"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 5 de junho de 2013

O MILITANTE IMAGINÁRIO


O Brasil está infestado de “militantes imaginários”. Mas o que é um “militante imaginário” (ouvi essa expressão do José Arthur Gianotti — na mosca. Já escrevi sobre isso e volto)? O militante imaginário (MI) é encontrado em universidades, igrejas, conventos, jornais, bares.
O militante imaginário é um revolucionário que não faz nada pelo bem do povo; ele se julga em ação, só que não se mexe. A revolução imaginária não tem armas, nem sangue, nem dificuldades estratégicas, nem soldados. Trata-se apenas de um desejo ou de ignorantes ou de pequenos burgueses que sonham com uma vitória sem lutas. É uma florescência romântica, poética, que nos espera numa ‘parusia’ (Google, gente boa) ao fim da história.
 
O militante imaginário precisa de algo que ilumine sua vida, uma fé, como os evangélicos — o “bem” de um futuro, o bem de uma sigla, de um slogan. Pensando assim, tudo lhe é permitido e perdoado. “Sou de esquerda” — berra o publicitário, o agiota, o lobista. É tão prático...
 
O grande poeta Ferreira Gullar, ex-exilado, perseguido na ditadura, foi dar uma palestra na USP e ficou perplexo com a obviedade ideológica dos jovens, como se estivéssemos ainda na chegada de Fidel a Havana. Tudo comuna. Ser “de esquerda” dá um charme extra a ignorantes de política. Não há mais esquerda e direita; certo seria falar em “progressistas e reacionários”. Com essa dualidade antiga, o PT é “de direita”. Mas o MI não quer saber disso — continua sonhando com o surgimento mágico de Lula, com seu dedinho cortado.
 
A revolução do imaginário militante é uma herança modernista que ficou, desde a coragem de barbudos de Cuba, dos Panteras negras, dos vietcongues. Nós, no Brasil, amantes do gesto abstrato, inventamos a “revolução cordial”. Preferimos o mundo da teoria. A realidade atrapalha, com suas vielas, esgotos e becos sem saída.
 
Bem ou mal, um militante do PT trabalha, luta por seus ideais delirantes. Mas, o militante imaginário é o revolucionário que não gosta de acordar cedo. É muito chato ir para a porta da fábrica panfletar. Militantes imaginários espalham-se pelo país torcendo por uma “esquerda” como que por um time. Isso garante-lhes um charme de revolta, de serem “contra o Sistema”. Os jovens, por exemplo, preferem o maniqueísmo de uma “esquerda” que desconhecem às complicadas equações para entender o mundo atual. (A propósito, não percam na internet o manifesto a favor da Coreia do Norte no site do PC do B. É caso de hospício.)
 
O militante imaginário é uma variante do “patrulheiro ideológico”. Só que o patrulheiro vigia a liberdade dos outros. O militante imaginário só pensa em si — para ele, todos somos burgueses, malvados, contra o bem. Ele nem nos dá a esmola de uma crítica. Ele sorri de nossos argumentos, olhando-nos, superior, complacente com nossa “alienação”.
 
O militante imaginário (MI) tem uma espécie de saudade. Saudade de um mundo que já foi bom. Só que ninguém sabe dizer quando o mundo foi bom. Quando o mundo foi bom? Durante a guerra de 1914, no stalinismo, nos anos 1940, quando? O MI tem saudade de um tempo quando se achava que o mundo “poderia” ser bom; é a saudade de uma saudade.
 
Muitos pensam que são “marxistas”. Não são. São restos de um mal entendimento da herança de Hegel, que nos brindou com as “contradições negativas”, ou seja, o erro é apenas o inevitável caminho para uma vitória futura do Espirito. Quanto mais erro houver, mais comprovação de sucesso; quanto mais derrota, mais brilha a solidão da esperança.
 
Não me esqueço de um debate do grande intelectual liberal José Guilherme Merquior com dois marxistas sérios e sinceros. Eles faziam “autocrítica” de todos os erros sucessivos do socialismo real: “1956 na Hungria foi um erro, 1968 em Praga foi um erro, terrível a matança de Pol Pot no Camboja, na revolução cultural da China, 64 e 68 foram duas ‘subestimações’ do inimigo. E concluíram: “continuaremos tentando, chegaremos lá.” Merquior atalhou na hora: “Mas por que vocês não desistem?”.
 
É isso. Mesmo com todas as evidências de ilusões perdidas os militantes produzem mais fé — como evangélicos. Não são de partido algum, mas, com sua torcida ridícula, desinformada, ajudam a eleição dos velhos bolcheviques tropicais.
 
O MI não quer a vitória, pois seria o fim do sonho e o início de um inferno administrativo. Já pensou? Ter de trabalhar na revolução? O militante imaginário detesta contas, balanços, safras de grãos, estatísticas, tudo o que interessa à chamada “direita” concreta. Por isso, ela ganha sempre. A esquerda tem “princípios” e “fins”. Mas a direita tem “meios”; a direita é um fim em si mesma. A esquerda é idealista, franco-alemã. A direita é “materialista histórica”.
 
A esquerda sonha com o “futuro”. A direita sonha com o “mercado futuro”. A esquerda é contra a social-democracia — deu em Hitler. A direita é contra a social-democracia — deu em Hitler.
 
A esquerda e direita se unem numa coisa: nunca são culpadas e nunca pagam a conta, como os usineiros. Estamos vivendo um momento histórico gravíssimo. Estão ameaçadas todas as realizações do governo de FHC, que modernizou institucionalmente o pais, enquanto pôde, sob a mais brutal oposição do PT. Seus lideres diziam: “Se o Fernando Henrique for pela ajuda a criancinhas com câncer, temos de ser contra”.
 
As obras do medíocre PAC estão todas atrasadas, as concessões à iniciativa privada são lentas e aleijadas, a inflação está voltando, os gastos públicos subiram 20% e os investimentos caem, o estímulo ao consumo em vez do estimulo à produção vai produzir a catástrofe, e tem muita gente da própria “esquerda” querendo que a Dilma se ferre para a volta do mais nefasto homem do pais: o Lula.
 
Não é possível que homens inteligentes não vejam este óbvio uivante, ululante. Mas qual intelectual ou artista famoso teria coragem, peito, cu, para denunciar isso publicamente? Quem?
É melhor ficarem quietos e não se comprometerem. O mito da esquerda impede que se pense o país, trava a análise crítica.
Deus vai castigá-los.

 05 de junho de 2013
Arnaldo Jabor é Cineasta e Jornalista. Originalmente publicado no jornal O Globo de 4 de Junho de 2013.

TOME-SE LOMBADA

A  lombada, no Brasil,  é um monumento público que demonstra a falência do trinômio Legislativo, Executivo, Judiciário. O primeiro poder não vota leis duras para quem atropela ou causa acidentes graves, em ruas ou estradas; o segundo, não fiscaliza; o terceiro, não pune com presteza e rigor. Se cumprissem com seus deveres, não existiriam as lombadas.

O sistema econômico socialismo/comunismo é tão perverso que só subsiste com um sistema político totalitário. Essa dobradinha dos horrores exterminou cerca de 95 milhões de pessoas, especialmente na China, União Soviética, Coreia do Norte, Cambodja, Vietnam e Afeganistão, e em outros países, como Cuba, basicamente por querer construir um “novo homem” pela força, segundo Marx e Engel, a biologia dominada pela ideologia. E não foi em guerra contra um inimigo externo, mas contra seu próprio povo, um holocausto racial interno, por execuções, fome, deportações, prisões, trabalhos forçados e dissidências políticas.

Deixou, como as lombadas, seus monumentos, públicos e históricos, que reafirmam o absoluto desprezo pelos direitos humanos: o Muro de Berlim, os paredóns de Mao, Lenin, Stalin, Pol Pot e Fidel, os maiores carniceiros da História; a Primavera de Praga; os balseros, cubanos preferindo arrostar o mar e tubarões, em barcos frágeis, a ficar em Cuba, com fome, miséria, falta de liberdade... e de sabonete e papel higiênico....!.

Os esquerdistas sabem dos monumentos e dos acontecimentos históricos. Por conveniência, por serem mistificadores, hoje se arvoram em defensores dos direitos humanos, sublimando a História, esse imenso sistema de alarme! E, apesar de seu estridente som, ainda têm o desplante de professar essa ideologia utópica, caduca, assassina e fracassada, que só sobrevive à força,  em raríssimos, famintos e infelizes países.

São tão despudorados que, na época da Guerra Fria, da Alemanha dividida, chamavam a Alemanha comunista de República Democrática da Alemanha, e, agora, a Coreia comunista de República Democrática Popular da Coreia! Democráticas????
Na sua dialética de conveniência, apesar desse conservadorismo ideológico, ainda têm o desplante de se considerarem progressistas!

Devem adorar as lombadas: são arcaicas, foram implementadas discricionariamente pelo Estado, demonstram a negligência dos poderes democráticos e servem para propagandear a necessidade de proteger os direitos humanos.
No fundo, são os viúvos de Marx, as carpideiras de Engel, os filósofos do atraso, muitos da elite e classe média, que dizem renegar, enquanto saboreiam a liberdade e o consumismo burguês, que só a democracia e o capitalismo, ou seja, a direita, podem oferecer.

Não são, pois, uma metamorfose, mas uma contradição ambulante, uma completa alienação. São esquerdopatas, doentes. Mas perigosos, pois querem nos levar de volta às trevas. Deviam ser internados, de preferência em manicômios!
Não merecem consideração. Nem comiseração. Muito menos, perdão!

“O que marca a falência do comunismo não é a queda do Muro de Berlim, em 1989, mas a sua construção, em 1961”. (Jean –François Revel)

 
05 de junho de 2013
Luiz Sérgio Silveira Costa é almirante reformado

A FARSA DA PACIFICAÇÃO


Após os últimos “eventos” nas “comunidades pacificadas” do Rio de Janeiro, agora sob a custódia exclusiva do Governo do Estado, e com a aproximação da Jornada Mundial da Juventude Católica, das Copas e das Olimpíadas, cumpre lembrar, mais uma vez, que, sendo a guerra fruto de decisões e de ações essencialmente políticas, nenhuma será vencida sem a definição precisa dos seus objetivos e dos meios disponíveis para fazê-la. Muito menos sem a coragem e a determinação para¸ dentro dos limites da necessidade, empregar a força, em todas as suas gradações.

O que tem ocorrido no Rio de Janeiro, com relação à Segurança Pública, a partir da adoção de uma ação “pacificadora” é a constatação ou a admissão da existência de um estado de guerra sem que sejam estabelecidos com clareza e precisão os objetivos a serem conquistados e os meios a serem empregados para fazê-lo, aí incluídos os equipamentos e as estratégias para vencer e estabelecer a paz em bases definitivas e claramente dominadas pelo vencedor.


O que se tem visto é a negociação de um “clima de paz” em bases frágeis de garantias dissuasórias, isto é, nas condições estabelecidas, de forma indireta, pelos “derrotados”, por intermédio de seus aliados no poder político do Estado!

Para negociar a paz, ou “pacificar” em bases sólidas, definitivas, é preciso, antes de mais nada, subjugar, derrotar e, se necessário, destruir o inimigo!

Enquanto esta guerra não for tratada como guerra, não haverá a paz que queremos, continuaremos a negociar sob as condições do inimigo e acabaremos por ser, mais uma vez, derrotados!


Enquanto imperar o desinteresse ou o medo de assumir a responsabilidade “politicamente incorreta” pelos efeitos colaterais da guerra, não haverá paz.

Enquanto os formadores de opinião, os professores, os dirigentes políticos, as ONGs “da paz” e outros tantos oportunistas comprometidos com o crime continuarem a condenar quem “atirou um pau no gato” ou quem não apartou a briga do “cravo com a rosa”, não haverá a paz!

O que impera no Rio de Janeiro, sem sombra de dúvidas, é a desmoralização da lei e da ordem pela covardia de uns e pela conivência de outros!

 
05 de junho de 2013
Paulo Chagas é General de Divisão na Reserva.

COMO É A IMAGEM DO BRASIL NO MUNDO

   
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Brasileiros se veem com bons olhos (Fonte: Reprodução/AFP)
 

Pesquisa revelou que a imagem positiva do país no mundo aumentou, mas a negativa também

     
Uma pesquisa do Serviço Mundial da BBC divulgada nesta quarta-feira, 22, revelou que a imagem positiva do Brasil subiu levemente entre 2012 e 2013, mas também cresceu a percepção negativa sobre o país no mundo.

De acordo com a pesquisa, denominada "Country Ratings Pool", aumentou de 45% para 46% a média dos entrevistados que têm percepções positivas da influência do Brasil no mundo.

Já a percepção negativa sobre o país aumentou de 18% para 21% entre 2012 e 2013. O levantamento foi feito ao todo com 26,3 mil pessoas em 25 países.

Os países mais bem vistos pelos entrevistados são Alemanha (59%), Canadá (55%) e Grã-Bretanha (55%). O Irã é apontado por 59% dos entrevistados como uma influência negativa. Apenas 15% disseram que o país tem uma influência positiva no mundo.

Brasileiros se veem com bons olhos 
A empresa responsável pela pesquisa, a GlobeScan, concluiu que a percepção do público piorou em relação à maioria dos países, o que poderia ser explicado pelo cenário econômico desfavorável.

A pesquisa revelou ainda que 77% dos brasileiros entrevistados acham que o país tem uma influência positiva no mundo, contra apenas 7% que a veem como negativa.

05 de junho de 2013
Fontes: BBC Brasil - Cresce percepção negativa sobre o Brasil no mundo, diz pesquisa  

VARIAÇÕES SOBRE TEMAS DIVERSOS E DE INTERESSE

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PECs têm propostas frágeis juridicamente (Fonte: Reprodução/Thinkstock)

 

Câmara conta 32 PECs sobre Maioridade Penal

A conta é do advogado e assessor legislativo Paulo Fernando Melo, que vê inconstitucionalidade em todas elas

 
     
Há pelo menos 32 Propostas de Emenda à Constituição que tratam da redução da maioridade penal no Brasil, em tramitação na Câmara dos Deputados, mas com propostas frágeis juridicamente. A conta é do advogado e assessor legislativo Paulo Fernando Melo, que vê inconstitucionalidade em todas elas. ‘Tenho dúvidas porque ferem uma cláusula pétrea, retiram o direito individual’. Das propostas, três reduzem a maioridade para 14 anos, uma para 17; e as restantes para 16.
 
Opção popular

O ideal para o debate avançar, segundo juristas, é a realização de um plebiscito nacional. Há proposta do deputado Luiz Pitiman (PMDB-DF).

Abafa…

Veja o que houve ontem à noite: o deputado Guilherme Mussi (PSD-SP) parou Pitiman e pediu assinatura para proposta similar. ‘Mas eu já apresentei uma!’, retrucou.

… e desabafa

Desconcertado, Mussi mandou: ‘E qual o seu nome?’. Pitiman se apresentou, contrariado, e saiu: ‘O cara não sabe nem o meu nome, não ia saber do projeto’…

Novo sindicato

Mobiliza-se no Congresso um grupo para a criação do SindiComLegis – Sindicato dos Comissionados do Poder Legislativo, agremiação inédita. A briga promete: tirar do SindLegis a massa dos comissionados das duas Casas, e suas respectivas contribuições. A se concretizar, o SindiComLegis será filiado à UGT.

Na marca

O ex-governador do DF José Roberto Arruda estaria a caminho do PTB, a convite do senador Gim Argello (PTB-DF), que nega negociação. ‘Mas se ele me procurar será bem vindo’, diz o parlamentar. Há quem diga que as conversas avançam, sim.

Na marca 2

A suposta negociação entre Arruda e Gim surge justo no momento em que o ex-governador tem seus bens bloqueados pela Justiça Federal por causa de irregularidades em programa social na sua gestão.

Na trave

Arruda está na marca do pênalti para a Ficha Limpa: foi condenado em 1ª instância por improbidade. Falta pouco para o processo subir para turma colegiada.

Bisturi assassino

A CPI do Erro Médico no Senado, prestes a ser instalada, vai mirar também clínicas particulares e cirurgiões plásticos na série de mortes durante lipoaspirações no País.

Da tribuna de honra

Na véspera de a presidente Dilma e toda a imprensa nacional conhecer a arena Pernambuco, o governador Eduardo Campos (PSB) se blindou: anunciou no domingo o fim do racionamento de água no grande Recife.

Reza forte

Quem revela é a médium: Campos acionou a Fundação Cacique Cobra Coral, de Adelaide Scritori, que faz trabalhos de controle do tempo, para mandar chuva forte. Ela incorpora o cacique e faz trabalhos espirituais a pedidos de políticos há décadas.

Hour concours

O senador Eduardo Suplicy pode se tornar hour concours para batedores de carteiras em eventos de São Paulo. Antes de ser furtado na Virada Cultural, vale lembrar que já teve a carteira levada dentro de uma igreja durante missa.

Bolo mineiro

Ecoa na Esplanada o bolo que o ministro do Desenvolvimento Econômico, Fernando Pimentel, deu em convidados de evento da Confederação Nacional da Indústria, na terça. O petista mandou a secretária avisar que havia outra agenda.

Prole

Outro filho do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), um policial federal, vai se candidatar por São Paulo à Câmara em Brasília pelo PSC de Marco Feliciano.

Troco

O PSD entrará com uma representação contra o deputado Anthony Garotinho no Conselho de Ética da Câmara pela alcunha da ‘MP dos Porcos’.

Ponto Final

Pelo visto, o FBI aprendeu com terroristas: matou o suspeito de Boston durante um simples depoimento.

05 de junho de 2013
 Leandro Mazzini
Com Maurício Nogueira e Adelina Vasconcelos

GESTÃO ENXUTA

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O hospital St Goran é um templo da bem-sucedida “gestão enxuta" sueca (Reprodução/Internet)

Suécia permite que empresas privadas administrem hospitais públicos

A Suécia está inovando ao permitir que empresas privadas administrem instituições públicas

     
O hospital de Saint Goran é uma das glórias do estado de bem-estar social sueco. A instituição também é um laboratório para a aplicação de princípios de gestão no setor público.
O hospital é administrado por uma empresa privada, Capio, que por sua vez é administrada por um consórcio de fundos de private equity que incluem o Nordic Capital e o Apax Partners. Os médicos e enfermeiras são funcionários da Capio e reportam-se a um chefe e a um conselho.
Os médicos falam com entusiasmo a respeito do “modelo de produção da Toyota” e em “orientar as inovações” para cortar custos.

 
Bem-vindo à saúde pública na Suécia pós-ideológica. Do ponto de vista dos pacientes, St Goran não é diferente de qualquer outro hospital público. O tratamento é gratuito após o pagamento de uma taxa nominal que é universal na Suécia.
Nos bastidores, no entanto, o hospital liderou uma revolução nas relações entre o governo e as empresas.

No meio da década de 90, o fechamento de St Goran havia sido determinado. Mas em 1999 o Conselho Municipal de Estocolmo fechou um acordo para que a Capio assumisse o controle das operações do dia a dia do hospital.
Em 2006 a Capio foi comprada por um grupo de empresas de private equity lideradas pelo Nordic Capital. O conselho Municipal de Estocolmo recentemente estendeu o contrato da Capio até 2011.

O St Goran agora é um templo da "gestão enxuta" – uma ideia adotada pela Toyota nos anos 50 que desde então se espalhou para todos os setores em todo o mundo.

A Suécia foi mais longe que qualquer outro país europeu em adotar a separação comprador-fornecedor – isto é, usar dinheiro público para comprar serviços públicos do fornecedor, público ou privado, que ofereça a melhor combinação de preço e quantidade.

Empresas privadas fornecem 20% da assistência médica hospital na Suécia e 30% dos cuidados primários públicos. Tanto o setor público como o privado estão obcecados pela gestão enxuta; deram-se conta de que um país de custos altos como a Suécia têm que usar os seus recursos da melhor forma possível.

*Texto traduzido e adaptado da Economist por Eduardo Sá.
05 de junho de 2013

BIBLIOTECA BRITÂNICA ABRE EXPOSIÇÃO SOBRE PROPAGANDA POLÍTICA

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Propaganda política iraquiana em forma de baralho, com Saddam estampando o às de espadas (Reprodução/Economist)

Mostra traça a história da propaganda política desde as moedas gregas até os dias atuais
     
É fácil perceber a presença de propaganda oficial. De folhetos despejados além das linhas inimigas a outros apelos mais óbvios à bandeira e à nação, as tentativas do governo de influenciar a opinião pública frequentemente parecem risivelmente óbvias – pelo menos em retrospecto. No entanto, muito do fomento do orgulho nacional costuma ser mais sutil – e mais eficiente, e talvez mais preocupante – do que gostamos de admitir. Esse é o argumento de “Propaganda: Power and Persuasion”, uma nova e provocativa exposição da Biblioteca Britânica em Londres.

A palavra "propaganda" foi registrada em sua forma escrita pela primeira vez em 1622. O tratado da Igreja católica exortando a "propagação" da fé é exibido na seção de abertura da exposição. Mas a prática é anterior aos papas e Lutero, tendo sido iniciada por moedas gregas cunhadas com o perfil dos governantes. Foi só a partir do início do século XX, no entanto, que se iniciou o que é compreendido hoje como propaganda. Os objetos históricos raros, por si, já tornam essa exposição obrigatória. Estes incluem o "Pequeno Livro Vermelho"
do camarada Mao, os rádios baratos de Joseph Goebbels vendidos para que os pronunciamentos nazistas fossem transmitidos, pôsteres de Hitler como um salvador nacional e "Mao vai a Anyan", a imagem mais reproduzida da história (impressa 900 milhões de vezes). O estabelecimento da lealdade nacional é especialmente vital em tempos de guerra, quando é necessário que os inimigos sejam demonizados e os cidadãos leais sejam tranquilizados, alarmados e instados a se sacrificar. Tais finalidades são claras na propaganda oficial criada
para a guerra do Iraque de 2003.


Um dos destaques da mostra é um conjunto de pôsteres de Normal Rockwell em perfeito estado chamado "As Quatro Liberdades" cedido por um galerista de Londres. Criados para persuadir os americanos a comprarem títulos de guerra durante a Segunda Guerra Mundial, esses pôsteres de 1943 angariaram US$ 130 milhões ao retratar os valores nacionais da família, da oração e da nobreza do homem trabalhador. Um tom semelhante é verificado em um cachecol de 1942 com um mapa que aponta as localizações dos ataques de bomba, no qual também se lê o slogan "London Can Take It" (Londres consegue aguentar) extraído do famoso discurso "Lutaremos contra eles nas praias" de Winston Churcill.

Métodos de disseminação do medo e intimidação, como aqueles de construção de confiança, não mudam muito ao longo do tempo, afirma Cooke. Em exposição está o famigerado baralho distribuído pelos militares americanos no Iraque em que fotos dos iraquianos mais procurados estampam as cartas, sendo que o ás de espadas coube a Saddam Hussein. A exposição também inclui um exemplo notório de propaganda oficial falsa: uma primeira página do Daily Express
londrino com a manchete “Saddam pode atacar em 45 minutos”. Baseado em
declarações enganosas do governo, a tática de apavoramento ajudou a levar a Grã-Bretanha à guerra em 2003.


*Texto traduzido e adaptado da Economist por Eduardo Sá.

05 de junho de 2013

RUY MESQUITA, O ÚLTIMO DOS MOICANOS?

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Morre com Ruy Mesquita um estilo único de jornalismo (Reprodução/Internet)

O 'proletário do jornalismo'

Ruy acreditava no papel do jornal como mobilizador da opinião pública, e não como um mero veículo de informação – ou pior, de entretenimento

 
     
História 1. Às vésperas da comemoração do sexto ano do Estado Novo, os estudantes da Faculdade de Direito de São Paulo, em luta aberta contra a ditadura, decidiram ir às ruas. A única forma possível de divulgação seria a distribuição de folhetos diretamente à população da cidade.
Mas como imprimi-los ante um regime que tudo via e sabia? Pois a operação clandestina só foi possível porque um certo Ruy Mesquita, estudante secundarista, em companhia de outros amigos, furtou um mimeógrafo da veneranda Sociedade Harmonia de Tênis. De boca vendada, a mocidade acadêmica fez da chamada “Passeata do Silêncio” um marco da resistência anti-Vargas.

História 2. Paris acabava de ser libertada do jugo nazista, em agosto de 1944. No Largo de São Francisco, os estudantes da Academia resolveram celebrar a data desfilando com as bandeiras das nações aliadas. Nenhuma bandeira da União Soviética, entretanto, foi encontrada.
Alfredo Mesquita e seu sobrinho Ruy compraram um corte de tecido vermelho e alguns retalhos pretos, levados a um alfaiate para produzir uma foice e um martelo, pregados à bandeira. Ruy ficou encarregado de portá-la. Naquela mesma noite, em meio a uma celebração, o jovem seria preso pela primeira e única vez pela Polícia Especial do Estado Novo.

História 3. Era 1972. Em meio à repressão do regime militar, o "Jornal da Tarde" fora proibido de publicar uma entrevista de Roberto Campos. Indignado, Ruy Mesquita (que apoiou o Golpe de 1964 e, como seu pai, insurgiu-se contra o regime a partir do AI-2), enviou um irado telegrama ao então ministro da Justiça do governo Médici, Alfredo Buzaid. Lá Mesquita expressava o "sentimento de profunda humilhação e vergonha". "Senti vergonha, Senhor Ministro, pelo Brasil, degradado à condição de uma republiqueta de banana ou de uma Uganda qualquer, por um governo que acaba de perder a compostura". "Cheio de vergonha por meu País degradado a essa condição", subscrevia-se "humilhado". A censura prévia, ocasional, passou, então, a vigorar sistematicamente nos jornais do "Grupo Estado", até 1975.

Era esse o espírito de Ruy Mesquita, o homem que parte depois de 88 venturosos anos. O último dos filhos vivos de Júlio de Mesquita Filho (1892-1969); o menino que não se deixou vergar pela paralisia infantil; o jovem que flertou com a ideia de uma esquerda democrática pós-Estado Novo; o jornalista que inventou o “Jornal da Tarde” e que viveu intensamente o que entendia ser a sua grande missão, honrar as tradições familiares e conduzir “O Estado de S. Paulo”, a instituição paulista herdada dos antepassados.

Desde cedo respirou Política. Testemunhou as 14 prisões e os dois exílios a que seu pai, Júlio de Mesquita Filho, foi submetido por Getúlio Vargas. Acompanhou, jovem, a intervenção no jornal da família entre 1940 e 1945. Com o retorno do “Estado” aos legítimos proprietários, jamais abandonaria a redação.

A partir de 1948, sob a orientação de Giannino Carta, a quem considerava seu grande mestre, estreou na editoria de Internacional do jornal. Tornou-a referência da imprensa brasileira.
Daquela tribuna denunciou os crimes da ditadura de Fulgêncio Batista e defendeu a Revolução Cubana.
Enviado especial a Havana, no primeiro aniversário da vitória do movimento de Sierra Maestra, Ruy Mesquita foi um dos jornalistas brasileiros (o outro era Armando Gimenez) homenageados por Fidel Castro, em plena Praça da Revolução.

Da vanguardista editoria de Internacional, por ele ocupada por quase vinte anos, Ruy sairia, por incumbência do pai, para retomar antigo projeto da Casa: uma publicação vespertina, nas trilhas do “Estadinho”, a irrequieta edição da tarde que circulou entre 1915 e 1921. Assim nascia, em 1966, o “Jornal da Tarde”, diário que revolucionou a cobertura jornalística sob a inspiração do “New Journalism” e fez do arrojo gráfico marca inconfundível. Irreverente, o JT formou uma geração de grandes nomes do jornalismo brasileiro.

Ruy foi o coração do “Jornal da Tarde”, mas nunca se afastou do “Estado”. Em 1996, perto de completar 50 anos de carreira, imaginava poder aproveitar merecida aposentadoria. A morte do irmão Júlio de Mesquita Neto levou-o, entretanto, a assumir a direção do “Estado”. A exemplo do avô e do pai, manteve a preocupação diária de conferir voz ao “Estado”, por meio das “Notas e Informações”.

Anos atrás, em entrevista concedida ao autor, Mesquita definiu-se como um “proletário do jornalismo”, um repórter que, em décadas de atuação na imprensa diária, não via o jornal como um negócio ou um produto de marketing. Nesse sentido, causava-lhe repulsa o processo que denominou de “murdoquização” da imprensa, ou seja, a subordinação da redação a interesses comerciais, tal como ocorre no conglomerado de mídia de Rupert Murdoch, o magnata da mídia de língua inglesa.
Morre com Ruy Mesquita um estilo único de jornalismo. O “último dos moicanos”, como gostava de definir-se, acreditava, como o pai, no papel do jornal como mobilizador da opinião pública, e não como um mero veículo de informação – ou pior, de entretenimento.

O “Estado” assumiu o papel protagônico, como instrumento de combate às tiranias, em geral, e ao caudilhismo, em particular, elementos que marcaram a acidentada vida política do Brasil republicano. Neste espírito, Júlio de Mesquita Filho fundou a USP, que teria o papel de garantir, pela força transformadora da educação, a grandeza do Brasil como país democrático.

Visceralmente liberal e profundo admirador de Tocqueville, autor que conheceu na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, Ruy assistiu ao triunfo do Estado de Direito no Brasil. Saiu-se derrotado, entretanto, diante da melancólica transfiguração de trincheiras em meras plataformas comerciais de lançamento de “produtos” (e não de difusão de ideias) com vistas a cooptar “consumidores” (e não a formar cidadãos). O mundo de integridade e de intransigência em que Ruy Mesquita se moldou como homem, cidadão e jornalista, afinal de contas, desapareceu. Ele fará falta.

05 de junho de 2013
Roberto Salone
Fontes: Instituto Millenium-Ruy Mesquita, o último dos moicanos?

SUS. UM ABAIXO-ASSINADO PELA SAÚDE

Change.org
Enquanto a saúde pública sofre com falta de verbas, o governo quer premiar seguradoras. Assine em defesa do SUS!

MARIO -

Recentemente vieram à tona planos do governo federal de destinar recursos públicos para operadoras de saúde, gerando uma reação imediata de entidades de saúde e direito do consumidor.

O motivo da indignação? Planos de saúde são notórios pelos imensos problemas causados aos consumidores e, por isso, quem deveria receber investimentos públicos não é uma saúde privada ineficaz, mas sim a saúde pública que é direito de todos e dever do Estado.

Por isso, várias entidades ligadas à saúde e ao direito do consumidor se uniram em um Ato pelo SUS e criaram um abaixo-assinado, dizendo não aos subsídios para operadoras de saúde. Agora, nós vamos levar o nosso abaixo-assinado direto para Presidente Dilma e Ministro da Saúde Alexandre Padilha.

Clique aqui para assinar a nossa campanha pedindo investimentos no SUS e não na saúde privada.

Eu trabalho no Idec, Instituto Brasileiro do Consumidor, onde os planos de saúde foram ocuparam o primeiro lugar do nosso ranking de reclamações durante mais de 11 anos consecutivos! Portanto, somos testemunhas das inúmeras reclamações contra o atendimento ineficaz das operadoras de saúde.

A situação e tão grave que  muitas das pessoas com planos são frequentemente obrigadas a recorrerem à hospitais públicos, que não são devidamente ressarcidos pelos planos após tratarem de seus consumidores.

Por isso nós estamos pedindo que o dinheiro destes incentivos sejam direcionado ao SUS, que já sofre imensamente com a falta de verbas.

Nos ajude a defender o SUS, participe da nossa campanha!


Nós queremos entregar o abaixo-assinado diretamente para a Presidente Dilma. Para apoiar basta assinar!
Obrigada!

05 de junho de 2013
Joana Cruz
Advogada, Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor

ESTUPROS EM LOCAIS PÚBLICOS EXPÕEM DIVISÕES DE CLASSE

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Homens acusados de estuprar uma turista americana haviam cometido o mesmo crime com brasileiras sem punição (Reprodução/Internet)

Autoridades parecem mais preocupadas em defender a imagem internacional e as classes privilegiadas da cidade do que em proteger mulheres em geral
       A recente onda de estupros no Rio de Janeiro – alguns capturados em vídeo – lançam luz sobre as contradições não resolvidas de uma nação que caminha para se tornar uma potência mundial. O Brasil tem uma mulher na presidência, uma mulher no comando da polícia e uma mulher como chefe da Petrobras, e, no entanto, precisou que uma americana fosse estuprada em uma van para que as autoridades investigassem a fundo e prendessem os suspeitos no caso.

De certa forma, a experiência do Brasil reflete recentes acontecimentos na Índia e no Egito, onde ataques horríveis provocaram a indignação coletiva, revelando fissuras profundas em cada uma dessas sociedades. No Brasil, os casos de estupro em locais públicos desencadearam um debate sobre se as autoridades estão mais preocupadas em defender a imagem internacional do Rio de Janeiro e seus habitantes mais privilegiados do que em proteger as mulheres em geral.

É talvez paradoxal que o problema tenha surgido com tanta força no Brasil, um país que tem se esforçado para proteger e promover os direitos das mulheres. Há carros especiais para elas nos trens e metrôs, para evitar que sejam agarradas em vagões superlotados. Há delegacias especiais operadas somente por mulheres. E há uma visão geral de que as mulheres são iguais, plenamente capazes de liderar, mesmo nos cargos mais poderosos.

"Estamos vivendo uma situação esquizofrênica, em que avanços importantes foram conquistados, e mulheres alcançam posições de influência em nossa sociedade", disse Rogéria Peixinho, diretora da Rede de Mulheres Brasileiras, um grupo de direitos humanos. "Ao mesmo tempo, a situação de muitas mulheres pobres permanece atroz."

De fato, o debate público sobre a série de agressões sexuais no Rio de Janeiro era praticamente inexistente antes de uma estudante americana ser atacada violentamente no final de março, depois de embarcar em um van em Copacabana. A razão, alguns especialistas argumentam, é que as vítimas anteriores eram, em grande parte, pobres, o que reflete uma das lutas duradouras do Brasil: as divisões de classe extremas da sociedade.

05 de junho de 2013

GUERREIRAS DE TOPLESS


Sugestão do Leitor

Caro leitor, neste espaço, você pode participar da produção de conteúdo em conjunto com a equipe do Opinião e Notícia. Sugira temas para pautas preenchendo os campos abaixo. Participe!


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Ativistas do Femen em mais uma ação contra a sociedade patriarcal (Reprodução/AFP)

Femen e a nudez como arma política

Protestos do grupo Femen representam um distanciamento das causas feministas tradicionais de emancipação social e econômica. Agora o campo de batalha das jovens feministas é o próprio corpo

     
As ativistas do Femen, famosas por fazer topless em defesa de causas feministas, protagonizaram cerca de cem manifestações desde que o grupo foi fundado na Ucrânia, em 2008, para combater o turismo sexual. Para aumentar o impacto de suas ações, elas se vestem como virgens ou freiras, e às vezes usam barbas ou bigodes falsos. Outros adereços incluem carne crua e extintores de incêndio. Em 22 de maio uma manifestante encenou um suicídio simulado na catedral de Notre Dame, em Paris, um dia depois de um historiador da extrema-direita ter se matado lá. Seu torso nu exibia a mensagem: "Que o fascismo descanse no inferno."

No ano passado as "sextremistas" invadiram a semana de moda de Milão em protesto contra modelos esqueléticas que, segundo o grupo, tacitamente promovem a anorexia. Este mês, uma ativista baseada em Berlim ateou fogo a uma Barbie crucificada em frente a uma réplica em tamanho real da casa da boneca.

O novo campo de batalha
Tais manobras representam um distanciamento das causas feministas tradicionais de emancipação social e econômica: ainda longe da plena igualdade, mas com um histórico de muito progresso nos últimos 40 anos. Agora o campo de batalha é o corpo. Alice Schwarzer, editora da revista feminista alemã EMMA está "emocionada" com as ações do Femen. Elas estão lutando contra os mesmos males que as feministas tradicionais, ela diz: pornografia e prostituição. A nudez feminina é usada para vender "tudo, desde hambúrgueres a sites de apostas", completa Laura Bates, do Everyday Sexism Project, um fórum feminista online.

O objetivo, então, é mostrar que a nudez de uma mulher não é uma mercadoria para o consumo masculino, mas uma ferramenta política em potencial.

“A maioria dos recursos legais já foram esgotados”, diz Geneviève Fraisse, uma historiadora francesa especializada no feminismo. “Por isso, as ativistas estão usando o espaço público em seu lugar”. Joan Smith, uma feminista britânica e autora do novo livro, “A Mulher Pública”, diz que a igualdade formal não fez as mulheres se sentirem totalmente seguras ou livres: “Há uma sensação de que ainda estamos sendo injustiçadas”, diz.

O topless é a mensagem

Muitos aplaudem a ousadia do Femen. Mas outros enxergam um paradoxo desconfortável. Seus protestos, uma paródia do voyeurismo masculino, podem ser contraprodutivos, diz Schwarzer: E também podem ser consumidos pelo universo masculino.
Apesar das provocações, insultos e ameaças, as integrantes do Femen dizem que cada insulto ajuda a expor uma sociedade patriarcal que nega às mulheres o controle sobre seus próprios corpos. E até os “tarados” não conseguem escapar sem ver a mensagem pintada nos seios das mulheres.

Um perigo maior pode ser a crescente falta de interesse nos protestos do Femen. Os meios de comunicação já estão inundados pela nudez feminina. Um recente protesto contra Vladimir Putin, presidente da Rússia, em uma feira em Hanover, na Alemanha no mês passado, causou um certo constrangimento, mas a maioria das pessoas “simplesmente deram de ombros”, disse Dieter Rucht, um sociólogo alemão.

Hind Makki, uma blogueira feminista muçulmana, condena o exibicionismo do grupo.  ”É regressivo tornar-se um brinquedo sexual”, diz ela.

As críticas não preocupam Inna Shevchenko, de 22 anos, líder da filial de Paris do Femen. Ela saúda as feministas do mundo acadêmico e as chama de “generais”, mas diz que são os soldados do Femen que “vão às ruas e lutam.” O grupo não pretende suavizar a sua mensagem, nem parar de fazer topless, diz ela: “Temos um inimigo em comum com todas as mulheres do mundo: o patriarcado”.

Essa retórica pode ser radical demais para a maioria das feministas mais pragmáticas. Mas o espírito do Femen, sem dúvida, é contagiante.

05 de junho de 2013

"VIAGRA FEMININO"

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Medicamento chamado Lybrido deve ser submetido para aprovação do órgão regulador americano até agosto deste ano (Reprodução/Internet)
A pílula do desejo

Medicamento ainda em fase de testes promete resgatar a libido das mulheres

 
Meio século atrás, a pílula anticoncepcional oferecia às mulheres a capacidade de separar o sexo da reprodução. Agora, um novo medicamento para resgatar a libido feminina, que deverá ser submetido até agosto para aprovação do Food and Drug Administration (órgão que regula medicamentos nos EUA), promete abrir caminho para que as mulheres deem um próximo passo, resgatando o desejo sexual.
"Viagra feminino" é a forma como esses medicamentos costumam ser caracterizados, mas isso é um equívoco. O Viagra modifica as artérias, provocando mudanças físicas que facilitam a ereção nos homens. A droga feminina do desejo é outra coisa. Ela precisa ajustar regiões primitivas do cérebro e influenciar a psique.
A busca pela droga feminina do desejo tornou-se uma obsessão da indústria farmacêutica há mais de uma década, em grande parte porque o lançamento do Viagra, em 1998, mostrou as somas gigantescas de dinheiro que podem ser adquiridas com uma solução química rápida para a disfunção sexual. Mas, enquanto o Viagra e seus concorrentes lidam com a simples hidráulica da impotência, a complexidade psicológica da falta de libido das mulheres, até agora, tem derrotado os gigantes da indústria.
Mas o Viagra também influencia o estado mental dos pacientes. A mecânica do corpo e os mistérios da mente estão interligados. Dê a um homem uma ereção e seus nervos sensíveis e sentimentos de maior poder e controle irão alimentar sua libido. As mulheres, uma pesquisa mostrou, são menos conscientes de excitação genital e, provavelmente por este motivo, substâncias como o Viagra não são suficientes para levantar o desejo das mulheres. Metade do arsenal químico do medicamento Lybrido emprega uma química semelhante ao Viagra, na esperança de que isso possa ser eficaz em combinação com uma substância que se destina mais diretamente a influenciar o cérebro.
     
O Lybrido funciona de forma um pouco diferente das drogas que a precederam. Por um lado, a pílula contém duas substâncias ativas com efeitos que se convergem. Cada droga mexe com a interação entre a serotonina e a dopamina, dando mais ênfase à dopamina, responsável pela sensação de prazer.

A droga tem um revestimento de testosterona com sabor de hortelã que derrete na boca. Quando o exterior é dissolvido, a paciente engole uma pílula com químicos que são liberados paulatinamente na corrente sanguínea.  No Lybrido, esta pílula interior é um primo próximo do Viagra.

A ideia é que a molécula semelhante ao Viagra leva mais sangue para os órgãos genitais, e isso vai trabalhar em conjunto com a testosterona. Juntos, eles irão “agitar a mente” feminina para que esteja mais consciente de impulsos eróticos, aumentando a liberação da dopamina no cérebro. O Lybrido utiliza um composto chamado buspirona em vez do Viagra.

A buspirona foi originalmente usada como um medicamento anti-ansiedade e se tomado todos os dias pode elevar a serotonina — visto como o hormônio responsável pelo auto-controle, entre outras funções — no cérebro. Mas  se ela for ingerida no máximo a cada dois dias, ela tem um efeito único e de curto prazo: a serotonina é suprimida apenas durante algumas horas.

Resultados de estudos recentes mostram que o Lybrido concede benefícios inequívocos ao desejo  – e nas taxas de orgasmo. Se tudo correr bem e o FDA aprovar a droga para uma segunda e mais extensa bateria de testes, o medicamento pode chegar ao mercado  em 2016.

OBESIDADE

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Hannah e sua mãe preparam vegetais (Fonte: Reprodução/Divulgação)

Menina de nove anos constrange McDonald’s

Hannah Robertson perguntou ao presidente da rede se ele 'não quer que as crianças sejam saudáveis'

     
Uma menina canadense de nove anos de idade constrangeu o presidente da rede McDonald’s ao questioná-lo sobre obesidade durante o encontro anual de investidores da empresa nos EUA.
  Hannah Robertson perguntou a Dan Thompson por que ele “insistia em enganar as crianças com brinquedos e personagens de desenhos animados para que elas comam a sua comida todo o tempo”.
A menina, que leu um texto escrito por sua mãe, disse que “não acha justo que as grandes companhias induzam as crianças”, e ainda que crianças da sua idade tenham “doenças como obesidade e diabetes”.
Por fim, Hannah perguntou a Dan Thompson se ele “não quer que as crianças sejam saudáveis”. O presidente da rede McDonald’s disse que a empresa se esforça para vender produtos saudáveis, como, por exemplo, frutas e vegetais que custam apenas US$ 1.

Alimentação saudável

Dan Thompson citou também o exemplo dos seus filhos, que, segundo ele, são clientes da rede e gostam de comida saudável e de exercícios físicos, ressaltando que o objetivo da empresa não é engordar as crianças.
A mãe de Hannah tem um blog sobre alimentação saudável e participa de um grupo que luta contra o “abuso corporativo” e contra a “publicidade predatória”. A rede McDonald’s, por sua vez, é um alvo tradicional do grupo.

05 de junho de 2013

PERSPECTIVAS ECONÔMICAS

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OCDE prevê inflação acima do centro da meta, de 4,5%, nos próximos dois anos (Fonte: Reprodução/Reuters)

OCDE prevê ‘grandes incertezas’ para o Brasil

Organização prevê inflação maior no país neste ano


Um relatório divulgado nesta quarta-feira, 29, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê "grandes incertezas" em relação à economia brasileira.

Leia também: Financial Times diz que sensação de bem-estar no Brasil é fachada

O estudo, intitulado "Perspectivas Econômicas da OCDE", prevê que a inflação do Brasil seja maior neste ano, alcançando 6,2%. A previsão anterior, divulgada em novembro, era de que a inflação no Brasil atingiria 5,3% neste ano. Já a projeção para 2014 é de que a inflação fique em 5,2%.

A OCDE também está mais pessimista em relação ao crescimento do PIB do país, diminuindo de 4% para 2,9% as suas previsões para este ano, e de 4,1% para 3,5% as suas previsões para 2014.

Pressões inflacionárias

 
Ainda de acordo com o relatório, "após um crescimento decepcionante em 2012 (0,9%, o menor em três anos), a atividade econômica se recupera, enquanto as pressões inflacionárias se intensificam".

A OCDE ressalta que o mercado de trabalho aquecido, a expansão vigorosa do crédito e os choques mundiais e internos sobre os preços dos alimentos reforçaram as pressões inflacionárias no Brasil.

05 de junho de 2013
Fontes: BBC Brasil - OCDE projeta inflação maior e 'incertezas' para o Brasil

VARIAÇÕES SOBRE TEMAS DIVERSOS E DE INTERESSE

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Mesma mão que pressionou a baixa do juro foi a que afagou os bancos (Fonte: Reprodução/Fábio Campana)

 

Dilma afaga bancos com lei que prejudica devedor

Lei 12.810 sancionada pela presidente Dilma tirou direitos do cidadão ao mudar texto do Código de Processo Civil

 
A mesma mão que pressionou a baixa do juro foi a que afagou os bancos, num ato discreto que passou pelo Senado. Desde 15 de Maio, a Lei 12.810 sancionada pela presidente Dilma tirou direitos do cidadão ao mudar texto do Código de Processo Civil. Agora, quem entrar em litígio com o banco sobre financiamento ou empréstimo, é obrigado a continuar a pagar as prestações, até a decisão da sentença – mesmo que a instituição esteja errada. Antes, poderia suspender o pagamento ou depositar em juízo.

‘Contrabando’
A mudança do CPC foi incluída em emenda pelo relator, senador Romero Jucá (PMDB-RR), na MP 585/2012, convertida em lei, sem qualquer relação com este assunto.


Ninguém viu…
O chamado ‘contrabando’ na MP passou ‘despercebido’ pelo Senado. Venceu o lobby da poderosa Federação Brasileira dos Bancos, que nunca lucrou tanto na História.


Lembrete & presentão
Só para constar: a MP 585 liberou R$ 1,95 bilhão a estados e municípios exportadores para compensações pelas perdas de arrecadação da Lei Kandir. Já para os bancões…


Silêncio total
Procurados insistentemente pela coluna desde sexta, nem o senador, tampouco o Palácio do Planalto e a FEBRABAN se pronunciaram.

 
Sem sinal

Cientes dos maus serviços, os presidentes das operadoras de telefonia fogem do debate e não deram sinal de vida no último convite. Hoje, as comissões de Fiscalização e Controle e de Integração Nacional da Câmara tentam nova audiência pública para desvendar um mistério: cadê os sinais 3G e 4G da internet, e as metas prometidas?
 
Êpa, êpa

Há um imbróglio jurídico nessa questão do contrabando na MP que ‘assalta’ o cliente bancário. O artigo 62 da Constituição, Parágrafo 1º, Item b, proíbe que se mude CPC por MP. A manobra ocorre porque ela foi convertida em lei na tramitação…
 
Colheita à vista

O senador Wellington Dias (PT), que disputará o governo do Piauí, atropelou o governador Wilson Martins (PSB) e entregou em Teresina os tratores do PAC II num evento sem a presença dele. É que… Martins não foi convidado.
 
(Bar)livarianos

Oficiais de alta patente da Venezuela têm sido vistos em badalados bares e restaurantes de Brasília nas últimas noites. A missão-chope é um mistério.
 
Alerta aos 171!

Tramita na Câmara Projeto de Lei (4523/12) do líder da Minoria, Nilson Leitão (PSDB-TO), que poderá mandar para a cadeia político eleito que não entrega o prometido na campanha. Trata-se de mudança do Código Penal, incluindo texto no Artigo 171.
 
Frouxidão

Causou revolta nas redes sociais: no país da lei frouxa, juiz corrupto leva aposentadoria remunerada como ‘punição’. O Conselho Nacional de Justiça não pode punir com prisão, mas pode abrir caminho para ação penal. Basta querer.
 
Novela boliviana

Completou um ano o asilo do senador oposicionista Roger Pinto na Embaixada do Brasil em La Paz. Ele acusa o governo Evo Moralez de perseguição e pede asilo por aqui. Uma penca de parlamentares brasileiros já o visitou para cafezinho. E nada.
 
Que sorte

Após a confusão da Caixa com o Bolsa Família, a associação dos lotéricos faz piada na internet. Muda anúncio do banco do ‘26 de Maio – Dia do Empresário Lotérico’, para ‘Dia do Escravo Lotérico’. Por causa do sistema interligado, que vive ‘caindo’.
 
Ilustre torcedor

Sergio Graça, um dos padrinhos do Garrinchão, recebeu mensagem de Miguel Jabour, conhecido promotor de eventos nacionais, que se passou por torcedor comum no domingo para testar o estádio.
 
Passou

Jabour fez questão de pegar metrô e ônibus, entrou na fila das catracas do Mané, rodou pelos bares da arena e observou o policiamento. Gostou de tudo.
 
Soco olímpico

Foi parar no The New York Times ontem a notícia do soco que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, deu num músico, em restaurante da cidade, após ser xingado pelo artista.
 
Mistério

A ministra Eliana Calmon, relatora da ação penal 711, no STJ – revelada pela coluna ontem – pediu ontem à noite ao MP o envio do processo à corte. O MP segurava em vistas a ação desde 6 de Fevereiro.
 
Mistério 2

Na ação, que corre em segredo, um figurão da Justiça do Rio é réu enquadrado na lei Maria da Penha. Ele e outra penca de togados. Pelo andar da tramitação, relâmpago, Calmon vai engavetar o caso ou prosseguir no inquérito.
 
Ponto Final

Será que a presidente Dilma e a ministra Maria do rosário aprenderam que é ‘de uma maldade’ dar declarações precipitadas?

05 de junho de 2013
Leandro Mazzini
Com Maurício Nogueira e Adelina Vasconcelos