"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



quarta-feira, 1 de maio de 2013

QUEM TEM MEDO DAS ELEIÇÕES?

 

As dificuldades entre o Congresso e o Ministro Gilmar Mendes vão muito além do que o que se entende por separação de poderes. Elas explicitam, às vezes mais e às vezes menos claramente, a disputa presidencial de 2014, as eleições pelo novo Congresso, novos deputados e senadores.

Tanto a concessão da liminar quanto o projeto de lei 4470/12 têm consequências eleitorais.

Como os resultados estão cada vez mais imprevisíveis, isto é , não parece haver uma candidatura mais facilmente vencedora, partidos, interesses políticos e econômicos estão inseguros. Quase à beira de um ataque de nervos.

A concorrência está acirrada. Isto é bom ou ruim para o país? A Constituição manda que não se mude normas eleitorais um ano antes das eleições.

Mas se a campanha de fato começa dois anos antes? E se as decisões políticas fundamentais foram adiantadas? Como assegurar o que Ayres Brito chama de “paridades de armas” nas eleições?


A oposição está insegura porque a candidatura de Aécio Neves depende muito do apoio de José Serra. Se ele não obtém, dificilmente vai em frente. Se sai da corrida, Serra pode querer se recandidatar. Será?

Não sabemos. Mas este é um cálculo que já está sendo feito. O resultado líquido é uma oposição que perde tempo em se organizar. Tempo é voto.

A base aliada do governo Dilma também está insegura. Nem mesmo pode determinar o que é ao certo base aliada. Quem dela faz parte.

A determinação de Eduardo Campos, e a mobilização de Marina Silva, jogará provavelmente a eleição para o segundo turno. Aliás, nem é necessário para ter o segundo turno quatro candidatos. Se forem quatro, melhor. Mas três já é suficiente para aumentar a probabilidade de segundo turno.

Este é uma das razões da oposição entre a liminar de Gilmar Mendes e o Congresso Nacional. Na democracia, mais do que nunca, o tempo, sobretudo o tempo eleitoral, é o senhor da política e o caminho do poder.

01 de maio de 2013
Joaquim Falcão

ALÍVIO TEMPORÁRIO

Alívio temporário

Seria de se comemorar não fosse apenas efêmero o efeito que a troca de amabilidades formais tem sobre os constantes atritos entre os Poderes Judiciário e Legislativo. A cortesia põe água na fervura, mas não apaga o incêndio.

Propicia uma sensação de alívio, é verdade. Dá uma reconfortante impressão de civilidade, faz com que acreditemos na resolução dos conflitos por meio do entendimento. A trégua, porém, é temporária: não resiste ao imperativo da realidade, não cura a doença infantil do imobilismo do Congresso frente ao amadurecimento da consciência ativista do Judiciário.

E pelo que se viu do desempenho de petistas na Câmara enquanto os presidentes das duas casas do Congresso procuravam o ministro Gilmar Mendes a fim de apaziguar os ânimos com o Supremo Tribunal Federal, considere-se como forte obstáculo a disposição do PT para a guerra.

Não foi um obscuro Nazareno, mas o ex-presidente da Câmara Marco Maia, representante do partido por dois anos no posto, quem defendeu a emenda que submete decisões do STF ao crivo do Legislativo e ainda propôs outra criando novas limitações à Corte.

Não foi um deputado de menor expressão, mas Fernando Ferro - líder do PT por duas vezes - quem chamou o ministro Gilmar Mendes de "capitão do mato" por ter atendido em caráter liminar o pedido do senador Rodrigo Rollemberg para suspensão da votação em caráter de urgência do projeto que veda a novos partidos partilha do Fundo Partidário e do horário eleitoral na proporção das bancadas congressuais.

Essas e outras violências verbais e conceituais dão a medida do inconformismo do PT com o preceito republicano do equilíbrio e da independência entre os poderes. Note-se, portanto, que a coisa não vai se resolver com panos quentes.

A questão é mais profunda: o PT está com raiva do Supremo, assim como tem raiva da imprensa que não lhe presta reverência, assim como está com raiva de Eduardo Campos porque procura caminho de crescimento político para seu partido fora da área de influência governo-petista, assim como teria raiva do Parlamento caso não tivesse cooptado a maioria mediante métodos relatados pelo STF, assim como tem raiva de qualquer pessoa, grupo ou instituição que não se curve aos seus interesses.

Levando em consideração que o PT é o partido no poder, conta com uma presidente e um ex-presidente com altos índices de popularidade, tudo que diga ou faça tem peso e importância. Logo, a encrenca é de boa monta.

A boa notícia, ora vejam só os senhores e as senhoras, vem do PMDB. Assim como agiram por ocasião da CPI do Cachoeira ao recusar sociedade ao PT na sanha de vingança contra a revista Veja e o procurador-geral da República, os pemedebistas agora mantêm prudente distância dessa ofensiva.

Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves - ambos do PMDB, respectivamente presidentes do Senado e da Câmara -tomaram a iniciativa de abrir conversações com o STF sobre a ideia de subtração de prerrogativas e a liminar que suspendeu a votação, diga-se, por solicitação de um senador representando diversos parlamentares.

O PMDB pode até não ter outras qualidades, mas tem experiência e juízo suficientes para saber tirar vantagem de determinadas distâncias. A intenção óbvia é deixar o PT isolado em mais uma de suas maluquices, cujos efeitos quase sempre se voltam contra o partido.

Mas, como dito acima, o problema não é simples nem de fácil solução. Ao contrário de alguns desatinos que cometia quando era oposição e não tinham maiores consequências, o PT é governo, usa sem cerimônia os instrumentos à disposição, não guarda respeito à coerência nem desiste com facilidade. Isso faz perniciosa diferença.

01 de maio de 2013
Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

ESPERTEZA PROVINCIANA. OU ABUSO

 

Em países politicamente mais avançados, chefes de Estado requisitam cadeia nacional de rádio e de televisão quando têm algo de muito importante a comunicar ao distinto público. Algo, de fato, excepcional. Porque da miudeza cuida a propaganda diária do próprio governo.

Aqui, não. Em datas tidas como especiais do tipo 1º de Maio, 7 de Setembro, Natal e Ano Novo, o presidente se vale de cadeia nacional de rádio e de televisão para exaltar suas próprias realizações. Ou então a daqueles que o antecederam - desde que do mesmo partido.

Propaganda pura. E de graça.

Esperteza provinciana. Ou abuso.

01 de maio de 2013
in ricado noblat

VÍDEO REVELA A BRUTAL REPRESSÃO NA VENEZUELA



Este vídeo mostra a brutal repressão a um protesto contra a fraude eleitoral na Venezuela ocorrida na cidade de Barquisimeto, que está dentre as mais importantes da Venezuela.
Os jovens protestavam pacificamente quando de repente a Guarda Nacional surge com uma brutalidade inaudita. São os bate-paus de Nicolás Maduro, o usurpador, e do "gusano" Diosdado Cabello, o presidente da Assembléia Nacional que bate em mulheres, como ocorreu ontem na pancadaria na Assembléia Nacional.
Esses comuno-fascistas venezuelanos são os amigos íntimos do Lula, da Dilma e dos petistas. Aliás, ficou célebre a frase de Lula afirmando que "na Venezuela existe democracia até demais".
É isso que eles desejam fazer aqui no Brasil. Portanto, é um dever dos cidadãos brasileiros desalojar o quanto antes o PT do poder. É uma questão de segurança nacional.
 
01 de maio de 2013
in aluizio amorim

O SALTO DEFINITIVO PARA O CAPIMUNISMO JÁ FOI DADO



 

A suprema ironia é ficar sem fazer nada em um feriado que celebra o Dia do Trabalho – justamente em um País Capimunista que desvaloriza, desmoraliza e sabota a livre iniciativa produtiva, capaz de gerar emprego, produção de qualidade e renda a ser distribuída entre quem trabalha e produz de verdade.

Senti uma vontade danada de passar o dia do trabalho igualzinho aos petralhas no governo. Ou seja, fazendo nada e me dando cada vez melhor. Não consegui me render à vagabundagem deles justamente porque, simbolicamente, a rotina petralha consiste em um grande trabalho contra o Brasil e os Brasileiros.

A recente inserção da propaganda eleitoreira gratuita do Partido dos Trabalhadores é uma peça grotesca de mentirosa exaltação comunistóide. A conversinha fiada de que o Brasil se prepara para dar um segundo salto é uma senha subliminar de que o desgoverno Lula-Dilma, representando o Foro de São Paulo, tenta criar e consolidar as pré-condições históricas para nos arremessar no buraco nigérrimo do tal do “Socialismo do Século 21”.
O vídeo acima é um excelente apanhado das armações ideológicas e ideocráticas promovidas pela nazipetralhada. O objetivo estratégico deles tem nada de socialista (no sentido romântico da expressão). Na prática, o que eles querem de verdade é o aprofundamento de nosso Capimunismo – uma combinação de capitalismo com práticas regulatórias autoritárias, dignas do fracassado modelo soviético. O paradigma deles é de uma Cuba que fosse capaz de produzir e gerar grandes lucros para os detentores do poder.

Petralhas querem aparelhar o poder em um Estado cada vez mais forte e centralizado, a fim de criar condições para que seus líderes políticos e comparsas de negociatas tenham chance de virar sócios de grandes empresas e empreendimentos, sem que tal fato seja percebido por órgãos fiscalizadores do mercado de capitais, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Petralhas, seus familiares e aliados são sócios secretos dos maiores empreendimentos tocados hoje no Brasil. Geralmente, na maioria dos casos, tais negócios se viabilizam com a alta grana vinda da parceria com os fundos de pensão de “funcionários” de empresas estatais (ou de economia mista, se preferir).

Não por coincidência, tais fundos, com patrimônios bilionários e participação acionária nas maiores empresas privadas do País, são geridos por dirigentes ligados ao capimunismo petralha. Na prática, os petralhas já deram seu “derradeiro salto”: tomaram de assalto o Estado, graças ao voto da maioria de ignorantes e iludidos do Brasil, e cada vez têm mais poder econômico – o que viabiliza mais poder político.

Eis o verdadeiro Capimunismo do Século 21. Todos os demais movimentos ideológicos promovidos pela nazipetralhada são meras escaramuças para esconder a ação secreta de seus dirigentes máximos no campo empresarial. Os dirigentes máximos do PT e os parentes deles estão muito ricos. Certamente, ganharam na loteria sem jogar...

O resumo é simples. Petralhas são travestis da politicagem. Eles não ligam para ideologia - apenas fingem que são ideológicos, "socialistas convictos". Petralhas gostam mesmo é de muita grana! O que dá poder, efetivamente. O resto é conversa do Boi Tatá.

Ilusionismo

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.
 
01 de maio de 2013
Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

JOSÉ SARAMAGO: DEMOCRACIA

BOMBAS DESARMADAS


Três bombas-relógio que poderiam gerar grave crise institucional estão sendo desarmadas nos últimos dias: o projeto de lei que limita a formação de novos partidos; a tentativa de controlar a atuação do Supremo Tribunal Federal; e a emenda que retira do Ministério Público o poder investigativo. As três iniciativas parlamentares têm uma digital única, a dos petistas irritados com a condenação dos mensaleiros.

E o trabalho de desmontagem dessas bombas, que colocariam em risco a democracia brasileira, tem também uma marca própria, a do PMDB, atuando como aqueles esquadrões antibombas em países atacados pelo terrorismo.

Partido que enfrenta o paradoxo de ser imprescindível para a governabilidade do país e ao mesmo tempo não ter condições de ser protagonista da cena política, por um desses acasos que fazem a política, o PMDB preside as duas Casas do Congresso nos anos vitais para a sucessão presidencial e, diante da atuação cada vez mais desenvolta dos “aloprados” do PT, está tendo a oportunidade de exercer o papel de fiador da democracia brasileira, o que, se não releva, pelo menos deixa em segundo plano no momento o seu histórico de fisiologismo.

Depois de um encontro dos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Henrique Eduardo Alves, com o ministro Gilmar Mendes, do STF, num reconhecimento político da sua liderança, começaram a ser desarmadas as bombas deixadas pelo caminho.

A proposta do presidente da Câmara de proibir a aprovação por aclamação de uma emenda constitucional já é uma limitação a arroubos de fanáticos, religiosos ou políticos, que surgem no Congresso com mais frequência do que seria desejável numa democracia estável.

Aos que alegam que a PEC estava ainda no começo da tramitação, não se justificando o alarme, é bom lembrar que, se uma Comissão de Constituição e Justiça considera “admissível” uma proposta como essa, claramente inconstitucional, que submete decisões do Supremo Tribunal Federal aos caprichos da maioria congressual do momento, toda a tramitação já começa viciada, denotando a intenção de um grupo político de impor sua vontade mesmo contra a lei.

O mesmo raciocínio vale para a lei que tenta atingir a criação de novos partidos, com o objetivo claro de dificultar a caminhada da ex-senadora Marina Silva para a disputa presidencial de 2014 ou, mais claramente, de facilitar a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

A questão da “PEC da Impunidade”, como ficou conhecido o projeto de emenda constitucional que pretendia proibir o Ministério Público de investigar, pode ser resolvida de maneira democrática com esta comissão anunciada ontem, que vai rediscutir o assunto de maneira a que não haja “vencidos nem vencedores”, e que o combate à corrupção seja reforçado e não tolhido.

Só a sua criação já é uma derrota para aqueles que viam na PEC um instrumento de retaliação à atuação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no julgamento do mensalão. E uma ducha de água fria nos que, aproveitando-se da sede de vingança, queriam mesmo era um ambiente mais propício à maracutaia, sem o Ministério Público para investigar.

O PMDB tem contra si o histórico fisiológico de suas principais lideranças, que dificulta antever nas suas ações um movimento de revigoramento do Poder Legislativo. Deixando que questões locais se sobrepusessem às nacionais, demonstrou uma vocação política restrita, aceitando o papel de coadjuvante de PT e PSDB, partidos que têm “vocação presidencial”.

A ação rápida e eficaz de seus líderes, entre eles o vice-presidente da República, Michel Temer, nesses casos dos últimos dias dá ao partido a possibilidade de atuar em outra dimensão, num momento delicado da cena brasileira. O PMDB torna-se mesmo um contraponto às tentativas petistas de neutralizar as divergências através de golpes institucionais.

01 de maio de 2013
Merval Pereira, O Globo

A INFLAÇÃO ENTRA PARA O DEBATE POLÍTICO


O deputado Paulo Pereira da Silva anunciou que fará das comemorações do Dia do Trabalho a plataforma de lançamento de uma campanha pela indexação dos salários dos trabalhadores. De acordo com sua primeira proposta, as negociações dos dissídios coletivos anuais passariam a ser trimestrais.

Noutra sugestão, de um sindicalista tucano (repetindo, tucano), toda vez que a inflação bater a marca dos 3% sobre o último reajuste, seria acionado um gatilho, elevando os salários. Na aparência, repõe aquilo que o trabalhador perde com a desvalorização da moeda. Na vida real, gera mais inflação.

Nas festividades de hoje estão previstas as presenças de três candidatos a presidente (Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva), mais o comissário Gilberto Carvalho, representando a doutora Dilma. Boa ocasião para que todos denunciem a proposta como demagogia política e irresponsabilidade econômica.

A indexação de seja o que for está para uma sociedade assim como a cocaína para o organismo humano. O que o Brasil precisa é de menos indexação e, se há tarifas e serviços indexados, o que se deve discutir é o seu fim, não sua expansão.

Juntando-se a seriedade profissional do sindicalista Paulinho com a de todos os candidatos a presidente, mais a da doutora Dilma, ela não chega à metade da que tinha o professor Octavio Gouvea de Bulhões. Pois foi ele quem, em 1964, criou a correção monetária. Injetou um vírus no sistema do país, criando um ciclo de torpor que arruinou a sociedade.

Ela suportou seis moedas diferentes e a inflação foi a 1.764 % em 1990. Vale lembrar que Bulhões usou a indexação para restabelecer a confiança nos papéis do governo. Acreditava que ia ficar nisso.

Quando o governo emite mais do que pode, todo mundo perde. Imagine-se uma situação em que começa a chover. Todo mundo se molha. Contudo, alguns grupos protegem-se, buscando coberturas. A indexação cria um sistema pelo qual o governo passa a distribuir a proteção.

A partir desse momento, uma parte da sociedade lucra e outra rala. Trinta anos de inflação e correção monetária distribuíram lucros para o andar de cima e ruína para os trabalhadores.

A proposta do deputado é um instante de demagogia política diante de um governo atônito com a alta de preços. Quando os sábios da doutora Dilma pedem a prefeitos que adiem o reajuste de tarifas para limpar a inflação do fim do mês, põem em movimento um ciclo de malandragens que desembocam em propostas como a da Força Sindical.

Esses artifícios já custaram à doutora a perda da confiança de uma parte do empresariado. Outra parte, mais esperta, tira proveito do truque obtendo desonerações tributárias, juros camaradas e benefícios contratuais.

O que os trabalhadores precisam é de menos inflação e nenhuma indexação. A debilidade da gestão da doutora Dilma está no uso de remendos para segurar preços e, em matéria de esparadrapos, o mais perigoso é a volta da indexação dos salários. Se Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva tiverem coragem para enunciar essa simples verdade, a campanha pela sucessão presidencial do ano que vem começará bem. Afinal, não se pode acabar com a chuva, mas pode-se trocar governos que geram inflação e mutilam o valor da moeda.

01 de maio de 2013
Elio Gaspari é jornalista.

A INFLAÇÃO ENTRA PARA O DEBATE POLÍTICO


O deputado Paulo Pereira da Silva anunciou que fará das comemorações do Dia do Trabalho a plataforma de lançamento de uma campanha pela indexação dos salários dos trabalhadores. De acordo com sua primeira proposta, as negociações dos dissídios coletivos anuais passariam a ser trimestrais.

Noutra sugestão, de um sindicalista tucano (repetindo, tucano), toda vez que a inflação bater a marca dos 3% sobre o último reajuste, seria acionado um gatilho, elevando os salários. Na aparência, repõe aquilo que o trabalhador perde com a desvalorização da moeda. Na vida real, gera mais inflação.

Nas festividades de hoje estão previstas as presenças de três candidatos a presidente (Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva), mais o comissário Gilberto Carvalho, representando a doutora Dilma. Boa ocasião para que todos denunciem a proposta como demagogia política e irresponsabilidade econômica.

A indexação de seja o que for está para uma sociedade assim como a cocaína para o organismo humano. O que o Brasil precisa é de menos indexação e, se há tarifas e serviços indexados, o que se deve discutir é o seu fim, não sua expansão.

Juntando-se a seriedade profissional do sindicalista Paulinho com a de todos os candidatos a presidente, mais a da doutora Dilma, ela não chega à metade da que tinha o professor Octavio Gouvea de Bulhões. Pois foi ele quem, em 1964, criou a correção monetária. Injetou um vírus no sistema do país, criando um ciclo de torpor que arruinou a sociedade.

Ela suportou seis moedas diferentes e a inflação foi a 1.764 % em 1990. Vale lembrar que Bulhões usou a indexação para restabelecer a confiança nos papéis do governo. Acreditava que ia ficar nisso.

Quando o governo emite mais do que pode, todo mundo perde. Imagine-se uma situação em que começa a chover. Todo mundo se molha. Contudo, alguns grupos protegem-se, buscando coberturas. A indexação cria um sistema pelo qual o governo passa a distribuir a proteção.

A partir desse momento, uma parte da sociedade lucra e outra rala. Trinta anos de inflação e correção monetária distribuíram lucros para o andar de cima e ruína para os trabalhadores.

A proposta do deputado é um instante de demagogia política diante de um governo atônito com a alta de preços. Quando os sábios da doutora Dilma pedem a prefeitos que adiem o reajuste de tarifas para limpar a inflação do fim do mês, põem em movimento um ciclo de malandragens que desembocam em propostas como a da Força Sindical.

Esses artifícios já custaram à doutora a perda da confiança de uma parte do empresariado. Outra parte, mais esperta, tira proveito do truque obtendo desonerações tributárias, juros camaradas e benefícios contratuais.

O que os trabalhadores precisam é de menos inflação e nenhuma indexação. A debilidade da gestão da doutora Dilma está no uso de remendos para segurar preços e, em matéria de esparadrapos, o mais perigoso é a volta da indexação dos salários. Se Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva tiverem coragem para enunciar essa simples verdade, a campanha pela sucessão presidencial do ano que vem começará bem. Afinal, não se pode acabar com a chuva, mas pode-se trocar governos que geram inflação e mutilam o valor da moeda.

01 de maio de 2013
Elio Gaspari é jornalista.

EDUARDO CAMPOS ESTUDA NOVO SLOGAN DE CAMPANHA À PROVA DE CÓPIA

 

O governador Eduardo Campos, de Pernambuco, aspirante à sucessão da presidente Dilma, adotou como slogan temporário ou definitivo de campanha a frase que diz ser possível "fazer mais e melhor".

No recente programa de televisão que marcou os 10 anos do PT, Dilma e Lula se apropriaram do slogan de Eduardo. Em forma de jogral, disseram que "os brasileiros já aprenderam que é possível ter sempre mais". E que "nosso governo também aprendeu que é possível fazer cada vez mais e melhor".

A equipe de marketing de Eduardo trabalhou rápido e produziu outro slogan que poderá vir a ser adotado por ele: "Fazer mais e bem feito".

Não vê chance do novo slogan vir a ser copiado pela dupla dinâmica.

 
01 de maio de 2013
in blog do noblat

DA VENEZUELA PODERÁ SURGIR O CAOS; MAS TAMB[EM A LUZ!

DA VENEZUELA PODERÁ SURGIR O CAOS; MAS TAMBÉM A LUZ!
Montagem que circula sem parar pelas redes sociais: o presidente da Assembléia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, também conhecido pela alcunha de "gusano".

VÍDEO MOSTRA O ATAQUE DOS CHAVISTAS


HERRAMIENTA DE TRADUCCIÓN EN LA COLUMNA A LA DERECHA ABAJO

O truculento ataque da tropa de assalto chavista contra os deputados oposicionistas no plenário da Assembléia Nacional da Venezuela chocou o mundo. Menos em Cuba, na Coréia do Norte e na China.

No Brasil os jornalões mais uma vez, patrulhados pelo jornalismo "disquerda", tergiversou e as matérias que li nos sites dos principais jornais não refletem a realidade. Não há fotos nem vídeos, embora aqui no blog, em posts abaixo, os leitores poderão ver tudo detalhadamente.

Não sei o que as televisões brasileiras mostraram porque não vejo televisão. Ver aquele teatrinho da Globo para dar uma informação me causa, como diria, um certo enfado e uma vontade louca de imediatamente desligar antes que um acesso de fúria me leve a despedaçar o televisor.

Não tenho paciência para ver e ouvir esse tipo de jornalismo pasteurizado. Logo eu, velho de guerra do jornalismo, que há mais de 40 anos exerço esta profissão, simplesmente não dá para aturar coleguinhas querendo se passar por imparciais, quando na verdade são todos militantes do PT e seus satélites, como o deplorável PSOL, PSTU, PCdoB (como é que não existe mais o comunismo?) e como se não bastasse toda essa idiotia agora também sugiram os "sonháticos" da rede ecochata. Os "sonháticos" na verdade são petralhas de carteirinha que procuram algo mais, digamos assim, "light".

Mas voltando à Venezuela, pelo que se vê o Nicolás Maduro, o usurpador, é, com já disse aqui no blog, um "cadáver político". O chavismo sem Chávez virou espuma rala. Agora a Venezuela já não é mais, como apregoavam esses jornalistas bolivarianos, um país dividido. Calcula-se que o número de chavistas não passe de 30%. Houve uma migração em massa para a oposição.

Há pouco vi um vídeo de uma assembléia de trabalhadores tendo no palanque o líder oposicionista Henrique Capriles, realizada nesta terça-feira, assembléia essa alusiva ao Dia do Trabalho que se comemora nesta quarta-feira, 1º de Maio. Coisa grande e surpreendente. Ao final deste comentário vocês podem conferir.

Nas redes sociais os oposicionistas não descansam. Recebi trocentos twittes desde Caracas e de mais de uma dezena de cidades venezuelanas. O blog é bem lido por lá e também nos demais países latino-americanos, nos Estados Unidos e na Europa. Colegas jornalistas ilustres de nível internacional também me honram seguindo-me pelo Twitter. O mesmo faço eu com a minha timeline rodando 24 horas. Haja tempo para processar todas essas informações.

O que fica muito claro é que a situação na Venezuela é tensa. E ficou mais tensa depois que um bando de brucutus vestidos com agasalhos estampados com as cores da bandeira venezuelana, iguais àqueles que o finado tiranete usava muito, avançaram sobre os deputados oposicionistas ao primeiro som das vuvuzelas. É que Diosdado Cabello, um sujeito que tem cara de verme, é um ex-milico convertido ao chavismo e se tem comportado como um pequeno Hitler.
Quer obrigar os deputados oposicionistas a reconhecer Nicolás Maduro, o usurpador, como presidente legítimo, embora tenha chegado ao Palácio Miraflores por meio uma fraude escandalosa.

Como os oposicionistas se negam a reconhecer Nicolás, o usurpador, Diosdado Cabello resolveu cassar a palavra da Oposição há várias semanas. Nesta terça-feira, face ao despotismo do pequeno "gusano" (verme em español), os deputados que seguem Capriles sopraram vuvuzelas. Foi como a senha para desatar a sanha assassina da tropa de assalto do Führer cucaracha.
O resultado foi uma sessão de pancadaria da qual não escaparam nem as mulheres deputadas. Da mesa, o Führer deixava escapar um sorriso cínico cheio de satisfação, expressão comum do sadismo que é uma perversão.

Diosdado Cabello não é apenas o presidente da Assembléia Nacional. É o número 1 do chavismo. O que dá uma idéia de quem comanda a Venezuela. Maduro só está presidente porque é homem de confiança absoluta de Fidel Castro e seu irmão Raúl. Maduro foi treinado desde jovem em Cuba, antes de ocupar o cargo de chofer de autobus.
É apenas uma marionete de Fidel Castro. Sua missão não é governar a Venezuela, mas prover Cuba com petróleo todas as semanas, caso contrário a Ilha comunista sofrerá um apagão geral. Portanto, é briga de vida ou morte para Fidel e seus acólitos.

A morte de Chávez coincidiu com o ápice da esculhambação geral na Venezuela. Escassez de alimentos, de medicamentos, indústrias destruídas e estatizadas e a PDVSA, a Petrobras venezuelana, anarquizada. Imaginem, uma situação dessas e mais uma desvalorização brutal do bolívar com inflação alta! Ora, isso fez imediatamente que boa parte dos chavistas caísse na real. Passaram-se com armas e bagagens para o lado de Henrique Capriles.

E, pelo que se nota, o afável e educado Henrique Capriles desta feita não está para brincadeira e não irá reconhecer Nicolás Maduro com vitorioso na eleição. Exige uma completa recontagem dos votos e conta com o apoio de mais da metade da população venezuelana. E olhem que o chavismo domina todos os veículos de comunicação eletrônicos da Venezuela. Por enquanto só a TV Globovisión veicula matérias da oposição. E mesmo sem ter espaço na grande mídia Henrique Capriles é atualmente a maior liderança política da Venezuela. Perto dele, Nicolás Maduro é um espantalho.

Isto é o que está ocorrendo na Venezuela que a grande mídia internacional e a nossa aqui no Brasil escamoteiam. A mídia brasileira, em quase 100% é totalmente bolivariana. Tanto é que Mônica Bergamo, festejada colunista social da Folha de S. Paulo foi à Venezuela especialmente para ver o "pajarito" de Nicolás Maduro. E produziu, como não poderia deixar de ser, uma generosa entrevista que foi publicada nesse jornal na véspera da eleição.

Não se sabe se a pauta foi do baiano João Santana, o ministro sem pasta do governo da Dilma, que cuida do marketing do PT. Santana foi o chefe de propaganda da campanha de Maduro. Dizem que o home é fera. Mas desta feita o voo do "pajarito" foi curto e razo. Será que Santana está mesmo com essa bola toda?

É que os jornalistas em sua maioria detestam a internet e não sabem nem mesmo utilizar as redes sociais. Poucos são aqueles que se familiarizaram com estas novas mídias. Sim, porque a internet é uma nova mídia e tem a sua própria linguagem e forma. Não que a mídia tradicional vá se acabar. Não. Mas quem trabalha com comunicação tem de estar ligado na grande rede.

Por enquanto os jornalões e, principalmente as redes de televisão continuarão a ser os veículos que formam a opinião pública. Mas num futuro de médio prazo as redes sociais turbinadas pelos dispositivos móveis mudarão esse panorama. Já antevejo o movimento lento dos dinossauros... carregando aquele fardo cheio de ideias dos anos 60 do século passado.
Da Venezuela poderá surgir o caos, mas também a luz!

CAPRILES EM ASSEMBLÉIA DE TRABALHADORES

 
01 de maio de 2013
in aluizio amorim

SOBRE MINHAS OJERIZAS


Pois, Rodrigo, não é que eu vista a roupa de homem comum. Sou um homem comum, inclusive quando leio bons livros e escuto boa música, afinal isto também faz parte da vida do homem comum. Sou homem comum, mas tenho minhas manias. Ou meus princípios, como quisermos.

Minha infância está tomada por Disney. Tenho centenas de horas de leitura de Pato Donald, Mickey, Pateta, Tio Patinhas. Foram revistinhas que me ajudaram no aprendizado da leitura. Aliás, diria que estão na base do aprendizado de todo brasileiro que hoje tenha mais de 60 anos. Ler publicações da Disney quando se é criança nada tem de vergonhoso. Nem mesmo quando adolescente. E mesmo se você, adulto, quiser dar uma repassada nas revistinhas de seus dias de criança, nada demais. Para bom leitor, toda leitura sempre tem sentido. Escrevia há pouco um dos participantes do debate:

- Acredito que uma das qualidades essenciais a um intelectual (ou pelo menos a quem se pretende) seja a capacidade de compreender e refletir sobre as inquietações de seu tempo, bem como ter a sensibilidade necessária para estabelecer relações entre as diferentes manifestações culturais. Quem disse que não é possível escutar ecos de um Goethe ou Kafka em meio às agruras existenciais do Batman ou Hulk?!

Sem dúvida alguma. É o casco da ferradura quando bate na calçada, como dizia Agripino Grieco. São inserções de roteiristas que se pretendem hábeis e querem dar algum verniz de erudição a suas historietas anódinas. Mas Batman ou Hulk não são os foruns adequados para debatermos inquietações de Goethe ou Kafka.

Vou mais longe: claro que se pode fazer uma reflexão inteligente a partir dessas historietas. Bem ou mal, elas refletem idiossincrasias da época. Posso analisar comportamentos da classe média americana a partir do Tio Patinhas ou Pato Donald. Como também a partir dos super-heróis. Ou de qualquer outra historieta ou filme bobo. Já Disneylândia é outra coisa.

Disneylândia é um chamado de consumo, quase um atentado à infância do país. Há escolas que organizam excursões aos parques da Disney e ai da criança que não for. Se sentirá diminuída ante os que foram. Os pais sabem disso e, mesmo que tenham poucas posses, fazem das tripas coração para mandar o rebento aos States. Se você paga cinco ou dez reais por uma revistinha, Disneylândia é mais salgado.

Sim, tenho filha. Poderia morrer chorando, eu jamais a levaria lá. Sou da época em que filhos não mandavam em casa. Se os pais hoje são escravos de seus rebentos, jamais participei nem participo desta filosofia. Ofereceria à minha filha o mundo todo. Jamais a Disneylândia. Isso sem falar em outras manias ianques que abomino. Meus pés jamais pisarão parques temáticos. Há muita coisa linda no mundo fora do roteiro das multidões.

Sou fanzoca de Asterix, que considero literatura e das boas. Em minha biblioteca, ao lado de Tomás de Aquino e Casanova, estão as “obras completas” de Goscinny e Uderzo. Quando em Paris, pensei ir à inauguração do Parc Axterix, em Oise. Pelo que sabia então, até suas ruelas exalavam odores de comida, para estimular o apetite dos visitantes. Recurso besta, mas vá lá. Foi quando soube que era proibido consumir álcool no parque. Querem então que eu, estando na França, coma sem beber vinho? Não fui. Estupidez tem limite e não tenho paciência com coisas estúpidas.

Já viajei por países onde o álcool é proibido. Se é proibido, não serei eu quem desrespeitará a legislação local. Mas na França álcool não é proibido. Enfim, diria que não perdi nada. Literatura é uma coisa e pode ser consumida em casa. Um parque não traduzirá o encanto da literatura.

Desde que me entendo por gente, sou hostil ao que atrai milhões. Inteligência é moeda rara e não existem no mundo milhões de pessoas inteligentes. Daí minha ojeriza a best-sellers e shows que atraem multidões. A multidão máxima que suporto é a de uma sala de ópera. Mais do que isso, espetáculo algum terá minha presença.

Vi outro dia, na televisão, o último Batman. Como o filme foi em prosa e verso cantado, decidi ver o que andam vendo por aí. Filme sem dúvida tecnicamente bem feito, afinal o mercado não pode oferecer qualquer lixo aos consumidores. Mas que ridículo atroz, meu Deus! (Há horas em que viro místico!). Que faz aquele personagem com os músculos do rosto à mostra? Não existem cirurgiões plásticos em Gotham City? O recurso, obviamente, é para chocar o espectador. Resulta ridículo e acaba não chocando ninguém.

Há alguns anos, vi declarações de um produtor americano, explicando por que havia tanta flatulência nos filmes ianques. Dizia que puns fazem adolescentes rir. Como o cinema está sendo dirigido aos jovens, satisfaça-se a estupidez inerente à adolescência. O problema é que barbados buscam tais filmes. Vão ao cinema para rir de flatulências. Pelo jeito, não tiveram adolescência.

Fui um apaixonado pelo cinema. Fiz um ano de curso de cinema na Stockholms Universitet, em cuja cinemateca revi toda a história do cinema mudo. Em meus dias como jornalista na Europa, cobri os festivais de Berlim, Cannes e Cartago. Eram outros tempos, os de Ingmar Bergman, Federico Fellini, Kurosawa, Sam Peckinpah, Costa-Gavras, Buñuel, Visconti. Vivi em uma Porto Alegre que respirava cinema. Sexta-feira, à meia-noite, tínhamos sempre a pré-estréia de algum filme de um cineasta importante. Os sábados eram dominados pela discussão da obra, que percorria a semana toda. Eram filmes que mereciam um debate.

Verdade que também eram os tempos de Godard e Antonioni, cineastas que levaram gerações a ver seus monótonos abacaxis nas salas de cinema. Chatos, mas pelo menos não ridículos como essa safra de blockbusters ianques. Do Godard, fui testemunha de uma gafe genial.

Ocorreu no cine Rex, anos 70, na pré-estréia de Alphaville, de Jean-Luc Godard. O suíço tinha suas idiossincrasias e o público não o entendia muito bem. Em meio ao filme, o detetive Lemmy Caution, interpretado por Eddie Constantin, fuzila alguém com dois tiros na testa. Mais adiante, o fuzilado reaparece, vivo e em plena forma. A platéia estava confusa. Jefferson Barros, crítico então marxista (mais tarde viraria muçulmano. Acontece) , brilhou com sua interpretação. Que não podíamos pensar o cinema godardiano a partir de nossa concepção cronológica de tempo. Que o tempo, para o cineasta, era interior, psicológico, acronológico. Era o tempo de Bergson em a Évolution Créatrice, explorado por Proust em A la Recherche du Temps Perdu e retomado por Joyce, em Ulisses.

A tese durou o que duram as rosas. Quando o filme entrou em cartaz, desvendou-se o mistério: na pré-estréia, o operador havia trocado os rolos. A tese do crítico pode ter tido vida breve. Mas era brilhante, sem dúvida alguma. Longe de mim pretender que alguém pense como penso, ou gostar do que gosto. Cada um com seu cada qual. O que não se admite é qualificar como arte embustes que a indústria de Hollywood produz para conquistar platéias. De apaixonado pelo cinema, virei desiludido com o cinema.

Se um dia atravessei países para ver bons filmes, hoje há anos que não vou em uma sala. Tenho me refugiado no cinema antigo. Revi, nestes dias, Uma arma para Johnny, do Dalton Trumbo, e Freaks, la monstrueuse parade, do Tod Browning. Recomendo aos jovens que curtem blockbusters. É um outro cinema.

01 de maio de 2013
janer cristaldo

UM GRANDE BLEFE: ESTATUTO DO IDOSO


DIA PRIMEIRO DE MAIO, TAMBÉM DEVERIA SER O DIA DO EX-TRABALHADOR, HOJE APOSENTADO, DEPOIS DE TER CUMPRIDO TRINTA OU MAIS ANOS DE TRABALHO.
MAS A DEMAGOGIA E A HIPOCRISIA DE UM GOVERNO QUE SE DIZ DO TRABALHADOR, ROUBAM DOS ANOS DE VIDA QUE RESTAM AOS QUE PRODUZIRAM A RIQUEZA DESTE PAÍS, O RAZOÁVEL E MERECIDO DESCANSO QUE POSSA PROPICIAR UMA VIDA SEM ATROPELOS, AFLIÇÕES E DIFICULDADES.
O ESTATUTO DO IDOSO, RECEBIDO COM EUFORIA PELOS APOSENTADOS E PENSIONISTAS, NÃO PASSOU DE UM GRANDE GOLPE ELEITOREIRO, HIPÓCRITA E DEMAGÓGICO.
ASSIM CAMINHA UMA NAÇÃO QUE DESPREZA OS SEUS IDOSOS, AFRONTANDO SEUS DIREITOS E CONSAGRANDO A CRUELDADE.

http://www.youtube.com/watch?v=IsCqr4i4Iag&feature=player_detailpage&list=UUIpqwvp6-wbti4JETXo_VtQ

01 DE MAIO DE 2013
m.americo

UM PAÍS TODO PICADINHO

 

A regulamentação meticulosa de toda e qualquer profissão ou sub-profissão e de cada detalhe das relações entre empregados e empregadores dentro de cada uma dessas profissões e subprofissões é a ferramenta com que os "donos do poder" vêm, ha 70 anos, fatiando a Nação para tornar mais fácil governá-la.
O "nós" dos governados, dos que pagamos impostos, dos que cedemos parte do resultado do nosso trabalho, dilui-se no picadinho de incontáveis "categorias" de portadores de "direitos" e, portanto, também de interesses "especiais". O "eles" dos que vivem dos impostos que pagamos, agora travestidos em provedores e mantenedores desses "direitos especiais", se agranda em arrogância onipotente.
 
Literalmente invertem-se os papéis: quem vive de tomar passa a ser tratado como se desse; quem dá passa a ser tratado como se vivesse de tomar.
Eis como eles nos mantêm dóceis nas suas mãos, cada um agarrado ao padrinho do seu pequeno privilégio lutando pela manutenção ou pela extensão do seu "direito adquirido" particular.
Dividir para governar... O truque é velho como o mundo!
Mas não é só isso.
Para cada profissão ha uma lei, um tribunal e um batalhão de advogados especializados. Torna-se impossível transitar sem guias por esse labirinto cheio de dialetos.
 
O exército dos mantenedores dessa industria - um outro Poder Judiciário com suas multiplas instâncias paralelo ao que basta para o resto do mundo; uma segunda legião de advogados; partidos políticos empenhados em vender mais e mais "direitos" ao trabalhador; milhares de Departamentos de Pessoal inchados para destrinchar esse caudal de regras em permanente mutação; escolas e universidades produzindo as teorias que justificarão todas essas "necessidades" só nossas; os gestores do gigantesco bolo da metade de cada salário que vai para o governo - toda essa legião que gravita em torno dos mais de 900 artigos da CLT e das quase 300 sumulas dos Tribunais do Trabalho, enfim, trabalhará unida para impedir que seja removido de cena o artifício que a torna imprescindível e para enfiar na cabeça de cada brasileiro, desde que nasce, que esse artifício é a essência intocável da "democracia brasileira" que é preciso defender com unhas e dentes, sob pena de sermos todos atirados às feras e levados de volta à Idade Média.
 
E, no entanto, para o resto do mundo e desde o advento dela, a admissão ou não do conceito de "direito especial", que pressupõe a existência de quem tenha poder para outorgá-los, é exatamente a linha divisora entre a democracia e o absolutismo: onde há uma coisa não há a outra e vice-versa.
Uma só e mesma lei válida para todos; uma só e mesma maneira de exigir de todos o seu cumprimento: eis o que define o Estado democrático de direito.
O menor espaço possível regulado por leis; o maior espaço possível reservado para a livre pactuação entre as partes interessadas: eis o que define o grau de liberdade desfrutado pelo cidadão dentro de cada Estado democrático de direito.
O resto é mentira.
 
E uma mentira que custa caríssimo.
Passados 70 anos do festivo Primeiro de Maio de 1943 em que Getulio Vargas armou no Estádio do Vasco da Gama, o maior do Rio de Janeiro em seu tempo, um comício gigante inspirado na estética de Leni Riefenstahl para anunciar ao povo a sua versão da Carta del Lavoro de Benito Mussolini, 18 milhões de trabalhadores brasileiros (20% da mão de obra ativa) e outros 15 milhões de trabalhadores autônomos continuam trabalhando sem registro ou direito algum para que a outra metade, ou pouco mais, possa desfrutar dos direitos que a CLT diz ha sete décadas que valem para todos.
E esta é a melhor marca jamais alcançada pelo país...
 
"Em compensação" ha mais de 15 mil sindicatos, tres mil dos quais jamais participaram sequer de uma única negociação coletiva, apenas porque a CLT manda criar um sindicato por categoria por município. A pequena multidão que mamam nessa teta consome, por ano, R$ 2,4 bilhões em imposto sindical descontado religiosamente de quem trabalha. E o numero não para de crescer. Desde 2005 a velocidade subiu para 250 sindicatos novos por ano, em média, embora o numero de trabalhadores sindicalizados não pare de cair, tendo chegado este ano a meros 16 milhões ou 17,2% da mão de obra ativa.
Partidos e políticos, nem se fala. Não ha um que - no nome ou não - não seja "do trabalhador" e não esteja empenhado em criar mais regras "a favor" dele.
 
A Justiça do Trabalho, então, seja pelos seus juizes, seja pelas sentenças que passam, é aquele manancial de bons exemplos a constribuir para dar lustro à moral nacional.
Como lá fora ruge o mundo onde patrões e empregados se entendem sem precisar sustentar a gigantesca industria que faz isto por nós aqui e, graças ao que deixa de desperdiçar com esse aparato insano, vem nos comendo pelas beiradas, o discurso da necessidade de aliviar essa interferencia e esses custos ja chegou à boca até do próprio presidente da Republica.
De modo que nos próximos 70 anos pode ser que alguma coisa mude. Mas mesmo que não mude, você não tem mais desculpa. Agora você sabe exatamente onde é que eles te dão o drible.
 
01 de maio de 2013
fernaslm

JULGAMENTO POLÍTICO

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Exército de jornalistas desembarcou em Kirov para o maior julgamento político da temporada (Fonte: Reprodução/Reuters)

Justiça na Rússia: o caso Navalny

A condenação de Alexei Navalny parece provável, mas seus efeitos são incertos

Kirov, cidade a 900 km a leste de Moscou, não é conhecida por suas atrações. Ela foi o local do exílio de Alexander Herzen, um revolucionário do século 19. No dia 17 de abril, um exército de jornalistas desembarcou em Kirov para o maior julgamento político da temporada. No papel principal estava Alexei Navalny, um popular blogueiro anticorrupção e figura da oposição que tinha seguidores quase religiosos entre a classe média que utiliza a internet na Rússia.
Nos últimos três anos ele uniu diferentes campos, forçando o Kremlin a responder às suas campanhas anticorrupção e à sua crescente popularidade. O caso contra Navalny é parte dessa resposta. Ele é acusado de desviar US$ 500 milhões de uma companhia madeireira estatal durante o período em que foi conselheiro do governador de Kirov.

O caso começou há dois anos, mas os promotores locais encerraram o caso. Então, Alexander Bastrykin, investigador federal chefe da Rússia, ordenou que fosse reaberto. O fato de que a companhia da qual a madeira foi roubada foi ressarcida e que Navalny não teve nenhum papel comprovado na transação parecem ser apenas detalhes.

O caso foi adiado por uma semana, mas Navalny tem poucas dúvidas sobre se será condenado. A questão agora é: se ele receberá uma sentença de até dez anos, ou uma sentença suspensa que poderia se tornar real se ele for politicamente ativo. Desde que Navalny contou a um canal de televisão na internet que ele quer ser presidente e que faria qualquer coisa em seu poder para colocar Vladimir Putin e seus asseclas na cadeia, as máscaras caíram.

Texto adaptado e traduzido da Economist por Eduardo Sá
01 de maio de 2013
Fontes:
The Economist - Justice in Russia: The Navalny affair