"A verdade será sempre um escândalo". (In Adriano, M. Yourcenar)

"Quero imaginar sob que novos traços o despotismo poderia produzir-se no mundo... Depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de moldá-los a seu gosto, o soberno estende seus braços sobre toda a sociedade... Não quebra as vontades, mas as amolece, submete e dirige... Raramente força a agir, mas opõe-se sem cessar a que se aja; não destrói, impede que se nasça; não tiraniza, incomoda, oprime, extingue, abestalha e reduz enfim cada nação a não ser mais que um rebanho de animais tímidos, do qual o governo é o pastor. (...)
A imprensa é, por excelência, o instrumento democrático da liberdade."
Alexis de Tocqueville (1805-1859)



terça-feira, 18 de setembro de 2012

REFLEXÕES HISTÓRICAS: COMO A REVOLUÇÃO RUSSA AMENDRONTOU OS GOVERNOS OCIDENTAIS

 

Quando Joseph Stalin surgiu no cenário russo, nos Estados Unidos já tinha ocorrido uma série brutal de varredura anticomunista organizada em parte pelo procurador-geral A. Mitchel Palmer no final de 1919 e começo de 1920.

A Revolução Russa havia amedrontado os governos ocidentais, alguns deles tomando medidas drásticas e imediatas para prevenir qualquer revolta trabalhista em seus países. Se na Alemanha, por exemplo, os comunistas puritanos não tivessem hostilizado os socialistas chamando-os de “fascistas sociais”, é certo que o nazismo não teria triunfado.

Joseph Stalin, em 1930, estava exibindo um acelerado progresso da Rússia que abalou a aparentemente sólida repressão americana. Sólida, mas porosa. Mais ou menos como está ocorrendo hoje em relação à China, com a secretária Hillary Clinton tendo sido impedida de falar com o provável futuro presidente. Impedida pelo Partido Comunista Chinês. Com Stalin, naquela época, havia planejamento e ordem.

Com o triunfo nazista em 1934, o fascismo se espalhou por todo canto, muitos vindo para o Brasil e criando rebentos aqui. Não exagero quando uso o termo. O comunismo puritano que atacava o socialismo foi um desastre na Alemanha. Tal pureza ideológica impediu a formação de uma esquerda bem maior e mais poderosa que o nazismo, o que teria evitado a liderança de Hitler.

Graças a tal constatação, no Sétimo Congresso Mundial do Comunismo Internacional na Bulgária, o delegado George Dimitrov clamou por uma mudança, propondo uma união entre socialistas e outros progressistas para lutar contra a ameaça fascista. O único jeito encontrado pela União Soviética em benefício do socialismo foi o pacto de não agressão com os nazistas. Só que Hitler aproveitou esse pacto para invadir a Polônia. (A bem da verdade, é bom lembrar que Stalin fez o mesmo mais tarde).


Churchill, Roosevelt e Stalin

O gordo e tabagista Churchill, incapaz de enfrentar o nazismo, como se sabe, foi recorrer a Stalin, formando a coligação Soviético-Anglo-Americana. Seria Stalin também dotado de premonição? (como não sou religioso, não uso o termo “profeta”).

A 9 de fevereiro de 1946, Stalin fez um discurso durante o congresso do Partido Comunista (Soviético) no qual declarou que os países capitalistas representavam mais grave ameaça ao socialismo do que a Alemanha Nazista havia sido. Ele previu que uma guerra contra o capitalismo era inevitável, quando a tais países estariam envolvidos em grande depressão.

Um mês mais tarde Churchill cunhou o termo “Cortina de Ferro”, dando início à guerra fria. Cortina de Ferro por impedir que o imperialismo britânico lá penetrasse?

18 de setembro de 2012
Paulo Solon

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