"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

SUPREMO ATROPELA A CONSTITUIÇÃO

E derruba liminar que determinava voto de vetos em ordem cronológica


Rasgando a lei – Contrariando o entendimento do ministro Luiz Fux, a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal decidiu revogar a liminar, concedida no final de 2012, que determinava a votação em ordem cronológica dos mais de três mil vetos presidenciais que se arrastam no Congresso Nacional há mais de uma década.

Com a decisão da maioria dos ministros, que contraria o que determina a Constituição Federal, os parlamentares poderão analisar e votar os vetos como bem entenderem.

Entre os vetos presidenciais está o dos royalties do petróleo, que tem a rubrica da presidente Dilma Rousseff e continua provocando enorme polêmica no parlamento.

Votaram contra a liminar concedida por Fux os ministros Teori Zavascki, Rosa Maria Weber, José Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia Antunes Rocha, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes.
Acompanharam o voto do relator os ministros Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Joaquim Barbosa, presidente da Corte.

Na dependência da decisão tomada pelo Supremo nesta quarta-feira está a votação do orçamento da União de 2013, adiado pelo Palácio do Planalto depois que o Congresso, ao analisar a matéria, acabou rachado.

Desrespeitar a Constituição Federal está se transformando em hábito por parte do Executivo e do Legislativo. Quando a Carta Magna é vilipendiada na essência do seu texto e do que estabelece como sendo norte legal de uma nação, é impossível imaginar que o País seguirá rumo ao desenvolvimento e à mudança. Não há sociedade organizada sem o estrito respeito ao conjunto legal de uma nação.

27 de fevereiro de 2013
ucho.info

CARTA-DESABAFO

De: Ucho Haddad – Para: Luiz Inácio Lula da Silva – Assunto: Imbecilidade



Lula, quando me dirijo de forma direta à presidente Dilma Rousseff, a sua invenção eleitoral, peço licença para abrir mão da formalidade, dispensando o “Vossa Excelência” como forma de garantir a fluidez do texto.
Em relação a você não farei o mesmo, porque presidente-adjunto não é coisa alguma e por isso não merece qualquer reverência.

Na verdade, o que um enxerido como você merece é impublicável, sem contar que a censura petista é covarde e leviana. Não pense que lhe tratarei de igual para igual, pois, além de não ser igual a você, as diferenças que nos separam são estratosféricas e abissais.

Você é um desavisado oportunista que acredita ser neto de Messias e primo de Aladim. Eu, ao contrário da sua soberba, sou um jornalista que não ultraja a própria opinião e muito menos passa no caixa do Palácio do Planalto. Na verdade, Lula, sou um obcecado pelo aprendizado, pela leitura, pelo conhecimento.
E esses temas não fazem parte do seu cotidiano, que na última década foi marcado por bravatas, ufanismos e escândalos de corrupção.

Lula, muita gente o endeusa e é isso que faz mal ao País. Afinal, não se tem notícia até então de que um preposto de Lúcifer tenha se transformado em divindade. Lula, você é um ator de mão cheia e mereceria um prêmio por esse seu talento inconteste. Encena com destreza a bondade, mas é a fulanização do mal.
O pior nessa epopeia é que você sofre de mitomania incurável e trata a coerência como se fosse mulher de bordel. Não, Lula, a vida não é assim como você pensa que é.
Há dias, depois de mais uma de suas tantas ousadias verborrágicas, desafiei-o para um debate, do tipo olho no olho e sem a ajuda de assessores e sem anotações. Debate de gente grande, que sabe o que fala, que entende do assunto.
Lula, você certamente nem soube desse desafio porque odeia ler e não suporta o contraditório. Mas se tomar conhecimento e estiver disposto, fique à vontade para fixar o local e tempo de duração do debate. Acima de uma hora de discussão civilizada eu topo qualquer tempo. Se quiser podemos fazer desse debate uma prova de resistência para ver quem desiste primeiro.

Diferentemente de você, Lula, não sou o dono da verdade, o oráculo do Senhor, o maioral do universo. Apenas tenho opinião própria e raciocínio lógico. O que em um país como esse que o elegeu não é pouco.
Admita, Lula, sem problemas de autoestima, que um debate entre nós seria interessante. Para não dizer que seria um massacre. Não porque eu seja um cidadão violento, pelo contrário, sou da paz. Mas o que falta a você sobra para mim. Tutano, lógica, massa cinzenta.

Não se apoquente Lula, pois Deus sabe o que faz. Imagine, Lula, um ser com o seu perfil e com um cérebro privilegiado. Seria o fim de todas as galáxias. O Mensalão do PT teria chegado a Vênus. Em Marte já teria um sindicato com ETs fazendo greve. A companheirada já teria surrupiado o anel de Saturno.

Lula, deixemos de lado as eventuais gatunagens astronômicas desse ser imaginário, que por sorte não existe, e passemos à prática.
Quando fiz o desafio que mencionei, de chofre pensei que poderia lhe causar algum constrangimento no tocante à concatenação de ideias, à análise dos números verdadeiros da última década, que em sua opinião foi a melhor de todas para o Brasil desde que Cabral por aqui se perdeu.
Pensei até em mudar o tema do nosso debate, que por enquanto é só meu, para lhe deixar mais confortável. Pensei muito, mas não há como deixar de discutir o Brasil que você e sua horda arruinaram.

Mas como homem de fé que sou, sempre acredito que o Criador atua nos momentos certos. E nessa quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013, você, enquanto comemorava os 30 anos da CUT, surgiu à minha frente como a luz que buscava.
Em seu discurso à claque de sindicalistas e sindicalizados, você falou em imbecil. Pronto, Lula, eis um assunto que você entende profundamente, mas eu, por intervenção divina, desconheço.
Tudo bem, Lula, eu não tenho medo do bom combate, até mesmo quando ele se dá com um imbecil. Você deve estar pensando que o imbecil nessa história sou eu, mas não. Lula, se imbecil existe nesse caso, faço questão que você assuma o seu devido papel. Sem encenações, seja natural. Fique bem à vontade.

Lula, quando a dificuldade se apresenta você apela à primeira besteira que surge no pensamento.
Há algum tempo, em um de seus discursos inflamados que não me convencem, você disse que jamais seria derrotado por um vagabundo qualquer.
Concordo com você Lula, se for para perder que seja para alguém igual ou melhor. Assim até o vagabundo consegue fazer um “upgrade” no currículo.

Quando algum escândalo de corrupção com a sua rubrica vem à tona, você logo apela e diz que tudo não passa de uma tentativa de golpe das elites e de setores da imprensa. Lula, não se faça de discriminado, pois nada pode ser mais elitista do que a sua própria figura.
Você finge bem, é verdade, sabe falar errado quando interessa, mas aquele piqueteiro de porta de fábrica é hoje um elitista com todas as letras.

Lula, pense bem na diferença entre o que você vocifera aos incautos e o que pratica. Você diz que nos últimos dez anos o Brasil avançou, foi descoberto, como se 22 de abril de 1500 tivesse mudado para 1º de janeiro de 2003. Lula, você foi descoberto nesse período em um sem fim de escândalos, mas sempre disse que de nada sabia. Essa sua estratégia é boa.
Sabe, Lula, nesses dez anos você descobriu muitas coisas. Descobriu o bem bom, descobriu a mordomia do poder, descobriu um jeito de comprar a consciência de políticos prostitutos, descobriu o dinheiro dos subterrâneos, descobriu como transformar a sede do governo em usina de maracutaias. Lula, até a loja da Cartier, em Nova York, você descobriu e até agora não respondeu a pergunta que lhe fiz. Tudo bem, Lula, o tempo passou, o relógio está em São Bernardo e a vida segue.

Lula, eu não tenho essa inteligência e virtuosidade com que você foi presenteado ao nascer, mas se tivesse inventaria uma máquina do tempo. Não para ir em direção ao futuro, mas para voltar ao passado com direito a algumas paradas. Queria viajar no tempo para saber a opinião de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitscheck, João Goulart e Abraham Lincoln a seu respeito.

Afinal, você se comparou a todos eles e na democracia o direito de defesa não pode ser cerceado. Prometo que jamais permitira que a hora de sua querida mãe, Dona Lindu, fosse violada. Até porque algumas mães não são culpadas pelos filhos que trazem ao mundo.
Fazemos assim: lá no passado eu protejo Dona Lindu com as figuras às quais você ousou se comparar. Cá no presente, Lula, você protege Dona Zuza, a minha mãe. Se não for muito sacrifício, proteja também a minha mãe de criação, Dona Chica. Dessa forma em algum quesito estaremos empatados. E nossas mães salvas da maledicência.

Se no túnel do tempo conseguir chegar até a pretérita Galiléia, por certo perguntarei a Jesus Cristo o que ele pensa a seu respeito. Até porque você já se comparou a Ele. Mas Lula, antes que eu chegue lá, me fale alguma coisa sobre o crucifixo que sumiu do Palácio do Planalto, porque Jesus Cristo é capaz de perguntar se você está de sacanagem. Você deixou-o pregado na cruz, enfiou-o na bagagem presidencial e não revelou o paradeiro do Homem. Lula, isso, assim como enganar o povo, é pecado.
Lula, assim como Dona Lindu, minha mãe, Zuza, também nasceu analfabeta.

Viu só, mais um ponto em que somos iguais. Acontece que Zuza estudou, aprendeu e me ensinou que é feio referir-se às outras pessoas chamando-as de “aquela gente”. Ela, minha mãe, também me disse que não se deve chamar os adversários de vagabundo, idiota e imbecil. Você, Lula, é magnânimo e age como bem quiser, pois os seres supremos têm à disposição o que os reles mortais desconhecem.

Como um reles jornalista – reles foi a palavra que você usou para se referir a Francenildo Costa, o Nildo, chamando-o de reles caseiro – atenho-me à elegância, pois fui criado para ser um cavalheiro, e prometo não levar o nosso debate ao rés do chão dos botecos que você frequentou nos tempos em que ainda não era um integrante da elite e se empolgava com os aplausos etílicos dos que encostam o umbigo no balcão depois da 5 horas da tarde.

Sabe, Lula, você acredita que a sua espontaneidade burra é um detalhe positivo da sua personalidade. Não, nem sempre o que pensamos pode ser dito ou escrito. Se escrevesse ou dissesse tudo o que penso ao seu respeito, por certo já estaria morto. Imagine, Lula, só porque revelei algumas gravações telefônicas do caso Celso Daniel fui ameaçado de morte. Agora reflita, Lula, o que já teria acontecido comigo se eu tivesse externado de alguma maneira o que de fato penso sobre você. A minha família inteira teria sido trucidada pela obediente e obtusa horda que o segue.

Lula, você não é Deus e muito menos o salvador do Universo. Não é parente de Messias e nem de Aladim. Você é um ignorante esperto e articulado, que acredita que o mundo tem o dever de se ajoelhar a seus pés. Lula, para os seus iguais, lá na CUT, você usou o termo “imbecil” para se referir aos formadores de opinião. Para você, Lula, imbecil é aquele que forma opinião que não lhe interessa, que não lhe serve, que contraria os seus propósitos escusos. Se isso lhe aborrece, Lula, é porque o formador de opinião de imbecil nada tem.

E quem lhe deu o direito de chamar de imbecil qualquer formador de opinião? Lula, o seu narcisismo o tem levado muito para diante do espelho. Cuidado, pois isso é perigoso e você pode acabar acreditando naquilo que vê.

Lula, quando você usou a palavra “vagabundo” para atacar seus adversários – e eu sou um deles –, imediatamente devolvi a ofensa. Agora você classifica os formadores de opinião – e eu sou um deles – de imbecis, e de igual modo eu devolvo a ofensa. Você pode até pensar que eu me ofendo com pouco. Não Lula, você é a personificação da ofensa e alguém precisa lhe deter.
Enquanto Jesus Cristo, não aquele ao qual você se compara, permitir, serei uma pedra no seu caminho.
Imbecil, Lula, é aquele que acredita estar acima do bem e do mal, que finge ser do povo quando na verdade é um excludente contumaz. Lula, você tem certeza que é um formador de opinião, quando na verdade é um imbecil. E você pensa assim porque transformou 40 milhões de incautos, com desejo de consumo reprimido, em um oceano de imbecis endividados.

Lula, pense o que quiser de mim, mas não use a palavra imbecil para qualificar aqueles que conseguem mostrar ao povo quem de fato você é e o que busca. Se milhões o adulam porque desconhecem a verdade, há outros tantos milhões que não são imbecis, como você acredita que são. Para você, Lula, imbecil é quem produz o contraditório. Para mim, imbecil é aquele que não aceita a opinião alheia e parte para o jogo rasteiro. E no jogo rasteiro reconheço que você merece um título de doutor honoris causa.

Se no seu íntimo você gostou da carapuça e ela lhe serve como luva de fina pelica na mão de madame, sem ter de fazer bainha ou apertar a cintura, vista-a, saia pelo mundo com a sua própria identidade e seja feliz na sua freguesia. Lula, só não cometa a imbecilidade de repetir o erro de alguns companheiros, que acionam os gorilas de aluguel do seu partido para me ameaçarem, fazerem telefonemas canhestros, aterrorizarem a minha família, invadirem meus computadores, procurarem integrantes da Justiça que me dedicam amizade leal e verdadeira para dizer que serei morto.
E PT saudações, Lula, porque de imbecis o Brasil está cansado!

27 de fevereiro de 2013

LIVRE PENSAR É SÓ PENSAR (MILLÔR FERNANDES)

 


 
 
27 de fevereiro de 2013

QUANDO O HUMOR DESENHA A REALIDADE






27 de fevereiro de 2013

SUSPEITO DE CORRUPÇÃO, TEIXEIRA LEVA VIDA LUXUOSA EM MIAMI

 
 
 Mauro Horita/AGIF: Brasil - Guarulhos - SP - 06/06/2011 - O presidente Ricardo Teixeira durante homenagem da CBF a Ronaldo em coletiva de imprensa realizada no Hotel Caesar Park São Paulo Internacional Airport. Foto: Mauro Horita/AGIF

EM NOVO ATAQUE DE FÚRIA, COLLOR MANDA QUE GURGEL "CALE A BOCA"

 



Já virou rotina. O senador Fernando Collor (PTB-AL) tem usado sistematicamente a tribuna da Casa para atacar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Nas últimas semanas, resolveu criticar a compra de 1.200 tablets pela PGR, alegando que a instituição cometeu irregularidade ao definir a Apple como fornecedora dos produtos.
Em mais um ataque de fúria, Collor retomou a carga nesta terça-feira, desta vez com ofensas: “Cale a boca e espere o TCU (Tribunal de Contas da União) dar a palavra final, pois somente ele é o órgão capaz de técnica e juridicamente dizer se o senhor prevaricou mais uma vez ou não, se o senhor agiu com improbidade administrativa ou não, se cometeu mais um ilícito para acrescentar ao seu portfólio criminoso ou não”, discursou, no mesmo dia em que foi eleito para presidir a poderosa Comissão de Infraestrutura do Senado.
Na semana passada, Gurgel chamou de “risível” a acusação de Collor, que conseguiu que o Senado aprovasse um requerimento pedindo que o Tribunal de Contas da União investigue a compra.
O tempo parece ter ensinado pouco ao único presidente da República cassado por corrupção no país.
27 de fevereiro de 2013
Gabriel Castro - Veja
 

"A MISÉRIA PARA ALÉM DO MARKETING"

Além de um ou dois reais de acréscimo de renda mudarem a pessoa de categoria social, o país reúne carências que impedem se anunciar o fim da pobreza
 

A presidente Dilma Rousseff anunciou, na terça-feira da semana passada, a ampliação de benefícios do Bolsa Família para retirar 2,5 milhões de pessoas cadastradas no programa da linha abaixo da renda per-capita de R$ 70 mensais.

No dia seguinte, não por acaso, Dilma, ao lado de Lula, da cúpula do PT, parlamentares do partido, aliados e militância participaram de uma festa pelos dez anos de poder petista e 33 de existência da legenda. Foi uma moldura adequada para o lançamento prematuro da candidatura da presidente à reeleição.

A solenidade do anúncio da extensão do BF abriu a programação político-eleitoral destes dias e teve um tom indisfarçável de campanha. O mote, afinal, é irresistível para qualquer candidato: “O fim da miséria”. Partido muito competente em propaganda e marketing, o PT saberá o que fazer com esta bandeira. Não se deve, mesmo, desprezar a ajuda do Bolsa Família na redução da pobreza.

O governo estima que, desde a chegada do PT ao Planalto, 36 milhões foram resgatados do pauperismo, um processo que só tem sido possível porque houve a estabilização da economia, com o lançamento do Plano Real em 1994, por Itamar Franco e Fernando Henrique. E tão importante, ou mais, que a renda em si são a exigência da frequência escolar dos filhos dos beneficiários do programa e consultas médicas periódicas, contrapartidas já exigidas na Era FH.

A esperteza política na ampliação do BF para retirar pessoas abaixo da renda de mensal de R$ 70 é que esta é a fronteira que estatisticamente define a pobreza absoluta — quem recebe R$ 71 não é considerado um “miserável”. Um ou dois reais catapultam o pobre para outra categoria social. Mas daí a alardear que “a miséria acabou”, vai grande distância.

Em artigo publicado na “Folha de S.Paulo” de segunda feira, a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, e Marcelo Neri, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), afirmam que não desaparecerá a pobreza extrema, mas no âmbito do Bolsa Família e no conceito de renda.

O esclarecimento não deve contentar os marqueteiros petistas, sempre afiados para anunciar conquistas nunca antes realizadas. De fato, não é apenas a renda que define o estágio social de um país, por exemplo, como já ensinou o economista indiano Amartya Sen, Prêmio Nobel, idealizador do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), consagrado pela ONU como mensurador de desenvolvimento.

E há carências enormes no Brasil que impedem o anúncio do “fim da miséria”. Vale lembrar: a média nacional de residências com tratamento de esgoto é de apenas 38%; só 7% das 5.568 prefeituras têm projetos de saneamento básico para suas populações; há índices deploráveis na Educação etc.

Existem inúmeras estatísticas desse tipo. Espera-se que sejam lembradas em meio ao barulho da propaganda política.

27 de fevereiro de 2013
editorial de O Globo

LULA E COLLOR, ÍCONES DA CORRUPÇÃO, MANDAM ADVERSÁRIOS "CALAR A BOCA"

Delacroix resolve pintar Lula: A Ignorância Guiando o Povo! Ou: O dia em que o Apedeuta e Collor mandaram seus adversários “calar a boca”


“Elite”, como grupo social a ser vencido, não é um conceito marxista. É só um chavão petista. E o petismo é uma derivação tardia, oportunista e rebaixada da teoria revolucionária.
 
Já escrevi muito a respeito. Do bolchevismo, o PT herdou apenas a tara autoritária, que pode ser aplicada, e eles estão tentando, também num regime capitalista.
 
“E se herdasse tudo? Seria melhor?” É claro que não! Mas isso seria impossível. O socialismo como alternativa econômica acabou, morreu. Restaram o amor pela ditadura e esses idiotas que saem por aí ameaçando desafetos nas ruas com sua mordida hidrófoba. Mas volto ao ponto.
Lula está cumprindo ao menos uma de suas promessas mirabolantes: acabar com a elite brasileira — com qualquer uma, em qualquer área. Está em curso uma evidente marcha do emburrecimento, da qual, nem poderia ser diferente, ele é o líder.
 
Eu o imagino no quadro de Delacroix em lugar da Liberdade, que carrega uma bandeira, com os seios nus. Título: A Ignorância Guiando o Povo. O rebaixamento a que esse sujeito submete a política e a sua contribuição à deseducação democrática ainda não mereceram a devida atenção científica — dos cientistas sociais; daquela parcela que ainda resiste à ditadura intelectual do partido.
Por que isso tudo?
Nesta terça, tivemos um dia realmente exemplar do espírito do tempo. As personagens de destaque foram o próprio Lula e o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL).
Vamos ver.
Numa manobra vexaminosa — contando com a pressurosa ajuda de seu aliado petista Tião Viana (AC), que presidia a Mesa —, Collor conseguiu aprovar, na quinta-feira passada, um requerimento para que o TCU investigue a compra de 1.200 iPads feita pela Procuradoria-Geral da República.
O alvo, mais uma vez, é Roberto Gurgel. O impichado tenta vingar-se do procurador-geral, de quem é desafeto, fazendo a vontade também do PT, para quem opera hoje quando não está cuidando exclusivamente de questões pessoais ou paroquiais.
Em 1992, como todos sabem ou se lembram, os petistas ajudaram a incendiar o país contra “o caçador de marajás”, que não resistiu. Hoje, são companheiros de jornada, parceiros, amigos. Quem mudou? Nem um nem outro. Ambos seguem sendo o que sempre foram.
Pois bem. Gurgel, acusado por Collor, fez o óbvio: defendeu-se. Chamou de risíveis as suspeitas. E como reagiu aquele senhor que dava murros no peito na década de 90 e dizia ter “aquilo roxo”? Ora, saiu ofendendo e vociferando, como é de seu feitio. Arrancou a pistola retórica, que traz sempre na cinta — não deixa de ser um avanço moral no seu caso —, e disparou:

“Ele [Gurgel] tem que calar a boca. Ele e a sua trupe corporativista de êmulos [rivais]. Agora é o Senado que quer saber de tudo. Por isso, cale a boca e espere o TCU dar a palavra final. Só ele é capaz de dizer se o senhor prevaricou ou não. Se cometeu mais um ilícito a acrescentar ao seu portfólio criminoso”.
Collor é valentão assim porque tem a imunidade parlamentar. Age como um pivete inimputável, que traz de cor e salteado trechos do Estatuto da Criança e do Adolescente para cometer crimes impunemente. É, nesse caso, um pivete ético.
 
Quais são os crimes, afinal, do procurador-geral da República? Que seja Collor a se comportar como o seu Catão, eis uma ironia macabra. Esse é mais um dos vampiros do republicanismo aos quais o PT garantiu farto suprimento de sangue.
Por quê? Porque quiseram as circunstâncias históricas e políticas, não sem a colaboração de setores da oposição e, sim!, da imprensa, que o velho e o novo patrimonialismos se estreitassem, como disse o poeta, “num abraço insano”.
No mesmo dia, a mesma fala!

Collor não foi o único a mandar um desafeto calar a boca. Nesta mesma terça, referindo-se ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Lula afirmou:

“Eu acho que o Fernando Henrique Cardoso deveria, no mínimo, ficar quieto. O que ele deveria fazer é contribuir para a Dilma continuar a governar o Brasil bem, ou seja, deixa ela trabalhar.”
Então ficamos assim: o PT lança um livreto eivado de mentiras sobre o governo do antecessor, e Lula acha que ao agredido não cabe nem mesmo o direito de defesa.
Notem: para ele, FHC deveria “no mínimo, ficar quieto”. Ou por outra: essa é a menor das coisas que ele espera do antecessor: o silêncio obsequioso.
Imagino a noção que deve ter do “máximo”. Mais: o presidente de honra do partido de oposição, segundo o Apedeuta, tem é de “contribuir” com o governo.
Claro! É o que Lula sempre fez quando estava na oposição, certo? Impressionante!
Impressionante, mas não inesperado. Se há alguém “nestepaiz” que tem defendido, ao longo dos anos, que a oposição diga a que veio, este alguém é este escriba. Mas me parece evidente que os tucanos cometeram um erro e morderam a isca ao responder ao embate de caráter eleitoral proposto por Lula desde agora.
Esse é o ambiente do Apedeuta. Fica mais feliz do que pinto no lixo. Pode sair por aí, distribuindo suas caneladas e rearranjando precocemente as forças governistas (ver post a respeito). As ineficiências do governo perderam lugar no noticiário para o embate eleitoreiro com quase dois anos de antecedência. Quem ganha com isso? Não é o povo!
 
27 de fevereiro de 2013
Reinaldo Azevedo - Veja Onine

"A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR"

 
O BC colhe aquilo que plantou e só hipocrisia pode justificar manifestar qualquer surpresa
Depois de meses em negação, atribuindo o aumento da inflação a um mal definido "choque internacional de oferta" (que teve o mau gosto de afetar apenas o Brasil, poupando países como Chile, Peru ou Colômbia), o Banco Central parece ter finalmente acordado para o problema.

Se não ainda para lidar com ele, ao menos para buscar novas desculpas sobre como -depois de reiteradas juras acerca da convergência da inflação à sua meta- esta teima em acelerar.

Agora a depreciação da moeda no ano passado tem sido repetidamente citada por fontes governamentais entre as explicações para a alta inflacionária, tomando o lugar antes reservado ao infame "choque internacional de oferta".

Para ser sincero, sim, é claro que um real mais fraco (ou, de forma equivalente, um dólar mais caro) se reflete na inflação.

Há bens que podem ser importados e exportados sem grandes custos; assim, seus preços costumam seguir os preços internacionais de produtos similares, convertidos em moeda nacional pela taxa de câmbio. Nesse sentido, não há dúvida de que a desvalorização da moeda tem efeito sobre os preços desses bens e, portanto, se traduz em inflação mais alta.

Ainda, porém, que possamos concordar acerca do efeito inflacionário da depreciação, não é possível aceitá-la como desculpa para o lamentável desempenho do BC no que diz respeito a seu mandato de estabilidade de preços por um simples motivo: porque foi ele quem engendrou a fraqueza do real à qual hoje atribui a culpa pela inflação mais alta.

Uma simples vista d'olhos nas suas ações, na gestão da política monetária, na intervenção no mercado de câmbio ou por meio de medidas regulatórias, mostra, além de qualquer dúvida razoável, que o BC buscou, de forma consciente, produzir um encarecimento do dólar.

Mesmo em face de uma elevação de preços internacionais das commodities, que, em condições normais, produziria -como o fez em outras economias da região- uma moeda mais forte, o BC tomou medidas em várias frentes para manter o dólar acima de R$ 2,00.

Não é sequer necessário ler as intenções do BC nas entrelinhas de suas ações, pois em mais de uma ocasião integrantes da diretoria do órgão vieram a público afirmar seu compromisso com uma taxa de câmbio acima daquele valor, assim como assegurar que agiriam para que "o Brasil não seja uma praça de desvalorização de outras moedas".

Obviamente essa atitude gerou um impacto sobre a inflação muito maior do que no caso dos países que deixaram suas moedas se fortalecerem em resposta aos preços mais altos das commodities.

Posto de outra forma, se houve efeito da desvalorização cambial sobre a inflação no Brasil (e tudo indica que sim), ele também tem que ser debitado na conta da autoridade monetária, que, ao final da história, estimulou precisamente aquele movimento, pelo menos até perceber tardiamente que sua política era inconsistente com a prometida convergência da inflação à meta. O BC colhe agora aquilo que plantou e só hipocrisia pode justificar manifestar qualquer surpresa a respeito.

Hoje, porém, o problema adquiriu outra dimensão. Não se trata mais de fazer a inflação recuar para a vizinhança de 4,5%, mas sim de evitar que rompa o limite superior de tolerância (6,5%).

Ainda creio se tratar de uma possibilidade remota neste ano em face da intervenção pontual sobre alguns preços, assim como a possibilidade de moderar pressões no curto prazo pelo uso mais ativo das desonerações tributárias.
 
Esses artifícios, porém, têm vida curta, como exaustivamente demonstrado pela experiência histórica. A verdade é que as várias inconsistências da política econômica estão cobrando seu preço na forma de tensões inflacionárias crescentemente difíceis de esconder.

Se o BC quer lidar com o problema, deveria começar assumindo sua responsabilidade na criação da desordem que ele próprio ajudou a fomentar.

27 de fevereiro de 2013
Alexandre Schwartsman, Folha de São Paulo

NASCIDO PARA ADERIR!

 PSD começa a oficializar apoio a Dilma para 2014
 
PSD começa a oficializar apoio a Dilma para 2014. Partido do ex-prefeito Gilberto Kassab vai ouvir diretórios estaduais para fechar aliança das eleições presidenciais; três deles deram o aval nesta quarta-feira

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e a presidente da República, Dilma Rousseff, durante entrega da Medalha 25 de Janeiro
Apoio a Dilma garante a Kassab espaço no eventual segundo mandato da petista (Juca Varella/Folhapress)

O PSD deu nesta quarta-feira o primeiro passo para embarcar oficialmente no governo da presidente Dilma Rousseff. O partido do ex-prefeito Gilberto Kassab iniciou, em Brasília, uma série de consultas aos diretórios estaduais a respeito do apoio à reeleição da presidente em 2014. Três representações já se declararam a favor do apoio: as da Bahia, Rio Grande do Norte e Rondônia.

As consultas devem prosseguir nas próximas semanas. Oficializado o apoio, o partido reforça a expectativa de receber um espaço na Esplanada dos Ministérios – embora Kassab negue a pretensão. "Essa reunião foi o início do processo de consulta que a direção nacional do partido faz em todos os estados", disse ele, após o encontro.
 
"O partido não procura vantagem, procura o que é melhor para o Brasil. O partido discute nesse momento a nossa decisão para 2014. Todos sabem que, em relação à presença (no governo) e à votação dos parlamentares, existe uma relação de total independência do governo", disse Kassab.
 
O ex-prefeito ainda aproveitou para garantir que o PSD não aceita toma-lá-dá-cá:
"Nós queremos deixar claro à nação brasileira que o partido em nenhum momento vai vincular a sua decisão à participação no governo. Isso é uma prática velha da política que nós queremos que seja página virada".

A oficialização do apoio à presidente Dilma em 2014 garante ao PSD a condição de aliado de primeira hora, o que pode se traduzir em um espaço significativo no eventual segundo mandato da petista.
Mas a parceria com o PT é restrita: o secretário-geral do partido, Saulo Queiroz, afirma que o apoio aos petistas não será automático: "O alinhamento com a reeleição da presidente Dilma não significa alinhamento com o PT nos estados", disse ele nesta quarta.

Governo paulista – Também durante a reunião, a prefeita de Ribeirão Preto, Darcy Vera, defendeu que Kassab seja lançado candidato ao governo de São Paulo em 2014. Aos jornalistas, o presidente do PSD não descartou a hipótese: "Haverá um esforço, sim, para que o partido tenha um candidato a governador. Mas também temos outros nomes", disse ele.

27 de fevereiro de 2013
Veja Online

PARA DIRIGENTES DO PT, CONDENADOS DEVEM FICAR FORA DO DIRETÓRIO. E LULA, O "CAPO"?

Para dirigentes do PT, condenados devem ficar fora do Diretório Nacional. Petistas renovarão sua direção em eleição marcada para novembro
Condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do mensalão, o ex-ministro José Dirceu e os deputados federais José Genoino (SP) e João Paulo Cunha (SP) devem permanecer como integrantes do Diretório Nacional do PT na eleição interna do partido em novembro.

Dois dos três integrantes da coordenação geral da eleição pela corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB) afirmaram não ver problema na permanência dos mensaleiros no diretório, apesar de afirmarem que o assunto ainda não foi discutido.

— Dirceu sempre participou ativamente da organização do PT. Não tem nenhum razão, na minha opinião, para o Zé Dirceu estar de fora do novo diretório — disse o deputado federal Paulo Ferreira (RS).
 
— Ao final, quando terminar a ação (depois do julgamento dos recursos), caso seja mantida a condenação atual, na minha opinião, não haveria nenhum obstrução para que o José Dirceu e o outros estivessem inscritos na nossa chapa.

O coordenador da CNB, Francisco Rocha, que também faz parte da coordenação para a eleição, tem dúvida sobre a possibilidade de manter os mensaleiros no diretório em caso de prisão:

— Se depender do ponto de vista da política, e não tiver nenhum impedimento jurídico, continuarão. Disso não tenho a menor dúvida.

O candidato da CNB será o atual presidente, Rui Falcão, do Novo Rumo. O Diretório Nacional, uma instância acima da Executiva, tem 84 membros, responsáveis por definir as diretrizes da legenda.

27 de fevereiro de 2013
O Globo

DEM VERSUS PT


Painel do constrangimento
 
O DEM prepara uma surpresinha para estragar a festa que o PT planeja fazer, hoje de tarde, na Câmara.
Em comemoração aos dez anos no comando do Palácio do Planalto, lideranças petistas anunciaram uma visita, às 17h, à exposição com fotos de momentos históricos do partido, instalada num túnel de ligação entre o Salão Verde e os anexos da Casa. As imagens, claro, não fazem alusão ao período do Mensalão.
Ronaldo Caiado e seus correligionários mandaram confeccionar um painel de 2,40 metros para ser exibido ao lado da exposição, a partir das 15h: trata-se de um apanhado de reportagens sobre o mensalão. Além de páginas de jornais e capas de revistas, há fotos de Lula com ar de lamento e dos petistas condenados pelo STF.
27 de fevereiro de 2013
Por Lauro Jardim - Veja

EDUARDO CAMPOS E A BASE "ALIADA"

Circula pelos meios políticos e na cobertura especializada uma espécie de ante-sala das prévias eleitorais de 2014. Logo após o término do pleito municipal do ano passado, a direção nacional do PSB – aliado de longa data do PT – viu-se diante de uma nova circunstância. As vitórias municipais do partido histórico de Miguel Arraes e a apreciação do governador pernambucano Eduardo Campos poderiam criar condições para reproduzir a corrida eleitoral de 2002. Onze anos atrás quase que a eleição aponta um terceiro candidato como azarão.

À época, o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, concorreu pelo PSB assim como Ciro Gomes, ex-tucano convertido para posições de centro-esquerda, concorreu pelo PPS com o apoio do PDT e da Força Sindical. O cenário só não ficou mais bagunçado no rumo do “centro” da política porque com a presença de José Serra, ainda que secundado pela então deputada federal capixaba Rita Camata (PMDB), toda eleição tornou-se tensa e polarizada.

Passada uma década e após a ampliação da base aliada através dos custos da tal da governabilidade (por dentro e com rubrica), o governo da ex-guerrilheira encontra-se perto de um início de ruptura interna. Não se trata apenas da natural antecipação de alianças eleitorais e da legítima pretensão de liderança por partidos políticos. O tema de fundo é a ausência de diferenciação programática e, pior, de prática política.


Qualquer estudante de ciência política ou áreas afins deve conhecer uma das bases do jogo de alianças baseado na interação estratégica:
“o amigo do meu amigo pode ser meu amigo, o inimigo do meu inimigo pode ser meu amigo e o amigo do meu inimigo pode ser meu inimigo”.

O problema na atual “governabilidade” é que quase todos podem ser quase tudo, havendo pouca ou nenhuma diferenciação entre legendas, lideranças e formas de conduta.

Neste país, quem ocupa a aliança de situação posiciona-se de forma transitória, tal e como os postos da oposição. Materializam esta análise as migrações partidárias e a criação do PSD, racha do DEM por executor das tradições udenistas, e agora a legenda de ocasião da ex-ministra Marina Silva.

Quando todos podem ser “amigos” e quase ninguém quer ser “inimigo”, o cenário político é confuso e esvaziado.
É nesta fauna de alianças ocasionais e legendas sem coesão interna que pode aparecer uma “nova” figura de proa, de dentro da base do governo, a exemplo de Eduardo Campos, levando de roldão uma parte considerável da base “aliada”, começando por peemedebistas.

27 de fevereiro de 2013
Bruno Lima Rocha é cientista político

BANDO DE LOUCOS

 

 

RUTH DE AQUINO  é colunista de ÉPOCA raquino@edglobo.com.br (Foto: ÉPOCA)
O fanatismo assusta. No futebol, na religião ou na política, os fanáticos arremessam sinalizadores para intimidar o outro, o adversário, o oponente. Às vezes, os sinalizadores calam, às vezes matam. Quando o fanatismo chega ao poder, quando se confunde com um governo, quando é legitimado por um regime, de direita ou de esquerda, chegamos ao perigoso fanatismo de Estado. Esse fanatismo oficial maquia números e fatos, censura, encarcera, tortura, exila e executa.

Quando “a opinião é traição” – e assim é na Cuba de Yoani Sánchez e dos irmãos Castro, um país que não confia em sua própria população para votar –, o medo de pensar diferente se instala em cada criança, cada jovem, cada adulto. Há mais de meio século, o castrismo não dá aos cubanos o direito de se expressar livremente nas urnas, nas ruas ou na mídia.

Seria absurdo supor que, no Brasil, a democracia esteja ameaçada por esses grupelhos com nariz de palhaço que jogaram na blogueira Yoani notas falsas de dólar, xingando e vaiando a moça em vários Estados. Melhor enxergá-los como protestos de jovens desinformados, que nunca foram a Havana, jamais viram documentários com as mazelas da vida cubana, desconhecem o que é viver num lugar onde o Estado determina o que você pode ou não ler e consumir.

Fui a Cuba em janeiro de 1983, há 30 anos portanto. Brasil e Cuba ainda não tinham relações diplomáticas. Nosso passaporte não podia ser carimbado, íamos por Bogotá e voltávamos pela Cidade do México. Achava absurdo esse isolamento. Admirava o esforço da ilha para dar educação e saúde à população.

Adorei o povo cubano e suas festas, o sorvete na Coppelia, o mojito na Bodeguita del Medio, a praia de Varadero, as escolas para jovens no campo. Encontrei Fidel no Palácio, com sua farda, o charuto, o rum e o carisma. Mas o mito acabou ali. Ficou claro para mim o medo dos cubanos na rua. Diziam ser espionados. Ansiavam comprar dólares, escapar ao racionamento, consumir nas “tiendas” reservadas aos estrangeiros. Queriam viajar, prosperar.

Yoani escreveu: “Eles queriam me linchar. Eu queria conversar”. Essa reação me faz temer
pelo futuro do Brasil
 
Quando visitei Cuba, Yoani tinha 7 anos. Hoje, tem 37. Em seu blog, escreveu no último dia 19: “Vivi muitos atos de repúdio (...). Lembro um especialmente violento junto às Mulheres de Branco, quando as hordas da intolerância nos empurraram e até puxaram nossos cabelos. Mas este (na Bahia) foi inédito para mim.
O piquete de extremistas que impediu a projeção do filme de Dado Galvão em Feira de Santana era mais que uma soma de adeptos incondicionais do governo cubano. Todos brandiam o mesmo documento com um monte de mentiras sobre mim, tão fáceis de rebater em uma simples conversa. Repetiam um roteiro idêntico sem a menor intenção de escutar uma réplica minha.
Gritavam, interrompiam, num certo momento ficaram violentos e entoavam slogans que já não são usados nem mesmo em Cuba”. Eram, segundo ela, “robôs programados”, “com as veias do pescoço inchadas”. Yoani escreveu: “Eles queriam me linchar, eu queria conversar”.

O problema não foram as manifestações nem as vaias. Elas fazem parte da democracia. Mas a agressividade planejada para silenciar Yoani. Impedir que alguém fale é coisa de fanático com medo de ouvir, debater, argumentar. Deu vergonha a falta de educação e civilidade.

Os manifestantes transformaram uma pequena notícia – a visita de uma cronista cubana dissidente – em manchete. A blogueira da Geração Y, que condena o bloqueio americano a Cuba, virou meteoro da CIA. Foi parar na Câmara.

O que vimos? Uma mulher magra, de camiseta, com os cabelos enormes jogados para o lado, sem um pingo de maquiagem, um sorriso calmo, cercada por políticos engravatados, seguranças e manifestantes enfurecidos. A reação a Yoani foi de uma desproporção tal que aí, sim, me fez temer pela polarização futura do Brasil.

“Vai embora, vai embora, blogueira imperialista. A América Latina vai ser toda comunista.” Quem gritava essas palavras de ordem na Livraria Cultura de São Paulo eram “umas belezinhas de tênis Nike e camiseta Gap”, disse a jornalista Mona Dorf no Facebook. “Uns 20 delinquentes começaram a gritar e apitar.

Uivavam como bichos. Yoani mal balbuciou a resposta sobre o Wikileaks.” Debate interrompido, Mona saiu triste com “o comportamento vergonhoso e fascista dos manifestantes”. Um bando de fanáticos.

* * *
O cartaz comemorativo dos dez anos do PT no poder dá um arrepio na espinha por sua estética totalitária. Qualquer um, mesmo simpatizante de Lula e Dilma, percebe a semelhança com peças de propaganda soviética e chinesa. O cartaz estimula a idolatria, apela ao nacionalismo e ao populismo extremados. Não faz jus ao Brasil de hoje nem, espero, ao de 2014.


27 de fevereiro de 2013
RUTH DE AQUINO é colunista de ÉPOCA

DEM COMPLETA ANO QUE FALTAVA NA MOSTRA DO PT


 
Deputados Ronaldo Caiado e Ônix Lorenzoni, do DEM, inauguram painel que faltava na exposição do PT na Câmara dos Deputados. Parece que o PT ficou envergonhado e "afanou"o didático poster.
 
27 de fevereiro de 2013