SITUAÇÃO DE VACA NÃO CONHECER BEZERRO
Primeiro foi Marcos Valério, ameaçando o Lula ao dizer que conversou com ele diversas vezes, apesar dos desmentidos do ex-presidente. Depois, quer dizer, terça-feira, o operador do mensalão negou tudo, afirmando que não é dedo-duro. Não é mas foi, presumindo-se que terá obtido compensações nos diálogos com Paulo Okamoto, representante do Lula.
Agora, quem vai para o centro do palco é Roberto Jefferson, aquele que pela primeira vez denunciou o mensalão, então isentando o Lula de qualquer participação e carregando acusações em José Dirceu. Pois da noite para o dia o ex-deputado cassado, ainda presidente do PTB, volta em 180 graus suas baterias, denunciando que além de saber de tudo, o ex-presidente era o verdadeiro chefe, tendo ordenado a operação de compra do voto de deputados por 30 mil reais mensais a cabeça.
Assim estamos a poucos dias do inicio do julgamento dos mensaleiros pelo Supremo Tribunal Federal, não constituindo surpresa se de ontem para hoje novos acusados tiverem escoado para a mídia mais contradições, denúncias e desmentidos. Na verdade, estão todos apavorados com a perspectiva de condenações. São 38, ao todo, entre estrelas de primeira grandeza e penduricalhos de pouca significação. Assusta-os a possibilidade de saírem do plenário da mais alta corte nacional de justiça diretamente para uma cela nas instalações da Polícia Federal, condenados sabe-se lá a quantos anos de cadeia.
Seus advogados não se entendem, se um dia já se entenderam. De acordo com a lógica, trabalham para livrar o seu cliente, ainda que às custas do vizinho do lado. Não há hipótese de o Lula ser transformado em parte no processo. A tentativa foi rejeitada por decisão do ministro-relator do processo, Joaquim Barbosa. Coisa que não impede de respingarem sobre o ex-presidente pedacinhos de barro jogados no ventilador por parte de alguns mensaleiros.
Faltando sete dias para o início do julgamento, é natural que a cada dia surjam mentiras e verdades envolvendo um dos maiores escândalos da crônica da República, o primeiro, por sinal, a ser conduzido à transparência do Poder Judiciário. A situação, para os indigitados réus, está de vaca não conhecer bezerro…
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O AMARGO RETORNO
A presidente Dilma volta ao Brasil no domingo. Está na Inglaterra desde ontem, para acompanhar as cerimônias de abertura das Olimpíadas, com direito até a tomar chá com a Rainha. Oito ministros a acompanham, entre votos para que venhamos a conquistar algumas medalhas de ouro.
O diabo está no amargo retorno, com a necessidade de o governo agir, ou ao menos pronunciar-se, sobre a denúncia de que 520 bilhões de dólares brasileiros encontram-se nos paraísos fiscais, sem pagar impostos e rendendo horrores para seus proprietários. A equipe econômica não sabe o que fazer.
Mas tem mais. Dilma precisará administrar as disputas entre partidos de sua base, nas eleições municipais de outubro. Mesmo ajudada pelo Lula, só a ela caberão certas definições de governo. Acresce que o desemprego vem crescendo, enquanto o PIB diminui. A criminalidade e a violência multiplicam-se, assim como as greves no serviço público permanecem inconclusas.
O Congresso reabre na próxima semana, com deputados e senadores carregados de reclamos colhidos em suas bases. E ainda por cima o preço do tomate aumentou 230%. Não fosse sua natureza forte, Dilma teria decidido ficar em Londres até o fim das Olimpíadas.
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A POMBA BÊBADA
Empolgou o país a imagem de uma pombinha branca pousada no esquife de D. Eugênio Salles, quando de seu enterro na Catedral do Rio de Janeiro. Eram coisas do céu, mesmo sem a necessidade de exaltação maior da imagem do saudoso prelado. Pois agora o repórter Carlos Newton revela que a pomba não veio voando do paraíso. Foi arremessada a poucos metros do altar, sobre o caixão do cardeal, por um mais do que solícito cristão que entrou no templo com ela no bolso.
Pior ainda: a ave estava bêbada, quer dizer, havia sido forçada a ingerir cachaça para não poder movimentar-se nem bater asas naturalmente. É claro que artifício tão pueril em nada ofusca a obra e a memória de D. Eugênio, mas encenações como essa carecem de grandeza.
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NÃO SERÁ TÃO FÁCIL ASSIM
Não há nada a opor à pretensão do senador Renan Calheiros de voltar a presidir o Senado. Pertence à velha guarda do PMDB, a maior bancada, conta com o apoio dos companheiros do PT e de outros partidos da base oficial e não contrariará, propriamente, os desejos da presidente Dilma. Afinal, era apenas no tempo dos generais-presidentes que as escolhas se faziam no palácio do Planalto. Mesmo assim, como bissextamente se ouve nos corredores vazios do Congresso, a chefe do governo preferiria Edison Lobão no comando do Senado. Por causa disso…
Agora, quem vai para o centro do palco é Roberto Jefferson, aquele que pela primeira vez denunciou o mensalão, então isentando o Lula de qualquer participação e carregando acusações em José Dirceu. Pois da noite para o dia o ex-deputado cassado, ainda presidente do PTB, volta em 180 graus suas baterias, denunciando que além de saber de tudo, o ex-presidente era o verdadeiro chefe, tendo ordenado a operação de compra do voto de deputados por 30 mil reais mensais a cabeça.
Assim estamos a poucos dias do inicio do julgamento dos mensaleiros pelo Supremo Tribunal Federal, não constituindo surpresa se de ontem para hoje novos acusados tiverem escoado para a mídia mais contradições, denúncias e desmentidos. Na verdade, estão todos apavorados com a perspectiva de condenações. São 38, ao todo, entre estrelas de primeira grandeza e penduricalhos de pouca significação. Assusta-os a possibilidade de saírem do plenário da mais alta corte nacional de justiça diretamente para uma cela nas instalações da Polícia Federal, condenados sabe-se lá a quantos anos de cadeia.
Seus advogados não se entendem, se um dia já se entenderam. De acordo com a lógica, trabalham para livrar o seu cliente, ainda que às custas do vizinho do lado. Não há hipótese de o Lula ser transformado em parte no processo. A tentativa foi rejeitada por decisão do ministro-relator do processo, Joaquim Barbosa. Coisa que não impede de respingarem sobre o ex-presidente pedacinhos de barro jogados no ventilador por parte de alguns mensaleiros.
Faltando sete dias para o início do julgamento, é natural que a cada dia surjam mentiras e verdades envolvendo um dos maiores escândalos da crônica da República, o primeiro, por sinal, a ser conduzido à transparência do Poder Judiciário. A situação, para os indigitados réus, está de vaca não conhecer bezerro…
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O AMARGO RETORNO
A presidente Dilma volta ao Brasil no domingo. Está na Inglaterra desde ontem, para acompanhar as cerimônias de abertura das Olimpíadas, com direito até a tomar chá com a Rainha. Oito ministros a acompanham, entre votos para que venhamos a conquistar algumas medalhas de ouro.
O diabo está no amargo retorno, com a necessidade de o governo agir, ou ao menos pronunciar-se, sobre a denúncia de que 520 bilhões de dólares brasileiros encontram-se nos paraísos fiscais, sem pagar impostos e rendendo horrores para seus proprietários. A equipe econômica não sabe o que fazer.
Mas tem mais. Dilma precisará administrar as disputas entre partidos de sua base, nas eleições municipais de outubro. Mesmo ajudada pelo Lula, só a ela caberão certas definições de governo. Acresce que o desemprego vem crescendo, enquanto o PIB diminui. A criminalidade e a violência multiplicam-se, assim como as greves no serviço público permanecem inconclusas.
O Congresso reabre na próxima semana, com deputados e senadores carregados de reclamos colhidos em suas bases. E ainda por cima o preço do tomate aumentou 230%. Não fosse sua natureza forte, Dilma teria decidido ficar em Londres até o fim das Olimpíadas.
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A POMBA BÊBADA
Empolgou o país a imagem de uma pombinha branca pousada no esquife de D. Eugênio Salles, quando de seu enterro na Catedral do Rio de Janeiro. Eram coisas do céu, mesmo sem a necessidade de exaltação maior da imagem do saudoso prelado. Pois agora o repórter Carlos Newton revela que a pomba não veio voando do paraíso. Foi arremessada a poucos metros do altar, sobre o caixão do cardeal, por um mais do que solícito cristão que entrou no templo com ela no bolso.
Pior ainda: a ave estava bêbada, quer dizer, havia sido forçada a ingerir cachaça para não poder movimentar-se nem bater asas naturalmente. É claro que artifício tão pueril em nada ofusca a obra e a memória de D. Eugênio, mas encenações como essa carecem de grandeza.
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NÃO SERÁ TÃO FÁCIL ASSIM
Não há nada a opor à pretensão do senador Renan Calheiros de voltar a presidir o Senado. Pertence à velha guarda do PMDB, a maior bancada, conta com o apoio dos companheiros do PT e de outros partidos da base oficial e não contrariará, propriamente, os desejos da presidente Dilma. Afinal, era apenas no tempo dos generais-presidentes que as escolhas se faziam no palácio do Planalto. Mesmo assim, como bissextamente se ouve nos corredores vazios do Congresso, a chefe do governo preferiria Edison Lobão no comando do Senado. Por causa disso…
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