Plus ça change, plus c’est la même chose.
Quanto mais a coisa muda, mais ela é a mesma coisa.
Na origem a coisa deita raízes na grande encruzilhada “responsabilidade individual" ou “igualdade” que, respectivamente, nas revoluções americana (1776) e francesa (1789) abriu as duas correntes ideológicas que até hoje dividem a humanidade. Mas o sentido da versão moderna dessa discussão é cada vez mais cruamente prático.
“Austeridade x crescimento” (hoje); “ortodoxos x heterodoxos” (anos 90); “monetaristas x estruturalistas” (anos 30); tudo são só arranjos diferentes da mesma musiquinha com que os eternos donos do poder distraem a platéia enquanto se exercitam na velha arte, de que nunca deixaram de ser os mestres, de passar adiante os micos que fabricam.
Na prática, traduz-se assim:
Na hora dos bonus: a cada um segundo o seu esforço e a sua capacidade ou a cada um segundo a sua “necessidade” (caso em que alguém de carne e osso, em nome do povo e da moral, decretará que ela é mínima e se arrogará o direito de decidir o que sera feito do excedente)?
Na hora dos onus: a cada um segundo a sua responsabilidade ou a todos indiscriminadamente, incluindo quem não participou da festa que gerou a conta a ser resgatada?
Qualquer que seja a resposta é certo que a conta não desaparecerá por milagre. Tudo que se pode mudar é a escolha de quem terá de pagá-la.
E aí – a História está de prova – a coisa varia pouco. Quem SEMPRE acaba pagando é quem não participou da festa.
Veja-se as variações em torno da crise da hora.
Nos Estados Unidos “a saída” foram as operações-gigantes de resgate de bancos e fundos “grandes demais para quebrar”, feitas à custa de emissão de moeda sem lastro.
Moeda sem quê?
É o seguinte:
Sendo ele o padrão mundial, imprimir mais dólares de papel representando a mesma riqueza (ou uma riqueza menor como, em geral, é o caso nessas horas) é decretar a redução, dólar por dólar, do valor de tudo que cada indivíduo ao redor do globo conquistou com o seu próprio suor.
Foi assim que você, eu, todos nós fomos constrangidos a pagar um pedaço da conta da festa do clube do bilhão la de Wall Street que, graças a isso, nunca teve de parar. Transferido o onus cá pra fora, lá dentro segue, impávida, a festança dos super bônus.
É a mesma coisa que a Europa falida quer fazer mas a Alemanha que não participou da festa ainda não deixa. É a mesma coisa que Brasília sempre fez com o Brasil, com exceção do interregno acidental de Fernando Henrique Cardoso e sua Lei de Responsabilidade Fiscal.
E a China? Quem paga as contas da grande festa da China?
Como lá tudo é do mesmo dono, a corda dá a impressão de ser mais elastica. “Eu não te pago e você não me cobra e fica tudo em casa”.
Mas há uma ponta do sistema que está fincada além da Grande Muralha. E esta não é tão flexivel.
O dinheiro nada mais é, em última instância, que uma representação da quantidade de trabalho embutido num bem.
O remnibi não é um valor internacional. Mas o trabalho hoje é.
A China passa o seu mico – financia o oceânico rombo das suas contas – “emitindo” desvalorização do trabalho em escala planetária.
Exporta o seu desemprego; mata direitos trabalhistas e massacra salários pelo mundo afora. E se apropria da diferença (superávit comercial) com que compra longevidade para o reinado dos príncipes e barões do Partido Comunista Chinês.
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