chineses estão atentos a esse risco. Analistas míopes tentarão ver aí defeitos e vícios chineses, mas a verdade é que a punição de Bo é um ponto alto e positivo na construção do que se pode classificar de “Século Chinês”.

01 de outubro de 2012
Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)
 

OS AEROPORTOS E OS ESTRANGEIROS

 

A imprensa noticia que o Governo pretende mudar, mais uma vez, o modelo de concessão dos aeroportos do Galeão, no Rio de Janeiro, e de Confins, em Belo Horizonte, para atenuar o suposto “mau humor” de empresas operadoras multinacionais, que não estariam aceitando associar-se minoritariamente à Infraero para a administração dos negócios.

Para diminuir essa resistência, a idéia seria reservar 51% das ações para os estrangeiros, e 49% para Empresa Brasileira de Administração Aeroportuária, embora com “golden share” que fizesse valer a vontade do Estado, sempre que necessário.

A primeira pergunta que se faz, é por que, no caso dos aeroportos, se pretende seguir o modelo da telefonia, em que o Estado banca, via BNDES, a maior parte do financiamento.
Nesse modelo, os estrangeiros entram com quase nada na expansão de infraestrutura e melhoria de serviços, e gordas remessas de lucro são enviadas todos os anos para o exterior, prejudicando o nosso balanço de pagamentos. É o que tem ocorrido, por exemplo, com empréstimos de bilhões de reais para a Vivo (Telefónica) da Espanha.

Não é possível que, com grandes empresas brasileiras de engenharia pesada construindo aeroportos em países de primeiro mundo, como é o caso de Miami, ou empresas de capital nacional administrando aeroportos fora do país, exija-se, como condição necessária para a
modernização de nosso sistema aeroportuário, a presença de empresas estrangeiras.


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COMPLEXOS COMERCIAIS

Existe a percepção de que, no futuro os serviços prestados aos passageiros, e a própria expansão dos aeroportos, serão financiados pela transformação de suas instalações em grandes complexos comerciais, englobando shopping-centers, hotéis, e o serviço de transporte terrestre de passageiros.

O Brasil tem enfrentado problemas em seus aeroportos, não por incompetência, mas porque o número de passageiros cresceu anualmente, a um ritmo chinês de dois dígitos, na última década. Centenas de milhares de pessoas que antes nunca haviam feito uma viagem aérea passaram a fazê-lo, com a melhoria do poder aquisitivo da população.

Se a Infraero desenvolveu know-how ao longo do tempo na operação de aeroportos, se o BNDES está entrando com a maior parte do dinheiro, se temos algumas das maiores construtoras e administradoras de hotéis, centros de negócios e shopping-centers do planeta, por que não reunir esse pessoal em consórcios e deixá-los apresentar seus projetos?
Temos uma engenharia que já construiu rodovias e ferrovias no meio do deserto, no Oriente Médio; levantou a maior usina hidrelétrica do mundo, em Itaipu, e é pioneira na perfuração de poços de petróleo a profundidades nunca antes atingidas.

Supor que não temos competência para administrar meia dúzia de aeroportos sem interferência externa, é renunciar ao nosso desenvolvimento independente, e abandonar o domínio do futuro.

FILOSOFIAS DIFERENTES DE SE JOGAR FUTEBOL

 

 Real Madrid e Barcelona são os dois melhores times do mundo e os grandes representantes das duas filosofias de se jogar futebol. A do Real é a mesma de quase todas as grandes equipes da Europa e, agora, de vários times brasileiros. Começou com o Corinthians, na Libertadores. A equipe marca mais atrás, geralmente com oito jogadores, e contra-ataca com velocidade.

Cada equipe possui suas particularidades. Em algumas ocasiões, esses times também marcam por pressão, como faz o Corinthians, quando joga no Pacaembu.

A filosofia do Barcelona é a mesma dos times treinados por Bielsa, por Sampaoli e por raríssimos outros técnicos. São equipes que marcam por pressão, dominam o jogo e colocam muitos jogadores no campo do adversário. Há também diferenças. O Barcelona troca mais passes curtos e fica mais com a bola. Os outros jogam um futebol mais veloz.

Todos esses times, quando perdem a bola no campo do adversário, deixam muitos espaços na defesa. A Universidad de Chile foi, coletivamente, melhor, mas o Santos, nos contra-ataques e graças a Neymar, ganhou. Nos jogos do Santos, existem duas partidas, a do time e a de Neymar. Uma independe da outra. Na seleção, quando enfrentar fortes adversários, Neymar só vai brilhar se houver um bom conjunto.

As duas filosofias podem ser eficientes. Muito mais importante que o estilo é a qualidade dos jogadores. A Universidad de Chile piorou muito em relação ao ano passado, com a saída de vários titulares. O técnico é o mesmo.

Não é correto dizer que o estilo do Barcelona é o mesmo das grandes equipes brasileiras do passado. A seleção de 1970, com a marcação mais recuada, parecia mais com o Real do que com o Barcelona. Além de marcar por pressão, o que não existia na época, o Barcelona é uma equipe com mais troca de passes curtos, mais posse de bola, mais previsível e com um estilo mais coletivo.

Se, no passado, o futebol coletivo não era a principal qualidade dos times brasileiros, isso é hoje marcante, com a grande diferença de que há menos craques para decidir. Pioramos na parte individual e no conjunto. É impressionante como os times brasileiros perdem a bola. Escrevo isso há mais de dez anos. Cansei.

Minhas críticas são muito mais ao estilo dos times brasileiros. A seleção, por ter jogadores superiores e por orientação do técnico, tenta, sem ainda conseguir, praticar um jogo mais coletivo e mais agradável. Tenho esperanças.

Seria muito bom se os times brasileiros trouxessem técnicos de fora, diferentes, como Guardiola, Bielsa, Sampaoli. Isso não significa que eles sejam excepcionais e que os do Brasil sejam uma porcaria. Mas é preciso diversificar. A mesmice passou dos limites.

HOJE É O DIA D, PARA SABER SE BARBOSA SE PERDERÁ NA ESTRATÉGIA DE LEWANDOWSKI OU VAI RECUPERAR O CONTROLE DO JULGAMENTO

 

Já apontamos aqui no Blog da Tribuna que, no julgamento do mensalão, o revisor Ricardo Lewandowski está conseguindo seu objetivo de irritar e tirar do sério o relator Joaquim Barbosa, de forma a fazê-lo perder o controle do julgamento, justamente quando se entra na etapa dos principais réus – Dirceu, Genoino, Delúbio & Cia.



Para desestabilizar Barbosa, o ministro revisor resolveu criar uma polêmica sobre a configuração do crime de lavagem de dinheiro, que se tornou o assunto principal de discordância entre os dois. Quanto mais Barbosa se irrita e trata Lewandowski de forma depreciativa, mais o revisor cresce e ganha força, porque os demais ministros não aceitam falta de consideração “inter pares”, como se diz no linguajar jurídico.

Lewandowksi achou um ponto fraco no relatório de Barbosa e argumenta que receber dinheiro ilícito e praticar corrupção passiva não significa fazer lavagem de dinheiro. Aparentemente, está com a razão. Lavar dinheiro significa esquentá-lo e legalizá-lo, mediante algum artifício.

Irritado e sem paciência, Barbosa diz que todos estão envolvidos em lavagem de dinheiro. Na visão do relator, os réus sabiam da origem ilícita do dinheiro e da lavagem. O contrário só seria verdade, segundo Barbosa, se eles acreditassem que Marcos Valério tinha se transformado “em Papai Noel”, que distribuía dinheiro nas praças de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.

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MARCO AURELIO APOIA

Na sessão de quinta-feira, Marco Aurélio apoiou Lewandowski contra Barbosa, intervindo de forma áspera e dominadora. O relator então perdeu a linha e queria publicar no site oficial da Supremo uma nota apontando Marco Aurélio como “um dos principais obstáculos a ser enfrentado por qualquer pessoa que ocupe a presidência do Supremo”.

Referiu-se ainda veladamente ao fato de Marco Aurélio ter sido nomeado pelo primo, o então presidente Fernando Collor de Mello. E acrescentou: “Jamais me vali ou tirei proveito de relações de natureza familiar”.

Realmente, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli são ministros que jamais foram juízes concursados. Entraram no magistério por via política. Lewandowski era procurador da Assembléia e foi nomeado para o Tribunal de Alçada pelo então governador Orestes Quércia.

Marco Aurélio Mello era protegido do primo, o juiz Mello Porto, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da Primeira Região, assassinado em 2006. Sua carreira foi meteórica: Juiz do TRT do Rio de 1978 a 1981, virou ministro Tribunal Superior do Trabalho, no período de setembro de 1981 a junho de 1990, quando foi nomeado ministro do Supremo em 28 de maio de 1990, aos 44 anos.

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BARBOSA ILHADO

Se não recuperar o equilíbrio, Joaquim Barbosa corre o risco de se perder, conforme é o objetivo de Lewandowski, Toffoli e Marco Aurélio.

Enquanto essa estratégia desestabilizadora é exercida no Congresso, segue a coleta de assinaturas contra o julgamento do mensalão, conduzida pelo produtor cinematográfico Luiz Carlos Barreto, amigo íntimo de José Dirceu e responsável pelo filme sobre a vida de Lula, dirigido por um de seus filhos, Fábio Barreto.

Resumindo: Barbosa está ilhado, hoje é o Dia D do mensalão.

01 de outubro de 2012
Carlos Newton

EX-DEPUTADO PEDE INVESTIGAÇÃO MAIS ABRANGENTES ENVOLVENDO PAGAMENTOS BILIONÁRIOS DE PRECATÓRIOS EM SÃO PAULO

 

O ex-deputado estadual e advogado Afanasio Jazadji pediu sexta-feira ao Tribunal de Justiça de São Paulo investigações mais profundas para apurar responsabilidades quanto ao suposto pagamento de cerca de um bilhão de reais a mais, a título de juros moratórios indevidos, pela Fazenda do Estado de São Paulo a titulares de centenas de precatórios não alimentares e que entre 2002 e 2010 receberam mais de R$ 10 bilhões de reais.

Motivou essa iniciativa do ex-parlamentar uma informação prestada pelo atual procurador-geral do Estado, Elival da Silva Ramos, de que não foi só o precatório conhecido como do “Parque Villa Lobos” que recebeu cerca de R$ 600 milhões a mais, por conta dos juros moratórios, tidos como indevidos. Afirmou o jurista e procurador-geral:

“Cabe sublinhar que o critério de que se valeu o Estado de São Paulo para adimplência dos décimos da moratória criada pela Emenda Constitucional nº 30/2000 não se praticou em regime de exceção. Aplicou-se em todoso os casos de precatórios parcelados naqueles moldes e não somente no pagamento das parcelas da desapropriação do Parque Villa Lobos. A Administração agiu, em cumprimento da legislação local, com a devida legalidade e impessoalidade”.

O procurador-geral, em outras palavras, eximiu-se de responsabilidade, salientando que no caso do pagamento de juros moratórios, a Procuradoria do Estado limitou-se a cumprir o decreto-estadual 46.030/2001, assinado pelo governador Geraldo Alckmin e que, ao ver do ex-deputado, conflita com decisões do Supremo Tribunal Federal e dispositivo constitucional, que assinalam que “durante o período previsto no parágrafo 1º. do artigo 100 da Constituição Federal, não incidem juros de mora sobre os precatórios que nele sejam pagos”.

Ou seja, são descabidos os pagamentos de juros moratórios se os créditos devidos e parcelados forem satisfeitos dentro do prazo constitucional estabelecido, o que foi afrontado pela Procuradoria-Geral do Estado, que, entre 2002 e 2010, quitou todos os precatórios não alimentares sem atraso algum, mas com acréscimo de juros de mora, o que representa um rombo de cerca de mais de um bilhão de reais à Fazenda do Estado de São Paulo.

De quem é a culpa? Do governador Geraldo Alckmin que assinou o decreto? Mas não é a procuradoria-geral que assessora e redige os decretos assinados pelo governador?

Essa questão já virou inquérito policial, que vem sendo presidido pelo desembargador Luiz Pantaleão, do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

NOTAS POLÍTICAS DO JORNALISTA CARLOS CHAGAS

A INFLUÊNCIA DO MENSALÃO


Agride o bom-senso dizer que o mensalão não influi nas eleições. Simples raciocínio para agradar o PT, é claro. No entanto, perguntem ao Lula.
De uma semana para cá ele vem repetindo que seu governo foi o que mais instrumentos criou para combater a corrupção.
Que todas as denúncias foram apuradas e que até importantes auxiliares seus responderam e respondem na Justiça. Por que estaria o primeiro-companheiro tão preocupado assim?



Parece coisa de jumento imaginar qualquer eleição desligada do que se passa ao redor do eleitor. Até a chuva interfere na votação. Passaria despercebido um escândalo que há meses freqüenta a primeira página dos jornais e alimenta boa parte do noticiário na televisão e no rádio, além das redes sociais e das conversas de botequim? É claro que se procurarem bem encontrarão um solitário cidadão desinformado sobre o mundo à sua volta, imaginando que mensalão é um mês com mais de 31 dias. Torná-lo regra, porém, em vez de exceção, envolve ignorância ou má-fé.

A pálida performance dos candidatos do Partido dos Trabalhadores a prefeito de capital demonstra a influência do escândalo verificado no começo do governo Lula, agora objeto maior do noticiário e da indignação nacional.
Como sempre, certos institutos de pesquisa tentam contrariar a natureza das coisas na reta final, divulgando números ilusórios e atendendo a clientes que pagam bem. Antes da eleição, por certo.

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O SEGUNDO TEMPO

Mesmo não tendo terminado, o ano político ficará por conta do resultado das eleições, do término do julgamento do mensalão e da consolidação das candidaturas de Henrique Eduardo Alves e de Renan Calheiros para as presidências da Câmara e do Senado.

As atenções voltam-se para o segundo biênio do governo Dilma Rousseff. Terá a outra metade as mesmas características da primeira? Há quem se dedique à prospecção, calculando bondades e maldades futuras.

A reeleição da presidente é um alvo escancarado, mas não significa que tudo se desenvolverá em função dele. Existem metas intermediárias, como desatar o nó que impede a retomada do crescimento econômico, assim como a importância de superar as dificuldades nos setores de educação, saúde e segurança pública.

Dar uma nova forma à substância permanente que caracteriza a administração federal envolverá uma responsabilidade compartilhada com o Congresso e os governos estaduais.
Sem esquecer os partidos políticos. Pode estar entrando em campo o ecumenismo, melhor dizendo, a colegiabilidade, sem detrimento do mesmo conteúdo expresso nos primeiros dois anos.

HISTÓRIAS DO JORNALISTA SEBASTIÃO NERY

O BRASIL DE GETÚLIO

Agamenon Magalhães, José Américo e Gustavo Capanema conversavam com Getúlio em plena crise de agosto de 54:

– O senhor confia nos seus generais? E se passarem para o outro lado?
– Ora essa, eu também passo.

A política brasileira voltou ao Brasil de Getúlio. Não há partidos, há lados.

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TORDESILHAS

Em 1965, foi criado o município de Anastácio, desmembrado de Aquidauana, em Mato Grosso do Sul, entre Campo Grande e Corumbá.
O governador Pedro Pedrossian, adversário do primeiro prefeito de Anastácio, Vicente Medeiros, fez uma estrada ligando Aquidauana a Jardim, mas, por birra, o DER tirou Anastácio do caminho e fez a placa assim:
– Rodovia MT-65, Aquidauana/Jardim.

Anastácio ficou indignada. Houve um congresso de municípios em Cuiabá. Na sessão de encerramento, o prefeito de Anastácio pediu a palavra:

– Gostaria que mandassem providenciar a escritura do município de Anastácio, já que não é reconhecido nem pelo senhor governador.

E mostrou uma foto da placa. O deputado René Burbour, aliado do governador, que presidia a solenidade, respondeu:

– O senhor prefeito tem toda a razão. Eu, inclusive, já escrevi a Portugal, pedindo a escritura do Brasil. Assim que chegar, faremos um desmembramento e mandaremos a sua escritura. A culpa é do Cabral, que nos descobriu, não fez o desmembramento e esqueceu de mandar fazer a escritura.
 
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O AVALISTA SOLIDÁRIO
 
Antônio Carlos Noronha Portella, advogado e sábio, com esse nome imperial, vivendo em um palacete também imperial dos tempos da Petrópolis imperial, testemunha de mais de meio século do Rio, do País e do mundo, é um homem rico e bom. Dava aval a todo mundo, na cidade.
 
Gosta de política. Gosta demais. Quando chegavam as campanhas eleitorais, sua maneira de ajudar os amigos era avalizar empréstimos para as despesas de campanha.
Um dia, avalizou um titulo para um candidato a deputado, que perdeu feio e ficou em dificuldades de pagar. O gerente do banco, sabendo que não receberia do devedor, foi ao avalista:
 
– Senhor Portela, o título está vencido. Preciso que o senhor pague. O senhor sabe que, como avalista, o senhor é solidário.
 
– Sei, sim, que sou solidário e é exatamente por isso que não vou pagar. Sou muito amigo dele e estou inteiramente solidário com ele. Se ele não pagou, é porque tem seus motivos. Porque estou solidário, não pago também.

01 de outubro de 2012
Sebastião Nery
 

UMA CONTRIBUIÇÃO À MEMÓRIA NA SEMANA EM QUE DIRCEU COMEÇA A SER JULGADO.

Assessor e carregador de malas do réu do mensalão tinha autorização para sacar dinheiro da conta de Valério no Banco Rural
 
Pois é… Na semana em que José Dirceu começa a ser julgado no Supremo, cumpre lembrar uma reportagem da VEJA publicada no dia 3 de agosto de 2005. Sabem quem tinha uma autorização para sacar dinheiro da conta de Marcos Valério no Banco Rural? Um senhor chamado Bob Marques.
 
E quem era Bob Marques? Assessor direto de José Dirceu e, literalmente, seu carregador de malas.
O tal saque, descobriu-se depois, acabou sendo feito por outra pessoa. Naquele caso ao menos, o Bob não fez uso do tal documento. Mas tinha, sim, a autorização, o que era certamente uma coincidência…
Alguém deve ter cometido um erro e, sem querer, acabou emitindo a autorização em nome do assessor de Dirceu, acertando em cheio até o número de seu documento! Há coincidências que só acontecem com petistas.
 
Leiam a reportagem, intitulada “Aonde Dirceu vai, o Bob vai atrás”. O assessor recorreu à Justiça para receber da VEJA R$ 100 mil de indenização por danos morais. O pedido foi negado pelo juiz Manoel Luiz Ribeiro, da 3ª Vara Cível do Foro Regional de Pinheiros, na capital paulista (aqui a está a decisão).
Segue a reportagem.
 
DÚVIDA – O que será que o ajudante Bob Marques carregava na mala da foto? Documentos, autorizações de saque, fotos de Fidel Castro? Os dois, segundo Bob, são amigos há mais de vinte anos (Foto: Ernesto Rodrigues/AE)
 
Não foi só o depoimento de Renilda Santiago que colocou o ex-ministro José Dirceu no epicentro do escândalo do mensalão. Um documento, apreendido pela Polícia Federal na agência do Banco Rural em Belo Horizonte, revela que, entre as pessoas autorizadas a sacar dinheiro das contas do publicitário Marcos Valério, estava um dos principais ajudantes de Dirceu, Roberto Marques, conhecido como “Bob”, que cuida da agenda e das contas do ex-chefe da Casa Civil. A descoberta surpreendeu a bancada petista na CPI dos Correios e provocou frisson entre os oposicionistas, que vêem no documento em poder da comissão o mais forte indício até agora da ligação de Dirceu com o esquema irregular de arrecadação de fundos.
O documento, um fax com papel timbrado do Banco Rural, foi enviado à agência de São Paulo no dia 15 de junho do ano passado. Nele, um funcionário da agência mineira encaminha ao colega da Avenida Paulista uma autorização para o “sr. Roberto Marques receber a quantia de 50.000, referente ao cheque 414270, da empresa SMPB Comunicação”.
 
Os membros da CPI já sabem que, apesar da autorização dada ao ajudante de Dirceu, o saque foi feito no dia seguinte por Luiz Carlos Mazano, contador da corretora Bonus-Banval, que também estava autorizado a realizá-lo. A corretora informou que realmente tem um funcionário com esse nome, mas que o saque teria sido feito por um homônimo. O advogado da corretora, Antônio Sérgio Pitombo, vê armação. “Quando se associa o homônimo à corretora, o que se quer é agir de má-fé e desviar o foco das investigações da CPI”, diz. Não é a primeira vez que o nome da Bonus-Banval aparece na investigação do escândalo do mensalão. Em Brasília, as investigações identificaram saques no valor de 225.000 reais cujo autor é Benoni Nascimento de Moura, funcionário da Banval.
 
A corretora diz que está realizando uma auditoria interna para descobrir se houve alguma irregularidade cometida pelo funcionário Benoni. Quanto a Roberto Marques, a Bonus-Banval diz que não conhece nem nunca ouviu falar do ajudante de Dirceu. Pouco se sabe ainda sobre as atividades da corretora paulista, exceto que ela empregou até o fim do ano passado como estagiária Michele Janene, filha do deputado José Janene, suspeito de ser um dos chefes do mensalão. Talvez um bônus do tipo banval.
 
O aparecimento de Roberto Marques deve pautar os debates da CPI dos Correios, que vai ouvir nesta semana a diretora financeira da SMPB, Simone Vasconcelos. Bob é uma espécie de secretário particular de Dirceu. Faz as vezes de motorista, de despachante e de carregador de bagagem. Funcionário da Assembléia Legislativa de São Paulo, ninguém sabe direito o que ele é realmente – só que está sempre na companhia de Dirceu.
 
Em muitas ocasiões, foi visto circulando por gabinetes do Palácio do Planalto. Em março deste ano, Bob, sob o comando de Dirceu, foi um dos mais ativos operadores na campanha para a presidência da Assembléia Legislativa de São Paulo. A parceria entre Bob e Dirceu é tão intensa que o assessor chegou a representar oficialmente o então ministro da Casa Civil em solenidades, como a organizada pela Associação para Prevenção e Tratamento da Aids, realizada em 2003, em São Paulo. “Sou amigo do Zé há vinte anos. Faço companhia a ele nos fins de semana e ajudo no que for possível”, afirma Bob. Dinheiro de Valério?
 
Ele garante que nada tem a ver com isso. É, segundo ele, coincidência ou armação. “Só em São Paulo existem 5.000 pessoas com o mesmo nome”, diz o amigo-secretário de Dirceu. “Nunca estive no Rural, não saquei dinheiro nenhum e se usaram meu nome foi indevidamente”, garante ele. O problema é que a CPI resolveu investigar e descobriu que a autorização foi, sim, dada ao assessor legislativo, embora ele não tenha sido o autor do saque. “Só pode ser então uma armação para complicar a vida do Zé Dirceu”, afirma. Esse Bob é mesmo esponja.
 
Acima, a autorização para o faz-tudo de Dirceu sacar R$ 50 mil da conta de Valério no Banco Rural. Quanta coincidência!!!
 
A confirmação de que o Roberto Marques do documento do Rural é o mesmo Bob ajudante de Dirceu foi dada a VEJA na última sexta-feira pelo deputado Carlos Abicalil, do PT de Mato Grosso. Sub-relator da CPI dos Correios, o parlamentar contou que foi procurado pelo próprio Marques na semana retrasada para tentar esclarecer o aparecimento de seu nome nos documentos contábeis do Banco Rural.
Segundo o deputado, o assessor repassou o número de sua identidade e de seu CPF, para que ele pudesse conferir com os documentos em poder da CPI. O resultado da pesquisa, nas palavras do próprio deputado, foi o seguinte: “O número do RG conferia. Só não conferia o saque”, diz.
 
Dirceu sabia que o documento com o nome do ajudante apareceria cedo ou tarde. O próprio Roberto Marques contou ter conversado com o ex-ministro sobre o assunto muito antes de surgirem os rumores de que o papel existia. “Eu disse que não tinha nada a ver com isso.” Desde o início da semana passada, Dirceu procurava insistentemente falar com o presidente da CPI, o senador Delcidio Amaral. Na terça-feira, Delcidio foi à casa do ex-ministro, onde passou meia hora.
 
Os dois tiveram uma conversa dura, segundo relatos ouvidos por membros da CPI. Oficialmente, discutiram sobre o andamento dos trabalhos da comissão. O ex-ministro demonstrou grande preocupação com a velocidade da investigação e, principalmente, com o vazamento de documentos – um estranho incômodo para quem, em tese, nada tem a ver com o assunto. Dirceu também defendeu que seu depoimento era desnecessário.
 
Por fim, fez uma proposta indecorosa ao presidente da CPI. Sugeriu a Delcidio que barganhasse seu depoimento em troca da não-convocação do presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, cujo nome também apareceu como beneficiário do dinheiro de Marcos Valério. Delcidio desconversou. Outros parlamentares afirmam que Dirceu queria sumir ainda com a autorização de saque para Bob, sob a alegação de que era um papel avulso, sem validade jurídica.
 
Sobre o aparecimento do nome de seu secretário particular, ajudante, amigo e, agora se sabe, pau para toda a obra, Dirceu mandou dizer que tudo indica tratar-se de uma “plantação” para prejudicá-lo. A convocação do ex-ministro para a CPI deverá ser aprovada nesta semana.
 
01 de outubro de 2012
Por Reinaldo Azevedo

NOVO INQUÉRITO DO MENSALÃO - OPOSIÇÃO PEDE AFASTAMENTO DE PIMENTEL

Uma contribuição à memória na semana em que Dirceu começa a ser julgado: assessor e carregador de malas do réu do mensalão tinha autorização para sacar dinheiro da conta de Valério no Banco Rural
Pois é… Na semana em que José Dirceu começa a ser julgado no Supremo, cumpre lembrar uma reportagem da VEJA publicada no dia 3 de agosto de 2005. Sabem quem tinha uma autorização para sacar dinheiro da conta de Marcos Valério no Banco Rural? Um senhor chamado Bob Marques. E quem era Bob Marques? Assessor direto de José Dirceu e, literalmente, seu carregador de malas. O tal saque, descobriu-se depois, acabou sendo feito por outra pessoa. Naquele caso ao menos, o Bob não fez uso do tal documento. Mas tinha, sim, a autorização, o que era certamente uma coincidência… Alguém deve ter cometido um erro e, sem querer, acabou emitindo a autorização em nome do assessor de Dirceu, acertando em cheio até o número de seu documento! Há coincidências que só acontecem com petistas.
Leiam a reportagem, intitulada “Aonde Dirceu vai, o Bob vai atrás”. O assessor recorreu à Justiça para receber da VEJA R$ 100 mil de indenização por danos morais. O pedido foi negado pelo juiz Manoel Luiz Ribeiro, da 3ª Vara Cível do Foro Regional de Pinheiros, na capital paulista (aqui a está a decisão).
Segue a reportagem.
DÚVIDA – O que será que o ajudante Bob Marques carregava na mala da foto? Documentos, autorizações de saque, fotos de Fidel Castro? Os dois, segundo Bob, são amigos há mais de vinte anos (Foto: Ernesto Rodrigues/AE)
Não foi só o depoimento de Renilda Santiago que colocou o ex-ministro José Dirceu no epicentro do escândalo do mensalão. Um documento, apreendido pela Polícia Federal na agência do Banco Rural em Belo Horizonte, revela que, entre as pessoas autorizadas a sacar dinheiro das contas do publicitário Marcos Valério, estava um dos principais ajudantes de Dirceu, Roberto Marques, conhecido como “Bob”, que cuida da agenda e das contas do ex-chefe da Casa Civil. A descoberta surpreendeu a bancada petista na CPI dos Correios e provocou frisson entre os oposicionistas, que vêem no documento em poder da comissão o mais forte indício até agora da ligação de Dirceu com o esquema irregular de arrecadação de fundos. O documento, um fax com papel timbrado do Banco Rural, foi enviado à agência de São Paulo no dia 15 de junho do ano passado. Nele, um funcionário da agência mineira encaminha ao colega da Avenida Paulista uma autorização para o “sr. Roberto Marques receber a quantia de 50.000, referente ao cheque 414270, da empresa SMPB Comunicação”.
Os membros da CPI já sabem que, apesar da autorização dada ao ajudante de Dirceu, o saque foi feito no dia seguinte por Luiz Carlos Mazano, contador da corretora Bonus-Banval, que também estava autorizado a realizá-lo. A corretora informou que realmente tem um funcionário com esse nome, mas que o saque teria sido feito por um homônimo. O advogado da corretora, Antônio Sérgio Pitombo, vê armação. “Quando se associa o homônimo à corretora, o que se quer é agir de má-fé e desviar o foco das investigações da CPI”, diz. Não é a primeira vez que o nome da Bonus-Banval aparece na investigação do escândalo do mensalão. Em Brasília, as investigações identificaram saques no valor de 225.000 reais cujo autor é Benoni Nascimento de Moura, funcionário da Banval. A corretora diz que está realizando uma auditoria interna para descobrir se houve alguma irregularidade cometida pelo funcionário Benoni. Quanto a Roberto Marques, a Bonus-Banval diz que não conhece nem nunca ouviu falar do ajudante de Dirceu. Pouco se sabe ainda sobre as atividades da corretora paulista, exceto que ela empregou até o fim do ano passado como estagiária Michele Janene, filha do deputado José Janene, suspeito de ser um dos chefes do mensalão. Talvez um bônus do tipo banval.
O aparecimento de Roberto Marques deve pautar os debates da CPI dos Correios, que vai ouvir nesta semana a diretora financeira da SMPB, Simone Vasconcelos. Bob é uma espécie de secretário particular de Dirceu. Faz as vezes de motorista, de despachante e de carregador de bagagem. Funcionário da Assembléia Legislativa de São Paulo, ninguém sabe direito o que ele é realmente – só que está sempre na companhia de Dirceu. Em muitas ocasiões, foi visto circulando por gabinetes do Palácio do Planalto. Em março deste ano, Bob, sob o comando de Dirceu, foi um dos mais ativos operadores na campanha para a presidência da Assembléia Legislativa de São Paulo. A parceria entre Bob e Dirceu é tão intensa que o assessor chegou a representar oficialmente o então ministro da Casa Civil em solenidades, como a organizada pela Associação para Prevenção e Tratamento da Aids, realizada em 2003, em São Paulo. “Sou amigo do Zé há vinte anos. Faço companhia a ele nos fins de semana e ajudo no que for possível”, afirma Bob. Dinheiro de Valério? Ele garante que nada tem a ver com isso. É, segundo ele, coincidência ou armação. “Só em São Paulo existem 5.000 pessoas com o mesmo nome”, diz o amigo-secretário de Dirceu. “Nunca estive no Rural, não saquei dinheiro nenhum e se usaram meu nome foi indevidamente”, garante ele. O problema é que a CPI resolveu investigar e descobriu que a autorização foi, sim, dada ao assessor legislativo, embora ele não tenha sido o autor do saque. “Só pode ser então uma armação para complicar a vida do Zé Dirceu”, afirma. Esse Bob é mesmo esponja.
Acima, a autorização para o faz-tudo de Dirceu sacar R$ 50 mil da conta de Valério no Banco Rural. Quanta coincidência!!!
A confirmação de que o Roberto Marques do documento do Rural é o mesmo Bob ajudante de Dirceu foi dada a VEJA na última sexta-feira pelo deputado Carlos Abicalil, do PT de Mato Grosso. Sub-relator da CPI dos Correios, o parlamentar contou que foi procurado pelo próprio Marques na semana retrasada para tentar esclarecer o aparecimento de seu nome nos documentos contábeis do Banco Rural. Segundo o deputado, o assessor repassou o número de sua identidade e de seu CPF, para que ele pudesse conferir com os documentos em poder da CPI. O resultado da pesquisa, nas palavras do próprio deputado, foi o seguinte: “O número do RG conferia. Só não conferia o saque”, diz.
Dirceu sabia que o documento com o nome do ajudante apareceria cedo ou tarde. O próprio Roberto Marques contou ter conversado com o ex-ministro sobre o assunto muito antes de surgirem os rumores de que o papel existia. “Eu disse que não tinha nada a ver com isso.” Desde o início da semana passada, Dirceu procurava insistentemente falar com o presidente da CPI, o senador Delcidio Amaral. Na terça-feira, Delcidio foi à casa do ex-ministro, onde passou meia hora. Os dois tiveram uma conversa dura, segundo relatos ouvidos por membros da CPI. Oficialmente, discutiram sobre o andamento dos trabalhos da comissão. O ex-ministro demonstrou grande preocupação com a velocidade da investigação e, principalmente, com o vazamento de documentos – um estranho incômodo para quem, em tese, nada tem a ver com o assunto. Dirceu também defendeu que seu depoimento era desnecessário. Por fim, fez uma proposta indecorosa ao presidente da CPI. Sugeriu a Delcidio que barganhasse seu depoimento em troca da não-convocação do presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, cujo nome também apareceu como beneficiário do dinheiro de Marcos Valério. Delcidio desconversou. Outros parlamentares afirmam que Dirceu queria sumir ainda com a autorização de saque para Bob, sob a alegação de que era um papel avulso, sem validade jurídica. Sobre o aparecimento do nome de seu secretário particular, ajudante, amigo e, agora se sabe, pau para toda a obra, Dirceu mandou dizer que tudo indica tratar-se de uma “plantação” para prejudicá-lo. A convocação do ex-ministro para a CPI deverá ser aprovada nesta semana.
Por Reinaldo Azevedo

01/10/2012
às 5:47

 

E Fernando Pimentel, hein?, ministro do Desenvolvimento Industrial? Como é que fica? Amigo de Dilma, seu ex-companheiro de grupos terroristas, o homem está na berlinda de novo. Ele já foi flagrado chefiando — e foi ele quem contratou a turma — o grupo encarregado de forjar um falso dossiê contra o tucano José Serra na campanha eleitoral de 2010.
Depois se descobriu que tinha um estranha empresa de consultoria. Aí veio o caso da viagem no jatinho de uma empresa privada quando estava, em tese ao menos, a serviço da Presidência. No novo inquérito que apura outras franjas do mensalão, surge o nome de um ex-braço-direito do ministro. Leiam o que informa a Folha:
 
*
Os congressistas da oposição defenderam ontem o afastamento do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) até que sejam concluídas as investigações de repasses do “valerioduto” para uma pessoa ligada a ele.
 
Ontem, a Folha revelou que o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a abertura de inquérito para investigar repasses de empresas de Marcos Valério -acusado de ser o operador do mensalão- não analisados na ação julgada agora pelo STF.
 
Dessa nova lista constam, além do coordenador financeiro da campanha de Pimentel à Prefeitura de Belo Horizonte em 2004, pessoas que trabalharam em campanhas dos deputados Benedita da Silva (PT-RJ) e Vicentinho (PT-SP), entre outras.
 
“Se ele [Pimentel] já não tinha condições de continuar no ministério por causa das consultorias e da viagem em jatinho de empresário à Itália [outras suspeitas levantadas contra ele], imagine agora”, disse o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR).
 
“Pimentel tem sido protegido [por Dilma]. Não dá para protegê-lo sempre”, afirmou o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE). O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), disse que “o julgamento não vai se encerrar em si próprio”.
(…)
 
01 de outubro de 2012
Por Reinaldo Azevedo

UM BRASIL REAL E O BRASIL MARAVILHA DOS FARSANTES

Fim da miséria ainda longe/Pobreza extrema no Brasil caiu só 5,5% de 2009 a 2011 e atinge 8 milhões de pessoas


 
O número de miseráveis no Brasil caiu 5,5%, de 2009 a 2011, período que cobre o fim do governo Lula e os primeiros meses do mandato da presidente Dilma Rousseff. Em setembro de 2011, havia no país 8 milhões de pessoas na extrema pobreza, conforme estimativa preliminar informada ao GLOBO pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
 
Os dados foram calculados com base na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2011), do IBGE. É a primeira pesquisa que vem a público sobre a redução da miséria durante o governo Dilma, que assumiu o cargo com a promessa de erradicar a pobreza extrema até o fim de 2014.
 

Barraco em favela da Zona Oeste do Rio: especialistas dizem queé preciso ampliar ainda mais os programas de proteção social mantidos pelo governo federal
Foto: Gabriel de Paiva / O Globo/Arquivo
Barraco em favela da Zona Oeste do Rio:
especialistas dizem que é preciso ampliar ainda mais os programas
de proteção social mantidos pelo governo federal
Gabriel de Paiva / O Globo/Arquivo

Como utiliza dados de setembro de 2011, a estimativa ainda não capta efeitos do Brasil sem Miséria e do Brasil Carinhoso, programas lançados pela presidente. Mas especialistas acreditam que Dilma corre o risco de terminar o mandato sem cumprir sua principal promessa de acabar com a pobreza extrema.
 
De acordo com o ministério, o número de miseráveis caiu de 8.520.271, em 2009, para 8.054.775, em 2011, uma diminuição de 465 mil pessoas no universo de extremamente pobres, conforme a Pnad. O governo considera miserável quem tem renda mensal familiar de até R$ 70 por pessoa.
 
Em números absolutos, mantido esse ritmo, seriam necessários oito anos para fazer cair pela metade o total de extremamente pobres no Brasil. Assim, para conseguir uma queda de 50% em três anos, até 2014, o governo precisaria quase que triplicar a velocidade verificada no biênio 2009-2011.
 
A possibilidade existe, mas é remota diz o administrador Ricardo Teixeira, coordenador do curso de Gestão Financeira da Fundação Getulio Vargas.
 
Rafael Osório, coordenador de Estudos de Previdência, Assistência Social, Desigualdade e Pobreza do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), diz que a atual rede de proteção social não basta para acabar com a miséria:
 
Estamos no rumo certo. O que já foi feito é muito bom, mas não suficiente. Precisamos de mais, como discutir a expansão do Brasil Carinhoso para a faixa de 7 a 14 anos diz Osório.
 
Especialistas admitem que é praticamente impossível zerar a pobreza extrema. Situação semelhante ocorre com a mortalidade infantil, pois todos os países registram mortes de bebês. O governo discute a fixação de um percentual residual de miséria, isto é, um patamar tolerável que, uma vez atingido, permitiria ao país dar por erradicada a pobreza extrema.
 
País antecipou meta da onu
 
Dilma lançou o Brasil sem Miséria em junho do ano passado. A iniciativa ampliou o Bolsa Família, carro-chefe da política social, com o acréscimo de 1,3 milhão de beneficiados na faixa de 0 a 14 anos. O pagamento extra, porém, só começou em setembro, e o MDS avalia que pode não ter sido captado pela Pnad.
 
Em maio de 2012, o Brasil Carinhoso turbinou novamente o Bolsa Família, aumentando o valor dos repasses em 2 milhões de lares onde havia crianças de até 6 anos. Conforme o GLOBO revelou em junho, o Brasil Carinhoso elevou o teto do Bolsa Família para R$ 1.332, valor pago mensalmente a uma família de 19 pessoas. Em média, os repasses são de R$ 149,88.
 
Segundo o ministério, o orçamento do Bolsa Família é de R$ 20 bilhões, em 2012, o equivalente a 0,45% do PIB (Produto Interno Bruto, soma dos bens e serviços produzidos no país, num ano). O programa atende a 13,7 milhões de famílias ou cerca de 55 milhões de pessoas.
 
A Pnad é uma pesquisa por amostragem realizada anualmente. Só não ocorre uma vez por década, quando o IBGE faz o censo, com entrevistas em quase todos os domicílios do país. Os resultados do censo tendem a ser mais confiáveis, enquanto o ponto forte da Pnad são as comparações de um ano para outro ou num período mais curto do que uma década.
 
O censo de 2010 indicou a existência de 16,2 milhões de miseráveis ou 8,5% da população, o dobro do indicado pela Pnad. Mas, de acordo com Osório, do Ipea, não é possível comparar dados do censo e da Pnad, já que as metodologias são distintas. A Pnad indica tendências e variações ano a ano.
 
Foi com base na Pnad de 2008 que o governo Lula anunciou que conseguiu antecipar a meta de um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, da ONU, que previa a redução pela metade, até 2015, dos índices de miséria de 1990.
 
E será com base na Pnad que Dilma saberá se cumpriu ou não a promessa de erradicar a miséria até 2014.
 
01 de outubro de 2012
camuflados

DILMA AINDA NÃO TIROU NEM 500 MIL DA MISÉRIA. SÃO 16,2 MILHÕES, SEGUNDO O IBGE


O número de miseráveis no Brasil caiu 5,5%, de 2009 a 2011, período que cobre o fim do governo Lula e os primeiros meses do mandato da presidente Dilma Rousseff.
Em setembro de 2011, havia no país 8 milhões de pessoas na extrema pobreza, conforme estimativa preliminar informada ao GLOBO pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Os dados foram calculados com base na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2011), do IBGE. É a primeira pesquisa que vem a público sobre a redução da miséria durante o governo Dilma, que assumiu o cargo com a promessa de erradicar a pobreza extrema até o fim de 2014.

Como utiliza dados de setembro de 2011, a estimativa ainda não capta efeitos do Brasil sem Miséria e do Brasil Carinhoso, programas lançados pela presidente. Mas especialistas acreditam que Dilma corre o risco de terminar o mandato sem cumprir sua principal promessa de acabar com a pobreza extrema. De acordo com o ministério, o número de miseráveis caiu de 8.520.271, em 2009, para 8.054.775, em 2011, uma diminuição de 465 mil pessoas no universo de extremamente pobres, conforme a Pnad. O governo considera miserável quem tem renda mensal familiar de até R$ 70 por pessoa.

Em números absolutos, mantido esse ritmo, seriam necessários oito anos para fazer cair pela metade o total de extremamente pobres no Brasil. Assim, para conseguir uma queda de 50% em três anos, até 2014, o governo precisaria quase que triplicar a velocidade verificada no biênio 2009-2011. — A possibilidade existe, mas é remota — diz o administrador Ricardo Teixeira, coordenador do curso de Gestão Financeira da Fundação Getulio Vargas.

O orçamento do Bolsa Família é de R$ 20 bilhões, em 2012, o equivalente a 0,45% do PIB (Produto Interno Bruto, soma dos bens e serviços produzidos no país, num ano). O programa atende a 13,7 milhões de famílias ou cerca de 55 milhões de pessoas.

A Pnad é uma pesquisa por amostragem realizada anualmente. Só não ocorre uma vez por década, quando o IBGE faz o censo, com entrevistas em quase todos os domicílios do país. Os resultados do censo tendem a ser mais confiáveis, enquanto o ponto forte da Pnad são as comparações de um ano para outro ou num período mais curto do que uma década.

O censo de 2010 indicou a existência de 16,2 milhões de miseráveis ou 8,5% da população, o dobro do indicado pela Pnad. Mas, de acordo com Osório, do Ipea, não é possível comparar dados do censo e da Pnad, já que as metodologias são distintas. A Pnad indica tendências e variações ano a ano. Foi com base na Pnad de 2008 que o governo Lula anunciou que conseguiu antecipar a meta de um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, da ONU, que previa a redução pela metade, até 2015, dos índices de miséria de 1990. E será com base na Pnad que Dilma saberá se cumpriu ou não a promessa de erradicar a miséria até 2014. (O Globo)
 
01 de outubro de 2012
coroneLeaks