Em seu depoimento na Câmara, o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo negou o envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas irregularidades investigadas na Operação Porto Seguro. A suspeita foi levantada pelo deputado Anthony Garotinho (PDT-RJ), pelo fato de Lula ser amigo íntimo de Rosemary Noronha e de tê-la nomeada chefe do escritório da Presidência em São Paulo desde seu primeiro governo.
"Imaginar que o ex-presidente estivesse envolvido por trás disso está ao meu ver desmentido", alegou o ministro da Justiça, referindo-se ao fato de Rose, como é conhecida, ter sido indiciada na operação por corrupção, tráfico de influência e falsidade ideológica, em situações que não envolvem pessoalmente Lula.
Realmente, não há indícios de que o próprio presidente estivesse diretamente envolvido nesse mar de irregularidades e corrupção. Mas não é disso que se trata. A questão é muito diferente e envolve crime de responsabilidade praticado por um presidente da República em pleno exercício do cargo, mas que hoje somente é punível como crime de improbidade administrativa, pois há dois anos ele deixou oficialmente o poder, embora ainda continue se metendo nos mais importantes assuntos do atual governo.
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FATOS NÃO SE DISCUTEM
O principal fato – inquestionável e indiscutível – é que agora ficou público e notório que um presidente da República (não importa quem seja ou a que partido esteja filiado) usou a máquina administrativa e os recursos da União para dar emprego à amante e à família dela (leia-se: o ex-marido, o atual e uma das filhas), criou um cargo federal exclusivamente para ela, com direito a carro oficial, combustível, motorista e três assessores, dando-lhe tais poderes que ela mergulhou na corrupção com uma impressionante volúpia. Detalhe: um cargo tão desnecessário que já foi extinto pela presidente Dilma Rousseff.
Não satisfeito, o então presidente da República ainda teve a desfaçatez de se descartar da primeira-dama para se fazer acompanhar da amante em 24 viagens internacionais custeadas com recursos públicos, fazendo com que fossem pagas diárias a Rose apenas pelo prazer, digamos assim, de desfrutar da companhia dela.
Estes são os fatos, todos irrefutáveis e previstos em lei. É isso que tem de ser investigado, com o máximo rigor. Não adianta vir com essa história de que se trata apenas de um caso de amor, como o de Juscelino, Figueiredo ou FHC. E também não adianta dizer que Lula não teve nada a ver com a corrupção. Não é disso que se trata.
05 de dezembro de 2012Carlos Newton
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